quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Dicas para combater depressão e ansiedade sem medicamento


10 dicas para combater depressão e ansiedade sem medicamento


Psiquiatra com vasta experiência em psicofarmacologia a americana Sheenie Ambadar diz que seria muito fácil para ela basear seus tratamentos exclusivamente em medicamentos psiquiátricos.
As medicações psiquiátricas tem ação rápida e ela as recomenda regularmente em seu consultório para tratar uma série de problemas que vão desde depressão e ansiedade ao transtorno bipolar e insônia crônica.
Apesar disto ela está sempre atenta a outras formas igualmente importantes para melhorar estas patologias diretamente ligadas ao humor e ao bem-estar.
Alguns métodos são relacionados aos nossos modos de pensar e comportamentos diários.
Dentro deste contexto cita 10 dicas preciosas para melhorar principalmente a depressão e ansiedade sem medicação.

 

1. Limite seu tempo nas redes sociais virtuais
Quando as redes sociais são usadas como uma ferramenta ocasional para manter contato com amigos ou ficar no circuito social, pode ser uma distração útil. No entanto, quando são usadas para manter o controle constante sobre os outros ou para promover certa auto-imagem pode ter efeitos negativos como levar à insegurança, ciúmes, sentimentos errados de superioridade ou alternativamente sentimentos de inadequação. Limitando o tempo em sites de mídia social será uma das melhores coisas que você fará para sua saúde mental.

2. Pare de viver a vida de alguém
Muitas vezes a depressão ocorre quando acordamos um dia e percebemos que não estamos vivendo nossos sonhos e sim tentando agradar nossos pais, cônjuge, filhos ou amigos.
Sua vida é sua. Você é o único criador ou destruidor dela, mais ninguém.
Se você precisa estabelecer limites ou desgarrar de certas influências negativas na sua vida, que assim seja. Desenvolver a coragem de seguir a nossa própria estrela-guia pessoal levanta a auto estima reduzindo a sensação de estar preso.

3. Escreva sempre que puder
Manter um diário privado ou um registro por escrito de seus pensamentos pode ser uma das maneiras mais eficazes de lidar com transtornos de humor. O simples ato de escrever nossos pensamentos e sentimentos pode servir como uma catarse profunda e é especialmente útil se temos dificuldade de nos expressar verbalmente. Muitas vezes simplesmente nos sentimos melhor e menos estressados após uma triagem sistemática de nossas emoções na página escrita.

4. Pare de se comparar aos outros
Comparando-nos com outras pessoas é uma das maneiras mais rápidas para agravar a depressão e ansiedade. Claro que isso pode às vezes nos motivar a trabalhar mais, porém na maioria dos casos não é o que acontece. Esta comparação é desnecessária e um tremendo desperdício de tempo e energia. O vizinho ou amigo que você inveja por seu carro de luxo ou uma casa enorme ou corpo perfeito tem tantos problemas quanto você (se não mais). Tente se concentrar em si mesmo, na sua própria melhoria, na sua própria vida.

5. Tome suas vitaminas
Eu recomendo rotineiramente tanto óleo de peixe quanto as vitaminas do complexo B que trazem resultados muito positivos. Estudos mostraram que tomar óleo de peixe como suplemento contendo o potente Omega 3 podem ajudar com os sintomas de depressão, ansiedade e até com o transtorno bipolar. Além disso toda a gama de vitaminas do complexo B incluindo as vitaminas B12, B6 e o ácido fólico, podem ser úteis na regulação do humor.

6. Converse com as pessoas, com qualquer um
Muitos pacientes deprimidos se sentem solitários, sozinhos e sem amor. Às vezes passam dias ou mesmo semanas sem ter uma conversa com outro ser humano. Este grau de isolamento agrava exponencialmente humor. O simples ato de falar com outra pessoa, de abrir a boca e deixar que as palavras saiam pode melhorar o humor instantaneamente. Diga oi para o funcionário amigável no supermercado ou casualmente cumprimente alguém no ônibus. Provavelmente você se sentirá melhor imediatamente!


7. Tenha sempre um objetivo, uma meta
Realmente não importa se você tem um objetivo pequeno ou grande o importante é ter. Uma vida vagando sem rumo e sem propósito cria uma sensação de desconforto e frustração, contribuindo significativamente para sentimentos negativos. Mesmo um objetivo tão simples como “eu quero perder quatro quilos em dois meses” é uma ótima maneira de botar para fora a tristeza. Se você se dedicar a algo que tem significado pessoal para você sua vida terá mais sentido e foco. Escolha metas alcançáveis mais fáceis de conquistar e observe a elevação do seu humor em pouco tempo.

8. Leia sobre espiritualidade ou Astronomia
Isto pode parecer uma sugestão estranha, mas mesmo para os ateus e agnósticos obstinados por aí, lendo livros sobre espiritualidade ou astronomia pode ajudar a ver um “enorme cósmico universal”. Ponderando sobre as grandes questões da vida e enxergando a enormidade e complexidade do universo poderá nos ajudar a levar os nossos pequenos “Eus” um pouco menos a sério!

