sábado, 2 de outubro de 2010

O poder da gratidão



“Gratidão é uma orientação que temos na vida para perceber e apreciar o lado positivo do mundo. Como tal, ela é parte integrante do bem-estar. A personalidade da pessoa com essa característica leva-o ao estado de satisfação durante a vida cotidiana”. Essa definição é do Dr. Alex Wood, pesquisador de pós-graduação do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick, Reino Unido, em entrevista realizada no International Positive Psychology Association Newsletter, em Abril de 2008.
No dicionário da Língua Portuguesa gratidão é a qualidade de quem é grato; o reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento. Na filosofia os escritos da antiguidade já apontavam para a gratidão como sendo uma das mais importantes virtudes e como um elemento necessário para a formação da personalidade moral do indivíduo. No campo da pesquisa podemos encontrar diversas definições, dentre elas: emoção (Lazarus & Lazarus,1994), virtude moral (Emmons & Shelton, 2002), recursos da forças pessoais (Emmons & Crumpler, 2000), afeto moral (McCullough, Kilpatrick, Emmons & Larson, 2001) e característica afetiva (McCullough, Emmons & Jo-Ann, 2002).
A função da gratidão parece ser a de viabilizar o sistema social, dando-lhe equilíbrio através do bem estar das pessoas. É um sentimento que se desenvolve ao longo da infância, possibilita as relações interpessoais e colabora na produção do bem estar social. Para alguns estudiosos a gratidão é uma das emoções morais que ligam as pessoas à sociedade como um todo, uma força que faz com que as relações sociais mantenham uma orientação pró-social.
A Dra. Baumgarten-Tramer (1938-1970) considerou a gratidão responsável pela coesão social, uma vez que cria uma relação entre pessoas, desenvolvendo seu senso de comunidade. Os psicólogos Algoe, Haidt e Gable (2008), em um estudo empírico, encontraram dados que indicam que a gratidão tem a função de promover e manter relacionamentos. A reciprocidade que a gratidão enseja - a mútua troca de favores - teria uma função de equilíbrio social. Para Bonnie e de Waal (2004), seria difícil pensar em como a humanidade funcionaria sem reciprocidade.
Os Drs. McCollough, da Southern Methodist University em Dallas, Texas e Robert Emmons, da Universidade da Califórnia em Davis, afirmam que a gratidão desempenha um papel na habilidade de uma pessoa para se recuperar dos tropeços da vida. Para eles, as pessoas que praticam a gratidão diariamente têm níveis mais elevados de energia, determinação e entusiasmo e menos depressão e estresse. Para a Dra. Lisa Aspinwall da Universidade de Utah, investigadora do sistema imunológico, praticar a gratidão regularmente estimula o sistema imunológico. Seus estudos sugerem que os indivíduos mais otimistas mantêm o nível de células sanguíneas protetoras do sistema imunológico em número maior do que os indivíduos pessimistas.
Um estudo do Dr. Nathaniel Lambert, um associado da Universidade Estadual da Flórida, em Tallahassee, concluiu que a gratidão não é apenas boa para quem a recebe, mas também para quem a pratica. "Quando você expressa gratidão a alguém, você está se concentrando nas boas coisas que a pessoa fez para você", disse ele. “Ele faz você vê-lo sob uma luz mais positiva e ajuda você a se concentrar em suas boas características". Fazendo três estudos diferentes ele e seus colaboradores comprovaram a ideia de que expressar gratidão ajuda a fortalecer as relações.
Mais dois resultados interessantes foram extraídos desse estudo. O primeiro é que os indivíduos que expressaram sua gratidão tiveram melhores resultados no final dos trabalhos do que aqueles que somente tiveram a intenção de agradecer. O segundo é que as pessoas que receberam o manifesto da gratidão muitas vezes sentiram vontade de retribuir.
O senso comum nos diz que ser grato é ser agradecido por algo bom que fizeram para nós ou por nós, ou por alguém que acabamos nos sentindo gratos também. Mas por outro lado o senso comum nos diz que é cada vez menos frequente o exercício desse sentimento. Uma atitude que tem a função de unir as pessoas, produzir prazeres e acalentar a alma humana não me parece sensato a sua escassez.
Muitas pessoas não têm o hábito do exercício da gratidão porque não admitem a sua carência, outras porque não tiveram esse aprendizado, algumas por se sentirem envergonhadas e tantas outras por acreditarem na sua auto suficiência. Seja qual for o motivo que nos leva a “não gratidão”, parece que nos comportando assim, perdemos uma parte bela da vida.

Renner Cândido Reis. (psirennerreis@ig.com.br)

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