quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Caravelas, onças e picadas


Se a falsidade humana já não é bem aceita, a do mosquito é imperdoável


Quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, depois de o Brasil já ter sido descoberto pelos índios, os espanhóis, os chineses e todos os povos que passaram por aqui mas esqueceram de pedir usucapião, a vida ainda era bem tranquila e mosquitos e onças eram os únicos incômodos. Das onças o país conseguiu se livrar racionalmente ao longo dos séculos. Ninguém racionou bala para dizimá-las e hoje elas é que são incomodadas por nós nos zoológicos. Já os mosquitos, não teve jeito. Se eram muitos em 1500, hoje são muito mais. É o único ser vivo dotado da incrível capacidade de estragar uma noite inteira de sono, ao lado do vizinho que resolve dar uma festa e não convidar quem mora ao lado.

Os mosquitos evoluíram com o país. Criaram fórmulas para sobreviver à guerra constante que travam contra a palma de nossas mãos. Eu acredito que eles também desenvolveram inteligência e passaram a recorrer à simulação a favor de uma picada. A gente fecha o quarto, descarrega um tubo inteiro de inseticida e respira metade do veneno até vê-los caindo em espiral, mortos, como avião metralhado. Falsidade pura. É só a futura vítima deixar o quarto, tossindo e intoxicada, que eles erguem a cabeça e retomam o voo. Se a falsidade humana já não é bem aceita, a do mosquito é imperdoável.

Os inoculadores também aprenderam táticas de guerra. A pessoa tranca a casa inteira lá pelas 19h, quando o sol ainda está alto e convidativo. Nenhum integrante da família tem autorização, porém, para abrir portas e janelas. A ordem é não colocar os pés na rua e caçar os mosquitos, custe o que custar. Incrivelmente nenhum representante dos sugadores é encontrado. Não estão nas paredes, atrás dos móveis, nas cortinas, dentro da casinha do cachorro ou nos cabelos da vó que dorme e baba no sofá, enquanto o ventilador resfria suas pernas. Mas eis que chega a noite e aquele barulho de esquadrilha ganha o ar. E como isso se explica? Camuflagem. Escolhem pontos estratégicos para se esconder. O local onde nenhum humano pensaria em procurar: o armário usado para guardar o veneno contra os mosquitos. Como o produto não tem mais efeito mesmo, ali passou a ser o porto seguro deles. Estratégia militar.

Eu digo para vocês, os pernilongos de hoje pensam. Logo vão competir com cães, gatos, peixes e ratos que passaram a ser chamados de esquilos na lista dos animais domésticos preferidos pelas crianças.

- Querido, tem que que comprar mais ração para o cachorro. E não esquece de trazer uma bolsa de sangue para o Fliti.

Para mim também não será surpresa alguma se as fábricas de veneno reconhecerem a falência de seus produtos e mudarem o foco mercadológico. Abandonarem os tubos e aparelhos elétricos e passarem a investir em armas de baixo calibre. Já vejo até o slogan: “M-22, a única com silenciador e mira noturna para você ter uma noite tranquila de sono”. Vai ter que ser na bala mesmo, assim como fizemos com as onças depois que Cabral desceu nessas terras e ficou todo picado na sua primeira noite tropical.


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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Justiça condena oito empresas de cartões de crédito por cobranças indevidas


A Justiça Federal condenou hoje (12) oito administradoras de cartões de crédito por cobranças indevidas de encargos dos clientes. O juízo da 30ª Vara Federal da capital declarou inválidas as cláusulas contratuais que permitem a cobrança da taxa de garantia, de administração, de comissão de permanência cumulada com outros contratuais e de multa moratória superior a 2% sobre a prestação devida.

Os clientes dos cartões que foram prejudicados devem entrar com ação na Justiça Federal pedindo a apuração do prejuízo total e o valor do dano sofrido. A Justiça também decidiu que as administradoras devem indenizar com o dobro do valor os consumidores lesados e compensá-los por eventuais prejuízos morais e materiais.

