domingo, 5 de julho de 2015

Drogas e o STF

Os últimos 20 anos caracterizam-se por um intenso aumento do consumo de drogas no Brasil e, proporcionalmente, um declínio em várias partes do mundo.

A resposta dos governos FHC, Lula e Dilma tem sido amadorística, fragmentada e absolutamente insuficiente para enfrentar todos os desafios. O governo federal, infelizmente, tem sido tolerante com os nossos vizinhos produtores de drogas (Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru) e até mesmo com milícias, como as Farc.

Com essa atitude leniente deixamos desenvolver um grande mercado de drogas, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, nas grandes e nas pequenas cidades. Não existe região brasileira hoje que não esteja duramente marcada pela tragédia das drogas.

É uma rede complexa, que envolve desde uma dona de casa, um motorista de taxi, um usuário de drogas, resultando em um mercado cada vez mais intrincado, com vários tipos de trocas, e envolvendo outras atividades legais como transporte, estocagem, aviação e até mesmo bancos.
O sistema policial tem feito a sua parte e cerca de 15% dos mais de 700 mil presos no Brasil são decorrentes do tráfico. A partir de 2006, com a lei 11.343, nenhum usuário foi preso simplesmente pelo fato de consumir drogas. Essa mudança legal na época foi considerada boa até mesmo pelos setores da sociedade que defendem a legalização das drogas.

Ela poderia ter sido um avanço se, com a despenalização do usuário, fosse acrescentada como alternativa o necessário encaminhamento para o tratamento e orientação, como uma das medidas para não só ajudar o usuário, mas também enfraquecer a rede do narcotráfico.

Nada disso foi feito, e o que ocorreu nesses últimos dez anos foi um contínuo aumento e a diversificação do tráfico e do consumo.

Os países que conseguiram combinar uma ação legal firme com uma estrutura de tratamento efetivo poderiam ser considerados paradigmas para o Brasil. A Suécia, por exemplo, mudou sua postura depois de reconhecer o impacto negativo das medidas mais "liberais".

 Lá - onde o consumo de drogas voltou a ser ilegal após cerca de 30 anos de liberação - os dependentes surpreendidos por qualquer agente da lei, da segurança ou do serviço social devem ser encaminhados para tratamento. Esse tipo de política, que é consensual na Suécia, leva os diferentes partidos a desejar que a próxima geração de suecos não faça uso de nenhuma droga.

Essas histórias de sucesso não são levadas em consideração pelos paladinos da legalização das drogas no Brasil. Esse lobby está com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que tenta alterar o artigo 28 da lei 11.343, que na prática legalizaria não somente o uso de qualquer droga, mas também a produção doméstica. O argumento falacioso é que o uso de drogas é um comportamento que afeta somente o indivíduo e que, portanto, seria inconstitucional uma lei cerceando esse direito.
Uma pesquisa com familiares de dependentes químicos, feita em parceria com a Federação Brasileira do Amor Exigente (entidade que organiza mais de mil grupos por todo o Brasil), mostra que o impacto está longe de ser individual. Segundo o levantamento, para cada usuário, quatro pessoas são afetadas pelo problema.

Não existe nenhuma história de sucesso de países que tenham conseguido diminuir o tráfico por flexibilizar as leis e o consumo. O uso sempre aumenta e o tráfico não desaparece.
Se essa ação prosperar, e o risco é grande, teremos um aumento ainda maior do consumo de drogas no país, pois qualquer pessoa poderá plantar maconha em seu quintal, ampliando a disponibilidade dessa droga.

O STF deverá manifestar-se sobre a nossa constituição, mas na essência deverá manifestar-se sobre nossos valores e especialmente sobre o nosso futuro como nação. Não podemos deixar que minorias ativas e politicamente corretas tomem conta do nosso destino. Precisamos criar um lobby legítimo de defesa dos valores familiares e sociais. Equívocos têm consequências e apresentam uma dura fatura humana.

