sábado, 17 de novembro de 2012

Produtos “pirateados”

Quem não comprou ou, ao menos, não sentiu à tentação de comprar um CD ou um DVD “pirata”, cujo valor é significativamente inferior ao original?


Muitos alegam que a exposição comercial de tais produtos não pode ser tratada como crime, uma vez que a sociedade, como um todo, aceita esse tipo de comércio, ou seja, haveria ocorrido uma “adequação social” da conduta de vender ou expor à venda mídias ilegais!

Outros, ainda, alegam que essa prática comercial é mesmo justa, diante da carência de emprego sofrida pela população e do exagero dos valores impostos às mídias originais pelas produtoras e revendedoras. Todavia, não é esse o entendimento do nosso Superior Tribunal de Justiça (STJ)!

Com efeito, no recente decisum referente ao recurso especial nº 1.193.196-MG cuja decisão, frise-se, vem na mesma linha do que o Supremo Tribunal Federal já havia decidido no habeas corpus 98.898-SP, restou esclarecido que é típica, formal e materialmente, a conduta de expor à venda CDs e DVDs falsificados, prevista no artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal.

Consignou-se, ainda, que não é possível aplicar o princípio da adequação social à referida prática, considerando que ela não afasta a incidência da norma penal incriminadora de violação de direito autoral, além de caracterizar ofensa a direito constitucionalmente assegurado, ou seja, à proteção constitucional no sentido de que “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar” (artigo 5º, XXVII, da CF).

Por outro lado, o fato de, muitas vezes, haver tolerância das autoridades públicas em relação a tal problemática não significa que a conduta irregular não seja mais tida como típica ou que haja exclusão de culpabilidade, razão pela qual, pelo menos até que advenha modificação legislativa, incide o tipo penal, mesmo porque o próprio Estado tutela o direito autoral.

Além disso, não se pode considerar socialmente tolerável uma conduta que cause sérios prejuízos à indústria fonográfica brasileira e aos comerciantes legalmente instituídos, bem como ao fisco pelo não pagamento de impostos.

Assim sedimentado, pois, o entendimento suso, de relatoria da celebrada ministra Maria Thereza de Assis Moura, cabe às autoridades públicas mostrarem-se atentas sobre o indigesto assunto “pirataria”.

Aliás, falando sobre a conduta de quem vende mídias falsificadas, vale lembrar que, além de ela ferir os bens jurídicos do autor tutelados constitucionalmente, como visto acima, também desautoriza a declaração de atipicidade à luz do princípio da adequação social, pois é sabido e consabido de todos que o crime de violação de direito autoral, hoje já bastante divulgado mediante a expressão "pirataria", justamente por ser de conhecimento público e notório, não mais abre espaço para absolvição sob o manto do desconhecimento da sua proibição legal, mas, apenas, em tese, pode permitir a redução de pena cabível em face do erro evitável (artigo 21, parágrafo único, do Código Penal).

Por tudo isso, alegar-se que o Direito Penal deve apenas penalizar as condutas mais graves e perigosas as quais lesem bens jurídicos de maior relevância da nossa sociedade, não se aplica aos casos de mídias ilegais, isso porque a intervenção estatal pode e deve ser mínima apenas quando os demais ramos do Direito forem suficientes para proteger os bens jurídicos em conflito, isto é, quando outras formas de sanção ou controle social mostrarem-se eficazes para a tutela dos nossos bens jurídicos, o que não está parecendo ser o caso!

Por: Roger Spode Brutti.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A China acordou. O Brasil, não

Brasil e China são opostos não apenas geograficamente. Quando se trata de valorizar a indústria nacional, estas nações são também muito distintas. Abrigando mais de 1,3 bilhão de habitantes, aproximadamente um sétimo da população do planeta, a China tornou-se uma das economias de mais rápido crescimento no mundo, além de segundo maior exportador e terceiro maior importador de mercadorias. O processo de industrialização deste que é o maior país da Ásia Oriental reduziu sua taxa de pobreza de 53% em 1981 para 8% em 2001, daí a condição de superpotência emergente.