9. Tire um tempo só para você
As pessoas que reservam um tempo para si por dia ou por semana, seja por meio de meditação, yoga, ler um bom livro, uma oração diária, ou mesmo um banho quente demorado, muitas vezes se sentem mais calmas, em paz consigo mesmas e com o mundo.
Este “time” mesmo que seja apenas 15 minutos por dia pode impedir que as dificuldades diárias e disputas mesquinhas da vida te derrubem e ajuda a manter o controle sobre sua vida.

10. Trabalhe sua felicidade, ela não virá sozinha
A felicidade é um estado de espírito que requer prática, esforço e vigilância. Você tem que estar disposto a dar uma olhada sobre sua vida, cortar maus hábitos, pessoas negativas, fazer mudanças em suas expectativas internas e de comportamento.
Mas relaxe! Você tem todo o tempo do mundo. Não leve tudo tão a sério e faça as coisas no seu ritmo.
Daqui a dez mil anos a partir de agora, você não vai estar aqui. Até mesmo toda a raça humana pode não estar aqui! Então, tente ter a vida mais agradável e tranquila que você puder pois nosso período de tempo no planeta Terra é muito curto!
Você merece!

Fonte:dUniverso.com

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Like não é afeto, seguir de volta não é amizade e rede social não é vida real!


 

Like não é afeto, seguir de volta não é amizade e rede social não é vida real!

Estamos carentes. No fundo, somos carentes. Embora a gente tente viver sem ter que contar muito com os outros, existem momentos que parecem pedir a presença de alguém.

É perfeitamente possível ir ao cinema, a bares, a shoppings e a baladas sozinho, bem como curtir a própria casa sem companhia alguma. Porém, em determinadas situações, poder contar com alguém faz diferença.

Com a pandemia, as redes sociais foram importantes para que pudéssemos manter o contato com as pessoas que amamos, muitos de nós precisamos nos conectar online, relegando os encontros da vida real ao quase esquecimento.

 É possível bater papo em chats virtuais, inclusive escolhendo assuntos de interesse, entre outros, o que traz a ilusão de companhia verdadeira. Mas não: há uma tela separando os interlocutores, o que encoraja muitos a fingir, mentir, mascarar.

NÃO DÁ PARA CONFIAR APENAS NO QUE O OUTRO DIGITA, OU MESMO EXPÕE VIA WEBCAM.

Somos seres gregários, somos sentimentos e precisamos de troca de energia, de sentidos, de contato, de afeto. Precisamos de proximidade, de olho no olho, de abraços apertados.

Pode ser até bom conversar virtualmente com alguém que parece nos entender e nos conhecer bem, porém, o calor humano jamais será substituído por palavras ao longe.

Saber que tem alguém que virá até nós, quando assim for preciso, acalenta e acalma a nossa alma.

Sua conta no Instagram pode ter milhares de seguidores, sua lista de amigos no Facebook pode ser imensa, você pode participar de inúmeros grupos no WhatsApp, mas quem realmente se importa com você, a ponto de responder, ali ao lado, às suas chamadas doloridas, muito provavelmente é a pessoa que faz questão de se encontrar pessoalmente com você.

E, para essa pessoa, não importa a duração ou a frequência desses encontros e sim a intensidade da verdade que seu afeto carrega.

A GENTE ACHA QUE SE BASTA, QUE NÃO PRECISA DE NINGUÉM, MAS NEM SEMPRE É ASSIM, AMIZADE VERDADEIRA É FÔLEGO PARA A ALMA E FORTALECE O CORAÇÃO.

Quando o abismo abre sob nossos pés, a gente tenta procurar mãos que nos sustentem e abraços que nos confortem.

Um amigo, um irmão, um amor, não importa: nossa escuridão acaba procurando a luz no olhar de um outro além de nós.

A fé nos fortalece e é imprescindível, mas a luz de uma amizade que se importa com a gente nos empurra, faz a gente esperançar coisas melhores.

Se você se sente sozinho e acredita que não tem com quem contar, está na hora de procurar ajuda profissional para abrir caminhos para novos relacionamentos, mais reais e honestos.

Robson Hamuche.

 

 

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Estudo aponta que restrições contra a covid podem ter tido eficácia para outra doença

Vão fazer dois anos que o mundo, com raríssimas exceções, passou a viver sob restrições e recomendações radicais de distanciamento social. A maioria de nós está usando máscaras, mais atenta a higiene das mãos, mais atenta a higiene das superfícies, evitando aglomerações e tomando cuidados. O objetivo de todas essas ações é um só: frear o avanço da covid-19. Mas e se essas mesmas medidas tiverem tido afetado outra doença também?

As restrições contra a covid-19, adotadas pela maioria dos governos do mundo, são recomendadas contra doenças virais respiratórias, a maioria delas. A covid, assim como outros vírus, se espalha pelo ar principalmente – embora também possa ser transmitida indiretamente pelo contato com superfícies contaminadas. Então, partindo dessa lógica, um “lockdown” mundial pode ter sido eficiente contra muitas das doenças respiratórias virais, certo? Ao que indica um novo estudo, sim.

