domingo, 16 de dezembro de 2012
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William Junior
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sábado, 15 de dezembro de 2012
Ah se fosse assim!
Em todos
os noticiários econômicos, qualquer artigo científico ou em um simples papo no
dia a dia, o comentário não deixa de ser outro. O Brasil vive uma nova era. Uma
era que projeta o país rumo ao patamar das economias mais desenvolvidas do
planeta.
Esse fato não deve ser mérito de apenas um governo, mas sim de uma sucessão de continuidade nas políticas adotadas durante os últimos 40 anos. Falo em 40 anos só para citar alguns índices que nos permitem a comparação com outros tempos.
Na década de 70 a expectativa de vida do brasileiro não passava dos 48 anos. Apenas um, em mais de dez habitantes possuía carro e a renda per capita era mais baixa de que países como o Uruguai e a Argentina, não ultrapassando os 800 dólares.
Olhando apenas esses três indicadores podemos pensar que hoje vivemos no paraíso. A expectativa de vida atingiu os 74 anos em 2012. Já observamos um carro para cada cinco habitantes e a renda per capita já ultrapassa os 12 mil dólares.
Parece que vivemos em um país de primeiro mundo. Parece. Tínhamos tudo para já ser uma super potência, porém ainda estamos no meio do caminho. Muita coisa ainda precisa ser feita e dependemos muito de nossos governos.
Nesse meio tempo deixamos de ser um país minifundiário, com agricultura de subsistência e nos tornamos uma das maiores potencias mundiais no ramo do agronegócio. Se tudo der certo, colheremos, pela primeira vez na história, uma safra de soja maior do que a dos Estados Unidos, país que não impõem barreiras no desenvolvimento de suas tecnologias.
Contudo, não podemos depender única e exclusivamente da boa vontade de São Pedro para aumentar nossa lucratividade. Grande parte da margem que poderia ser gerada com a melhora na infraestrutura, diga-se de passagem: escoamento, armazenagem, tecnologia e exportação, é perdida pelo caminho. Quem dera se nossa nação tivesse metade da linha férrea dos norte-americanos. Ou a capacidade de embarque/desembarque do PIOR porto da China.
Mas não. O que impede de caminharmos com passos mais largos rumo ao desenvolvimento é a incapacidade de tolerância sobre certos pontos que facilitariam nossas vidas. A burocracia, por exemplo, que faz com que nossa média de dias para abrir uma empresa seja superior a 100, enquanto na Singapura não passa de três, é uma temerosa questão.
Se não tivéssemos que sustentar tantos deputados, senadores e ministros, fora seus assessores que ajudam a consumir uma das maiores fatias do dinheiro público já visto na história, nos colocando no topo da lista de países que mais gastam com parlamentares, com certeza teríamos mais dinheiro para investimentos em áreas prioritárias como saúde e educação.
A educação poderia nos ajudar a formar engenheiros, cientistas e até mesmo políticos que pensassem no bom desenvolvimento do país. A saúde ajudaria a aumentar nossa expectativa de vida e uma infraestrutura digna maximizaria o lucro de todos os empresários. Ah, se fosse assim!
Esse fato não deve ser mérito de apenas um governo, mas sim de uma sucessão de continuidade nas políticas adotadas durante os últimos 40 anos. Falo em 40 anos só para citar alguns índices que nos permitem a comparação com outros tempos.
Na década de 70 a expectativa de vida do brasileiro não passava dos 48 anos. Apenas um, em mais de dez habitantes possuía carro e a renda per capita era mais baixa de que países como o Uruguai e a Argentina, não ultrapassando os 800 dólares.
Olhando apenas esses três indicadores podemos pensar que hoje vivemos no paraíso. A expectativa de vida atingiu os 74 anos em 2012. Já observamos um carro para cada cinco habitantes e a renda per capita já ultrapassa os 12 mil dólares.
Parece que vivemos em um país de primeiro mundo. Parece. Tínhamos tudo para já ser uma super potência, porém ainda estamos no meio do caminho. Muita coisa ainda precisa ser feita e dependemos muito de nossos governos.
Nesse meio tempo deixamos de ser um país minifundiário, com agricultura de subsistência e nos tornamos uma das maiores potencias mundiais no ramo do agronegócio. Se tudo der certo, colheremos, pela primeira vez na história, uma safra de soja maior do que a dos Estados Unidos, país que não impõem barreiras no desenvolvimento de suas tecnologias.
Contudo, não podemos depender única e exclusivamente da boa vontade de São Pedro para aumentar nossa lucratividade. Grande parte da margem que poderia ser gerada com a melhora na infraestrutura, diga-se de passagem: escoamento, armazenagem, tecnologia e exportação, é perdida pelo caminho. Quem dera se nossa nação tivesse metade da linha férrea dos norte-americanos. Ou a capacidade de embarque/desembarque do PIOR porto da China.
Mas não. O que impede de caminharmos com passos mais largos rumo ao desenvolvimento é a incapacidade de tolerância sobre certos pontos que facilitariam nossas vidas. A burocracia, por exemplo, que faz com que nossa média de dias para abrir uma empresa seja superior a 100, enquanto na Singapura não passa de três, é uma temerosa questão.
