sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Fuja de quem se lembra dos pecados de todo mundo, mas se esquece do mal que fez

Fuja de quem se lembra dos pecados de todo mundo, mas se esquece do mal que fez!

Ninguém consegue ser bom o tempo todo, falar com doçura, sorrir com verdade. Somos humanos e, portanto passíveis de erros e vacilos, somos seres em construção diária.

Inevitavelmente, uma ou outra hora, erraremos, magoaremos alguém, falaremos o que não deveríamos. Reconhecer isso e tentar melhorar é o que nos resta.

O que importa, na verdade, é termos consciência do que fizemos, dissemos, da forma como atingimos as vidas das outras pessoas.

Não poderemos sair por aí fazendo o que quisermos, tentando tão somente atingir nossos objetivos, sem enxergar as pessoas ao nosso redor e seus sentimentos.

Não poderemos nos isentar de qualquer responsabilidade sobre quem caminha conosco.

Conviver requer olhar para além de si mesmo, para que nosso comportamento se adeque a uma postura minimamente empática.

Tentar entender as dores alheias, a maneira como recebem o que ofertamos, o modo como somos vistos, tudo isso nos ajudará a nos tornarmos alguém mais humano e digno.

A ESCUTA E O OLHAR NÃO PODEM APENAS ESTAR VOLTADOS PARA O NOSSO MUNDINHO. LÁ FORA TEM MAIS GENTE, TEM MAIS SENTIMENTOS, TEM OUTROS MUNDOS.

Isso não quer dizer que devemos agir de acordo com o que os outros querem ou esperam, mas sim que nossa autenticidade não deve passar por cima de ninguém, caso estejamos machucando quem não merece.

SEMPRE HAVERÁ QUEM CRITICARÁ, QUEM DESABONARÁ NOSSAS CONDUTAS, SIMPLESMENTE PORQUE MUITAS PESSOAS ESTÃO VAZIAS E SE PREENCHEM COM AS VIDAS ALHEIAS.

“Sempre haverá quem enxergará o mal em você e no mundo, mas nunca nelas mesmas”. Iara Fonseca

Identificar os julgadores de plantão que apontam os dedos, sentados sobre os próprios erros, será providencial em nossa jornada.

Isso porque assim seremos capazes de continuar caminhando com nossas verdades, sem dúvidas quanto ao nosso direito de ser feliz.

Teremos a certeza de que estamos no caminho certo, a despeito dos julgadores de plantão.

Portanto, fuja de quem se faz de desentendido e esquece o mal que fez, mas se lembra do pecado de todo mundo.

AMNÉSIA SELETIVA. MANTENHA MUITA DISTÂNCIA. LÉGUAS

Prof. Marcel Camargo

 

 

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

AVE MAIS PERIGOSA DO MUNDO FOI DOMESTICADA POR HUMANOS HÁ 18 MIL ANOS

 

Segundo estudo publicado pela Penn State University, o casuar, ave considerada a mais perigosa do mundo, pode ter sido o primeiro indivíduo do gênero a ser domesticado por humanos há cerca de 18 mil anos. A pesquisa indica que o processo de criação ocorria mesmo antes dos espécimes nascerem, porque ovos ainda não eclodidos eram coletados na antiga região que hoje é ocupada pela Nova Guiné.

O estudo teve como base a análise de mais de mil fragmentos de cascas de ovos fossilizadas encontradas durante escavações de abrigos de rochas utilizados por caçadores-coletores na Nova Guiné. Processos de datação por carbono indicaram que os artefatos têm idades que variam de 18 mil a 6 mil anos, localizadas aproximadamente na mesma época em que os humanos domesticaram as primeiras espécies de galinhas.


(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Em paralelo à observação dos fragmentos, os especialistas utilizaram imagens 3D de alta resolução para inspecionar o interior dos ovos de animais vivos, como perus, emas e avestruzes, possibilitando a construção de um modelo que apresentava diversas versões dos ovos durante todos os processos de incubação. Assim, ao compará-los com os artefatos dos abrigos, os cientistas concluíram que grande parte dos fósseis estavam maduros e com embriões plenamente formados.

Para criar ou para comer?

De acordo com Kristina Douglass, professora assistente de antropologia e estudos africanos na Penn State University, os humanos aparentemente estavam tanto coletando os ovos para criação quanto para alimentação. Isso porque a consistência do material das cascas variava, e enquanto umas mostravam sinais de amadurecimento, outras mostravam evidências de que não havia nada dentro. 


(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Os ovos de casuar eram então cozidos e consumidos apenas quando o conteúdo interno era estritamente líquido. “Hoje nas terras altas as pessoas criam filhotes de casuar até a idade adulta para coletar penas e consumir ou comercializar as aves. É possível que os casuares também tenham sido muito valorizados no passado, já que estão entre os maiores animais vertebrados da Nova Guiné”, disse Douglass.

A especialista ainda sugere que os caçadores encontravam os ninhos dos animais ao irem atrás de indivíduos machos, já que eles não deixam o ninho enquanto não houver outro companheiro supervisionando e não saem para procurar comida durante o estágio de incubação.

A ave mais perigosa do mundo

Com características físicas que se assemelham às de dinossauros, o casuar é o maior vertebrado existente na Nova Guiné e serve como matéria-prima para a fabricação de enfeites, acessórios e roupas cerimoniais. Atualmente, o grupo se encontra dividido entre três espécies, geograficamente localizadas na Nova Guiné e Austrália, e o menor indivíduo deles, o casuar-anão, consegue atingir um peso de até 20 quilos.