Comente este artigo.


sábado, 4 de julho de 2015

O homem e sua habilidade para formar pensamentos de forma livre

Os prazeres da boa leitura me jogaram nos braços da visão chomskiana. O ponto de vista do professor Noam Chomsky sobre o homem é bem interessante. Ele diz que a diferença entre os demais animais e o homem é que nós podemos expressar nossos pensamentos formados livremente e para isso nós, humanos, utilizamos a linguagem, "o homem possui a habilidade para fazer uso de signos linguísticos para expressar pensamentos formados livremente" (Chomsky, 1997, página 49). Isso, segundo, ele nos põe em uma comunhão para a construção de um sistema cognitivo atrelado à comunicação entre nossos semelhantes.
Os signos, segundo ele, remeterão a um significado, e cada vez que criamos um signo, criamos um significado conectado, e a linguagem torna-se rica.
Porém, eu acrescentaria a esse pensamento que à medida que os humanos usam a criatividade para a invenção de instrumentos de diversão e conforto surge um efeito negativo. E, esse efeito é causado pela preguiça de pensar gerada pela própria criação. Assim, ao nosso redor vemos a falta de pensamento criativo e a falta de comunicação entre a humanidade. Há, na maioria dos países, o excesso de aparatos eletrônicos que prendem a atenção de crianças, jovens e adultos e essas ferramentas não vieram para agregar conhecimento e sim para entretenimento pessoal. Portanto, se o usuário perder o controle sobre o equipamento, poderá não responder aos estímulos sociais e se isolar em um ambiente utópico.
Elas, as criações, sequestram a capacidade criativa humana e limitam o indivíduo a seguir os comandos oferecidos pelo utensílio o qual é utilizado.
Nos games, as crianças e os jovens se confinam a um espaço virtual pré-programado, que não possibilita a liberdade de formar pensamentos, ali tudo está determinado. Desta forma, a humanidade vai atrofiando justamente a maior diferença que possui dos animais irracionais, o próprio raciocínio criativo.

Pensar em Noam Chomsky e em sua magnífica atuação na área da linguística, e pensar nas sociedades que desenvolveram fantásticas formas de comunicação e geraram a possibilidade de usar vários signos para a cognição humana e observar que os organismos orgânicos estão perdendo o espaço na área da linguagem para os organismos eletrônicos é um sinal de derrocada humana frente à capacidade de comunicação da criatura virtual.
E, se observarmos que as novas gerações falam e escrevem cada vez menos, amparadas por esses mecanismos inteligentes, chegaremos à conclusão que esses indivíduos não precisarão usar suas memórias, pois estarão totalmente dependentes dos suportes eletrônicos que lhes garantirão memorizar o que precisarão mais adiante.
Indo mais além, poderemos supor que as novas engenhocas virão programadas para ouvir as instruções dos usuários. E esses últimos apenas passarão o comando por voz para as mirabolantes criações pensar, escrever e falar por eles. Baseados nessas colocações, os questionamentos são pontuais. Quem fará o contato codificado entre o locutor e o interlocutor? Que interesse terá esse aluno em ouvir o professor que ainda escreve no quadro, pensa e fala? Qual a relação entre aluno e professor nesse mundo eletrônico? Pois não tenho respostas para tais questões.
O que posso dizer é que a nova geração está distante do espaço físico, está viajando em um mundo virtual e está presa às facilidades que as encantam. Uns entram em sala de aula de cabeça embrulhada em capuzes e por debaixo deles usam fones de ouvidos e ali ficam sem falar uma palavra, apenas ouvem essas criaturinhas eletrônicas. Outros sentam em meio a um grupo e mostram as fotos e imagens capturadas e armazenadas em suas maquininhas, os demais trocam risos e textos por WhatsApp em suas pequenas propriedades eletrônicas.
Esses comportamentos ocorrem naturalmente nas escolas, no espaço que deveria ser de troca de pensamentos espontâneos formados livremente com a privilegiada participação do professor. Essa comunicação, a qual Chomsky se refere, está sendo abandonada pelos homenzinhos que ignoram o futuro da humanidade.
Comente este artigo.