Se não tivéssemos que sustentar tantos deputados, senadores e ministros, fora seus assessores que ajudam a consumir uma das maiores fatias do dinheiro público já visto na história, nos colocando no topo da lista de países que mais gastam com parlamentares, com certeza teríamos mais dinheiro para investimentos em áreas prioritárias como saúde e educação.
A educação poderia nos ajudar a formar engenheiros, cientistas e até mesmo políticos que pensassem no bom desenvolvimento do país. A saúde ajudaria a aumentar nossa expectativa de vida e uma infraestrutura digna maximizaria o lucro de todos os empresários. Ah, se fosse assim!
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Um presente ao ladrão “bonzinho”
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania
(CCJ) aprovou a proposta que reduz as penas dos crimes contra o patrimônio
O título desse artigo chama a atenção
para algo que o futuro nos reserva, afinal, quem cometer furto e estelionato e
não praticar violência poderá, em breve, ficar menos tempo na cadeia. A
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou a proposta que
reduz as penas dos crimes contra o patrimônio.
O novo texto diminui os limites para
o furto simples. Se hoje a reclusão varia de um a quatro anos e multa, no
futuro poderá cair para seis meses a dois anos ou multa. A justificativa do
relator da proposta, deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), de que será
possível assim evitar que a cadeia seja uma “pós-graduação do crime”, por
aproximar autores de pequenos delitos dos piores criminosos, perde-se pelo
discurso. Afinal, se o problema fosse apenas esse, bastaria aumentar o controle
nos presídios e separá-los.
O alívio na condenção dos bandidos
“menos perigoso”, que ganhou ainda na CCJ o agravamento da punição a quem
cometer crimes com violência, como os contra a vida, uma espécie de compensação
para agradar a sociedade, leva a uma sensação de que as vítimas continuarão
desprotegidas e que poderão, cada vez mais, serem alvos dos ataques. E furto,
com ou sem violência, é sempre furto. Deixa homens e mulheres impotentes e
revoltados diante da falta de segurança.
As mudanças propostas estão previstas
no Anteprojeto 3/12, da Subcomissão Especial de Crimes e Penas, onde estão
sendo analisadas punições previstas no Código Penal para diversos crimes. A
ideia é restabelecer a proporção entre as penas e as gravidades dos delitos.
Pode-se prever, também, se a proposta
for levada adiante, manifestações de policiais e delegados, responsáveis pela
linha de frente no combate ao crime. Se atualmente já existem reclamações com o
discurso uniformizado - “a gente prende e a Justiça solta” -, o que esperar
dessas mesmas vozes quando as penas diminuírem?
A ideia de reduzir a sentença para
quem comete crimes pequenos e poupa as vítimas de algum tipo de violência é
aceitar a prática como um fenômeno natural nos dias de hoje. Um olhar
complacente da legislação a quem costuma ser figura conhecida nas delegacias do
país.
Outras medidas que recebem análise da
CCJ têm a mesma linha e aliviam as penas a quem comete crimes. Uma delas, por
exemplo, embora aumente em 1/3 a pena para o furto qualificado caso seja de bem
público, autoriza o juiz a reduzi-la se a coisa furtada for de pequeno valor.
Ser “ladrão de galinha” no Brasil muito em breve terá suas vantagens.
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Caravelas, onças e picadas
Se a falsidade humana já não é bem aceita, a do
mosquito é imperdoável
Quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, depois de o
Brasil já ter sido descoberto pelos índios, os espanhóis, os chineses e todos
os povos que passaram por aqui mas esqueceram de pedir usucapião, a vida ainda
era bem tranquila e mosquitos e onças eram os únicos incômodos. Das onças o
país conseguiu se livrar racionalmente ao longo dos séculos. Ninguém racionou
bala para dizimá-las e hoje elas é que são incomodadas por nós nos zoológicos.
Já os mosquitos, não teve jeito. Se eram muitos em 1500, hoje são muito mais. É
o único ser vivo dotado da incrível capacidade de estragar uma noite inteira de
sono, ao lado do vizinho que resolve dar uma festa e não convidar quem mora ao
lado.
Os mosquitos evoluíram com o país. Criaram fórmulas para
sobreviver à guerra constante que travam contra a palma de nossas mãos. Eu
acredito que eles também desenvolveram inteligência e passaram a recorrer à
simulação a favor de uma picada. A gente fecha o quarto, descarrega um tubo
inteiro de inseticida e respira metade do veneno até vê-los caindo em espiral,
mortos, como avião metralhado. Falsidade pura. É só a futura vítima deixar o
quarto, tossindo e intoxicada, que eles erguem a cabeça e retomam o voo. Se a
falsidade humana já não é bem aceita, a do mosquito é imperdoável.
Os inoculadores também aprenderam táticas de guerra. A pessoa
tranca a casa inteira lá pelas 19h, quando o sol ainda está alto e convidativo.