O estudo foi publicado na Nature Reviews Microbiology e sugere que as medidas contra a covid-19 podem ter sido capazes de extinguir, pelo menos, duas linhagens inteiras da gripe. Por que isso é importante? A gripe pode parecer uma doença inofensiva, afinal de contas a maioria das pessoas já teve, ou vai ter. No entanto, não se pode esquecer que a gripe ainda é causada por um vírus que, assim como a Sars-Cov, tem sido capaz de evoluir e se transformar.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Melbourne e sugere, dentre várias coisas, que linhagens inteiras da gripe foram extintas. Mas não é só isso, o estudo aponta que linhagens sobreviventes da gripe foram estruturalmente afetadas. Isso é resultado das medidas contra a covid-19, que foram adotadas de forma global.

A pandemia de SARS-CoV-2 viu uma redução global notável nos casos de influenza dos vírus A e B”, apresentam os responsáveis pela pesquisa. “Em particular, a linhagem B / Yamagata não foi isolada de abril de 2020 a agosto de 2021, sugerindo que esta linhagem de influenza pode ter se tornado extinta, o que pode fornecer oportunidades para melhorar a disponibilidade e eficácia das vacinas contra influenza.

Existem quatro tipos de vírus da gripe: A, B, C e D – embora, como humanos, realmente só precisemos nos preocupar com A e B, já que o tipo C geralmente causa apenas doenças leves e o tipo D infecta apenas gado. A gripe A, que muda rapidamente e é diversa, é o tipo que causa as pandemias. Os clados da influenza B – por exemplo, B / Yamagata – tendem a se limitar a surtos de gripe sazonal.

Apesar de os tipos de Influenza B evoluírem mais lentamente, os epidemiologistas ainda conseguem ver algumas dezenas de novos vírus se desenvolvendo por mês. Desde março de 2020, no entanto, nenhum vírus B / Yamagata foi detectado. Até mesmo certos vírus Influenza A foram reduzidos, com o número de detecções de vírus H1N1 (também conhecido como gripe suína) e H3N2 caindo uma ordem de magnitude ano após ano.

É claro que isso não significa que não existe mais gripe ou que não devemos mais nos preocupar. Pelo contrário! Também é importante lembrar que este é um estudo local, que analisou dados locais. Sendo assim, embora seja uma descoberta incrível, ainda diz respeito apenas a uma área específica e precisa ser continuado em novas análises.

 

Roberta M.

 

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Angústia: Quando a pessoa tem tudo e não consegue ser feliz com nada

Ter metas e objetivos claros dão sentido a nossa vida, mas quando temos tudo que qualquer um daria a vida para ter e, mesmo assim, não conseguimos nos sentir satisfeitos, esse é um claro sinal de que vivemos uma patologia: a insatisfação crônica.

Você conhece alguém que tem tudo o que você sempre quis e, mesmo assim, reclama, sente angústia e não consegue sentir prazer em viver?

Ele claramente é um privilegiado e, sabe disso, mas não consegue se sentir satisfeito com a própria vida. O seu foco sempre está no problema, quando não é seu, é do outro e, por isso, ele sente que alguma coisa sempre está errada, que algo sempre falta, nada é o bastante, mas quando ele para e analisa a sua vida, ele percebe que tem tudo. Então onde está o problema?

Sentir que algo te falta deveria ser motivo de busca e não de reclamação, deveria te impulsionar a ir de encontro a satisfação, mas muitas pessoas, desenvolvem uma habilidade sabotadora de alimentar insatisfações, em vez de, valorizar as suas conquistas, esse comportamento gera angústia, um sentimento que não se sabe explicar.

A angustia chega, geralmente, quando não nos conhecemos, quando nos perdemos no corre-corre mundano e não damos atenção ao que estamos sentindo.

A essa confusão de sentimentos chamamos de angustia.

Quando temos a percepção da ausência do que queremos, desejamos suprir, porém, existem pessoas que possuem tudo e ainda assim, querem mais, criam expectativas irreais e sofrem diante da ilusão de uma vida sem problemas.

 A falta de “não se sabe o que” nos comove e nos move à conquistar aquilo que, para nós, seria o ideal, porém, quando o ideal já foi conquistado, e mesmo assim, sentimos falta de algo, isso revela que a falta que sentimos é de nós mesmos.

O ser humano é movido por prazer

Para se sentirem satisfeitos diante da vida, os seres humanos precisam da sensação de prazer. O cérebro libera dopamina, um dos neurotransmissores que causa maior dependência, por ser altamente euforizante.

As primeiras conquistas são sempre de maior impacto emocional, por marcar profundamente as circuitarias neuronais com a sensação de prazer do desejo realizado.

 Em busca dessa primeira experiência, seguimos tentando resgatar essa mesma memória afetiva positiva, com deslocamentos e substituições. Já que a experiência original jamais se repetirá.

Ao perceber que é impossível sentir prazer o tempo todo, o ser humano cultiva frustrações.

Mesmo diante de suas conquistas, muitas pessoas se sentem insatisfeitas e buscam diariamente algo que seja capaz de liberar novamente uma “cascata de dopamina” em seu cérebro.

A isso chamo de “insatisfação crônica, quando a pessoa está viciada em prazer e não conseguem valorizar o que já possui.

