quinta-feira, 15 de julho de 2010

Compre uma estatal você também



Um grande processo de vendas e empréstimos bilionários com prazos a perder de vista. Para comprar uma casa são necessários declaração de renda, extrato de banco, fiadores, carteira assinada ou declaração de autônomo, entre mil e outras dificuldades. Empréstimos são feitos com juros altíssimos, paga-se três vezes o valor inicial do imóvel. Entretanto, se você deseja comprar uma estatal é muito simples: o governo te empresta o dinheiro, divide em várias vezes e aumenta as tarifas e juros para o consumidor antes da venda. Desse modo, você não será vítima de protestos ou prejuízos.
O processo de privatização no Brasil ocorreu e ocorre desta forma: o governo financia milhões e vende as empresas em leilão a preço de bananas podres. Gasta com a empresa antes da venda e divide o pagamento ao comprador em anos. A promessa é sempre a mesma: será melhor para o País, faz parte da reforma do Estado, e o bobo cidadão cai mais uma vez na história da bela adormecida: adormecem enquanto as coisas estão acontecendo e acreditam no primeiro discurso retórico que lhes aparece.
Memória? O que significa essa palavra? Brasileiro não tem memória, foi roubado ontem, mas hoje vota novamente no ladrão; teve uma estatal privatizada, viu o aumento de preço, a baixa qualidade no serviço, mas continua a favor das muitas privatizações e monopólios. Todos se lembram dos famosos apagões depois que muitas companhias energéticas foram privatizadas. Além do baixo preço que pagaram pelas empresas e do aumento que puderam dar aos clientes, ainda tinham o direito de ter um serviço de péssima qualidade.
Não há nem o que dizer das empresas de telefonia, ligue em um call center e ouvirá você mesmo. Qualquer pedido leva horas, e cancelar é impossível, você ouvirá apenas o sinal de ligação perdida. A escolha é sua, seja a favor das privatizações, confie no que lhe dizem, se finja de surdo e cego e, quem sabe, compre você mesmo sua empresa. Privatize mais uma estatal a preço de moedas podres.


Catherine Moraes, jornalista.

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