Nenhum integrante da família tem autorização, porém, para abrir portas e
janelas. A ordem é não colocar os pés na rua e caçar os mosquitos, custe o que
custar. Incrivelmente nenhum representante dos sugadores é encontrado. Não
estão nas paredes, atrás dos móveis, nas cortinas, dentro da casinha do
cachorro ou nos cabelos da vó que dorme e baba no sofá, enquanto o ventilador
resfria suas pernas. Mas eis que chega a noite e aquele barulho de esquadrilha
ganha o ar. E como isso se explica? Camuflagem. Escolhem pontos estratégicos
para se esconder. O local onde nenhum humano pensaria em procurar: o armário
usado para guardar o veneno contra os mosquitos. Como o produto não tem mais
efeito mesmo, ali passou a ser o porto seguro deles. Estratégia militar.
Eu digo para vocês, os pernilongos de hoje pensam. Logo vão
competir com cães, gatos, peixes e ratos que passaram a ser chamados de
esquilos na lista dos animais domésticos preferidos pelas crianças.
- Querido, tem que que comprar mais ração para o cachorro. E não
esquece de trazer uma bolsa de sangue para o Fliti.
Para mim também não será surpresa alguma se as fábricas de veneno
reconhecerem a falência de seus produtos e mudarem o foco mercadológico.
Abandonarem os tubos e aparelhos elétricos e passarem a investir em armas de
baixo calibre. Já vejo até o slogan: “M-22, a única com silenciador e mira
noturna para você ter uma noite tranquila de sono”. Vai ter que ser na bala
mesmo, assim como fizemos com as onças depois que Cabral desceu nessas terras e
ficou todo picado na sua primeira noite tropical.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Justiça condena oito empresas de cartões de crédito por cobranças indevidas
A Justiça Federal condenou hoje (12)
oito administradoras de cartões de crédito por cobranças indevidas de encargos
dos clientes. O juízo da 30ª Vara Federal da capital declarou inválidas as
cláusulas contratuais que permitem a cobrança da taxa de garantia, de
administração, de comissão de permanência cumulada com outros contratuais e de
multa moratória superior a 2% sobre a prestação devida.
Os clientes dos cartões que foram
prejudicados devem entrar com ação na Justiça Federal pedindo a apuração do
prejuízo total e o valor do dano sofrido. A Justiça também decidiu que as
administradoras devem indenizar com o dobro do valor os consumidores lesados e
compensá-los por eventuais prejuízos morais e materiais.
As empresas punidas foram: Credicard,
Real, Itaucard, Fininvest, Banco do Brasil, Bradesco, Federal Card (da Caixa
Econômica) e Banerj.
Para o juiz Márcio Barra Lima, os
contratos dos cartões de crédito administrados pelas empresas condenadas, como
contratos de adesão, apresentavam alguns pontos abusivos que permitiam a
cobrança de encargos não autorizados, como a chamada cláusula mandato, que
permitia à administradora autonomia para renegociar a dívida do titular do
cartão no mercado, inclusive mediante financiamento feito em seu nome com
outras instituições, sem constar nenhuma informação sobre os encargos e da
remuneração pelos serviços.
Ainda segundo a decisão, a cobrança
cumulada de comissão de permanência com outros encargos como juros e correção
monetária sobrecarrega o consumidor, sendo considerada abusiva a estipulação de
juros a 2% sobre prestação completa por afrontar o Artigo 52 do Código de
Defesa do Consumidor.
Em nota, a Itaucard, que incorporou a
Finivest e a Banerj, diz que ainda não recebeu o comunicado oficial sobre a
decisão. "O Itaú Unibanco reforça que suas práticas encontram-se
totalmente adequadas à jurisprudência e ao Código de Defesa do
Consumidor", diz. A instituição declara também que não exerce a cobrança
de comissão de permanência somada a juros moratórios, nem cobra multa superior
a 2%".
O Bradesco, por meio de nota, informou
que não se pronuncia sobre casos que estão sob o exame da Justiça. "As
providências serão tomadas em juízo". O Citibank, dono da Credicard,
declarou que "não comenta processo em tramitação, sem decisão definitiva".
As demais administradoras não se manifestaram.
Fonte: Agência Brasil.
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Pessoa humana, ser individual ou pessoal?
Essa é uma das
questões de fundo no debate ideológico entre esquerda e direita. Nossa natureza
individual é algo que salta aos olhos de modo permanente. Quando tropeço numa
pedra o pé que dói é o meu e o de ninguém mais. Cada um de nós tem a sua
memória, a sua história, a sua própria vocação, seus gostos e desgostos. Nossa
carteira de identidade apresenta uma impressão digital que, como qualquer
célula de nosso corpo, é única, própria e irrepetível. Se cada um de nós não
existisse e quisesse Deus criar um outro ser como nós, precisaria recriar
nossos pais, e os pais deles, e assim sucessivamente, até que toda a Criação
tivesse sido refeita.
