segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Duro ser pobre!


 Antigamente, ser trabalhador e honesto era motivo de orgulho para um chefe de família, pois, mesmo trabalhando de sol a sol, tinha como meta preservar princípios e o sobrenome herdado, que era repassado aos filhos como questão moral.
Hoje, ser pobre e, especialmente, honesto, pode ser até interpretado como sinônimo de incompetência, pois, diante de tudo que estamos vivenciando, ser pobre e recebendo o humilhante benefício (mínimo) que a Previdência Social paga - com o respaldo do Governo Federal, sempre contrário a qualquer aumento que possa ser ventilado aos aposentados - representa saber, antecipadamente, que, embora toda uma vida de trabalho e pagamento à previdência, o futuro será de dependência dos filhos, da boa vontade dos amigos ou de continuar trabalhando na economia informal, como forma de complementar o paupérrimo benefício recebido.
O Brasil, pela escassez evidente de moralidade, onde políticos e pessoas a eles ligadas, em grande maioria, que deveriam ser os primeiros a oferecer exemplos de honestidade e trabalho.

 Ocupam cadeiras políticas ou cargos outros, visando apenas aos interesses próprios, mostrando que decência deixou de ser item aproveitável na vida. Está chegando a consenso que de nada vale zelar pelo nome, se, no outro lado, os que assim não o fazem estão sorridentes e zombando do povo, com os bolsos cheios de dinheiro ilícito e contas milionárias em paraísos fiscais?

Certamente que não fosse o dinheiro do trabalhador, com o pagamento dos impostos (cada vez em maior proporção), os políticos não teriam como usufruir escandalosamente do dinheiro público, os políticos, em sua grande maioria, estariam lembrando e repetindo a personagem vivida pelo saudoso Chico Anysio, que dizia: “Tenho horror a pobre! Pobre tem mais é que se explodir!”


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domingo, 25 de outubro de 2015

Moralistas sem moral


Há uma semana, a presidente Dilma estava no chão, e a caneta de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, cheia de tinta para assinar o ato que autorizaria a abertura do processo de impeachment contra ela.
Esta semana começa depois de mais um movimento abrupto da gangorra do poder: agora é Eduardo que está no chão, atingido por novas denúncias de roubalheira. E Dilma posa de vencedora.
Amanhã fará uma semana que Dilma perguntou a sindicalistas reunidos por Lula para escutá-la em São Paulo: “Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficiente para atacar a minha honra? Quem?”
Entusiasmada com os aplausos que recebeu, chamou o impeachment de “golpismo escancarado”, e seus adversários de “moralistas sem moral”.
De fato, são “moralistas sem moral” os políticos que tratam Eduardo com brandura, interessados apenas em que ele ceda às pressões e ponha para tramitar na Câmara o processo de deposição da presidente reeleita há menos de um ano.
Mas serão “moralistas com moral” aqueles que igualmente tratam Eduardo com brandura, empenhados apenas em que ele desista de derrubar Dilma?
Na condição de investigado, Lula desembarcou em Brasília para ser ouvido por procuradores da República.
Aproveitou a viagem para negociar com Eduardo o fim do impeachment em troca da salvação do mandato dele, ameaçado de ser cassado pela Câmara.
E da boa vontade da Justiça quando fosse obrigada a julgar Eduardo por corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.
Como Lula, sem ser um amoral, poderia garantir a Eduardo que deputados ligados ao governo negarão seus votos para cassá-lo?
Como Lula, sem ser um amoral, poderia prometer que o governo empregará toda a sua força para que Supremo Tribunal Federal absolva Eduardo dos seus crimes? Ou pelo menos para que não lhe aplique duras penas?
Diante da mesma plateia de sindicalistas que recepcionou Dilma em São Paulo, Lula justificou as “pedaladas fiscais” do governo que resultaram na rejeição de suas contas de 2014 pelo Tribunal de Contas da União.
E o que disse? Que o governo foi obrigado a pedalar para não deixar sem dinheiro o Bolsa Família e demais programas de assistência aos mais pobres.
Mentiu – o que não pega bem para um moralista com moral. Para um sem moral não faz diferença.
As pedaladas tiveram a ver com despesas feitas pelo governo para além do que o orçamento permitia. Com isso, desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Quem desrespeita lei incorre em crime. Não vale a desculpa imoral usada por Dilma de que governos anteriores procederam assim também.
Quanto à pergunta que ela fez aos sindicalistas: “Quem tem força moral, reputação ilibada e biografia limpa suficiente para atacar a minha honra?”
Há muita gente que tem, sim. Talvez falte motivo para o ataque. Em compensação, há motivos de sobra para que se ponha a conduta de Dilma em dúvida.
É provável que ela não tenha roubado. Mas que sequer tenha visto que roubavam?
Seu sucessor no Ministério das Minas e Energia é suspeito de ter roubado. Sua sucessora na Casa Civil, de tráfico de influência.
Como mandachuva na Petrobras, aprovou negócios que envolveram propinas. E viu a empresa submergir em um mar de lama.
Dinheiro sujo financiou suas duas campanhas.
Se tudo isso a surpreendeu, por carecer de competência não tinha condições de presidir o país. Não tinha mesmo.