As empresas punidas foram: Credicard, Real, Itaucard, Fininvest, Banco do Brasil, Bradesco, Federal Card (da Caixa Econômica) e Banerj.

Para o juiz Márcio Barra Lima, os contratos dos cartões de crédito administrados pelas empresas condenadas, como contratos de adesão, apresentavam alguns pontos abusivos que permitiam a cobrança de encargos não autorizados, como a chamada cláusula mandato, que permitia à administradora autonomia para renegociar a dívida do titular do cartão no mercado, inclusive mediante financiamento feito em seu nome com outras instituições, sem constar nenhuma informação sobre os encargos e da remuneração pelos serviços.

Ainda segundo a decisão, a cobrança cumulada de comissão de permanência com outros encargos como juros e correção monetária sobrecarrega o consumidor, sendo considerada abusiva a estipulação de juros a 2% sobre prestação completa por afrontar o Artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor.

Em nota, a Itaucard, que incorporou a Finivest e a Banerj, diz que ainda não recebeu o comunicado oficial sobre a decisão. "O Itaú Unibanco reforça que suas práticas encontram-se totalmente adequadas à jurisprudência e ao Código de Defesa do Consumidor", diz. A instituição declara também que não exerce a cobrança de comissão de permanência somada a juros moratórios, nem cobra multa superior a 2%".

O Bradesco, por meio de nota, informou que não se pronuncia sobre casos que estão sob o exame da Justiça. "As providências serão tomadas em juízo". O Citibank, dono da Credicard, declarou que "não comenta processo em tramitação, sem decisão definitiva". As demais administradoras não se manifestaram.

Fonte: Agência Brasil.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pessoa humana, ser individual ou pessoal?

Essa é uma das questões de fundo no debate ideológico entre esquerda e direita. Nossa natureza individual é algo que salta aos olhos de modo permanente. Quando tropeço numa pedra o pé que dói é o meu e o de ninguém mais. Cada um de nós tem a sua memória, a sua história, a sua própria vocação, seus gostos e desgostos. Nossa carteira de identidade apresenta uma impressão digital que, como qualquer célula de nosso corpo, é única, própria e irrepetível. Se cada um de nós não existisse e quisesse Deus criar um outro ser como nós, precisaria recriar nossos pais, e os pais deles, e assim sucessivamente, até que toda a Criação tivesse sido refeita.

Contudo, esse ser assim tão individual é, também, um ser social. Somos sociais por carência (precisamos dos demais) e por abundância (podemos e devemos contribuir para o conjunto da sociedade em que vivemos). Somos um elo da sociedade presente e um elo social do passado com o futuro. Nossas atitudes, nossa cultura, nossos hábitos são aprendidos do meio social. Se, a exemplo de Tarzan, fôssemos criados na floresta, por um bando de chimpanzés, sem contato com outros seres da própria espécie, nossos comportamentos reproduziriam em tudo o que fosse possível o ambiente social em que estaríamos inseridos. E ao chegar a idade adulta, se não nos aparecesse a Jane, acabaríamos casando com a Chita...

No entanto, apesar da obviedade dessas constatações antropológicas, o fato é que as ideologias deste século penduraram-se nos fios do individualismo e do coletivismo. Para o individualismo o ser humano é um indivíduo movido pelo interesse próprio e sua natureza é puramente individual ou dominantemente individual. Para os coletivismos o ser humano é puramente social ou dominantemente social. Praticamente toda a confusão que uns e outros operaram ao longo de quase dois séculos decorre desse erro fundamental.

Para o individualismo liberal, uma de suas virtudes consiste em extrair do egoísmo os impulsos propulsores do interesse próprio para estimular as atividades econômicas. Entendem seus pensadores que as necessidades humanas são mais plenamente atendidas quando todos os indivíduos buscam suas conveniências afanosa e irrestritamente. Note-se que há uma lógica sedutora nesse conceito porque a experiência mostra que as pessoas tendem a se dedicar mais ao que lhes convém pessoalmente do que ao interesse alheio. Já para o coletivismo, o interesse próprio precisa ser eliminado como condição indispensável a que o interesse coletivo prevaleça. A busca egoísta das conveniências individuais estabeleceria a prevalência dos mais fortes sobre os mais débeis com graves danos ao equilíbrio social. Também aqui há uma lógica sedutora, pois é exatamente isso o que a experiência exibe ao observador atento.