Contudo, esse ser assim tão individual é, também, um ser social. Somos sociais por carência (precisamos dos demais) e por abundância (podemos e devemos contribuir para o conjunto da sociedade em que vivemos). Somos um elo da sociedade presente e um elo social do passado com o futuro. Nossas atitudes, nossa cultura, nossos hábitos são aprendidos do meio social. Se, a exemplo de Tarzan, fôssemos criados na floresta, por um bando de chimpanzés, sem contato com outros seres da própria espécie, nossos comportamentos reproduziriam em tudo o que fosse possível o ambiente social em que estaríamos inseridos. E ao chegar a idade adulta, se não nos aparecesse a Jane, acabaríamos casando com a Chita...
No entanto, apesar da obviedade dessas constatações antropológicas, o fato é que as ideologias deste século penduraram-se nos fios do individualismo e do coletivismo. Para o individualismo o ser humano é um indivíduo movido pelo interesse próprio e sua natureza é puramente individual ou dominantemente individual. Para os coletivismos o ser humano é puramente social ou dominantemente social. Praticamente toda a confusão que uns e outros operaram ao longo de quase dois séculos decorre desse erro fundamental.
Para o individualismo liberal, uma de suas virtudes consiste em extrair do egoísmo os impulsos propulsores do interesse próprio para estimular as atividades econômicas. Entendem seus pensadores que as necessidades humanas são mais plenamente atendidas quando todos os indivíduos buscam suas conveniências afanosa e irrestritamente. Note-se que há uma lógica sedutora nesse conceito porque a experiência mostra que as pessoas tendem a se dedicar mais ao que lhes convém pessoalmente do que ao interesse alheio. Já para o coletivismo, o interesse próprio precisa ser eliminado como condição indispensável a que o interesse coletivo prevaleça. A busca egoísta das conveniências individuais estabeleceria a prevalência dos mais fortes sobre os mais débeis com graves danos ao equilíbrio social. Também aqui há uma lógica sedutora, pois é exatamente isso o que a experiência exibe ao observador atento.
Como admitir-se que duas noções antagônicas possam estar corretas? Ou, ainda: como podem ambas estar erradas embora coincidam com o que se observa? Onde está, afinal, a verdade? Ela não está em qualquer das duas (como revelaram todas as práticas individualistas e coletivistas). Para encontrar-se a verdade é preciso reconhecer aquilo que a doutrina cristã ensina e a experiência comprova: a pessoa é um ser ao mesmo tempo individual e social. O bem da pessoa e da sociedade não pode ser atendido por uma ordem que desconheça essa dupla condição. Assim, o Estado não existe para garantir os espaços do egoísmo nem para extinguir o interesse individual.
Cabe-lhe, ao contrário, atuar no sentido de que o interesse de cada um se ponha a serviço do bem comum, promovendo relações sociais solidárias. Produzir isso é o papel da atividade política.
Seguidn viés oposto dizia-me alguém, dias atrás: mas o homem é naturalmente egoísta. E eu complementei: e é, também, naturalmente comodista, naturalmente hedonista, naturalmente predador, o que não significa que no confronto natural entre os vícios e as virtudes se deva deixar dominar por aqueles em detrimento destas. É bom saber, por fim, que assim como o individualismo estimula o egoísmo de cada um, o coletivismo - como a história, amplamente, demonstrou - organiza esse mesmo egoísmo em modelos políticos totalitários.
A humanidade muito apanhou no brutal confronto entre o individualismo e o coletivismo. Este, criando estruturas de dominação social para inibir a expressão da individualidade; aquele, quando muito generoso, chegando ao social como um episódico ensaio de amabilidade, apropriado para as horas livres. E nas horas ocupadas? Impondo estruturas de dominação individual.
Fora do barco da solidariedade a sociedade naufraga.
Contudo, esse ser assim tão individual é, também, um ser social. Somos sociais por carência (precisamos dos demais) e por abundância (podemos e devemos contribuir para o conjunto da sociedade em que vivemos). Somos um elo da sociedade presente e um elo social do passado com o futuro. Nossas atitudes, nossa cultura, nossos hábitos são aprendidos do meio social. Se, a exemplo de Tarzan, fôssemos criados na floresta, por um bando de chimpanzés, sem contato com outros seres da própria espécie, nossos comportamentos reproduziriam em tudo o que fosse possível o ambiente social em que estaríamos inseridos. E ao chegar a idade adulta, se não nos aparecesse a Jane, acabaríamos casando com a Chita...
No entanto, apesar da obviedade dessas constatações antropológicas, o fato é que as ideologias deste século penduraram-se nos fios do individualismo e do coletivismo. Para o individualismo o ser humano é um indivíduo movido pelo interesse próprio e sua natureza é puramente individual ou dominantemente individual. Para os coletivismos o ser humano é puramente social ou dominantemente social. Praticamente toda a confusão que uns e outros operaram ao longo de quase dois séculos decorre desse erro fundamental.