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sábado, 24 de outubro de 2015

Aborto: por que mudar a lei?


Com a justificativa de que “a legalização do aborto vem sendo imposta a todo o mundo por organizações internacionais, inspiradas por uma ideologia neomalthusiano de controle populacional”, o Projeto de Lei, que prevê alteração no atendimento a mulheres vítimas de violência sexual, foi apresentado à Câmara dos Deputados.
Na verdade, o enfoque do projeto é antes ideológico e não uma preocupação verdadeira com a saúde pública. Tanto assim, que o fundamento central do autor do projeto foi uma suposta necessidade de o País reagir contra uma política de controle populacional, imposta pelos Estados Unidos e outros, aos países subdesenvolvidos. E sobre a saúde da mulher, qual o argumento utilizado? Nenhum.
Inconteste que qualquer debate que envolva a regulamentação do aborto será sinônimo de polêmica. Assim, o sinal amarelo de alerta acendeu no último dia 21, após a aprovação, na Câmara dos Deputados do texto, do Projeto de Lei 5069 de 2013 que propõe, também, a alteração da redação do inciso IV, do art. 3º, da Lei nº 12.845/13, adotando uma nova terminologia em substituição ao termo “profilaxia”, bem como a definição do que vem a ser “violência sexual”. 
Além de modificar a lei atual sobre o tema, a proposta também torna crime uma prática que hoje é uma contravenção - o anúncio de meios ou métodos abortivos - e pune, como crime, quem induz, instiga ou auxilia em um aborto, com agravamento de pena para profissionais de saúde, que podem chegar a ser detidos de 1 a 3 anos.
Sem dúvida, a comercialização ilegal de substâncias abortivas deve ser combatida. Mas, há um mercado de outros produtos e medicamentos traficados e vendidos, ilegalmente, que deveriam estar na mira dos parlamentares, se a finalidade fosse cuidar da saúde da população.
Vale ressaltar que, em 2013, as mulheres passaram a ter a garantia de que o atendimento seria “imediato e obrigatório” para questões de aborto, em todos os hospitais do SUS, com a aprovação da lei 12.845. Essa norma assegura atendimento médico a mulheres vítimas de violência sexual. A lei remete a uma profilaxia da gravidez – o que sequer corresponderia a um aborto tecnicamente, se for considerado o fenômeno da nidação, como o início de uma vida.
Sob o aspecto da saúde e políticas públicas, não se poderá abandonar o conceito da prevenção e educação, quando possível. Na maioria das vezes, a opção pelo aborto decorre da falta de planejamento da gravidez, associada a fatores sociais como ignorância, planejamento familiar, escassez de recursos e grande número de filhos. Não informar à mulher seu direito ao aborto legal, em caso de violência sexual, seria um atentado a todas as normas que dispõe sobre o direito legal à informação e fere a autonomia do paciente.
A controvérsia quanto ao aborto reside no fato de que o direito à vida não é absoluto. Para alguns, o Direito Constitucional (e natural) à vida do feto precisa ser respeitado. Para outra corrente, a mulher ou a menina faria jus ao direito à dignidade humana, ao direito de escolha.
Ocorre que não houve qualquer parlamentar que apresentasse dados estatísticos, para uma discussão fundamentada do tema. Sequer foram apresentados números que justifiquem o entendimento da bancada evangélica e católica no sentido de que houve aumento de abortos (ou da profilaxia da gravidez), em razão da facilitação oferecida pela Lei 12.845/2013. Ora, a redução de danos, enquanto política pública, não pode ser atacada com a desculpa de que seja um aborto “disfarçado” ou uma tática de controle populacional. Tampouco, o aborto legal precisa de mais entraves, tais como o boletim de ocorrência ou o exame de corpo de delito.
Ausentes esses dados, poderia ter sido citado pelos parlamentares, por exemplo, que em abril de 2005, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que o número de casos de gravidez não intencional ou indesejada foi estimado em 87 milhões por ano, em todo o planeta. Mais da metade dessas mulheres (46 milhões por ano) recorreu ao aborto induzido, sendo que 18 milhões o fizeram sem condições de segurança. Anualmente, por volta de 68 mil mulheres morrem no mundo, em consequência desses abortos desassistidos. Quantas dessas mulheres são brasileiras?
Seria desejável que algum dos parlamentares apresentasse a experiência de outros países que conseguiram reduzir o número de abortos e de morte de mulheres com políticas públicas de assistência à mulher, antes e após o aborto. No entanto, tais constatações, que serviram de base para a aprovação da Lei 12.845, parecem não ter mais importância para aqueles que, em 2013, aprovaram, por unanimidade, o então Projeto de Lei da Câmara (PLC) 3/2013.
É imediato e importante que o tema seja encarado de forma a garantir o respeito à saúde da mulher, independentemente, da situação, pois sua dignidade está comprovadamente afetada pelos fartos casos de abortos clandestinos, esterilidade pela perda do útero, traumas psicológicos irreversíveis, por condições degradantes dos locais, e a morte de muitas mulheres.
A regulamentação do aborto deve ser discutida fora de qualquer âmbito religioso ou de interesses meramente partidários de alguns grupos. Trata-se, sem dúvida, de uma questão de saúde pública.
O tema precisa ser enfrentado em conjunto com os profissionais da saúde, a sociedade organizada e os legisladores. O auxílio do Estado é fundamental para reduzir as mortes, as lesões físicas e morais, resultantes do aborto desassistido. Salvem a dignidade das mulheres!