No lado oposto, o Brasil, país com dimensões continentais, o maior da América Latina, com 192 milhões de habitantes, mas que ainda patina com discussões e medidas pontuais, como a desoneração da folha de pagamentos e a redução de juros, para reverter a ineficiência estrutural de sua competitividade. As reformas econômicas promovidas no decorrer dos anos concederam reconhecimento internacional ao país, mas a desigualdade social ainda é grande e seu parque produtivo vive um momento alarmante de desindustrialização.

O Brasil é o país que exporta cacau hoje para importar chocolate amanhã. Ainda assim, é visto como um país com grande potencial de desenvolvimento, embora navegue lentamente pelos mares do crescimento, tal qual um marinheiro que se gaba pela distância percorrida, mas esquece de olhar o longo trajeto que ainda deve percorrer até a praia.

Há 200 anos, Napoleão Bonaparte profetizou: “Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, o mundo vai estremecer”. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial da economia, atrás apenas dos Estados Unidos. Verdade seja dita, muitos produtos comercializados atualmente têm partes, senão o todo, “made in China”. Quase como mágica, eles colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas e com preços bem abaixo dos praticados em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil, onde são altíssimos os custos para se abrir uma empresa, investir em maquinário, mão de obra, matéria-prima, produzir e até vender.

Qual o segredo? Um operário brasileiro custa ao empregador três vezes mais que um chinês do outro lado do planeta. E com o acréscimo de impostos e benefícios, essa conta dobra. Os chineses trabalham muito e recebem pouco. É quase um regime de escravidão – a face cruel de seu socialismo. E o mundo, inclusive o Brasil, alimenta este sistema, importando mercadoria e incentivando a produção chinesa em larga escala. Esta é a estratégia que eles utilizam para ganhar o mercado ocidental: preços absurdamente baixos, produtos por vezes com qualidade duvidosa e trabalhadores subjugados. O futuro? A China será o único parque industrial do mundo e os demais países, incluindo o Brasil, ficarão à mercê desse monopólio.

Brasil e China são países igualmente extensos, possuem ideais semelhantes de crescimento, mas exibem caminhos tão opostos. Quem está equivocado? Ambos. Na China, o objetivo é chegar ao posto de maior potência mundial, colocando em risco, inclusive, a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida de seus habitantes. Mas um ponto a se admirar é o incentivo dado à produtividade nacional, detentora de alta tecnologia e desempenho.

Separando o joio do trigo, é preciso seguir parte deste exemplo, fomentando a indústria e incentivando a geração de empregos, mas sempre respeitando o trabalhador e o ambiente. Aqui faltam políticas sérias para reduzir o peso da carga tributária, o número de obrigações acessórias e a quantidade de encargos sociais e trabalhistas que tanto sobrecarregam as empresas que precisam lutar a cada dia para sobreviver neste ambiente tão hostil aos negócios e à produção. Nas condições atuais, não há como a indústria brasileira competir comercialmente com outra nação emergente, menos ainda com a China.

É notório que o excesso de burocracia, regras e tributos trava o desenvolvimento, pois faz aumentar o Custo Brasil e afasta investidores. Se a reforma tributária parece distante, por que não começar pelo que é viável? Dia desses o presidente do maior banco de investimentos da América Latina, o BTG Pactual, disse que o governo tem espaço para começar agora a cortar a carga tributária de todos os setores produtivos. Desonerar a produção nacional seria o primeiro grande passo do Brasil para colocar a indústria nacional em posição de igualdade para competir com as maiores potências mundiais.

É preciso agir e parar de colecionar ideias que podem perder o poder de ação antes mesmo de sair do papel. A luz de emergência já se acendeu e, se nada for feito, as sequelas ficarão cada vez mais difíceis de ser superadas.


Por: José Chapina Alcazar.