Para o individualismo liberal, uma de suas virtudes consiste em extrair do egoísmo os impulsos propulsores do interesse próprio para estimular as atividades econômicas. Entendem seus pensadores que as necessidades humanas são mais plenamente atendidas quando todos os indivíduos buscam suas conveniências afanosa e irrestritamente. Note-se que há uma lógica sedutora nesse conceito porque a experiência mostra que as pessoas tendem a se dedicar mais ao que lhes convém pessoalmente do que ao interesse alheio. Já para o coletivismo, o interesse próprio precisa ser eliminado como condição indispensável a que o interesse coletivo prevaleça. A busca egoísta das conveniências individuais estabeleceria a prevalência dos mais fortes sobre os mais débeis com graves danos ao equilíbrio social. Também aqui há uma lógica sedutora, pois é exatamente isso o que a experiência exibe ao observador atento.
Como admitir-se que duas noções antagônicas possam estar corretas? Ou, ainda: como podem ambas estar erradas embora coincidam com o que se observa? Onde está, afinal, a verdade? Ela não está em qualquer das duas (como revelaram todas as práticas individualistas e coletivistas). Para encontrar-se a verdade é preciso reconhecer aquilo que a doutrina cristã ensina e a experiência comprova: a pessoa é um ser ao mesmo tempo individual e social. O bem da pessoa e da sociedade não pode ser atendido por uma ordem que desconheça essa dupla condição. Assim, o Estado não existe para garantir os espaços do egoísmo nem para extinguir o interesse individual.
Cabe-lhe, ao contrário, atuar no sentido de que o interesse de cada um se ponha a serviço do bem comum, promovendo relações sociais solidárias. Produzir isso é o papel da atividade política.
Seguidn viés oposto dizia-me alguém, dias atrás: mas o homem é naturalmente egoísta. E eu complementei: e é, também, naturalmente comodista, naturalmente hedonista, naturalmente predador, o que não significa que no confronto natural entre os vícios e as virtudes se deva deixar dominar por aqueles em detrimento destas. É bom saber, por fim, que assim como o individualismo estimula o egoísmo de cada um, o coletivismo - como a história, amplamente, demonstrou - organiza esse mesmo egoísmo em modelos políticos totalitários.
A humanidade muito apanhou no brutal confronto entre o individualismo e o coletivismo. Este, criando estruturas de dominação social para inibir a expressão da individualidade; aquele, quando muito generoso, chegando ao social como um episódico ensaio de amabilidade, apropriado para as horas livres. E nas horas ocupadas? Impondo estruturas de dominação individual.
Fora do barco da solidariedade a sociedade naufraga.
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sábado, 8 de dezembro de 2012
Quem não foi índio levante a mão?

O maior sempre engole o menor! Quem não ouviu a trágica verdade? Quando abandonamos, em levas e aos poucos, o Leste da África para conquistar o mundo nós, os humanos, fomos criando aglomerações diversificadas que passamos a definir no decorrer do tempo como povos com usos e costumes peculiares.
Usos e costumes que foram sofrendo (e sofrem) mudanças constantes, modificações diuturnas imperceptíveis, pois a vida é movimento e nela nada permanece imutável.
A intensidade do frio e do calor, o ambiente, o alimento (principalmente a proteína animal), o solo, a flora, a fauna, a percepção de novas realidades, o surgimento da fala, as descobertas (fogo), o avanço cientifico (roda, agulha, vidro), a invenção escrita foram, entre milhares de outros elementos, nos afetando num processo de moto contínuo que nos modifica a todo instante.
Espalhados pelos cinco continentes os descendentes do homo sapiens criaram incontáveis civilizações que, em contato umas com as outras, passaram a influenciar e ser influenciadas – com o mais forte impondo seu jeito de ser quando os choques, tidos como inevitáveis pelo nível cultural de diferentes épocas, ocorriam. Assim, civilizações nascem e civilizações morrem.
É a dialética da natureza, perversa eu e todos sabemos, mas incontrolável: não há como segurar a história menos ainda voltar para ao passado.
Nesse contexto é que se deve analisar a questão indígena entre nós.
O assunto foi mal encaminhado desde que os choques inevitáveis da intensificação da globalização e a chegada do português e do espanhol (que também foram índios) produziram.
Com a predominância da civilização europeia que chegou (também com seu Deus, seus vícios e doenças), optamos, após anos de ações truculentas, pela reserva indígena. Espécie de confinamento perpétuo para impedir a emancipação desses povos como se fosse possível parar a roda da história e evitar que eles – protegendo seus usos e costumes na esfera do possível ditado pela dialética de que nada é estático – evoluíssem como os demais do planeta (portugueses e espanhóis, por exemplo) em idênticas circunstâncias.
Hoje, pasmos, nos damos conta que nada é mais anacrônico do que as reservas: 63% dos índios brasileiros possuem televisão, 51% contam com geladeiras, 36% tem telefone celular e cresce o numero dos que têm automóveis e internet. E a maioria só sobrevive com ajuda do Bolsa Família!
Quando estão vivos graças à medicina do SUS?
Com tudo isso dentro de uma aldeia/reserva será possível falar em manter o modo de vida que tinham quando da chegada do homem branco? E o que produzem suas terras? Tenham a santa paciência, vamos parar de ser cínicos e de impor sofrimento a esses povos. Vamos respeitar o que sinalizam as principais lideranças deles e criar rumos para que possam efetivamente aproveitar as facilidades que a vida moderna oferece.