 Nesses tempos onde a preocupação é de parecer ser e não de ser efetivamente, a pessoa troca a essência pela aparência, e sofre os efeitos colaterais de uma vida inautêntica.

Essa insatisfação cronificada, retira o colorido dos dias. Com a vida emocional nublada, o que sobra é um manto de insatisfações a pesar sobre os ombros.

Nosso cérebro primitivo tende a sentir as emoções negativas com maior intensidade, por ser estas, altamente necessárias à sobrevivência e preservação da espécie, esse é um registro pré histórico que nos manteve vivos até então.

Compreender esse mecanismo, nos faz aceitar o programa biológico, porém, nos retira a competência de desenvolver um sistema emocional/racional equilibrado e lógico.

Nosso cérebro é um equipamento biocomputacional, de alta performance, basta sermos um programador a altura da competência dessa ferramenta, para desenvolvermos “softwares” que promovam a reconfiguração e formatação mais adaptativa e funcional do nosso sistema original.

É possível quebrar a corrente que nos prendem a insatisfação crônica, porém, precisamos antes de mais nada desenvolver a capacidade de nos sentir gratos pela nossa vida e por tudo de bom que existe nela. Essa gratidão traz alegria a vida, e a alegria é um combustível que promove a satisfação pelas pequenas coisas.

Quando efetivamente, colocamos as coisas à serviço das pessoas e não invertemos a posição dessa relação sujeito x objeto, conseguimos entender de fato o para quê, em vez de, por quê estamos aqui.

A existência humana não é uma pergunta sem resposta. Mas cada um precisa dar um sentido para a própria vida, precisa encontrar um propósito que promova o bem-estar não apenas de si mesmo, mas para os outros e para o mundo de uma forma geral.

 Quando o que fazemos, ou o serviço que prestamos não gera esse bem que é necessário para nos sentirmos realizados, por mais que ele nos conceda prazeres imediatos e gere um bom retorno financeiro, internamente, não nos sentimos satisfeitos.

A SATISFAÇÃO NASCE DO BEM QUE REALIZAMOS E SE, CONTINUAMENTE, PROMOVEMOS O MAL-ESTAR, COM PENSAMENTOS, EMOÇÕES, SENTIMENTOS E AÇÕES NEGATIVAS, PODEMOS TER TUDO, MAS NUNCA NOS SENTIREMOS SATISFEITOS COM NADA.

Se você se sente assim, insatisfeito, mesmo tendo muitos motivos para se alegrar, está na hora de procurar ajuda profissional para se curar dessa insatisfação crônica, não acha? Essa insatisfação poderá te levar a desenvolver patologias físicas, mentais e emocionais, não negligencie isso.

O que você acha que leva uma pessoa que tem tudo a se sentir infeliz com a própria vida?

Fabiano de Abreu

 

domingo, 17 de outubro de 2021

VOCÊ SABIA QUE O RIO AMAZONAS 'TEM RAÍZES' NA ÁFRICA?

 

Durante muito tempo, africanos e sulamericanos disputaram quem tinha o rio mais longo do mundo: o Nilo ou o Amazonas. Cada um tem quase 7 mil quilômetros de comprimento e essa disputa é bem difícil de resolver, porque depende de onde você começa a medir e quais são seus métodos para isso. Ainda assim, em termos de fluxo de água, o Amazonas deixa o Nilo, com uma vazão de 209 mil m3/s por segundo — mais que os sete outros maiores, juntos!

Independentemente de quem é o maior, a África também tem papel na formação do nosso maior rio — e seu nascimento está ligado a outro rio importante do continente, o Congo.

  


A bacia do Amazonas é a maior do mundo (Imagem: Wikimedia Commons)

As origens em Gondwana

Você talvez se lembre, das aulas de geografia na escola, que o mundo já teve apenas um grande supercontinente, que depois se dividiu em dois. Um deles era Gondwana, que era formado pela América do Sul, África, Antártica, Austrália e o sub-continente indiano. 

É lá que começa a história do Rio Amazonas, em um grande curso d'água que atravessava o continente. Esse curso era unido com aquele que formaria a bacia do Rio Congo. Quando os dois continentes se separaram, cada rio iniciou sua história particular.

Do lado de cá, conforme a placa tectônica sul-americana se aproximou da de Nazca, uma montanha foi formada onde hoje está o nordeste brasileiro, fechando o fluxo com o Oceano Atlântico. Nessa época, o Rio Amazonas corria "ao contrário" desaguando no Pacífico.

Contudo, milhões de anos depois, nossa placa se chocou com a de Nazca, começando a formação dos Andes. Na medida em que a cadeia de montanhas foi ficando mais alta, o Rio Amazonas não conseguiu mais desaguar no Pacífico. Com isso, se formou um grande mar (ou lago) no meio da América do Sul. 

É legal observar que, nessa separação, diversas espécies de água doce surgiram — como os botos, que são parentes dos golfinhos que vivem no mar. Também há diversos tipos de raias que vivem no Rio Amazonas que tem origens comuns com animais do Oceano Pacífico.