Uma realidade terrível

Por todos os cantos, louva-se o avanço da ciência. Inegável, diga-se de passagem. Há cenários, contudo, que permanecem grotescos, desumanos, e colocam em xeque o progresso. De que tipo de progresso estamos falando, afinal? Como entender que somos capazes de enviar sondas a Marte mas incapazes de oferecer trabalho em condições de dignidade? É fato: os números da escravidão no mundo são alarmantes.
 De acordo com a fundação internacional Walk Free, cerca de 35,8 milhões de pessoas são mantidas em situação análoga à de escravidão no mundo. Ao falar à Agência Brasil, a representante da Walk Free no país, Diana Maggiore, comentou que cresceu 20% em 2014 o número de escravizados, em relação aos 29,8 milhões apontados no The Global Slavery Index 2013, o primeiro relatório da organização.
No Brasil, conforme a Wal Free, 220 mil pessoas trabalham como escravos. Diana Maggiore explicou que, em 2014, pela primeira vez, o número de pessoas resgatadas de situações de escravidão no setor urbano foi maior que no setor rural no país. Durante os eventos esportivos registraram-se muitos casos na construção civil. Até as Olimpíadas, a situação deve se repetir. "O Brasil está crescendo, daqui a alguns anos pode ser diferente", afirmou Diana.
Tráfico de pessoas, trabalho infantil, exploração sexual, recrutamento de pessoas para conflitos armados e trabalho forçado em condições degradantes, com extensas jornadas, sob coerção, violência, ameaça ou dívida fraudulenta enquadram-se entre as modernas formas de escravidão. A Organização Internacional do Trabalho (OIT), em dados de 2012, apontou que aproximadamente 21 milhões de crianças e adultos estavam presos em regimes de escravidão no mundo. Ásia e região do Pacífico são os locais com mais pessoas nessas condições: 11,7milhões. ¶
Há algum tempo, a brasiliense Sandra Miranda recebeu uma encomenda do site chinês AliExpress com um pedido de socorro: "I slave. Help me [Sou escravo, ajude-me]". A filha da advogada, que se disse perplexa com a situação e chegou a pensar em brincadeira, colocou a foto da mensagem nas redes sociais e já teve mais de 15 mil compartilhamentos. "A alegação feita contra um dos vendedores da plataforma
AliExpress está sendo investigada", respondeu a empresa do Grupo Alibaba à Agência Brasil. Sandra Miranda disse que um representante da empresa entrou em contato e explicou que o site apenas revende os produtos que já chegam embalados de diversas fábricas. Ele precisará rastrear de qual vendedor veio o seu produto.
A escravidão é um mal antigo, mas profundamente presente no mundo moderno. O Ministério Público do Trabalho (MPT) tem desempenhado um importante papel na luta contra esse tipo de situação degradante, desumanizadora. Com frequência, fazendas e empresas precisam se ajustar em função da fiscalização promovida. Pena não haver maior efetivo de promotores e técnicos para que mais casos viessem à tona. E fosse, como têm sido os descobertos, resolvidos.

Comente este artigo.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Dormir bem é um santo remédio

Sono perdido é sono perdido. Não adianta dormir muito no final de semana pra compensar, nem dormir fracionado.
 As pesquisas publicadas esta semana foram de tirar o sono. Estudos da Organização Mundial de Saúde afirmam que dormir pouco é tão prejudicial à saúde quanto fumar cigarros, beber todo dia ou ser sedentário. Se você é do tipo que dorme menos de sete horas ou sete horas e meia por noite é com você mesmo que eles estão falando. Não dormir bem aumenta em quatro vezes a chance de sofrer um ataque cardíaco, ou ter morte súbita, alertam. 

E a cada noite, nestes tempos modernos, dormimos menos. E sono perdido, dizem os especialistas, é sono perdido. Não adianta dormir muito no final de semana pra compensar, nem dormir fracionado. A neurologista Andrea Bacelar é taxativa: “Hoje em dia vivemos o principal transtorno do sono, o sono insuficiente”. 