Como admitir-se que duas noções antagônicas possam estar corretas? Ou, ainda: como podem ambas estar erradas embora coincidam com o que se observa? Onde está, afinal, a verdade? Ela não está em qualquer das duas (como revelaram todas as práticas individualistas e coletivistas). Para encontrar-se a verdade é preciso reconhecer aquilo que a doutrina cristã ensina e a experiência comprova: a pessoa é um ser ao mesmo tempo individual e social. O bem da pessoa e da sociedade não pode ser atendido por uma ordem que desconheça essa dupla condição. Assim, o Estado não existe para garantir os espaços do egoísmo nem para extinguir o interesse individual.

Cabe-lhe, ao contrário, atuar no sentido de que o interesse de cada um se ponha a serviço do bem comum, promovendo relações sociais solidárias. Produzir isso é o papel da atividade política.

Seguidn viés oposto dizia-me alguém, dias atrás: mas o homem é naturalmente egoísta. E eu complementei: e é, também, naturalmente comodista, naturalmente hedonista, naturalmente predador, o que não significa que no confronto natural entre os vícios e as virtudes se deva deixar dominar por aqueles em detrimento destas. É bom saber, por fim, que assim como o individualismo estimula o egoísmo de cada um, o coletivismo - como a história, amplamente, demonstrou - organiza esse mesmo egoísmo em modelos políticos totalitários.

A humanidade muito apanhou no brutal confronto entre o individualismo e o coletivismo. Este, criando estruturas de dominação social para inibir a expressão da individualidade; aquele, quando muito generoso, chegando ao social como um episódico ensaio de amabilidade, apropriado para as horas livres. E nas horas ocupadas? Impondo estruturas de dominação individual.

Fora do barco da solidariedade a sociedade naufraga.



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sábado, 8 de dezembro de 2012

Quem não foi índio levante a mão?

O maior sempre engole o menor! Quem não ouviu a trágica verdade? Quando abandonamos, em levas e aos poucos, o Leste da África para conquistar o mundo nós, os humanos, fomos criando aglomerações diversificadas que passamos a definir no decorrer do tempo como povos com usos e costumes peculiares.
 
Usos e costumes que foram sofrendo (e sofrem) mudanças constantes, modificações diuturnas imperceptíveis, pois a vida é movimento e nela nada permanece imutável. A intensidade do frio e do calor, o ambiente, o alimento (principalmente a proteína animal), o solo, a flora, a fauna, a percepção de novas realidades, o surgimento da fala, as descobertas (fogo), o avanço cientifico (roda, agulha, vidro), a invenção escrita foram, entre milhares de outros elementos, nos afetando num processo de moto contínuo que nos modifica a todo instante.
 
Espalhados pelos cinco continentes os descendentes do homo sapiens criaram incontáveis civilizações que, em contato umas com as outras, passaram a influenciar e ser influenciadas – com o mais forte impondo seu jeito de ser quando os choques, tidos como inevitáveis pelo nível cultural de diferentes épocas, ocorriam. Assim, civilizações nascem e civilizações morrem.
 
 É a dialética da natureza, perversa eu e todos sabemos, mas incontrolável: não há como segurar a história menos ainda voltar para ao passado. Nesse contexto é que se deve analisar a questão indígena entre nós.
 
O assunto foi mal encaminhado desde que os choques inevitáveis da intensificação da globalização e a chegada do português e do espanhol (que também foram índios) produziram. Com a predominância da civilização europeia que chegou (também com seu Deus, seus vícios e doenças), optamos, após anos de ações truculentas, pela reserva indígena. Espécie de confinamento perpétuo para impedir a emancipação desses povos como se fosse possível parar a roda da história e evitar que eles – protegendo seus usos e costumes na esfera do possível ditado pela dialética de que nada é estático – evoluíssem como os demais do planeta (portugueses e espanhóis, por exemplo) em idênticas circunstâncias.
 