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Exploração e tráfico internacional de pessoas

O tráfico de pessoas e prostituição internacional são temas que voltam aos holofotes com a novela Salve Jorge, da Rede Globo. Assunto ignorado pela maioria das pessoas, a temática abordada escancara uma modalidade criminosa que penaliza principalmente mulheres, que saem do Brasil para trabalhar e têm suas vidas privadas e viram escravas do sexo. Em um país que nem mesmo consegue controlar a incidência de trabalho escravo ou tráfico de crianças em seu território, a perplexidade desaparece diante da impunidade.


O tráfico de pessoas é a terceira prática criminosa mais rentável do Planeta, atrás apenas da exploração das drogas e comércio ilegal de armas. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima-se que essa modalidade criminosa movimente cerca de 32 bilhões de dólares. Ainda, conforme o Instituto Europeu para Controle e Prevenção do Crime, cerca de 500 mil pessoas, das quais 98% são mulheres para trabalhos sexuais, são traficadas de países pobres para o Continente Europeu. Dados da Pesquisa Nacional sobre Tráfico de Mulheres, Adolescentes e Crianças (Pestraf) contabiliza 110 rotas nacionais e 131 internacionais que facilitam e favorecem esse execrável crime. O país que recebe mais mulheres para a exploração sexual é a Espanha.

Para quem realiza esta exploração sexual, o proxenetismo, ato que consiste em obter benefícios econômicos da prostituição de outra pessoa, a atividade não apresenta muitos riscos. Já o lenocínio, que consiste em explorar o comércio carnal alheio, equivale à cafetinagem. O rufianismo consiste no fato de obter proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar. Em todos os casos, crimes previstos no código penal. Muitas mulheres que já se prostituem em seu país são incentivadas a fazer o mesmo em outras nações, com a promessa de ganhar mais e em moeda estrangeira.

As mulheres entram no país com vistos de turistas e a exploração sexual é disfarçada com ofertas de atividades profissionais como babás, garçonetes, dançarinas ou agenciamentos de modelos. Poucas são as mulheres que sabem os propósitos destes trabalhos e ficam em cárcere privado, sob permanente vigilância e tem seus passaportes retidos pelos aliciadores. No caso das crianças, que engloba meninas e meninos, o tráfico destina-se para fins de adoção ilegal, pornografia, comércio de órgãos, casamento precoce ou trabalho forçado.

As mulheres são forçadas a terem relações sexuais, sem recusar nenhum cliente. Trabalham por horas, induzidas a consumirem álcool e drogas. São desrespeitadas, sofrem preconceito e maus-tratos. Perdem suas referências. São fragilizadas emocionalmente e expostas a todos os tipos de doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres ficam à mercê dos exploradores, pois, contraem dívidas exorbitantes. Sofrem ameaças se não pagarem e se veem cada vez mais aprisionadas à prostituição.

Esforços são feitos por órgãos de direitos humanos e da própria ONU para coibir tais práticas, mas é necessário muito mais. Ampliar a cooperação entre órgãos policiais de todos os países. Medidas que ultrapassem ações discretas e repressivas como orientação maciça à sociedade e comunidades marginalizadas. Traçar o mapa de lugares onde se concentram essas práticas de trabalho escravo e exploração sexual. Mobilizar a população sobre a calamidade que toma conta da vida de pessoas que são corrompidas e têm sua dignidade e liberdade esfaceladas.

Por:Breno Rosostolato.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Outro Rico

O dinheiro ilude. Somos seres-humanos pressionados a consumir não apenas diariamente, mas em qualquer situação. O sonho de muita gente (até de mim) é um dia ganhar na loteria milhões, para comprar uma mansão e carro importado. Entupir-se de roupas, calçados, joias, e claro, um camarote no estádio de futebol.


Resumindo: todo mundo quer ser rico, de dinheiro. E do quê mais?

Podemos ser ricos em conhecimento: ler bons livros, assistir bons filmes, estar por dentro das últimas notícias. Em humildade, ajudando o próximo, doando alimentos e roupas usadas a quem precisa, fazendo voluntariado em instituições de caridade. Rico em dignidade, sempre sendo honesto, sem nunca ter passado a perna nos outros, trapacear. Rico em amor, sendo simpático com todos ao redor, com um sorriso estampado no rosto e tratando bem as pessoas. E aí vai.