Então o mar virou rio

Durante uma era glacial, o grande mar começou a tomar a forma de um rio e milhões de litros de água dos Andes se integraram à bacia amazônica, contribuindo para que ela se tornasse a maior do mundo. Além disso, a erosão e outros fenômenos, ao longo dos anos, fizeram com que as montanhas do leste do continente cedessem e abrissem passagem para o rio. 

É assim que o Rio Amazonas começou a correr para o leste, desaguando no Atlântico, como hoje. Também foi nessa época que a Floresta Amazônica como conhecemos surgiu no lugar daquele enorme mar. Estima-se que o Rio Amazonas tomou sua forma atual por volta de 3 milhões de anos atrás.


O Rio Amazonas como conhecemos hoje surgiu "recentemente" (Imagem: Wikimedia Commons)

Para terminar, é interessante observar que dizer que o Rio Amazonas nasceu na África é forçar um pouco a barra: o rio atual tem origens na bacia proto-Amazonas-Congo de Gondwana e mudou muito até se tornar o que é hoje, como explicamos. Mas esse título e a história contada aqui nos ajudam a lembrar de como a natureza é dinâmica e está sempre em evolução. 

EVANDRO VOLTOLINI

 

sábado, 16 de outubro de 2021

O ignorante, infelizmente, sempre acha que já sabe tudo!

Quando não sabemos ou não temos conhecimento sobre um assunto, devemos perguntar a quem sabe, pior seria falar o que não sabe, fingindo que sabe, não acha?

O IGNORANTE NÃO ACEITA QUE NÃO SABE, ELE ACREDITA QUE SABE! ELE TEM RESPOSTAS PRONTAS PARA TUDO, E ELAS SÃO CARREGADAS DE PRÉ-CONCEITOS.

Muitas pessoas evitam de fazer perguntas porque acreditam que o que vão perguntar vai ser recebido pelo outro, que já sabe, como uma besteira, uma banalidade, e que poderá ser julgado de qualquer forma, como ignorante ou burro.

Essa vergonha de perguntar o que não sabe faz muita gente passar uma vergonha ainda maior quando concordam com coisas totalmente fora de propósito apenas porque não sabem nada sobre o assunto e por isso, acabam se deixando manipular, ou quando discordam de algo totalmente fundamentado pela ciência, e tenta impor argumentos fracos e com pouco conteúdo embasado.

PERGUNTAR NÃO AGRIDE E NÃO OFENDE, MAS AFIRMAR BOBAGENS SIM.

Portanto, sempre que não souber algo ou não tiver argumentos suficientes para defender uma tese, não se acanhe, pergunte, essa foi uma das melhores lições que aprendi durante os anos que cursei jornalismo.

Aprender a fazer perguntas e as direcionar às pessoas certas, que realmente podem trazer respostas sábias, é assumir um poder imensurável.

Perceba que eu disse “pessoas certas”, porque não adiantará em nada você perguntar algo sobre psicologia para um oficial do exército, é óbvio que se esse oficial tiver alguma formação na área, ou tiver feito terapia a vida toda, ele terá algo produtivo a te dizer, esse foi só um exemplo, o que eu quis dizer é que você deve se direcionar as pessoas que possuem experiência na área que você quer conhecer.

Como jornalista, se eu preciso saber quais são as novas descobertas da ciência em relação a mente humana eu procuro um especialista em neurociência, se eu quero saber sobre política, eu procuro um especialista em ciências políticas, e assim por diante. Não adiantará nada eu perguntar para o meu “tio”, “amigo”, “vizinho” o que eles acham do governo atual, porque eles trarão divagações e distorções que são em sua maioria, “achismos”.

O que quero dizer é que devemos perguntar sim, tudo o que não sabemos, mas para as pessoas que possuem condições de nos trazer respostas e não para aquelas que nos colocarão mais dúvidas.

Uma boa pergunta é capaz de dissolver a ignorância. Tem o poder de te tirar da ilusão e te trazer para a realidade dos fatos.

O ignorante não faz perguntas, ele tira as próprias conclusões e acaba se tornando arrogante, pois passa a defender linhas de pensamento um tanto quanto fantasiosas.

 Não podemos tirar nossas conclusões sem que antes se esgotem as perguntas. E só poderemos dizer que formamos uma opinião sólida a respeito de qualquer assunto para que possamos falar sobre ele com propriedade e credibilidade, quando as respostas que recebemos forem realmente pautadas na verdade e embasadas em estudos consistentes.

Caso contrário serão apenas distorções da verdade, criadas pelo ego inflado ou pelo ego ferido que quer a todo custo estar certo.

Não seja essa pessoa ignorante que tira conclusões precipitadas, culpa e julga os outros sem ter argumentos comprovatórios, e ainda se sente no direito de ser arrogante com as pessoas que possuem opiniões contrárias.

Perguntar o que não sabe, não é besteira, é sinal de humildade, de interesse, de vontade em aprender, em evoluir, em ser melhor.

Portanto, não se acanhe, pergunte sempre que você tiver alguma dúvida, mas pergunte para as pessoas certas, ok? Não se deixe envenenar ou enganar.