Hoje, pasmos, nos damos conta que nada é mais anacrônico do que as reservas: 63% dos índios brasileiros possuem televisão, 51% contam com geladeiras, 36% tem telefone celular e cresce o numero dos que têm automóveis e internet. E a maioria só sobrevive com ajuda do Bolsa Família! Quando estão vivos graças à medicina do SUS?
 
Com tudo isso dentro de uma aldeia/reserva será possível falar em manter o modo de vida que tinham quando da chegada do homem branco? E o que produzem suas terras? Tenham a santa paciência, vamos parar de ser cínicos e de impor sofrimento a esses povos. Vamos respeitar o que sinalizam as principais lideranças deles e criar rumos para que possam efetivamente aproveitar as facilidades que a vida moderna oferece.
 
Claro, a sociedade e o Estado (e nossa consciência) não podem virar as costas para os problemas que afetam as populações indígenas (mesmo por que como cidadãos têm direitos constitucionais), mas crer que tudo se resume em dar terras é só prolongar o sofrimento delas.
 
Por ironia do destino, a disputa entre aceitar ou refutar a nova vida trazida pelo europeu já foi decidida lá traz com a posição do cacique Neenguiru, que se aliou ao colonizador e a morte do cacique Nheçu, que perdeu a batalha pelo status quo.
 
De mais a mais, como garantir o mesmo tipo de vida se o essencial deles – o deus Tupã, foi eliminado e em seu lugar colocado outro deus?
 
 
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Imagine

No sábado faz uma data que John Lennon foi morto.
Remember? Ele estava com 40, mesma idade que tenho agora...
No sábado (8) faz uma data que John Lennon foi morto. Remember? Ele estava com 40, mesma idade que tenho agora. Isso me faz pensar sobre a intensidade de tudo que o beatle maníaco produziu e o que ainda poderia ter feito. Talvez você discorde. Não será o único. Mas nunca saberemos. Muitos desconsideram sua carreira-solo que tem umas cachaças. Sem falar em toda a lengalenga de que a Yoko separou o fabuloso quarteto. Claro que não vou negar que a japa era um chiclete no couro cabeludo do jealous guy. Até no concerto do telhado da Apple ela tá lá. Sentadinha. Papagaio de submarino amarelo. Deixa pra lá, que pimenta no sargento dos outros nunca foi refresco. Até o Paul emitiu recentemente óbvia mas nada gritante declaração de que Yoko não seria culpada pelo final dos Beatles. Que John sairia de todo jeito e sem ela, não teria composto Imagine. No bombástico maio de 68, o casal lançou disco que ficou famoso pela capa e contracapa com os dois peladíssimos. Puro barulho e experimentações sonoras. Podreira total! Os demais integrantes do quarteto inglês morreram de vergonha. Já não se poderia falar do bem comportado conjunto de Liverpool sem levar em consideração o escandaloso membro que se expunha daquele modo. Trocadilhos inclusos. John se despia de si e da hipocrisia burguesa.
Outra foto que bombou mostra ele deitado em posição fetal (nu, claro) abraçado à Yoko. Vestidinha ela, dessa vez. A imagem foi feita algumas horas antes do assassinato e virou, conforme prometido pela fotógrafa, capa da Rolling Stones no mês seguinte. Talvez ele buscasse ainda pela figura materna. Perdeu sua mãe ainda garoto, que aliás sequer lhe fora tão próxima. E com o pai, pouquíssimo contato teve. No disco Plastic Ono Band, primeiro solo pós-Beatles, lançado em 1970, a faixa de abertura é uma das mais viscerais que já ouvi. Chama-se Mother e encerra com repetidos gritos primais de Mama don´t go! Daddy come home! A influência sobre o disco The Wall, (Pink Floyd), de 1979, está na cara. Inclusive com idêntica cena fetal (porém sozinho) do protagonista Bob Geldof no filme homônimo, lançado em 1982. Em God, do mesmo LP, Lennon encerrava uma geração com a frase The dream is over. É power! E se não crê no que digo, escute ainda Gimme some true do álbum Imagine, de 1971.
Comprei semana passada livro recém-lançado, Cartas de John Lennon. É uma coletânea de toda correspondência encontrada pelo biógrafo oficial da banda, Hunter Davies. O jornalista britânico considerou para tanto qualquer bilhete, autógrafo ou anotação que encontrou assinado pelo cantor, que foram reproduzidos no volume com mais de 300 páginas. John, que chegou a cursar Artes Plásticas, desenhava em muitas cartas e postais que mandava. Fazia o mesmo em autógrafos e qualquer papel que lhe caísse nas mãos. Superbacaninha o traço. E traços é que não faltam na obra sobre sua relação com a tia Mimi, que o criou, com a primeira esposa Cinthya e com já citada Yoko. Algumas rusgas com Paul e jornalistas temperam. Tudo entremeado por comentários do organizador, que contextualiza a trajetória do artista até o que teria sido seu último autógrafo a uma moça no estúdio, naquela fria noite de 8 de dezembro, pouco antes de voltar para casa, onde o sonho acabaria.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Como o mundo vê agora o Brasil