Estes ricos citados acima talvez não tenham grandes quantias em dinheiro, mas podem possuir características que não há valor que compre. Por exemplo, meses atrás, estava eu na praia observando os vendedores ambulantes: muitos humildes, vendendo um pouco de tudo para seu sustento e da família. Na hora vi que essas pessoas são muito batalhadoras. Elas devem ser muito mais admiradas, em sua simplicidade e força, ao invés de muita gente rica que está bem hoje porque aprontou com uns e outros, às vezes, muitos.

É óbvio que não estou generalizando. Muitas pessoas do dinheiro são inteligentíssimas e cultas, independente do ângulo e do ponto de vista de cada um, e acredito que essas conquistaram o que tem hoje com o suor da camisa, a vontade. E é esse o verdadeiro rico. Possui dentro de si todos aqueles tipos que falei antes. O dinheiro, é sua consequência, o prêmio de dedicação.

As cédulas não trazem felicidade, mas elas ajudam a construí-la. A pessoa que está bem financeiramente hoje, de forma honesta, está assim porque soube investir o que tem. Devemos continuar batalhando diariamente para conseguir dinheiro, pagar nossas dívidas, sustentar a nossa família e ir ver o time do coração – nem precisa o camarote, a arquibancada já dá para se divertir. Continue sonhando com a fortuna, só que ponha em primeiro lugar os “outros ricos” que eu sei que existe em cada um de nós. Digam-me a verdade: do que adianta todo o material no mundo quando não ter as outras riquezas dentro de si, que são a simplicidade, a felicidade, o bom coração?

Por Nathalia Maynart Cadó.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Eleição até que é legal

Pronto, foram-se as eleições 2012. Há dias tivemos segundo turno em 50 cidades e, agora, só em 2014. Votar é legal, não é mesmo? O poder nas mãos do eleitor. Você decidindo o futuro do País. O problema é acertar na hora de escolher o candidato. Votar é mais ou menos como jogar na Mega-Sena, correndo um pouco mais de riscos. Basta definir os números, fazer a aposta e se frustrar depois. Você até pode acertar, mas a chance de obter sucesso é de uma em 50 milhões. Na Mega também.


Urna eletrônica é outra coisa legal. A apuração está cada vez mais rápida. Hoje a coisa é tão ágil que o sujeito acorda no domingo se achando eleito e vai dormir com a cabeça inchada, às 20 horas, sabendo que só recebeu dois votos: o dele e o de algum tapado que se atrapalhou todo e votou nele por engano.

Confesso que fico tenso quando entro na cabine para votar. Receio chegar na urna eletrônica e me deparar com alguma mensagem inesperada naquela tela minúscula. Algo do tipo “game over” ou “saque indisponível”. Ou pior: “Seu título está vencido. Volte duas casas”. Felizmente, isso nunca aconteceu, mas o frio na barriga só passa quando aparece a mensagem “fim” e toca aquela musiquinha eletrônica característica.

Segundo turno também é legal. Se você optou sem pensar muito no primeiro turno, não tem problema. No segundo tem a chance de se equivocar outra vez. Errar é humano, persistir no erro é votar mal também no segundo turno.

Mas se o processo hoje é todo eletrônico, penso que podemos evoluir um pouco mais. Os candidatos, por exemplo, bem que podiam ser eletrônicos também. E quando aprontassem alguma, a gente puxava a tomada. “Game over” para eles. Isso sim é que seria legal. Enquanto não chegamos neste estágio, o melhor mesmo é escolhermos bem nossos candidatos para votarmos com a mais correta das intenções e a consciência limpa. E isso também é bem legal.

Por Sérgio Pereira.



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Advogado casando

Um advogado casou com uma mulher que já havia sido casada oito vezes. Na noite de núpcias, no quarto do hotel, a noiva disse:


- Por favor meu bem, seja gentil. Ainda sou virgem!