Na verdade, estamos dormindo cada vez menos há muito tempo. A gente dorme cada vez mais tarde e acorda cada vez mais cedo. Por conta do trânsito, do trabalho, das preocupações e das novas tecnologias. Quantas vezes você já se pegou, na sua própria cama, contando o número de horas que vai poder dormir? Certamente muitas. 

Sabia que ninguém deveria, em nome da saúde, acordar com estímulos, tipo relógio ou telefone? Todo mundo deveria despertar naturalmente. Mas pouca gente pode se dar este luxo. O dia é menor do que precisamos, e a gente acaba compensando a falta de tempo com a diminuição do tempo de sono. Dormir não é perda de tempo, como as crianças costumam dizer.

Dormir é necessidade, é um jeito de aumentar a nossa imunidade e, claro, ter mais saúde. Sabia também que acordar várias vezes à noite para ir ao banheiro, por exemplo, não é bom sinal? Para os homens significa a possibilidade de problemas na próstata e para as mulheres apneia do sono, ou seja, você acorda porque para de respirar. E quando a pessoa sofre deste mal, vai mais vezes ao banheiro durante à noite porque a bexiga enche mais rápido. 

Claro que, cada um, tem um número de horas de sono necessárias para o bem viver, mas dormir menos prejudica a saúde. Tem gente que dorme quatro horas e fica bem, mas isto é exceção. Os idosos dormem pouco, tem a imunidade mais baixa e 80% deles têm a tal da apneia do sono.

 Outra novidade: a noite de domingo para segunda é a de maior índice de insônia por conta daquele soninho de depois do almoço que desorienta seu organismo. Resumo da ópera: trate de se reorganizar, colocar ordem no seu dia a dia se quiser dormir melhor. Não tome remédios para dormir, atrapalham sua memória. No máximo um chá de alface com maçã, ou de camomila ou de capim limão, apague a luz, deixe a tecnologia de lado e tenha um bom sono. Vamos conferir?

Comente este artigo.

O futuro de todos nós

Pode estar nascendo hoje o último ser humano a vagar pela Terra. A menos que façamos algo para evitar a extinção. A maior parte das pessoas tem uma visão dramática sobre o fim dos tempos. Um grande meteoro em rota de colisão com nosso planeta; uma mudança repentina nas condições atmosféricas; a transformação do Sol em uma supernova. As previsões estão atreladas à ciência. Mas há outro vaticínio em andamento.
Se o fim viesse de fenômenos naturais, tudo se encerraria em questão de minutos. Seria uma forma digna de dar adeus. Indigno é se despedir silenciosamente, ignorando as relações humanas. Está chovendo lá fora? Quem disse que é preciso olhar para saber? Um amigo tenta conversar enquanto você divaga no celular? Bobo é ele, achando que está recebendo alguma atenção. O mundo real virou coadjuvante. Tudo é conexão.
“Abram os vidros, deixem-me ver as árvores”, disse o poeta Alexandre Herculan o. Já fez isso hoje? A natureza, bela por essência, perfeita por criação. As árvores fazem parte de uma linhagem comum na história da vida. Somos irmãos de longa data. Entretanto, abdicamos delas em favor de gigantes de tijolos e metal. Passamos a construir nosso próprio mundo. O ser humano ousa ser Deus.
O último de nossa raça pode estar nascendo, pois robotizamos emoções. Grilhões de uma rotina grosseira, voltada para o vício no superficial, tomaram nossa vida. Não há um mísero minuto de relaxamento para pensar. O dinheiro nublou a compreensão das pessoas. O poder corrompeu os princípios mais basilares de convivência social. Deixamos de existir como conjunto, a partir do momento que a indiferença passou a dominar os relacionamentos.
Correções de curso acontecem, mas chegamos a uma maturidade do supérfluo. A geração de hoje, operária de um vindouro futuro, vendeu-se para a impessoalidade. Um meteoro nada significa perante uma morte lenta e dolorosa, incitada pelo escárnio e pela falta de interesse no próximo. O Sol explodir, uma mudança climática... A instantaneidade nos beneficiaria. Resta aguardar a manifestação de uma fagulha de esperança. Uma pequena atitude que altere o curso do destino. Lembre-se: o poder de mudar realidades está na mão de cada um. Pense nisso, pelo bem de todos nós.    
Comente este artigo.


