domingo, 4 de julho de 2010

Educação e tecnologia no contexto das trocas humanas



A escola deve integrar as tecnologias de informação e comunicação porque elas já estão presentes e influentes em todas as esferas da vida social, cabendo à escola, atuar no sentido de compensar as terríveis desigualdades sociais e regionais que o acesso desigual a estas máquinas está gerando. - Maria Luiza Belloni
Diante da revolução tecnológica, as tecnologias da informação ocupam lugar de destaque na transformação dos modos de vida na medida em que engendram potencialidades e limitações. A educação formal precisa inserir em sua pauta a problematização dessa realidade que já povoa o cotidiano de boa parte de educandos.
Em face desse quadro, faz-se necessário compreender as relações entre as tecnologias da informação e a educação, pois o que está em questão é a maneira de viver daqui em diante sobre o planeta. A revolução informacional abalou as antigas relações espaços-temporais ao subverter distâncias e períodos de tempo. Sem embargo, os diversos campos sociais não têm se apropriado dos meios informacionais para enfrentar a ameaça premente à reprodução, produção e identidade humanas.
Não é de se admirar que a educação formal insista em desconsiderar a pertinência das relações entre as tecnologias da informação e processos educacionais? No que se refere ao campo da educação, é imprescindível instituir uma conexão com as tecnologias da informação, o que beneficiará a todos os atores do processo educativo. Não obstante, há que se ponderar acerca da rápida multiplicação, especialmente nas periferias, das chamadas lanhouses – estabelecimentos que propiciam, a preços acessíveis, o acesso à internet.
Os sistemas educativos precisam reconhecer sua responsabilidade frente ao desafio de promover o contato e a crítica das tecnologias da informação. O discurso, amplamente difundido, que impõe à mídia um caráter nocivo precisa ser superado por uma nova crítica reconhecedora de que esse trabalho é condição sine qua non para a educação para a cidadania.
Neste contexto, quais relações a educação pode continuar tecendo com as novas tecnologias da informação na promoção de modos de vida plena? Haveria a possibilidade de mobilizar as forças decorrentes da revolução informacional para a reinvenção do meio ambiente, do enriquecimento dos modos de vida e de sensibilidade?
A integração da educação com as tecnologias da informação é antes um processo de troca humana, de produção, de circulação, utilização e reflexão acerca das diversas mensagens. Não mais em territórios fechados e demarcados por fronteiras epistemológicas, mas procedendo ao exame e criação de relações potencializadoras de infinitas conexões com a globalidade da vida.
Ao propor neste artigo uma reflexão acerca da educação e suas relações com as tecnologias da informação, intento promover o entendimento da complexidade da educação – constituída por amplos e complexos processos – e suas relações com as tecnologias da informação. A educação é compreendida como intimamente ligada à percepção da complexidade das transformações histórico-sociais que surgem em consequência das mutações técnico-científicas, em especial da notável revolução das tecnologias da informação.
A questão colocada pelas tecnologias da informação à educação é a maneira de viver daqui em diante sobre o planeta. Ou seja, é fato que toda essa revolução informacional muda drasticamente as relações espaços-temporais e torna disponível uma quantidade cada vez maior do tempo de atividade humana potencial. Por outro lado, as forças sociais têm se demonstrado incapazes de se apropriar desses meios informacionais no desenvolvimento de potenciais humanos para fazer frente a um mundo que se deteriora lentamente. Assim, o desafio educacional da atualidade consiste em revisitar paisagens e (des)construir territórios há muito esquecidos, na tentativa de justificar a pertinência do uso das tecnologias da informação na ambiência educativa.

Márcia Carvalho.

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