Mas se você não consegue fazer perguntas, se você tem vergonha, o melhor é fazer pesquisas online em sites verificados, e não, nunca, jamais, em sites que sejam tendenciosos para um lado ou para o outro. Outra coisa que o jornalismo me ensinou é que devemos sempre buscar a verdade e que a verdade nunca tem apenas um lados, sempre existem pelo menos dois pontos de vistas para um única questão ou fato. Por isso, precisamos sempre ouvir os dois lados.

Para ouvir os dois lados precisamos desenvolver algo extremamente difícil para o ego, a humildade. Mas como desenvolver a humildade em um mundo tomado pelo egoísmo?

Direi a você:

1 – Aceitando suas limitações – Admita que você não é o melhor em tudo – nem em nada. Não importa o quão talentoso você seja, quase sempre há alguém que pode fazer algo melhor do que você. Isso não é um exercício de comparação, ok? É apenas uma constatação e uma motivação para buscar melhorar todos os dias e para não tentar se sobrepor aos outros.

 2 – Admira os seus erros – Uma pessoa humilde nunca culpa os outros, sempre assume as responsabilidades diante dos acontecimentos da sua vida. Ela sabe que não é fácil admitir pra si mesmo, mas também sabe que jogar a culpa no outro vai a impedir se tornar uma pessoa melhor.

3 – Não fique na defensiva – a pessoa que está sempre na defensiva, morre de medo de ser responsabilizado por algo, ou de assumir a sua culpa, ou de ser descoberto, ela quer ser vista como perfeita e está sempre se gabando por aí. Não seja essa pessoa! Se você tiver feito algo, assuma a responsabilidade, só assim você poderá aprender e se tornar melhor, caso contrário, você se tornará a cada dia, um pouco pior.

4 – Não queira o reconhecimento só para si – Ninguém faz nada sozinho, por mais que você tenha feito mais ou tido a ideia, aprenda a reconhecer que você precisa dos outros, e que sem eles não seria possível chegar onde você chegou.

5 – Seja grato pelo que você tem e por tudo o que você aprendeu – A vida é uma caixinha de surpresas e quanto mais somos gratos, mais surpresas boas que nos darão motivos para agradecer se apresentam em nossa vida!

Busque sempre a verdade e lembre-se:

PERGUNTAR NÃO OFENDE, NÃO AGRIDE, E NÃO É MOTIVO DE VERGONHA, MAS AFIRMAR O QUE NÃO SABE SIM, É VERGONHOSO E DEMONSTRA IGNORÂNCIA E ARROGÂNCIA!

Por tanto, pergunte com humildade, e pergunte para quem tem conhecimento para te responder, não para quem vai divagar e discursar embasado apenas nos seus próprios interesses e controlado pelo ego.

Não se contente com um olhar ignorante diante da vida, busque experimentar algumas doses de sabedoria.

Iara Fonseca.

 

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Fuja de quem se lembra dos pecados de todo mundo, mas se esquece do mal que fez

Fuja de quem se lembra dos pecados de todo mundo, mas se esquece do mal que fez!

Ninguém consegue ser bom o tempo todo, falar com doçura, sorrir com verdade. Somos humanos e, portanto passíveis de erros e vacilos, somos seres em construção diária.

Inevitavelmente, uma ou outra hora, erraremos, magoaremos alguém, falaremos o que não deveríamos. Reconhecer isso e tentar melhorar é o que nos resta.

O que importa, na verdade, é termos consciência do que fizemos, dissemos, da forma como atingimos as vidas das outras pessoas.

Não poderemos sair por aí fazendo o que quisermos, tentando tão somente atingir nossos objetivos, sem enxergar as pessoas ao nosso redor e seus sentimentos.

Não poderemos nos isentar de qualquer responsabilidade sobre quem caminha conosco.

Conviver requer olhar para além de si mesmo, para que nosso comportamento se adeque a uma postura minimamente empática.

Tentar entender as dores alheias, a maneira como recebem o que ofertamos, o modo como somos vistos, tudo isso nos ajudará a nos tornarmos alguém mais humano e digno.

A ESCUTA E O OLHAR NÃO PODEM APENAS ESTAR VOLTADOS PARA O NOSSO MUNDINHO. LÁ FORA TEM MAIS GENTE, TEM MAIS SENTIMENTOS, TEM OUTROS MUNDOS.

Isso não quer dizer que devemos agir de acordo com o que os outros querem ou esperam, mas sim que nossa autenticidade não deve passar por cima de ninguém, caso estejamos machucando quem não merece.

SEMPRE HAVERÁ QUEM CRITICARÁ, QUEM DESABONARÁ NOSSAS CONDUTAS, SIMPLESMENTE PORQUE MUITAS PESSOAS ESTÃO VAZIAS E SE PREENCHEM COM AS VIDAS ALHEIAS.

“Sempre haverá quem enxergará o mal em você e no mundo, mas nunca nelas mesmas”. Iara Fonseca

Identificar os julgadores de plantão que apontam os dedos, sentados sobre os próprios erros, será providencial em nossa jornada.

Isso porque assim seremos capazes de continuar caminhando com nossas verdades, sem dúvidas quanto ao nosso direito de ser feliz.

Teremos a certeza de que estamos no caminho certo, a despeito dos julgadores de plantão.