O país do futebol, das praias e do samba. Os estereótipos criados para o Brasil e usados com fartura pelas outras nações, que sem muita dificuldade nos deram Bueno Aires como capital, começaram a ser deixados de lado a partir do momento em que o país cresceu economicamente e ocupou espaço de destaque no cenário internacional entre as potências emergentes.

Ouvido pelo site Terra, o presidente da agência Imagem Corporativa, Ciro Dias Reis, falou da substituição dos clichês conhecidos por debates mais sérios em relação ao Brasil. O monitoramento sobre as notícias diárias publicadas referentes ao país revela que cresce a atenção dada pelos principais veículos a temas importantes, ligados à economia, à política e ao meio ambiente.

Realizado desde 2009, o Boletim Brasil acompanha tudo o que é publicado sobre a nação nos 15 mais importantes representantes da imprensa mundial. Em três meses, de julho e setembro, por exemplo, foram 1.217 notícias - superior a 13 por dia -, mais de que o dobro identificado no primeiro levantamento, feito há três anos.

Vulnerabilidade, situação privilegiada, questões socioambientais, protagonismo, locais de investimento, empresas/executivos do Brasil, player internacional e comércio exterior foram os assuntos mais abordados pela mídia do exterior no penúltimo trimestre - 70% das reportagens foram consideradas positivas e 30% negativas.

Deixar para trás estereótipos é uma boa notícia. Imagens nem sempre desejadas do Brasil, usadas por muitos anos ao redor do planeta, sempre incomodaram. A questão é que, não muito distante, os bordões nunca serviram de estímulo para as mudanças. Se irritavam, apenas geravam reclamações aqui e ali. Mas quando os governos passaram a investir no desenvolvimento econômico e social, o que ajudou a colocar o país na parte nobre da vitrine, a mudança do discurso aconteceu naturalmente. O samba, o futebol e a praia deram lugar a assuntos, de fato, importantes. Uma virada importante do jogo.

A pauta da imprensa especializada, entretanto, continua aberta para questões ainda “bem nossas”. A corrupção dentro dos governos é uma delas. Se nos tornamos mais sérios e evoluímos estruturalmente, ainda temos que baixar a cabeça quando somos apontados como o país da maracutaia. Os mecanismos continuam falhos para reduzir a níveis aceitáveis um dos piores problemas nacionais. A corrupção, para existir, precisa apenas de alguém que ofereça alguma vantagem e outro que a aceite. E esse defeito humano governante algum consegue resolver. O que não o impede, porém, de tentar se cercar por profissionais mais sérios e de cobrar desempenhos.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sobre o sono e o ronco

Conheça alguns tratamentos que podem acabar com os distúrbios do sono


O barulho incomoda e, quando alto, não permite que as pessoas ao redor durmam. Em outras ocasiões, pode até ser motivo de piada. Embora pareça algo simples, o ronco, se não tratado, pode evoluir para a apneia, distúrbio grave que pode levar ao aumento do risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas a boa notícia é que para esses males existem três tipos de tratamentos, cirúrgicos e não-cirúrgicos, que podem melhorar muito a qualidade do sono. Então, se você sofre com eles não perca tempo e procure logo um especialista.