Perplexo, sabendo que ela havia sido casada oito vezes, o noivo pediu a ela que se

explicasse. E ela respondeu:


- Meu 1º marido era Psiquiatra. Ele só queria conversar sobre sexo.


- Meu 2º marido era Ginecologista. Ele só queria examinar o local.


- Meu 3º marido era Colecionador de Selos. Ele só queria lamber.


- Meu 4º marido era Gerente de Vendas. Ele dizia que sabia que tinha o produto, mas não sabia como utilizá-lo.


- Meu 5º marido era Engenheiro. Ele dizia que compreendia o procedimento básico, mas que precisava de três anos para pesquisar, implementar e criar um método de utilização.


- Meu 6º marido era Funcionário Público. Ele dizia que compreendia perfeitamente como era, mas que não tinha a certeza se era da competência dele.


- Meu 7º marido era Técnico de Informática. Ele dizia que, se estava funcionando, era melhor ele não mexer.


- Meu 8º marido era Analista de Suporte. Depois de dar uma olhada, ele disse que as peças estavam todas perfeitas, mas que não sabia porque o sistema não funcionava.


- Por isso, agora estou casando com um advogado.


- Por que eu? Disse o advogado.


- Porque tenho certeza de que você vai me foder!!!



Em rio sem dono, até jacaré morre afogado!

A sucessão empresarial mal feita não aceita desaforo, mesmo quando se trata de marcas consagradas e com grande presença no mercado mundial. Exemplo disso é a briga entre pai e filha, Michel Lacoste e Sophie Lacoste, pelo comando da famosa grife francesa, oitenta anos depois de sua criação por René Lacoste, de quem os atuais herdeiros beligerantes são, respectivamente, filho e neta. O mais grave, no caso, é que o embate pode fazer a companhia mudar de comando e passar a ser controlada pela suíça Maus Frères, que já detém parte das ações e a qual Michel ameaça vender seu quinhão, em represália à nomeação de Sophie ao cargo de CEO.


O midiático imbróglio evidencia o quanto um processo de sucessão empresarial não é algo simples e que ocorre espontaneamente. Por isso, é importante que seja planejado e bem executado para que não afete os resultados e a gestão. Ou seja, deve ser considerado item obrigatório do planejamento estratégico das organizações, independentemente de seu porte, pois se não for elaborado com eficácia pode comprometer seriamente a sobrevivência de um negócio.

São numerosos os exemplos de empresas que sucumbiram depois de transições desastradas, feitas de modo empírico e no açodamento ante o acaso do falecimento ou doença do principal gestor e até mesmo devido a processos de fusão ou incorporação, com mudança abrupta de comando. Assim, garantir a sua permanência no mercado e, se possível, continuar a crescer após a mudança de direção vêm se tornando preocupações crescentes, considerando tratar-se de tarefa sempre árdua. Portanto, deve ser algo sustentado por um plano de contingência pré-elaborado.

Um bom programa de sucessão, em especial quando há a figura marcante do fundador da empresa, deve ser concebido com muita antecedência. Além disso, não deve restringir-se ao topo da hierarquia corporativa, ampliando-se na estrutura vertical e horizontal, para que a cultura e os valores do fundador sejam mais disseminados. É importante checar as áreas críticas e traçar um plano para cada uma delas, de modo que fiquem adequadamente preparadas para qualquer imprevisto, como falecimento, acidentes, fusão, incorporação e desligamento repentino do gestor.

Um bom programa de sucessão também minimiza problemas com herdeiros e sócios. No caso dos herdeiros, por se tratar de uma questão familiar, envolve também aspectos humanos, agregando ingredientes em emocionais ao processo. Em situações agudas, quando o imprevisto atropela a empresa não precavida com um plano de contingência, ou na elaboração preventiva de um processo sucessório bem feito e planejado, é muito recomendável buscar ajuda profissional.