Claro, a sociedade e o Estado (e nossa consciência) não podem virar as costas para os problemas que afetam as populações indígenas (mesmo por que como cidadãos têm direitos constitucionais), mas crer que tudo se resume em dar terras é só prolongar o sofrimento delas.
Por ironia do destino, a disputa entre aceitar ou refutar a nova vida trazida pelo europeu já foi decidida lá traz com a posição do cacique Neenguiru, que se aliou ao colonizador e a morte do cacique Nheçu, que perdeu a batalha pelo status quo.
De mais a mais, como garantir o mesmo tipo de vida se o essencial deles – o deus Tupã, foi eliminado e em seu lugar colocado outro deus?
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Imagine
No sábado faz uma data que John Lennon foi morto.
Remember? Ele estava com 40, mesma idade que tenho agora...
No sábado (8) faz uma data que John Lennon foi morto. Remember? Ele estava com 40, mesma idade que tenho agora. Isso me faz pensar
sobre a intensidade de tudo que o beatle maníaco produziu e o que ainda poderia
ter feito. Talvez você discorde. Não será o único. Mas nunca saberemos. Muitos
desconsideram sua carreira-solo que tem umas cachaças. Sem falar em toda a
lengalenga de que a Yoko separou o fabuloso quarteto. Claro que não vou negar
que a japa era um chiclete no couro cabeludo do jealous guy. Até no concerto do telhado da Apple ela tá lá. Sentadinha. Papagaio de
submarino amarelo. Deixa pra lá, que pimenta no sargento dos outros nunca foi
refresco. Até o Paul emitiu recentemente óbvia mas nada gritante declaração de
que Yoko não seria culpada pelo final dos Beatles. Que John sairia de todo
jeito e sem ela, não teria composto Imagine. No bombástico
maio de 68, o casal lançou disco que ficou famoso pela capa e contracapa com os
dois peladíssimos. Puro barulho e experimentações sonoras. Podreira total! Os
demais integrantes do quarteto inglês morreram de vergonha. Já não se poderia
falar do bem comportado conjunto de Liverpool sem levar em consideração o
escandaloso membro que se expunha daquele modo. Trocadilhos inclusos. John se
despia de si e da hipocrisia burguesa.
Outra foto que bombou mostra ele
deitado em posição fetal (nu, claro) abraçado à Yoko. Vestidinha ela, dessa
vez. A imagem foi feita algumas horas antes do assassinato e virou, conforme
prometido pela fotógrafa, capa da Rolling Stones no mês seguinte. Talvez ele
buscasse ainda pela figura materna. Perdeu sua mãe ainda garoto, que aliás
sequer lhe fora tão próxima. E com o pai, pouquíssimo contato teve. No disco Plastic Ono Band, primeiro solo pós-Beatles, lançado em 1970, a faixa
de abertura é uma das mais viscerais que já ouvi. Chama-se Mother e encerra com repetidos gritos primais de Mama don´t go! Daddy come home! A influência sobre o disco The Wall, (Pink Floyd), de 1979, está na cara. Inclusive com idêntica cena fetal
(porém sozinho) do protagonista Bob Geldof no filme homônimo, lançado em 1982.
Em God, do mesmo LP, Lennon encerrava uma
geração com a frase The dream is over. É power! E se não
crê no que digo, escute ainda Gimme some true do álbum Imagine, de 1971.
Comprei semana passada livro
recém-lançado, Cartas de John Lennon. É uma coletânea
de toda correspondência encontrada pelo biógrafo oficial da banda, Hunter
Davies. O jornalista britânico considerou para tanto qualquer bilhete,
autógrafo ou anotação que encontrou assinado pelo cantor, que foram
reproduzidos no volume com mais de 300 páginas. John, que chegou a cursar Artes
Plásticas, desenhava em muitas cartas e postais que mandava. Fazia o mesmo em
autógrafos e qualquer papel que lhe caísse nas mãos. Superbacaninha o traço. E
traços é que não faltam na obra sobre sua relação com a tia Mimi, que o criou,
com a primeira esposa Cinthya e com já citada Yoko. Algumas rusgas com Paul e
jornalistas temperam. Tudo entremeado por comentários do organizador, que
contextualiza a trajetória do artista até o que teria sido seu último autógrafo
a uma moça no estúdio, naquela fria noite de 8 de dezembro, pouco antes de
voltar para casa, onde o sonho acabaria.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Como o mundo vê agora o Brasil
O país do futebol, das praias e do samba. Os estereótipos
criados para o Brasil e usados com fartura pelas outras nações, que sem muita
dificuldade nos deram Bueno Aires como capital, começaram a ser deixados de
lado a partir do momento em que o país cresceu economicamente e ocupou espaço
de destaque no cenário internacional entre as potências emergentes.
