quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O politicamente correto e a resignificação da política



Um dos termos mais usuais e deploráveis que se forja no mundo da política é o comportamento politicamente correto. Esta expressão denota a idéia de um político concordante com tudo, omitindo-se do que for polêmico. Sorrisos e mais sorrisos. Tapinhas nas costas. Torcida por todos os times. Simpatia ao extremo. O monossílabo mais usado é o “sim”, sem contar as promessas nos períodos eleitorais.
Talvez este seja o estereótipo do político tradicional. Aquela figura encantadora, carismática e cativadora, cuja postura e palavras carregam e envolvem a todos, independentemente do seu passado e da sua coerência. Um estereótipo ultrapassado. Pelo menos se espera que assim seja.

Max Webber analisou os tipos de dominação e liderança, lembrando que toda a relação humana reflete alguma relação de poder, logo, de dominação. O líder tradicional está alicerçado na tradição e na história pessoal junto ao grupo; o líder racional está fundamentado na convicção do que é melhor para o grupo social; o líder carismático, por sua vez, denota características imanentes da pessoa, algo impenetrável e difícil de ser compreendido racionalmente, mas que o faz líder.
Felizmente, a dominação tradicional cada vez mais é uma raridade, encontrada, excepcionalmente, em alguns pontos isolados do globo.

É o caso da sharia islâmica em localidades do Paquistão e do Afeganistão. Nas democracias atuais, a liderança racional cada vez mais se impõe, fruto do amadurecimento do debate político, calcado em idéias e propostas. Entretanto, as lideranças carismáticas continuam a ameaçar!
Os desafios da complexa sociedade do séc. XXI requer muito mais do que carisma, sorrisos, promessas e tapas nas costas. Requer preparo, conhecimento, coerência, postura ética e transparência. Entretanto, para que se reconheçam estas e outras qualidades é fundamental que o político possua autenticidade. Mais do que isso, é crucial que a sociedade exija este tipo de comportamento dos seus homens públicos. Deve-se perder o medo de criticar e indagar os que possuem ou postulam funções públicas.

A política não é uma passarela, nas quais os candidatos devem ser escolhidos pela simpatia, beleza ou pelo número de promessas (exeqüíveis ou não). Trata-se de uma espacialidade pública, onde o embate de idéias deve ser o balizador das escolhas da população. Idéias que devem se despir, permitindo que se adentre no âmago das convicções individuais e na análise concreta do que é factível nas propostas eleitorais.
É preciso uma resignificação da própria política. Das campanhas forjadas por maketólogos rotuladoras dos concorrentes para campanhas alicerçadas no conteúdo e nos planos de ações dos candidatos. Da busca do alimento de sonhos através de promessas para análise de programas e ações que possam mudar efetivamente a sociedade em razão da sua factibilidade. Da postura politicamente correta para a necessária autenticidade de postura, pensamentos e convicções.

Das eventuais lideranças carismáticas para as necessárias lideranças racionais, construídas no clamor dos debates públicos. De uma postura passiva dos cidadãos para uma pró-atividade desveladora de cada postulante a um cargo público eletivo. É o bastante.

Por Giovani Corralo.

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