Portanto, fuja de quem se faz de desentendido e esquece o mal que fez, mas se lembra do pecado de todo mundo.

AMNÉSIA SELETIVA. MANTENHA MUITA DISTÂNCIA. LÉGUAS

Prof. Marcel Camargo

 

 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

AVE MAIS PERIGOSA DO MUNDO FOI DOMESTICADA POR HUMANOS HÁ 18 MIL ANOS

 

Segundo estudo publicado pela Penn State University, o casuar, ave considerada a mais perigosa do mundo, pode ter sido o primeiro indivíduo do gênero a ser domesticado por humanos há cerca de 18 mil anos. A pesquisa indica que o processo de criação ocorria mesmo antes dos espécimes nascerem, porque ovos ainda não eclodidos eram coletados na antiga região que hoje é ocupada pela Nova Guiné.

O estudo teve como base a análise de mais de mil fragmentos de cascas de ovos fossilizadas encontradas durante escavações de abrigos de rochas utilizados por caçadores-coletores na Nova Guiné. Processos de datação por carbono indicaram que os artefatos têm idades que variam de 18 mil a 6 mil anos, localizadas aproximadamente na mesma época em que os humanos domesticaram as primeiras espécies de galinhas.


(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em paralelo à observação dos fragmentos, os especialistas utilizaram imagens 3D de alta resolução para inspecionar o interior dos ovos de animais vivos, como perus, emas e avestruzes, possibilitando a construção de um modelo que apresentava diversas versões dos ovos durante todos os processos de incubação. Assim, ao compará-los com os artefatos dos abrigos, os cientistas concluíram que grande parte dos fósseis estavam maduros e com embriões plenamente formados.

Para criar ou para comer?

De acordo com Kristina Douglass, professora assistente de antropologia e estudos africanos na Penn State University, os humanos aparentemente estavam tanto coletando os ovos para criação quanto para alimentação. Isso porque a consistência do material das cascas variava, e enquanto umas mostravam sinais de amadurecimento, outras mostravam evidências de que não havia nada dentro. 


(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Os ovos de casuar eram então cozidos e consumidos apenas quando o conteúdo interno era estritamente líquido. “Hoje nas terras altas as pessoas criam filhotes de casuar até a idade adulta para coletar penas e consumir ou comercializar as aves. É possível que os casuares também tenham sido muito valorizados no passado, já que estão entre os maiores animais vertebrados da Nova Guiné”, disse Douglass.

A especialista ainda sugere que os caçadores encontravam os ninhos dos animais ao irem atrás de indivíduos machos, já que eles não deixam o ninho enquanto não houver outro companheiro supervisionando e não saem para procurar comida durante o estágio de incubação.

A ave mais perigosa do mundo

Com características físicas que se assemelham às de dinossauros, o casuar é o maior vertebrado existente na Nova Guiné e serve como matéria-prima para a fabricação de enfeites, acessórios e roupas cerimoniais. Atualmente, o grupo se encontra dividido entre três espécies, geograficamente localizadas na Nova Guiné e Austrália, e o menor indivíduo deles, o casuar-anão, consegue atingir um peso de até 20 quilos.

O animal chama a atenção pelas garras longas e por ser bastante territorialista, o que lhe denota uma certa agressividade contra ameaças a sua zona. Porém, domesticá-lo não foge totalmente das possibilidades, já que o animal é conhecido por se apegar à primeira coisa que vê depois que deixa o ovo.

ANDRÉ LUIS DIAS CUSTODIO

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Ajude as pessoas, mas não se responsabilize pelos erros delas!

 

Ajude as pessoas, mas não se responsabilize pelos erros delas!

Eu preciso ter empatia, mas não posso carregar, dentro de mim, sofrimentos que eu não causei. Eu devo ajudar as pessoas, mas não serei responsável pelos erros delas

O amor não é simples. Amar é uma delícia, é necessário, mas não é tranquilo.

Quando a gente ama a pessoa, tudo dela parece também ser da gente. Sua felicidade e sua tristeza. O que ela conquista, o que ela perde. O que nela é prazeroso, o que nela dói.

Amar é sair um pouco de si, para dar espaço ao que é do outro. E vem de tudo nesse acolhimento, inclusive o que não é muito bom.

É humanamente impossível, por exemplo, que pais consigam estar bem, quando o filho está passando por algum problema.

Da mesma forma, se um amigo muito querido ou o companheiro sofrem, não conseguimos nos desligar totalmente do que lhes acontece.

É essa a contrapartida mais difícil do amor. É essa uma das mais dolorosas formas de vivenciar as etapas amorosas de nossas vidas.

Não tem por onde, quando trazemos alguém para nossas vidas, temos que abraçar tudo o que vem junto.

Ninguém é perfeito, ninguém possui só levezas dentro de si, e os pesos emocionais que não são nossos acabam, de certa forma, atingindo-nos também.

Relacionar-se tem dessas coisas.

Relacionar-se implica abrir mão, renunciar, doar-se, olhar dentro dos olhos de quem, muitas vezes, clama por ajuda.

 É claro que jamais poderemos nos esquecer de nós mesmos nesse caminho. Se não estivermos inteiros, não conseguiremos interagir com o outro de uma forma saudável, nem seremos capazes de ajudar a quem precisa.