Sinal de desespero

A pesquisa Ibope teve um efeito desolador no PT, que se esforça para ser guardião de uma presidente da República que não queria e para fingir que acredita em Lula como boia de salvação. A sensação é de fim de festa, com o salão desarrumado, copos quebrados, guardanapos pelo chão e bêbados vagando sem rumo, enquanto o Titanic aderna.
A aprovação de Dilma Rousseff despencou para um só dígito e a rejeição é a maior em 29 anos, pior mesmo do que as de Collor e de Sarney, os ex-campeões de impopularidade. O campo da pesquisa, curiosamente dez dias antes da divulgação, não pegou os 15 minutos de glória de Dilma com Barack Obama nem captou, do outro lado, as revelações de Ricardo Pessoa envolvendo campanhas de Lula e Dilma e, de uma tacada só, dois ministros com assento no Planalto. Soma daqui, subtrai dali, o resultado é atual.
Chocado, o PT vê a presidente serelepe, curtindo a dieta da moda e pedalando sua bike ribanceira abaixo, enquanto leva uma bola nas costas atrás da outra no Congresso, ora com um novo fator previdenciário, ora com o aumento de até 78% dos funcionários do Judiciário. E, assustado, descobre que Lula está sem rumo, sem vontade e sem tantos seguidores assim que estejam dispostos a afundar com ele e Dilma em toda essa lambança.
A proposta que Lula levou para as bancadas do PT no Congresso e para os líderes ainda aliados do PMDB é, em si mesma, um sinal de desespero: um pacto de governabilidade entre os três Poderes para "tirar o país da crise". Leia-se: ele sonha numa "união republicana" do Legislativo e do Judiciário em torno do Executivo para tentar salvar o mandato periclitante da pupila Dilma.
Como pensar em "pacto" entre poderes, justamente num ambiente de desconfiança entre eles e de críticas generalizadas à presidente? O Executivo perdeu o controle e ficou a reboque do Congresso e da Justiça. O Legislativo está nas mãos de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que impõem uma derrota atrás da outra ao Planalto e estão no foco do Judiciário. E o Judiciário não apenas investiga os presidentes da Câmara e do Senado e boa parte dos congressistas, como pode se ver na iminência de julgar ministros da antessala de Dilma.
Deputados e senadores petistas ouviram a ideia de Lula com reverência, como fazem há mais de 35 anos, antes mesmo da criação do PT, mas saíram dali envoltos em profundo desânimo. Se isso é tudo o que o gênio da política tupiniquim tem a oferecer, é porque a coisa está para lá de ruim.
Já os caciques do PMDB nem fizeram questão de esconder o ceticismo com a solução improvisada - aliás, com tudo. Octogenário e vivendo o ocaso da carreira política, José Sarney foi além e disse o que todos ali pensavam, mas não ousavam admitir: a esta altura, com o governo desmoronando, a economia idem e Dilma autista, pode ser tarde demais para qualquer reação. Segundo relatos, Sarney avaliou, sem subterfúgios, que a possibilidade de Dilma cair é cada vez mais real.
Se as conversas de Lula com o PT e o PMDB amigo já foram nesse ambiente desolador, imaginem se, em vez de terem sido na segunda e na terça, tivessem sido na quarta-feira, dia da divulgação do Ibope? Os próprios petistas começam a dar sinal de cansaço. Eles se ressentem do erro fatal que foi chegar alegremente ao paraíso das benesses e das maracutaias e, como tiveram de engolir a imposição do nome de Dilma para a Presidência, não encontram argumentos - e, na verdade, nem têm vontade - para defendê-la agora. Pior: muitos não botam mais fé em Lula, que também demonstra frustração, medo, impotência.
"Lula não manda mais nada", atesta um velho amigo, repetindo literalmente o que a senadora Marta Suplicy diz há tempos e revelando que achou o ex-presidente deprimido, sem encanto, incapaz de apontar caminhos e de convencer como pré-candidato em 2018. Como todos os demais, Lula está vendo o desastre chegar sem saber como impedi-lo. Nem como sobreviver a ele.