Ouvido pelo site Terra, o presidente da agência Imagem
Corporativa, Ciro Dias Reis, falou da substituição dos clichês conhecidos por
debates mais sérios em relação ao Brasil. O monitoramento sobre as notícias
diárias publicadas referentes ao país revela que cresce a atenção dada pelos
principais veículos a temas importantes, ligados à economia, à política e ao
meio ambiente.
Realizado desde 2009, o Boletim Brasil acompanha tudo o que é
publicado sobre a nação nos 15 mais importantes representantes da imprensa
mundial. Em três meses, de julho e setembro, por exemplo, foram 1.217 notícias
- superior a 13 por dia -, mais de que o dobro identificado no primeiro levantamento,
feito há três anos.
Vulnerabilidade, situação privilegiada, questões
socioambientais, protagonismo, locais de investimento, empresas/executivos do
Brasil, player internacional e comércio exterior foram os assuntos mais
abordados pela mídia do exterior no penúltimo trimestre - 70% das reportagens
foram consideradas positivas e 30% negativas.
Deixar para trás estereótipos é uma boa notícia. Imagens nem
sempre desejadas do Brasil, usadas por muitos anos ao redor do planeta, sempre
incomodaram. A questão é que, não muito distante, os bordões nunca serviram de
estímulo para as mudanças. Se irritavam, apenas geravam reclamações aqui e ali.
Mas quando os governos passaram a investir no desenvolvimento econômico e
social, o que ajudou a colocar o país na parte nobre da vitrine, a mudança do
discurso aconteceu naturalmente. O samba, o futebol e a praia deram lugar a
assuntos, de fato, importantes. Uma virada importante do jogo.
A pauta da imprensa especializada, entretanto, continua aberta
para questões ainda “bem nossas”. A corrupção dentro dos governos é uma delas.
Se nos tornamos mais sérios e evoluímos estruturalmente, ainda temos que baixar
a cabeça quando somos apontados como o país da maracutaia. Os mecanismos
continuam falhos para reduzir a níveis aceitáveis um dos piores problemas
nacionais. A corrupção, para existir, precisa apenas de alguém que ofereça
alguma vantagem e outro que a aceite. E esse defeito humano governante algum
consegue resolver. O que não o impede, porém, de tentar se cercar por
profissionais mais sérios e de cobrar desempenhos.
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Postado por
William Junior
às
15:22
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Sobre o sono e o ronco
Conheça alguns tratamentos que podem acabar com os distúrbios do sono
O barulho incomoda e, quando alto, não permite que as pessoas ao redor durmam. Em outras ocasiões, pode até ser motivo de piada. Embora pareça algo simples, o ronco, se não tratado, pode evoluir para a apneia, distúrbio grave que pode levar ao aumento do risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas a boa notícia é que para esses males existem três tipos de tratamentos, cirúrgicos e não-cirúrgicos, que podem melhorar muito a qualidade do sono. Então, se você sofre com eles não perca tempo e procure logo um especialista.
Considerado por muitos um motivo de gozação, o ronco é provocado por um estreitamento das vias respiratórias superiores, que dificulta a passagem do ar, fazendo com que essas estruturas vibrem, provocando o barulho. De acordo com o dentista e membro fundador titular da Academia Brasileira de Fisiopatologia Cranio-oro-cervical (ABFCOC), Dr. Douglas Bellomo, o ronco pode ser um sinal de algo que não vai bem no organismo. “Uma coisa importante a ser dita é que o ronco já é um alarme de que alguma coisa vai se deteriorando a partir desse momento. A pessoa deve ficar atenta para que o ronco não evolua para a apneia.”
Segundo dados do Instituto do Sono de São Paulo, 40% dos homens e 26% da mulheres possuem apneia. Esse distúrbio do sono é uma obstrução mecânica da língua na faringe que pode levar a outros problemas graves de saúde. “A apneia ocorre pelo relaxamento total e recuo da língua na faringe. Ela é gravíssima e tem inúmeras doenças que estão correlacionadas a esse tipo de problema. Quem sofre com a apneia tem três vezes mais chances de sofrer de infarto e AVC, por exemplo.”
Mas quem sofre com esses distúrbios do sono já pode respirar mais aliviado, pois existem três tipos de tratamentos para melhorar o sono. Segundo Bellomo, um deles é a cirurgia, que possui efetividade. Mas existe apenas uma que o especialista recomenda. “A única cirurgia que eu recomendo é quando a pessoa não consegue respirar pelo nariz. Se ela não respira pelo nariz, acaba abrindo a boca que potencializa o ronco e a apneia. Existe outra cirurgia que remove a úvula, popularmente conhecida como campainha, que fica no final do céu da boca. Ela é empurrada pela língua quando a pessoa dorme. Sua retirada possui baixa efetividade, pois, apesar de o paciente deixar de roncar, a língua continua indo para a garganta.”
Quem não quer passar por cirurgias pode optar por dois tratamentos. Um deles é o aparelho de pressão de ar positiva (CPAP). Ele é um compressor que injeta ar pelo nariz e boca, desobstruindo a faringe e forçando o ar chegar aos pulmões. De acordo com Bellomo, a efetividade do aparelho vai depender do paciente. “O aparelho impede esses males. Mas é efetivo desde que o paciente se adapte a dormir com a máscara.”