Considerado por muitos um motivo de gozação, o ronco é provocado por um estreitamento das vias respiratórias superiores, que dificulta a passagem do ar, fazendo com que essas estruturas vibrem, provocando o barulho. De acordo com o dentista e membro fundador titular da Academia Brasileira de Fisiopatologia Cranio-oro-cervical (ABFCOC), Dr. Douglas Bellomo, o ronco pode ser um sinal de algo que não vai bem no organismo. “Uma coisa importante a ser dita é que o ronco já é um alarme de que alguma coisa vai se deteriorando a partir desse momento. A pessoa deve ficar atenta para que o ronco não evolua para a apneia.”

Segundo dados do Instituto do Sono de São Paulo, 40% dos homens e 26% da mulheres possuem apneia. Esse distúrbio do sono é uma obstrução mecânica da língua na faringe que pode levar a outros problemas graves de saúde. “A apneia ocorre pelo relaxamento total e recuo da língua na faringe. Ela é gravíssima e tem inúmeras doenças que estão correlacionadas a esse tipo de problema. Quem sofre com a apneia tem três vezes mais chances de sofrer de infarto e AVC, por exemplo.”

Mas quem sofre com esses distúrbios do sono já pode respirar mais aliviado, pois existem três tipos de tratamentos para melhorar o sono. Segundo Bellomo, um deles é a cirurgia, que possui efetividade. Mas existe apenas uma que o especialista recomenda. “A única cirurgia que eu recomendo é quando a pessoa não consegue respirar pelo nariz. Se ela não respira pelo nariz, acaba abrindo a boca que potencializa o ronco e a apneia. Existe outra cirurgia que remove a úvula, popularmente conhecida como campainha, que fica no final do céu da boca. Ela é empurrada pela língua quando a pessoa dorme. Sua retirada possui baixa efetividade, pois, apesar de o paciente deixar de roncar, a língua continua indo para a garganta.”

Quem não quer passar por cirurgias pode optar por dois tratamentos. Um deles é o aparelho de pressão de ar positiva (CPAP). Ele é um compressor que injeta ar pelo nariz e boca, desobstruindo a faringe e forçando o ar chegar aos pulmões. De acordo com Bellomo, a efetividade do aparelho vai depender do paciente. “O aparelho impede esses males. Mas é efetivo desde que o paciente se adapte a dormir com a máscara.”

Apesar de não ser muito popular, o aparelho intraoral é outra alternativa efetiva no combate ao ronco e a apneia. Trata-se de duas lâminas com resina especial que se encaixam nas duas arcadas dentárias. “Ele projeta a mandíbula para frente. Como a língua é fixa na mandíbula, ela consequentemente vem para frente, junto com a mandíbula. Ou seja, o aparelho joga a língua para dentro da boca, não deixando ir para a faringe, o que permite a passagem do ar.” - explica Bellomo, que acrescenta: “Esse tratamento possui efetividade em média de 90 a 95% para o ronco, e 76% para apneia.”

O aparelho é feito por dentistas e possui inúmeras vantagens em relação aos demais tratamentos. “O primeiro é que não depende de eletricidade. Além disso, é portátil, isto é, põe em uma caixinha e a pessoa pode levar consigo. É reversível, ou seja, não é como a cirurgia que se faz e não pode voltar atrás.” - finaliza o especialista.

Fonte: Viva Bem.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Tyson em cada um de nós...

Para quem acredita em Deus, refletir sobre as próprias evoluções diárias torna-se um exercício obrigatório. Quando observamos este desenvolvimento positivo em personalidades famosas, sentimo-nos gratificados, pois elas representam uma espécie de exemplo a ser seguido.