O trabalho de empresas especializadas no tema engloba coaching para identificar as competências e, consequentemente, o perfil mais adequado para uma determinada função, orientações acadêmicas e administrativas e o desenvolvimento de lideranças. Quando essa transição é feita amadoristicamente e de modo improvisado, cria-se turbulência que afeta todo o ambiente organizacional. Ante a acefalia, lideranças não aceitas e situações confusas de comando, muitas marcas correm o risco de afundar, inclusive o jacaré mais famoso das grifes internacionais.

Geuma Nascimento.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bengalas da alma

Dia 20 de outubro completei dois meses sem cometer grosserias. Luta árdua e boa. Estou fazendo como fazem os drogados: anoto os dias sem droga e a droga, neste caso, é aquela brutalidade oriunda das profundezas do eu que se manifesta no trânsito e outras situações de conflito. Dois meses de firmeza, mas sem grosseria.


O mais importante foi passar a acreditar na eficácia da paz, que é um difícil estado de espírito, interior e exterior. A paz não é água com açúcar. Praticá-la é mais difícil que deixar o rio da grosseria correr solto nas curvas do nosso eu.

Dois meses. Estou feliz por isso. Pode ser que eu tropece de novo no degrau invisível da grosseria, porém, ao menos agora eu sei que este degrau não me leva para cima, ele apenas me faz tombar. Por isso, mantenho sempre viva a memória do tombo, no terreno vergonhoso dos escombros, terreno fértil, terra, húmus (humildade), pista de onde podemos decolar seguros para o amor útil, livre das toxinas do ódio que muitas vezes transformam o amor em terror.

O amor é exigente, é amigo da paz e ensina que é preciso quebrar as bengalas da alma, se livrar das toxinas da posse que transformam os outros em objetos de compensação de nossos reais ou imaginários déficits de afeto. Não se apoiar em nada, nem em ninguém, aprender a ficar em pé sozinho, pelo lado de dentro da alma. Não usar os outros como bengalas. Nesta liberdade, sem posses, o amor se livra da grosseria.

Amar, então, em vez de querer ser amado. Assim, somos amados e nos amamos, nesta solidão criativa, plena de relação, onde o amor livra-se das toxinas do apego, da posse, do ódio, da manipulação afetiva do outro, da outra, usado, usada, como se ele fosse meu, como se ela fosse minha.

Por: Fábio Régio Bento, sociólogo.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ampliando a visão de mundo

Tudo o que as pessoas fazem ou fizeram até hoje é pela busca de felicidade. Quando entendemos isso tendemos a não julgar mais ninguém. Ninguém faz o seu pior. As pessoas anseiam acima de tudo ser amadas e compreendidas, e amar as pessoas implica na aceitação incondicional.


Todas as nossas dificuldades estão ligadas à nossa cosmovisão. Ao realizar um curso ou ao ler um livro ou um artigo como este, cada leitor vai entender diferente do outro, dependendo das suas percepções. Todo mundo está fazendo o seu melhor na busca de seus objetivos, baseado na sua visão de mundo. O pior que achamos que nossos cônjuges, filhos ou colaboradores fazem é o seu melhor. Isso não significa que eles não podem ampliar a visão e romper os seus limites. A maior ajuda que podemos dar para uma pessoa é ajudá-la a ampliar a sua visão.

O mapa não é o território, assim como a maquete não é o edifício. O mundo não é o que você vê, pois só você vê o mundo assim. Cada pessoa tem sua maneira particular de ver. Em uma empresa com trezentos empregados há trezentas percepções diferentes do que é a empresa segundo os seus jargões e modelos. Tudo acontece na mente. O que você está vendo é uma imagem criada no seu cérebro. O mundo não é o que você vê. O mundo é convencionado. Um gol ou um ambiente só acontece na sua mente. Este ambiente é apenas uma convenção. Cada um vê um mundo diferente. Com frequência somos nós que criamos os problemas. Somos nós que enxergamos o mundo assim. Se quisermos mudar alguma coisa, precisamos mudar ou ampliar nossa visão. Todos nós sonhamos a vida e precisamos acordar para perceber que estamos sonhando. A maior ajuda que podemos dar aos nossos colaboradores é ajudá-los a ampliar a sua visão do universo.