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Pílula da discórdia


Uso da fosfoetanolamina em tratamento contra o câncer divide opiniões.

Decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) trouxe à tona uma discussão envolvendo médicos, advogados e pacientes sobre o uso da fosfoetanolamina sintética para o tratamento do câncer.
O presidente do TJSP, desembargador José Renato Nalini, liberou, no último dia 9, a entrega da substância produzida no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da Universidade de São Paulo (USP), para os pacientes que solicitaram judicialmente acesso à droga. A substância não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A fosfoetanolamina sintética foi estudada pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, hoje aposentado, enquanto ele ainda era ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros da USP. Algumas pessoas tiveram acesso às cápsulas contendo a substância, produzidas pelo professor, que usaram como medicamento contra o câncer. O instituto disse, em nota, que a produção da droga foi um “ato oriundo de decisão pessoal” de Chierice.
Em junho de 2014, a USP reforçou a proibição de produção de qualquer tipo de substância que não tenha registro, caso das fosfoetanolamina sintética. O instituto editou portaria determinando que “tais tipos de substâncias só poderão ser produzidas e distribuídas pelos pesquisadores do IQSC mediante a prévia apresentação das devidas licenças e dos registros expedidos pelos órgãos competentes determinados na legislação [do Ministério da Saúde e da Anvisa]”. De acordo com a instituição, desde a edição da medida, não foram apresentados registros ou licenças que permitissem a produção das cápsulas para uso como medicamento.
Judicialização
Desde então, pacientes que tinham conhecimento das pesquisas passaram a recorrer à Justiça para ter acesso à fosfoetanolamina sintética. De acordo com a advogada Cárita Almeida, que representa pacientes interessados na droga, mais de 1,5 mil liminares com o pedido de acesso à substância já foram apresentados à Justiça.
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) já havia impedido que uma paciente tivesse acesso ao produto. Diante do posicionamento do tribunal, ela apresentou um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) que foi analisado pelo ministro Edson Fachin. No dia 8 deste mês, ele suspendeu a determinação do TJSP, liberando o acesso dessa paciente às cápsulas.
Após a decisão do ministro do STF, o presidente do TJSP, desembargador José Renato Nalini, estendeu os efeitos da liminar para todas as pessoas que solicitaram o acesso à mesma substância na Justiça. “Conquanto legalidade e saúde sejam ambos princípios igualmente fundamentais, na atual circunstância, o maior risco de perecimento é mesmo o da garantia à saúde. Por essa linha de raciocínio, que deve ter sido também a que conduziu a decisão do STF, é possível a liberação da entrega da substância”, decidiu Nalini.
Ele lembrou que “a substância pedida não é medicamento, já que assim não está registrada. Não se trata tampouco de droga regularmente comercializada, mas de um experimento da Universidade de São Paulo”. Ele afirmou que não há possível falha do Estado em não disponibilizar a substância aos pacientes, mas acrescentou que não se pode ignorar os relatos de pacientes que apontaram melhora em seu quadro clínico após uso da droga.
Apesar da liberação, o desembargador disse que “caberá à USP e à Fazenda, para garantia da publicidade e regularidade do processo de pesquisa, alertar os interessados da inexistência de registros oficiais de eficácia da substância”.
Ontem, em evento na capital paulista, o ministro Fachin disse que a decisão de liberar o acesso à fosfoetalonamina a uma paciente com câncer foi excepcional. “Tratava-se de uma senhora que estava em estado terminal, com alguns dias de vida, e que buscava o fornecimento dessas cápsulas, que já estavam sendo fornecidas como um lenitivo da dor”, disse.
A USP informou que os mandados judiciais serão cumpridos, dentro da capacidade da universidade. A instituição alega que não é uma indústria química nem farmacêutica e que “não tem condições de produzir a substância em larga escala, para atender às centenas de liminares judiciais que recebeu nas últimas semanas”.
A universidade afirmou ainda que a substância fosfoetanolamina está disponível no mercado, produzida por indústrias químicas, e pode ser adquirida em grandes quantidades pelas autoridades públicas. “Não há, pois, nenhuma justificativa para obrigar a USP a produzi-la sem garantia de qualidade”, completou.
De acordo com a Anvisa, nenhum processo de registro foi apresentado para que a fosfoetanolamina possa ser considerada um medicamento. “A etapa é fundamental para que a eficácia e segurança do produto possa ser avaliada com base nos critérios científicos aceitos mundialmente”. Para a obtenção do registro é preciso apresentar documentos e testes clínicos.
Especialistas
Para o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Evanius Wiermann, não há como utilizar a substância nos pacientes sem as devidas análises de segurança e eficácia. “Não é certo sermos coniventes com uma droga que não tem evidência científica”, disse, ao comentar a falta de testes em humanos. Segundo ele, é preciso realizar um trabalho de pesquisa que prove se há benefícios. “Aí estaremos no caminho certo.”
O chefe da Oncologia Clínica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Hakaru Tadokoro, também discorda do uso da substância sem que os testes clínicos sejam realizados e considera isso uma irresponsabilidade. “A pessoa que vai tomar essa droga não sabe os efeitos colaterais ou se é tóxica. Eventualmente, a pessoa está tomando a droga que é correta mais essa droga [fosfoetanolamina] e, de repente, isso pode anular o efeito de um medicamento oncológico que é eficaz”, disse.
Além disso, o oncologista observou que as pessoas estão tomando a substância para todo tipo de câncer. “Isso não existe. Cada tipo de câncer tem sua peculiaridade”, acrescentou.
Pacientes terminais
Relatos positivos de usuários nas redes sociais e na imprensa ajudaram a divulgar a droga entre pessoas com câncer.
A advogada Mariana Frutuoso Pádua, que representa alguns dos pacientes que pediram acesso à fosfoetanolamina por meio da Justiça, disse que a droga desenvolvida na USP trouxe a possibilidade de um tratamento alternativo e que já existem usuários beneficiados pelo uso das cápsulas. Para ela, o acesso à substância seria uma garantia à vida, à saúde e à dignidade da pessoa humana.
Em depoimento na Câmara de Vereadores de São Carlos, a paciente Bernardete Cioffi, que tem um câncer incurável, disse que utiliza a medicação somente para melhorar a qualidade de vida. Por meio de redes sociais, ela declarou estar ciente dos possíveis riscos do uso de uma droga não registrada.
 “A decisão de fazer uso de uma substância experimental e não testada oficialmente em humanos, e também não registrada na Anvisa, foi uma decisão unicamente minha, sem que qualquer outra pessoa possa ser responsabilizada em maior ou menor grau”.
De acordo com Bernardete, a decisão de usar a substância sem registro na Anvisa ocorreu por falta de opção de tratamento e de cura para o seu caso. “Luto pela continuidade das pesquisas de maneira científica, séria e verdadeira, para [que] em cinco ou dez anos todas as pessoas possam fazer uso digno da fosfoetanolamina sintética. Até lá, as pessoas que se dispuserem, assim como eu, a se submeter ao processo experimental, que o façam com sensatez e responsabilidade”, escreveu em uma rede social.
Para o oncologista Hakaru Tadokoro, a substância até poderá se tornar um medicamento útil, no entanto, a droga não passou por nenhuma das fases necessárias ao seu uso seguro. “Quando pesquisamos uma droga nova, são quatro fases. Na fase pré-clínica, nós vemos, por meio de cultura de células tumorais, se essa droga tem alguma ação. Na fase 1, testamos em alguns tipos de tumores. Na 2, em pacientes em que não há mais o que se fazer, testamos a droga e vemos a dose que é possível. Na 3, comparamos a droga nova com uma droga padrão. E essa droga não passou por nenhuma dessas fases, infelizmente”, disse o médico.
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Células-tronco para regenerar articulações