Apesar de não ser muito popular, o aparelho intraoral é outra alternativa efetiva no combate ao ronco e a apneia. Trata-se de duas lâminas com resina especial que se encaixam nas duas arcadas dentárias. “Ele projeta a mandíbula para frente. Como a língua é fixa na mandíbula, ela consequentemente vem para frente, junto com a mandíbula. Ou seja, o aparelho joga a língua para dentro da boca, não deixando ir para a faringe, o que permite a passagem do ar.” - explica Bellomo, que acrescenta: “Esse tratamento possui efetividade em média de 90 a 95% para o ronco, e 76% para apneia.”
O aparelho é feito por dentistas e possui inúmeras vantagens em relação aos demais tratamentos. “O primeiro é que não depende de eletricidade. Além disso, é portátil, isto é, põe em uma caixinha e a pessoa pode levar consigo. É reversível, ou seja, não é como a cirurgia que se faz e não pode voltar atrás.” - finaliza o especialista.
Fonte: Viva Bem.
Comente estas dicas, poderá ser útil para alguém.
O barulho incomoda e, quando alto, não permite que as pessoas ao redor durmam. Em outras ocasiões, pode até ser motivo de piada. Embora pareça algo simples, o ronco, se não tratado, pode evoluir para a apneia, distúrbio grave que pode levar ao aumento do risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas a boa notícia é que para esses males existem três tipos de tratamentos, cirúrgicos e não-cirúrgicos, que podem melhorar muito a qualidade do sono. Então, se você sofre com eles não perca tempo e procure logo um especialista.
Considerado por muitos um motivo de gozação, o ronco é provocado por um estreitamento das vias respiratórias superiores, que dificulta a passagem do ar, fazendo com que essas estruturas vibrem, provocando o barulho. De acordo com o dentista e membro fundador titular da Academia Brasileira de Fisiopatologia Cranio-oro-cervical (ABFCOC), Dr. Douglas Bellomo, o ronco pode ser um sinal de algo que não vai bem no organismo. “Uma coisa importante a ser dita é que o ronco já é um alarme de que alguma coisa vai se deteriorando a partir desse momento. A pessoa deve ficar atenta para que o ronco não evolua para a apneia.”
Segundo dados do Instituto do Sono de São Paulo, 40% dos homens e 26% da mulheres possuem apneia. Esse distúrbio do sono é uma obstrução mecânica da língua na faringe que pode levar a outros problemas graves de saúde. “A apneia ocorre pelo relaxamento total e recuo da língua na faringe. Ela é gravíssima e tem inúmeras doenças que estão correlacionadas a esse tipo de problema. Quem sofre com a apneia tem três vezes mais chances de sofrer de infarto e AVC, por exemplo.”
Mas quem sofre com esses distúrbios do sono já pode respirar mais aliviado, pois existem três tipos de tratamentos para melhorar o sono. Segundo Bellomo, um deles é a cirurgia, que possui efetividade. Mas existe apenas uma que o especialista recomenda. “A única cirurgia que eu recomendo é quando a pessoa não consegue respirar pelo nariz. Se ela não respira pelo nariz, acaba abrindo a boca que potencializa o ronco e a apneia. Existe outra cirurgia que remove a úvula, popularmente conhecida como campainha, que fica no final do céu da boca. Ela é empurrada pela língua quando a pessoa dorme. Sua retirada possui baixa efetividade, pois, apesar de o paciente deixar de roncar, a língua continua indo para a garganta.”
Quem não quer passar por cirurgias pode optar por dois tratamentos. Um deles é o aparelho de pressão de ar positiva (CPAP). Ele é um compressor que injeta ar pelo nariz e boca, desobstruindo a faringe e forçando o ar chegar aos pulmões. De acordo com Bellomo, a efetividade do aparelho vai depender do paciente. “O aparelho impede esses males. Mas é efetivo desde que o paciente se adapte a dormir com a máscara.”
Apesar de não ser muito popular, o aparelho intraoral é outra alternativa efetiva no combate ao ronco e a apneia. Trata-se de duas lâminas com resina especial que se encaixam nas duas arcadas dentárias. “Ele projeta a mandíbula para frente. Como a língua é fixa na mandíbula, ela consequentemente vem para frente, junto com a mandíbula. Ou seja, o aparelho joga a língua para dentro da boca, não deixando ir para a faringe, o que permite a passagem do ar.” - explica Bellomo, que acrescenta: “Esse tratamento possui efetividade em média de 90 a 95% para o ronco, e 76% para apneia.”
O aparelho é feito por dentistas e possui inúmeras vantagens em relação aos demais tratamentos. “O primeiro é que não depende de eletricidade. Além disso, é portátil, isto é, põe em uma caixinha e a pessoa pode levar consigo. É reversível, ou seja, não é como a cirurgia que se faz e não pode voltar atrás.” - finaliza o especialista.
Fonte: Viva Bem.
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