Não podemos é nos despedaçar ou nos anular em favor do outro. Não podemos é abrir mão da reciprocidade que deve pautar todo e qualquer tipo de relacionamento que tivermos.

Isso, sim, seria imperdoável.

O MUNDO CARECE DE EMPATIA, MAS MUITOS DE NÓS CARECEMOS TAMBÉM DE AMOR-PRÓPRIO.

A gente tem que se amar o bastante para não ter um emocional quebrado por conta do que é da alçada do outro.

 Eu preciso ter empatia, mas não posso carregar, dentro de mim, sofrimentos que eu não causei.

Eu devo ajudar as pessoas, mas não serei responsável pelos erros delas. É isso.

 Prof. Marcel Camargo

terça-feira, 12 de outubro de 2021

A série Round 6: inadequada para crianças, mas com algumas necessárias reflexões atuais

 

Breve análise sobre a famosa série da Netflix.

Eu não tinha intenção de assistir a tão propalada série da Netflix, a denominada Round 6 (um fenômeno de audiência), contudo, isso foi se alterando pela motivação de ter despertado também o interesse de muitas crianças (inclusive a minha filha), já que um dos chamarizes da série é a realização de provas baseadas em brincadeiras infantis, com pais descuidados caindo nesse canto da sereia e deixando crianças terem contato com o seu conteúdo, lembrando que a classificação etária é de 16 anos. Para se criticar ou elogiar, primeiramente, tem que se assistir.

Achei que deveria conhecer para fazer conexões com aspectos legais e também porque, como seres históricos e vivenciadores de fatos, entende-se, devemos compreender porque uma série dessas despertou tanto interesse social.

Contudo, a série em si traz questionamentos provocantes do ponto de vista da privacidade, intimidade, do sigilo, pois, como todos os participantes são captados e convidados a participar? De onde vem os seus dados? Imagina-se que, com violações ou dados vazados, o que coincide com o nosso momento atual de enorme fragilidade em segurança dos nossos dados, sendo o Brasil também um dos países que mais sofrem com os crimes digitais e golpes de diversas naturezas.

A violação de dados por si só já seria uma ilegalidade, inclusive por escolher as pessoas cientes de suas vulnerabilidades e considerando que esse “show” pode ser vendido para os telespectadores, online ou presencialmente (com lucro). De onde veio o dinheiro das premiações? Lembrando que no Brasil temos a Lei Geral de Proteção de Dados e outras normas, assim como em diversos países normas similares, já que o poderio das grandes empresas de tecnologia e bancos nos deixam fragilizados em diversos aspectos. No Brasil os empréstimos bancários equivalem à agiotagem legalizada.

Curiosamente, a própria série causou um incidente de privacidade: “Entretanto, um número de telefone, que aparece logo no começo da história, provou-se comprovadamente real. O número existe e vários fãs de 'Round 6' tem ligado para ele, causando problemas para a proprietária do telefone, uma mulher coreana, que passou a receber ligações e mensagens constantes.” (Disponível em: https://www.terra.com.br/diversao/tv/series/serie-da-netflix-round-6-divulga-numero-real-de-telefone,cf821e3f76044526231bc3e6bd897293g46ewvy4.html. Acesso em: 11.out. 2021).

 


De outro lado, a série traz discussões pontuais sobre temáticas sociologicamente relevantes como doação compulsória de órgãos, tráfico de órgãos, violência, etarismo, sexismo, xenofobia e outros assuntos correlatos, abordando também como as pessoas agem nos seus limites, com precisão, seja por dinheiro, seja para preservar a própria vida, em suma, como podem se submeter a situações em que a própria integridade física (morrer pelo não cumprimento da norma de um jogo) seja colocada em risco.

A série traz uma discussão interessante também sobre a pobreza, as dívidas, uma crítica social sobre questões de desigualdade social, direito de moradia, assistência médica, alimentação digna e outros. Aborda também fatores importantes como a dualidade humana, envolvendo o bem e o mal, que me fez relembrar de Edgar Morin quando ele classifica os seres humanos como homo sapiens sapiens (o humano na fase de evolução atual) e também o homo sapiens demens (o lado selvagem, louco e errante).

O jogo aborda democracia (?) com a votação sobre a continuidade no jogo, porém quem está com a sua vontade totalmente livre com a eminente perda de alguém próximo por motivo de saúde ou distância, ameaçado de morte ou doação forçada dos órgãos, ameaçado por gangues, dívidas, iminente prisão e etc.?

Enfim, um topa tudo por dinheiro, sem a ingenuidade do programa matinal do Silvio Santos. Mostra uma face cruel da raça humana, colocando-a no centro de um jogo de vida e morte, coisificação do humano, com os participantes sendo tratados por números que constam nos seus agasalhos. Por isso, impróprio para as crianças, que mesmo sem assistir merecem a explicação de uma mediação humanística para se entender porque para eles é inadequado, jamais glamourizar a tratativa dos seres humanos como cobaias (apesar de sabermos que algumas redes sociais também tem feito isso com todos nós).

ADRIANO AUGUSTO FIDALGO.