Estudo pode representar o fim do uso das próteses sintéticas tradicionais utilizadas em milhares de pacientes com artrose

Um estudo inédito do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), com sede no Rio de Janeiro, para tratar o desgaste das articulações entre os ossos pode representar, no futuro, o fim do uso das próteses sintéticas tradicionais utilizadas em milhares de pacientes com artrose.
A artrose  é uma doença que ataca as articulações e que resulta, principalmente, no desgaste da cartilagem que recobre as extremidades dos ossos, mas que também danifica ligamentos, a membrana sinovial e o líquido sinovial. Segundo dados do Ministério da Saúde, a artrose atinge 15 milhões de pessoas no Brasil.
A pesquisa, inteiramente desenvolvida no Sistema Único de Saúde (SUS), é coordenada pelo cirurgião ortopedista Eduardo Branco, que investiga um tipo específico de célula-tronco no líquido sinovial, que reveste as articulações do corpo, como as do joelho, quadril e ombro. O estudo, que ainda está na primeira fase-laboratorial – foi apresentado pela primeira vez no Congresso Mundial de Ortopedia, na China, em setembro.
Branco explicou que estimuladas com células-tronco, as articulações do corpo possam se regenerar sem a necessidade de colocação de próteses sintéticas, como ocorre hoje, convencionalmente.
“Uma característica das células-tronco é que elas são capazes de formar novas células a partir de uma célula inicial. No caso das células do líquido sinovial, o que verificamos em laboratório é que o maior potencial delas é de formar cartilagens”, disse.
As experiências em pessoas com artrose poderão ocorrer entre cinco e dez anos. “É um caminho um pouco mais longo até para garantir a segurança do paciente. Um cenário é trabalhar em laboratório, onde consigo manipular essas células em um ambiente totalmente controlado. Quando coloco em um organismo vivo, a resposta é muito mais complexa”, ressalta.
O pesquisador esclarece que o envelhecimento da população brasileira, assim como a mundial, é um dos fatores de risco para o maior desenvolvimento de artroses. Cerca de 20% da população brasileira têm mais de 60 anos. “A gente está vivendo mais, está danificando mais esse tecido das articulações e está a mais tempo exposto ao que faz a nossa articulação degenerar. Isso nos preocupa em saúde pública, tanto na questão da qualidade de vida quando na questão do custo para o SUS”, concluiu.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Tortura financeira