Abandone o hábito de ver as coisas pelo lado negativo. Este é um comportamento que com muita frequência gera ressentimentos e atrai oposição. Tenha, sempre que possível, uma visão apreciativa das coisas. Elogiar sinceramente é o caminho mais curto para conquistar a simpatia de uma pessoa e gerar confiança.

Não queira mudar o mundo a ferro e fogo. Quem almeja liderar deve agir com postura prestativa, construtiva, solucionadora e com amor. Um indivíduo prestativo ajuda outra pessoa a carregar uma mesa, uma cadeira ou abre ou segura a porta do automóvel para outra pessoa entrar. Ser prestativo é a parte material das ações. Já ser prestativo é a intenção interna. É ter uma postura amorosa, altruisticamente interessada na felicidade e no sucesso dos outros. Com que intenção você faz alguma coisa por alguém? Esperando ou não, tudo o que fazemos volta para nós de alguma forma.

Fuja da comunicação ataque versus defesa. Há pessoas que encaram a vida como uma grande competição, uma guerra. Estão sempre preocupadas em provar que têm razão. Desenvolva uma comunicação explícita e negociada. Negocie as metas com os seus clientes. Negocie as metas com os seus colaboradores. Negocie as metas com a sua família. Não queira ser o dono da verdade. Indague mais e não imponha nada. Realize mais combinações perguntando: Que solução você vê? Se você adotar esta solução, como vai ser? Se você fizer isso, o que poderá acontecer?

Deixe tudo negociado e não imponha nada, pois se você impõe as metas consequentemente não terá equipe. A vida é um eco, se você não gosta do que está recebendo, observe o que você está emitindo.

Soeli de Oliveira.

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domingo, 4 de novembro de 2012

O mundo em debate

Abala-se o mito de uma economia mundial que se tornaria cada vez mais livre porque os investidores disporiam de liberdade para decidir com base em informações cada vez mais completas


A imagem da globalização como um sistema em que a liberdade de movimento dos capitais produziu uma onda de desenvolvimento internacional foi se desfazendo diante da realidade radicalmente política das decisões dos investidores. Abala-se o mito de uma economia mundial que se tornaria cada vez mais livre porque os investidores disporiam de liberdade para decidir com base em informações cada vez mais completas.

Na hipótese otimista e ultraliberal, depois de mais de um século de desenvolvimento, os mercados de capitais finalmente encontraram sua vocação a partir da década de 1980. A hipótese mais razoável, no entanto, é a de que houve uma elevação abrupta e insustentável da mobilidade internacional de capitais. As sucessivas crises são, portanto, consequência de erros de política econômica e do descontrole que resultou da desregulamentação. Diante disso, uma nova realidade se impõe. Na prática, cada investidor e cada instituição financeira dependem cada vez mais de uma orientação política sobre onde e como é seguro investir.

Nesse contexto, as lideranças dos países mais desenvolvidos e as principais instituições financeiras internacionais precisam reagir às fontes da inquietação atual. Devem reconhecer, por exemplo, que alguns mecanismos do processo econômico mundial funcionam mal, principalmente no que se refere aos mercados financeiros. É indispensável alguma forma de regulamentar as transações, pois sua total liberalização acaba afetando profundamente as economias nacionais de muitos países. Além disso, é necessário um novo procedimento para tratar as situações das nações altamente endividadas, com incentivos e não punições.

Os países avançados deveriam agir de acordo com os princípios que defendem. A liberalização das importações de produtos têxteis e o comércio de produtos agrícolas, por exemplo, continuam sofrendo de imensas distorções geradas por barreiras protecionistas. A legitimidade de decisões impostas por países de alta renda é evidentemente questionável. Na realidade, os que defendem enfaticamente a democracia, no âmbito nacional, interno e externo, não são nada democráticos. Quando se trata de decidir sobre as grandes questões internacionais, como mercado financeiro, atuação das multinacionais e casos de guerra, é o grupo dos mais ricos que decide, e não a Organização das Nações Unidas, infelizmente.

Fonte: DPP.

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