O Brasil continua a
dar exemplos surpreendentes ao mundo através de atos que não deveriam mais fazer
parte da cena cotidiana. O último episódio aconteceu dia 5 de fevereiro, quando
a modelo Priscila Navarro Bueno, em visita a uma exposição no Museu da Imagem e
do Som (MIS), em São Paulo, com o marido e a filha Julieta, de sete meses, foi
impedida de amamentar a criança. Outros dois episódios semelhantes aconteceram
em São Paulo nos últimos anos.
Coincidentemente, o
ato inacreditável choca-se com uma campanha lançada pela Sociedade Brasileira
de Pediatria (SBP) para que 2014 seja o ano da regulamentação da Norma
Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes (NBCAL). Em carta
encaminhada à Presidência da República, a entidade informa que os pediatras
aguardam a regulamentação da Lei 11.265/2006 que, desde fevereiro de 2013, está
na Casa Civil à espera da rubrica final. “A legislação é fundamental para a
proteção do aleitamento materno, decisiva para as crianças, as mulheres e a
sociedade. (…)
Regulamenta também o uso e a comercialização
de chupetas, bicos e mamadeiras, cujos rótulos devem exibir em destaque que “a
criança que mama no peito não necessita” desses produtos, acrescentando que seu
uso prejudica a amamentação.”
Assinado pelo
presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo da Silva Vaz, o
documento lembra que no último monitoramento nacional para observar o
cumprimento da NBCAL e da Lei 11.265/06, realizado em 12 municípios e cinco
estados, de abril a julho de 2013, constatou-se um total de 65 irregularidades
correspondentes a 49 empresas, as quais foram notificadas.
No caso envolvendo
a modelo Priscila Navarro Bueno, ela retirou o seio para alimentar a filha e
foi abordada por um monitor. Ele perguntou se ela queria amamentar num local
mais reservado, mas com a negativa, se retirou. Em seguida houve nova
abordagem, desta vez por um segurança, e uma terceira tentativa, através de
outra monitora. Esta recomendou que a mãe fosse para uma sala mais reservada,
“pois não era permitido amamentar no MIS”. O casal questionou a funcionária,
mas ela voltou a declarar que o ato de amamentar era proibido no local.
O episódio
repercutiu nas redes sociais e as mulheres prometeram realizar ontem à tarde um
mamaço em frente ao MIS. Cem delas confirmaram a presença.
O ato não foi o
primeiro. Em março de 2011 a antropóloga Marina Barão foi proibida de amamentar
o filho Francisco, com três meses, no Itaú Cultural. Já em novembro do ano
passado, a turismóloga Geovana Cleres também foi impedida de amamentar a
pequena Sofia, de um ano, no Sesc Belenzinho.
Vivemos em um país
surpreendente. As pessoas ainda entendem que um seio à mostra para alimentar o
filho pode chocar quem está ao redor.
Mesmo que as pessoas próximas estejam
participando de exposições sobre nu artístico, crimes de guerra ou violência
urbana. O que choca, muitas vezes, é a incapacidade de não ver o óbvio.
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o ato de amamentar não e obsceno ! mais eu tenho pudor e sempre fui aconselhada por minha mãe a andar sempre com uma toalhinha e eu sempre fiz e nunca fui barrada de alimentar minha filha em qualquer lugar! se mim proibisse na hora eu tiraria a blusa e ai sim seria um ato obsceno eu garanto!
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