O tema é um dos meus prediletos. Escrevo sobre isso, porque tem algo que brota do fundo da minha alma. Quem sofre com pressão sabe do que estou falando. E uma pressão que tortura a pessoa é a dos bancos. E também dos agiotas, cartões de crédito, dos cobradores que ameaçam, etc...

A grande maioria das pessoas querem tranquilidade financeira. E a maioria não tem esse benefício na vida. Tranquilidade financeira não significa acumular muitos bens e dinheiro. É ter o suficiente para pagar as contas e ser feliz. É alcançar o equilíbrio. Quando ocorre a inadimplência começa o inferno astral. É uma das doenças mais perigosas, porque tem outros efeitos sobre o corpo e a mente do devedor. Dívida é uma doença que assola milhões de famílias brasileiras.
Comecemos pela determinação do valor devido. Quem calcula esse valor é o banco. O devedor não tem nenhuma chance de discutir. Sequer as cláusulas contratuais são respeitadas. No momento do cálculo, o banco nem olha para o contrato. Nem mesmo o devedor sabe o que lá está escrito. A conta final é determinada pelo banco, como já disse. E discussão do valor somente pode ser feito no Judiciário.
A maioria dos devedores de bancos, cartões de crédito, agiotas e outros não recorre ao Judiciário. E os bancos têm a habilidade de multiplicar conta, com o objetivo de tornar impossível o pagamento. Muitas vezes o devedor discute judicialmente, mas alguma coisa vai ter que pagar.
Mesmo a conta judicial fica sempre muito acima das possibilidades, porque utiliza índices de correção altos. Depois ainda aplica juros de mora de um por cento ao mês. É uma conta com progressão geométrica. O mais grave é o entendimento jurídico que o devedor deve pagar o juro contratado. Acontece que o juro é elevado pelo próprio banco. Não existe juro contratado. A correção monetária, que atualiza pelo índice inflacionário, também não tem previsão. No momento de fazer a conta, o banco utiliza o índice que mais lhe favorece.
A tortura começa, quando ocorre o atraso no pagamento. Em poucos dias vem a primeira ameaça: inscrição do nome do devedor nos cadastros negativos da SERASA e SPC. Aquele mesmo gerente ou funcionário era educado com você. Agora já te recebe de cara feia.
 Esse fato, por si só, mostra que o cliente é apenas um número para o banco.
Quando você é servidor público, o banco come na sua mesa. Parte do teu salário fica com o banco. Isso quer dizer que com a dívida, o teu salário encolhe. Começam os problemas. Se você pegar outro empréstimo, paga pagar o primeiro, os problemas vão aumentar. Em pouco tempo você estará no negativo do cheque especial de novo. E tem outro empréstimo para pagar.
Quando o orçamento familiar está inviabilizado, o devedor procura o último recurso: Um Advogado. Às vezes pode ser tarde demais. Era melhor ter um consultor financeiro, antes do caos financeiro. É claro que durante todo esse tempo o banco fica pressionando e você sofrendo. Esse sofrimento pode ser evitado, desde que você tome medidas preventivas.
 É como qualquer doença. A consulta a um especialista pode evitar doenças físicas e psíquicas. É comum os devedores terem depressão, gastrites nervosas, dores de cabeça e outras.
VOCÊ PODE EVITAR DOENÇAS! PREVINA-SE! JAMAIS DEIXE O BANCO SER SEU DONO OU SEU TORTURADOR. 

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Ânsia pelo fim do mundo

Teorias que aproximam o homem do seu próprio aniquilamento.