Comente este artigo.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

As perdas no abastecimento de água

Estudo do instituto Trata Brasil apurou que das cem maiores cidades brasileiras, 42 registraram perdas superiores a 45% no abastecimento e na distribuição de água, enquanto dez anotaram perdas de até 25%. As informações foram apresentadas pelo presidente da organização, Edison Carlos, durante o workshop Redução das perdas na rede de distribuição de água, organizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). As informações são da Agência Indusnet Fiesp.
Dados do Ministério das Cidades, de 2004 a 2013, revelam ainda que as perdas no abastecimento de água desaceleraram apenas 8,7% em uma década. Significa que se progrediu menos de um ponto percentual ao ano nesse período, lembrou Carlos. São consideradas perdas no abastecimento de água fraudes, vazamentos e fornecimentos não registrados a determinados órgãos públicos.
Ainda segundo o presidente do Trata Brasil, em 2013 as perdas nas cidades representaram 330 milhões metros cúbicos de água, a um custo aproximado de R$ 258 milhões ao ano, o que representou 11% dos investimentos nos serviços de abastecimento destes municípios.
Eduardo Moreno, diretor da Divisão de Saneamento Básico do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, lembrou que a grave crise hídrica e energética pela qual o país passa se configura num momento ideal para discutir o tema.
Para melhorar o cenário de perdas no abastecimento de água é preciso que o cálculo do que é efetivamente consumido no sistema também seja aperfeiçoado e padronizado. "Olhando a série histórica, fica claro que esse indicador estava esquecido. Houve pouco avanço, se analisarmos os últimos anos", declarou Moreno.
Durante o evento, o representante da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), que atua em mais de 150 países com cooperação técnica e financeira, Taku Ishimaru, apresentou o modelo do Camboja, país no sudeste asiático que superou a crise hídrica provocada pela guerra civil. Após o fim da guerra, a infraestrutura local estava totalmente destroçada e houve, então, o início da elaboração de um plano diretor em duas etapas. E ao mesmo tempo, um projeto de formação profissional, com parcerias com as prefeituras, uma vez que a distribuição de água estava quase 100% nas mãos do setor público. As perdas no abastecimento de água no Camboja superavam os 70% e, agora, são de apenas 8%.
Houve uma campanha de investimentos em infraestrutura no país, aliada a programas junto à comunidade e com a colaboração internacional. Surgiram uma nova estrutura, uma nova filosofia e profissionais treinados. Um desafio que precisa de esforços contínuos de todas as áreas, para o mesmo objetivo.

Comente este artigo.