Mike Tyson, ex-lutador de boxe profissional, ídolo de várias gerações fãs do esporte, tem demonstrado que é possível modificar sua forma de viver, promovendo crescimento pessoal.

Em 2005, depois de perder para o anônimo Kevin Mcbride, Tyson reconheceu publicamente ser usuário de drogas e, algum tempo depois, internou-se num centro de reabilitação. Não encontrando forças para fomentar mudanças efetivas na sua vida, costumava repetir as mesmas atitudes equivocadas, marcadas normalmente pela impulsividade e pela influência das pessoas superficiais com quem se relacionava. Era um momento delicado, pois se encontrava inerte, sozinho e estigmatizado.

Em 2009, o trágico falecimento da filha Exodus - que se enforcou acidentalmente numa esteira de ginástica – fez o pugilista buscar um novo caminho para sua vida: refletiu sobre seu comportamento e passou a escutar mais cautelosamente os sons do próprio íntimo. Deu-se conta que precisava crescer dentro da alma, não fora dela.

A partir de então, casou-se com uma moça religiosa e, com o apoio da mulher, sentiu-se encorajado pela solidez emocional recebida, abandonando as drogas, mudando a alimentação (emagreceu 45 kg) e tornou-se um pai mais presente junto aos outros filhos. O indivíduo que priorizava itens materiais agora reúne sua sensibilidade, não tanto em torno de versos poéticos bem rimados, mas em torno da essência poética que deve existir no ser tolerante, humilde e atento à base familiar.

Hoje, aos 46 anos, tendo o mesmo peso que só alcançou em sua adolescência, Tyson revela-se um homem transformado. Resultado da boa metamorfose brotada de si mesmo. Surpreendente pela versatilidade de ator humorístico no criativo filme Se beber não case. Capaz de dirimir suas imperfeições e realizar por si mesmo o abastecimento interior com novos elementos que fortaleçam seus alicerces morais.

O lutador que dá o exemplo de como somos capazes de nos reinventar, basta buscarmos no íntimo o equilíbrio, a calma e a sinceridade dos nossos atos, diariamente. O autêntico campeão, no convívio com as diferenças coletivas, na permanente luta consigo mesmo, passando a ensinar e aprender o verdadeiro sentido da palavra renovação.

Por: Márcio Andrade.

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domingo, 2 de dezembro de 2012

Apagão cibernético

Era uma noite sem Lua, que deveria estar disputando o dia com o Sol no céu do outro lado da Terra. Repentinamente uma chuva de meteoritos inundou o escuro de claridade, estranhamente surgidos de vários pontos aparentemente fixos além da atmosfera.


Tentei ligar para alguns amigos com a intenção de verificar se tinham visto a mesma coisa, mas não tive sucesso, pois o aparelho celular estava "sem serviço". Busquei esta comunicação através da Internet, mas também estava "fora do ar". A televisão que estava ligada até um pouco antes da chuva de meteoritos estava com todos os canais fora do ar, uma tela azul era o máximo que se conseguia.

Tudo bem! Vamos ao telefone convencional, mas também não funcionava.

As rádios ainda estavam no ar e ficou-se sabendo que estes problemas estavam ocorrendo até onde as ondas conseguiam chegar. Nada de facebook, nada de e-mail ou qualquer outra fonte de comunicação pela Internet.

O ciberespaço tinha simplesmente apagado! A chuva de meteoritos era nada mais nada menos do que satélites de comunicação e todos os demais explodindo em cadeia.

Até o dia seguinte, com apenas notícias das rádios locais e por informações de pessoas que se deslocaram para nossa cidade, ficamos à deriva das informações tão costumeiras e que já faziam parte do nosso cotidiano.

O mundo estava desconectado; uma desplanetarização tomou conta de nosso pequeno universo planetário; por vários dias, a comunicação era limitada ao nosso pequeno pedaço de terra, mesmo as rádios começaram a falhar; os jornais circulavam com notícias locais; o sistema financeiro entrou em colapso, sem a possibilidade de operações on-line ninguém podia acessar contas, pagar, receber, transferir dinheiro e o que mais se tentasse fazer.

