sábado, 1 de janeiro de 2011

DESEJO MEUS DESEJOS ...



Tenho pensado em meus desejos para um novo ano. Queria algo novo, original. É preciso desejar ter desejos. E mais, que nossos desejos e escolhas realmente sejam nossos, algo difícil num mundo globalizado.

Quero uma paz diferente, irrestrita, incondicional, isenta de negociatas e chantagens. Minha paz tem uma alvura além das pombas pintadas de aurora. A paz dos recém-nascidos me serve, por exemplo. A paz do orvalho, também aceito. Quem sabe a paz dos presépios e das pétalas.

Não me interessa a paz da ONU, ou a acordada entre árabes e judeus. Definitivamente, não me serve a paz sustentada pelo medo.
Quanto ao amor, quero-o singelo. Nada do amor das novelas ou o desesperado dos filmes. Que continue o amor despojado da mulher amada, seu café batido quando acordo, seu olhar cuidadoso para a combinação das meias, sua ternura e silêncio quando estou preocupado, sua respeitosa distância quando me calo. Desejo prosseguir sorvendo seu amor/confiança, e seu amor/paciência. Desejo um ano inteiro do amor feito na cama e nas ruas. Importantíssimo é o amor administrado na economia dos desejos, quando o orçamento não alcança os sonhos nascidos.

Se eu desejar alegria, nunca, jamais será a dos bêbados. Será a da corruíra fazendo seu ninho no limiar da primavera. É alegria de coisas pequenas, a pena para o ninho, por exemplo. Não há ninho que mereça esse nome se não tiver uma pena. Ajeitar penas no ninho é um modo lírico de sublimá-las.

Se eu desejar a alegria, não será a dos bobos da corte, a dos programas de humor, nem a do ridículo dos outros. A alegria que desejo não é a da gargalhada, mas a do sorriso; não é a da festa, mas a da ceia. Minha alegria é a do ancião, alegria destelhada. Nada pode ser perdido quando os bens acumulados estão aonde a chuva não chega. Deixo a chuva cair sem medo sobre a minha alegria.

E a felicidade? Difícil descrevê-la quando o paradigma é o exposto nos intervalos de programas de TV. Todo mundo abarrotado de coisas sempre inventadas novas e diferentes. Um automóvel com um design futurista, um celular com função inédita, um móvel alienígena, uma roupa com tecido mais suave. Minha felicidade tem a ver com a das mães que reencontram um filho há anos roubado, com a do filho beijando a mãe desconhecida, com a dos parentes recebendo na varanda um familiar seqüestrado, com a de alguém vivo depois de um acidente, como a de quem desperta de um longo coma. Essa felicidade pode ser fabricada e está acessível a todos.

Tenho muitos outros desejos próprios, imensos demais para o papel. Prefiro poupar árvores. Aliás, pensando em árvores, desejo uma natureza cuidada com o zelo dos amantes.
Por fim, desejo não perder a esperança, apesar de andar sempre distraído.

Cada um com seu desejo novo desejemos juntos. Quem sabe, desta vez, os desejos se tornem realidade.


Por Pablo Moreno.

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4 comentários:

  1. oi amigo, realmente é por aí....também tenho desejos que fazem parte do meu eu, mas, precisamos em algum momento globalizar ....
    abs e feliz ano novo!

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  2. É, nem pra ter desejos somos mais originais, se pasteurizou até isso.

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  3. Olá.

    Pois é. Na verdade, eu não sou alegre não. Mas sou feliz a maior parte do tempo. E em 2011, serei muito mais. Porque 2010 foi o pior ano até então.
    E ontem, eu só fiquei descontraida, porque tomei uma cerveja. Não sei o que, me deu uma tristezinha...Acho que poq o inicio de 2010 foi triste.

    Gostei de seu post.

    Lena

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