O grande despertar do segundo advento, um movimento religioso conduzido pelo pregador batista William Miller entre 1831 e 1844, anunciava o fim do mundo através do fogo para o dia 22 de outubro de 1844. Nesta a crença, a data ficaria marcada pela segunda passagem de Jesus Cristo pela Terra. Ele salvaria os fieis reunidos na meia-noite daquela data, fazendo-os acordar em um mundo de justiça divina e plenitude.
Milhares de pessoas acreditaram na profecia de Miller, e o amanhecer comum do dia 22 de outubro daquele ano fez com que a data ficasse marcada como ‘O grande desapontamento’. Na época muitos cristãos foram convencidos. Editores de jornais aproveitavam-se da crença das pessoas para promoverem textos apocalípticos sensacionalistas, o que aumentou a dimensão de alcance da história.
Em um artigo de jornal de 1983, que se encontra no Museu de Fenimore, em Nova Iorque, é possível perceber uma chamada para a resignação em decorrência do fim do mundo. “Leitor, você ouviu esse espantoso ‘grito’? O último ‘clamor da meia-noite’, que tão de repente despertou as virgens que estavam adormecidas em seus sonos durante a tardante visão?”.
A chamada continua: “Você ouviu enquanto ele era trazido pelas asas dos ventos para todos os cantos da Terra e despertou-os simultaneamente de seus sonos, eletrificando-os com seu apelo cintilante? Caso não tenha escutado, é a hora de despertar do sono profundo e seguir estas solenes linhas. O grito tem ido adiante e o Senhor, cujos caminhos são a eternidade, está vindo em julgamento!”.
O artigo faz menção a um versículo presente no livro de Mateus, capítulo 26:5-6, que faz referência à vinda de um ‘noivo’: “O noivo demorou a chegar, e todas as virgens ficaram com sono e adormeceram. Mas à meia-noite, ouviu-se um grito: ‘O noivo se aproxima! Saiam para adorá-lo!’ ”. O grito da meia-noite era um dos principais sinais do fim do mundo que giravam em torno do chamado de Miller.
A crença no fim do mundo pregada por Miller também tinha como base cálculos matemáticos sobre dados revelados no Livro do profeta Daniel, no Antigo Testamento, que diz no capítulo 8:14 que “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado”. Devido a uma crença popular da época, o planeta Terra era visto como o próprio Santuário.
Trombetas do apocalipse retiradas de um cartaz ilustrativo sobre o fim do mundo em 1844

Miller subtraiu o número 2300, número entregue por Daniel em seu Livro, de 457, devido à chegada de Esdras à Jerusalém para a reconstrução do templo sagrado em 457 a.C. Feitos os devidos cálculos, ele chegou à conclusão de que Jesus voltaria a Terra em 1844.
Tamanha decepção se deu principalmente pelo fato de que milhares de pessoas haviam abandonado tudo para aguardar o fim do mundo naquele 22 de outubro. Fazendeiros deixaram suas fazendas, comerciantes fecharam suas lojas e algumas pessoas simplesmente jogaram seu dinheiro fora. Quando Jesus não apareceu, veio o grande desapontamento.
Apesar de muitos dos presentes terem perdido a fé depois da grande desilusão, uma parte dos fiéis resolveu estudar a Bíblia para entender o porquê do erro de cálculo. Esses estudiosos que persistiram fundaram a Igreja Adventista do Sétimo Dia, um dos movimentos religiosos de grande força dos dias atuais. Mais tarde, a fundação dessa igreja seria interpretada como a segunda vinda de Cristo à Terra.
Uma das teorias apocalípticas mais recentes a ganharem o mundo foi a de 2012. O fenômeno 2012, como é conhecido, marca a junção de uma série de crenças que afirmavam que o mundo passaria por um período de extrema turbulência no ano de 2012, o que poderia levar ao aniquilamento total da humanidade, ou simplesmente a uma purificação total dos seres humanos. Um filme foi lançado em 2009 contendo a temática. Nele são exibidos seqüências de desastres
 
Imagem retirada do filme 2012, que traz o fim do mundo baseado em desastres naturais.
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É o apego à riqueza que divide a humanidade



Em homilia no ultimo fim de semana, o Papa Francisco condenou o apego, fruto da exterioridade que não nos permite perceber o sentido real da fé cristã. Na certeza de que fomos gerados pela palavra, e a palavra é o próprio o verbo encarnado, temos que perceber que o apego é aquilo que nos cega, que nos faz andar por caminhos distantes da vontade de Deus.
Papa Francisco, de forma dura e catequética, acenava ao declínio da humanidade pelo apego ao dinheiro e a riqueza. “Jesus não condena a riqueza, mas o apego à riqueza que divide as famílias e provoca as guerras”, disse o papa.
Não podemos esquecer que o apelo ao dinheiro é uma idolatria e que não é possível servir a dois senhores, como diz a passagem bíblica do capítulo seis do evangelho segundo Lucas. Jesus não é contra a riqueza ou ricos que detém muito dinheiro. Ele adverte o risco de colocar toda a segurança no dinheiro, fazendo da religião uma agência / apólice de seguros.