As atividades do crime organizado dentro dos presídios cessaram, pois, sem celulares operantes, não mais tinham comunicação com os parceiros de fora e os incêndios de ônibus, ataque a órgãos públicos e outras bandidagens também cessaram.

A partir daquele dia, não ouvimos mais a Voz do Brasil, não ficamos sabendo se o Bruno havia sido condenado, ignorávamos o resultado final do julgamento do Mensalão, não tínhamos notícia da guerra entre israelenses e palestinos e ficamos sem ver o último capítulo da novela das 8h...

Foram retirados os telégrafos do Museu Ferroviário e alguns telegrafistas de suas aposentadorias, algumas redes telegráficas começaram a ser construídas.

O caos estava instalado e o mundo enfrentava uma crise sem precedentes... um novo estouro e mais um clarão e eu... acordei do pesadelo, relâmpagos enfeitavam a noite, uma chuva rápida estava amainando e rapidamente as nuvens desapareceram e um céu sem Lua permitia que se visse com mais nitidez as estrelas.

Felizmente, tudo aquilo não passou de um pesadelo. Fiquei, então, contemplando o céu estrelado, neste momento... uma chuva de meteoritos... agora estava acordado!

Por: Neiff Satte Alam.

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Negado pedido de retirada de frase religiosa das notas de real

A Justiça negou no último dia 29, o pedido para retirar a expressão "Deus seja louvado" das cédulas do real feito pelo Ministério Público Federal de São Paulo. Segundo a decisão judicial, a menção a Deus nas notas do real "não parece ser um direcionamento estatal na vida do indivíduo que o obrigue a adotar ou não determinada crença", afirma a decisão sobre a ação. "Assim como também não são os feriados religiosos e outras tantas manifestações aceitas neste sentido, como o nome de cidades". A decisão da 7ª Vara da Justiça Federal é provisória, podendo ser modificada.


No início de novembro, o Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública para pedir que as novas cédulas de real passassem a ser impressas sem a expressão "Deus seja louvado". O pedido, feito pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, afirma que a existência da frase nas notas fere os princípios de laicidade do Estado e de liberdade religiosa.

O Banco Central defende que este tema deve ser debatido pelo Conselho Monetário Nacional e que há "inexistência de verossimilhança das alegações e [...] que estas não violam os princípios constitucionais do Estado Laico e da liberdade religiosa".

"Após tantos anos de utilização da expressão 'Deus seja louvado' nas cédulas do meio circulante nacional, pode-se dizer que o povo brasileiro já se acostumou a tal expressão. [...] Acreditamos que, considerando-se o costume e a religiosidade do povo, se a expressão for retirada, haverá uma quantidade de reclamações superior à quantidade que atualmente chega ao Banco Central com manifestação contrária a sua presença", afirmou o BC em ofício de fevereiro desta ano.

Os custos de divulgação de uma possível alteração nas cédulas podem chegar a R$ 12 milhões, estima o BC. Qualquer mudança na nota do real deve ser amplamente informada à população para evitar fraudes.

O pedido de retirada da expressão causou polêmica sobre a possível alteração das notas de real. Um dos críticos foi o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que foi responsável por incluir a frase nas cédulas da moeda brasileira quando foi presidente da República, em 1986. Sarney classificou a ação como "falta do que fazer" do Ministério Público. A Igreja Católica também criticou a ação.

"De fato, não foi consultada nenhuma instituição laica ou religiosa não cristã que manifestasse indignação perante as inscrições da cédula e não há notícia de nenhuma outra representação perante o Ministério Público neste sentido", reconhece a decisão da 7ª Vara sobre a questão. "A alegação de afronta à liberdade religiosa não veio acompanhada de dados concretos, colhidos junto à sociedade, que denotassem um incômodo com a expressão 'Deus' no papel-moeda."



Por Folhapress