As imagens proibidas do Google Earth

Por segurança ou privacidade, locais são desfigurados nas imagens do programa.
Fazenda misteriosa borrada na Rússia por motivos desconhecidos.
O Google Earth é um freeware (programa gratuito de computador), que completou 10 anos no último dia 28. Apresenta um modelo tridimensional do globo terrestre que traz imagens de satélite de todas as regiões do planeta. Através dele é possível observar com detalhes a localização e estrutura de vários lugares e construções do mundo. Algumas localizações, entretanto, encontram-se borradas quando aproximadas dentro do programa. As razões, segundo a empresa, partem de várias justificativas.
A primeira seria de que não é a própria empresa Google que fabrica todas as imagens presentes nos seus famosos programas de mapa. A empresa trabalha como coletora de imagens de satélite, como afirma Deanna Yick, porta-voz da Google, em entrevista ao site de curiosidades norte-americano Mashable. Na entrevista, ela faz alguns esclarecimentos sobre os mapas da Google.
“O satélite e as imagens aéreas do Google Earth e Maps são provenientes de uma grande variedade de fontes, comerciais e públicas. Essas fontes de terceiros são obrigadas a seguir as leis dos países em que operam, então alguns deles borram as imagens e nos dão”, afirma Deanna. A publicação de fontes de imagens borradas é autorizada a partir de uma análise geral de qualidade. “Procuramos postar as melhores imagens possíveis, levando em conta elementos como data, resolução e claridade”, completa.
Ela também explica como essa coletânea de imagens é negociada pelos responsáveis da empresa, o que, segundo ela, justifica a presença de áreas onde não é possível definir o que está ou não na tela do computador. “De tempos em tempos recebemos informação de nossas fontes. Se as imagens apresentadas possuem as qualidades exigidas, elas são eleitas para a atualização, mesmo com alguns lugares borrados”, explica.
Controvérsias
Há dez anos, a possibilidade de encontrar o telhado da própria casa no Google Earth empolgava muitos usuários que jamais tinham pensado em acessar tecnologia semelhante antes do programa. Apesar de todo o deslumbramento do público diante dessa novidade, alguns líderes de Estado se manifestaram contra a ferramenta, principalmente nos primeiros anos após o lançamento.
Um dos casos que foram tornados públicos foi a reclamação do ex-presidente da Índia, em 2006, que se manifestou contra a disponibilização de imagens de satélite de locais secretos do governo indiano. Em resposta, a empresa aceitou borrar as areas solicitadas. Em 2008, os mapas da Google foram apontados como fonte de pesquisa para terroristas, que originou em um atentado à cidade de Mumbai.
Comente este artigo

Nova teoria da evolução humana


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Julho vermelho para a energia elétrica

Os consumidores brasileiros não devem se iludir com a conta de energia elétrica, cujo preço encontra-se na estratosfera e puxa a inflação doméstica dos lares. Não há previsão de quando o cenário atual mude. Neste final de mês, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) já informou em seu site: a bandeira tarifária para o mês de julho de 2015 continuará vermelha para todos os consumidores brasileiros - o que significa um acréscimo de R$ 5,50 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. As medidas de contenção nos lares, portanto, precisam continuar.
Pelo sistema de bandeiras tarifárias, as cores verde, amarela e vermelha indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração de eletricidade. A ideia é que o consumidor possa identificar qual a bandeira do mês e reagir a essa sinalização com o uso consciente da energia elétrica, sem desperdício.
A partir deste ano as contas de energia passaram a trazer essa novidade que, no momento, provoca um baque nas despesas de cada cliente. Desde que entrou em operação, a bandeira verde, com condições favoráveis de geração de energia e que faz com que a tarifa não sofra acréscimos, não foi experimentada pela população. Tampouco a bandeira amarela, cuja condição é menos favorável e leva a tarifa a sofrer acréscimo de R$ 0,025 para cada quilowatt-hora (kWh).
O modelo passou a ser aplicado por todas as concessionárias conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e, de acordo com a Aneel, partir de amanhã, passará a ser aplicado também pelas permissionárias de distribuição de energia.
A crise atual tem explicação no formato criado pelo país para sustentar sua geração energética. Nossa eletricidade é produzida predominantemente por usinas hidrelétricas que, para funcionar, dependem das chuvas e do nível de água nos reservatórios. Quando há pouca água armazenada - como agora -, as usinas termelétricas podem ser ligadas com a finalidade de poupar água nos reservatórios das hidrelétricas. Com isso, o custo de geração aumenta, pois as segundas são movidas a combustíveis como gás natural, carvão, óleo combustível e diesel. Por outro lado, quando há muita água armazenada, as térmicas podem ser menos utilizadas e o custo de geração é menor.
A aprovação dos últimos valores das bandeiras tarifárias, que permitiram refletir o custo real das condições de geração, foi feita pela Aneel em 27 de fevereiro.

Comente este artigo.