Vivemos em uma modernidade líquida que não valoriza mais o amor entre a família, o amor pelos filhos, pelos irmãos, pelos pais, pelos amigos. Vivemos em um tempo onde não existe mais sonhos e utopias coletivas, mas um emaranhados de projetos egocêntricos e individualistas.
Um Deus que é tão próximo não daria um modelo de sociedade que escravizasse, que aprisionasse e ainda que distancie uns dos outros ou os outros com Ele. Por trás das riquezas materiais está camuflada a solidão, a depressão, a tristeza.
Francisco recordou a parábola contada por Jesus, sobre um homem rico, que teve uma colheita abundante e estava cheio de riquezas, mas em vez de pensar em compartilhar um pouco com os trabalhadores, só pensou investir para ganhar ainda mais. “A sede do apego às riquezas nunca termina. Se você tem seu coração ligado à riqueza – quando você tem tanta – você quer mais. E este é o deus da pessoa que está apegada às riquezas”.
A pobreza não é só o desapego ao acúmulo de capital, mas é estar disposto a ser pobre para servir o outro. Desapegado de si mesmo, para viver um projeto político-social-espiritual de forma coletiva. O sinal da sabedoria é o dar sem esperar receber, é ter o maior amor por Deus e seu projeto de vida que o apego às riquezas.
O caráter pedagógico do cristianismo é o amor. Isso permite o homem a perceber que só encontra o amor em Deus, pois “Deus é amor” (1Jo 4, 16b). Jesus, a palavra viva, nos inspira cotidianamente a sair do comodismo e das possibilidades que nos distanciam do amor e do amar.
Inspirado em uma prece exposta nas redes sociais pela missionária da Comunidade Canção Nova, Regiane Calixto, “Peçamos a Deus a graça de estar livres desta idolatria, do apego às riquezas; a graça de olhar para Ele, tão rico em seu amor e tão rico em generosidade, na sua misericórdia; e a graça para ajudar os outros com o exercício da caridade, mas como ele faz.”

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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A vida imaginária


Uma das vantagens de envelhecer – existem algumas sim, sabiam? - é poder botar em prática aquilo que os orientais chamam de “desiludir-se”, no sentido real da palavra.

 Embora o termo tenha tomado um sentido negativo, desiludir-se não é ruim; na verdade, faz um bem danado. Assentamo-nos calmamente, tomamos um gole de água fresca e começamos a jogar fora as ilusões: conceitos ultrapassados e preconceitos, lembranças, modos repetidos de agir, mágoas, besteiras inúteis, sucatas antigas e tranqueiras gerais. De quebra, temos a chance de esvaziar a mochila carregada com as pedras do caminho, onde tropeçamos e estropiamos os dedões do pé.

 Como recompensa, vamos ficando mais leves, mais tolerantes com os outros e com nós mesmos; menos chatos, dogmáticos e implicantes.

Felizmente, por uma gentileza do destino, tive a sorte de ir esvaziando a minha mochila, assim como fizeram outros amigos hoje denominados sexagenários, com os quais vamos trocando impressões sobre a riqueza desse ritual típico do outono da vida. Porém, não somos todos afortunados. 

Com pesar, vejo que existem os que fazem o contrário: não só mantêm a mochila abarrotada de velhas pedras pontiagudas como também colecionam novos cascalhos pela estrada. De posse desses pedregulhos constroem fortalezas sombrias dentro das quais se escondem, emburrados e agarrados aos seus frágeis tesouros, a maldizer o mundo. 

No alto, sobre a ponte levadiça e o fosso dos crocodilos, uma placa enferrujada identifica o jeitão do morador: “Cuidado! Dono bravo!”.

Cenografias à parte – vício desse ex-roteirista –, vamos mapeando a rota percorrida e identificando os perigos da jornada. Percebo que a TV e sobretudo a publicidade são grandes culpadas pelo fornecimento maciço de pedras, tijolos e cimento para a construção daquilo que chamam levianamente de “felicidade”. 

O castelo fascinante da eterna juventude, por exemplo, anda muito em moda – seja no Facebook ou nas academias. Nada contra uma vida saudável na primeira, segunda e terceira idade, pelo contrário – desde que isso não vire uma obsessão. 

Vamos fazendo ginástica, alimentando-nos bem, livrando-nos dos estresses inúteis – porém aceitando o inexorável escorrer da areia na ampulheta do deus Cronos, aquele senhor compenetrado que nos lembra que, um belo dia, a coisa acaba mesmo. Zéfini.

Talvez seja por isso que sempre me divirto ao ver comerciais de velhinhos surfistas malhados dançando rock com velhinhas idem. Ou idosos em motos turbinadas, tendo na garupa mulheres maravilhosas – e mais jovens, claro. 

Desconfio de que os velhinhos malhados das propagandas pertençam ao mesmo público-alvo daquele comercial pós-Viagra, do gênero médico-milagroso, que termina com a enfática frase “sexo é vida”. (Se o cara que o criou tivesse vergonha na cara, diria: “Sexo é uma das boas coisas da vida, quando envolve amor e afinidade”. Mas nem sempre é assim. Às vezes sexo pode ser frustrante, automático, sem graça e até mesmo – em casos extremos – um compromisso obrigatório. É ou não é?).

Ora, senhor criativo publicitário: claro que sexo é vida. Como também é vida acordar com preguiça na segunda-feira. Ou então pegar um ônibus. Ou espirrar. Ou nadar. Ou comer sanduíche, tomar banho, cortar as unhas. Ou conversar fiado com um amigo. Ou escrever crônicas para um jornal, como faço agora. 

Até quando estamos à toa, pensando na vida, estamos “vivendo”, ou não? Só isso já bastaria para me deixar maravilhado. Prosseguimos vivos no turbilhão misterioso do minuto a minuto, hora a hora, dia após dia – desde aquele momento em que nascemos, enviados pelo Infinito feito cometas errantes rumo ao Planeta Azul. 

Vida, pra mim, é isso tudo, enfim – e não algumas coisinhas pretensamente especiais determinadas pela moda, pelas novelas ou pela publicidade.

Seriam cômicas se não fossem capciosas as milhares de mensagens que tentam nos empurrar conceitos do tipo “viver é isso” e “isso não é viver” – apenas para vender bugigangas. Com qual autoridade invadem os subconscientes da galera divulgando, impunes, tantas asneiras? Para ser “feliz” depois de velho devo obrigatoriamente possuir um off-road 4x4, trilhar despenhadeiros na Califórnia ou descer as corredeiras de um rio turbulento ao som de música histérica, parado no tempo com a aparência jovial dos 30 anos e sempre a sorrir como um idiota? É muita sacanagem o que andam fazendo com os pobres e incautos telespectadores.

A tal vida imaginária é mesmo uma pedra pesada na mochila. Ou pior: no sapato. Dura até quando saímos da frente da TV, tomamos coragem, nos livramos dela e pisamos no chão da vida real. Que alívio. 

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A idade do criminoso!

Idade para ser responsabilizado por crimes

Ninguém é capaz de afirmar, com certeza, qual deve ser a idade do criminoso. Para efeito de aplicação da lei, foi fixada a idade mínima de 18 anos para o criminoso responder pelos crimes cometidos. Os infratores com menos de 18 anos, não são presos, são apreendidos por no máximo três anos. 
Com a desagregação familiar, o surgimento das drogas, a ociosidade dos jovens, o avanço da tecnologia, o aumento da miséria e a destruição dos valores éticos e morais, a sociedade brasileira sofreu profundo golpe no seu conceito de convivência social. Grande número de crianças e adolescentes vivem hoje nas ruas, sem nenhuma ocupação saudável, ao alcance dos traficantes e dos inimigos da ordem pública.
 Saem de casa sedo para usarem drogas, viram traficantes, ladrões, e o destino, infelizmente, tem sido a privação da liberdade e o cemitério. Os que são recolhidos às casas acolhedoras, como eles próprios dizem, não são recuperados, e quando soltos, retornam às ruas fazendo as mesmas coisas de antes.
Esses menores, quando perguntados porque furtam, roubam, traficam e matam, sempre respondem que não tem trabalho e nem dinheiro para comprarem roupas, calçados, veículos, e outras coisas que os outros da mesma idade os tem. 
Os pais desses jovens, na maioria pobres, não podem atender o desejo de consumo dos filhos e nem conseguem convencê-los de viverem dentro da realidade da família. É nessa hora que entram em ação os criminosos adultos e fazem as cabeças dos menores desgarrados do convívio familiar. Cada menor envolvido no mundo do crime, é mais uma família destruída na sociedade. 
Nesse contexto, existe um sério agravante, é que grande parte desses menores não se arrependem do que fazem e nem desejam sair da vida de infratores da lei. A desgraça das suas vítimas, não os comovem, são focados apenas nos seus prazeres, mesmo sabendo que pode ser por pouco tempo. É bom que se diga, que esses menores não nasceram infratores da lei, aprenderam em casa, nas mídias e nas ruas.
Nada pode afetar o ser humano mais do que a falta de liberdade. Mesmo assim, os jovens infratores não se intimidam com as punições. Talvez por causa da cultura da impunidade existente no Brasil.
 Por incrível que pareça, esses menores não se arrependem do que fazem, e ainda culpam as suas vítimas pelos seus atos criminosos, alegando que se elas não reagissem, não as matariam. Portanto, por mais que digam que os menores não tem consciência do que fazem, não é verdade, eles mesmos, quando entrevistados, fazem questão de dizerem que tem absoluta convicção do que fazem. 
Vale dizer que são menores abandonados, sem esperança, sem futuro e entregues à própria sorte. A maioria dos menores e dos maiores hoje custodiados, ontem estavam abandonados pelas ruas das cidades, submetidos, compulsoriamente, a escolinha do crime, sob a orientação daqueles que vivem fora da lei. 
Por isso é que estamos convencidos de que, a discussão correta à ser travada, não é sobre apenas a redução da maioridade penal, e sim, do recolhimento desses jovens à ambientes saudáveis, onde possam estudarem, praticarem esportes e aprenderem uma profissão. Criminoso não tem idade.
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