O animal chama a atenção pelas garras longas e por ser bastante territorialista, o que lhe denota uma certa agressividade contra ameaças a sua zona. Porém, domesticá-lo não foge totalmente das possibilidades, já que o animal é conhecido por se apegar à primeira coisa que vê depois que deixa o ovo.

ANDRÉ LUIS DIAS CUSTODIO

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Ajude as pessoas, mas não se responsabilize pelos erros delas!

 

Ajude as pessoas, mas não se responsabilize pelos erros delas!

Eu preciso ter empatia, mas não posso carregar, dentro de mim, sofrimentos que eu não causei. Eu devo ajudar as pessoas, mas não serei responsável pelos erros delas

O amor não é simples. Amar é uma delícia, é necessário, mas não é tranquilo.

Quando a gente ama a pessoa, tudo dela parece também ser da gente. Sua felicidade e sua tristeza. O que ela conquista, o que ela perde. O que nela é prazeroso, o que nela dói.

Amar é sair um pouco de si, para dar espaço ao que é do outro. E vem de tudo nesse acolhimento, inclusive o que não é muito bom.

É humanamente impossível, por exemplo, que pais consigam estar bem, quando o filho está passando por algum problema.

Da mesma forma, se um amigo muito querido ou o companheiro sofrem, não conseguimos nos desligar totalmente do que lhes acontece.

É essa a contrapartida mais difícil do amor. É essa uma das mais dolorosas formas de vivenciar as etapas amorosas de nossas vidas.

Não tem por onde, quando trazemos alguém para nossas vidas, temos que abraçar tudo o que vem junto.

Ninguém é perfeito, ninguém possui só levezas dentro de si, e os pesos emocionais que não são nossos acabam, de certa forma, atingindo-nos também.

Relacionar-se tem dessas coisas.

Relacionar-se implica abrir mão, renunciar, doar-se, olhar dentro dos olhos de quem, muitas vezes, clama por ajuda.

 É claro que jamais poderemos nos esquecer de nós mesmos nesse caminho. Se não estivermos inteiros, não conseguiremos interagir com o outro de uma forma saudável, nem seremos capazes de ajudar a quem precisa.

Não podemos é nos despedaçar ou nos anular em favor do outro. Não podemos é abrir mão da reciprocidade que deve pautar todo e qualquer tipo de relacionamento que tivermos.

Isso, sim, seria imperdoável.

O MUNDO CARECE DE EMPATIA, MAS MUITOS DE NÓS CARECEMOS TAMBÉM DE AMOR-PRÓPRIO.

A gente tem que se amar o bastante para não ter um emocional quebrado por conta do que é da alçada do outro.

 Eu preciso ter empatia, mas não posso carregar, dentro de mim, sofrimentos que eu não causei.

Eu devo ajudar as pessoas, mas não serei responsável pelos erros delas. É isso.

 Prof. Marcel Camargo

terça-feira, 12 de outubro de 2021

A série Round 6: inadequada para crianças, mas com algumas necessárias reflexões atuais

 

Breve análise sobre a famosa série da Netflix.

Eu não tinha intenção de assistir a tão propalada série da Netflix, a denominada Round 6 (um fenômeno de audiência), contudo, isso foi se alterando pela motivação de ter despertado também o interesse de muitas crianças (inclusive a minha filha), já que um dos chamarizes da série é a realização de provas baseadas em brincadeiras infantis, com pais descuidados caindo nesse canto da sereia e deixando crianças terem contato com o seu conteúdo, lembrando que a classificação etária é de 16 anos. Para se criticar ou elogiar, primeiramente, tem que se assistir.

Achei que deveria conhecer para fazer conexões com aspectos legais e também porque, como seres históricos e vivenciadores de fatos, entende-se, devemos compreender porque uma série dessas despertou tanto interesse social.

Contudo, a série em si traz questionamentos provocantes do ponto de vista da privacidade, intimidade, do sigilo, pois, como todos os participantes são captados e convidados a participar? De onde vem os seus dados? Imagina-se que, com violações ou dados vazados, o que coincide com o nosso momento atual de enorme fragilidade em segurança dos nossos dados, sendo o Brasil também um dos países que mais sofrem com os crimes digitais e golpes de diversas naturezas.

A violação de dados por si só já seria uma ilegalidade, inclusive por escolher as pessoas cientes de suas vulnerabilidades e considerando que esse “show” pode ser vendido para os telespectadores, online ou presencialmente (com lucro). De onde veio o dinheiro das premiações? Lembrando que no Brasil temos a Lei Geral de Proteção de Dados e outras normas, assim como em diversos países normas similares, já que o poderio das grandes empresas de tecnologia e bancos nos deixam fragilizados em diversos aspectos. No Brasil os empréstimos bancários equivalem à agiotagem legalizada.

Curiosamente, a própria série causou um incidente de privacidade: “Entretanto, um número de telefone, que aparece logo no começo da história, provou-se comprovadamente real. O número existe e vários fãs de 'Round 6' tem ligado para ele, causando problemas para a proprietária do telefone, uma mulher coreana, que passou a receber ligações e mensagens constantes.” (Disponível em: https://www.terra.com.br/diversao/tv/series/serie-da-netflix-round-6-divulga-numero-real-de-telefone,cf821e3f76044526231bc3e6bd897293g46ewvy4.html. Acesso em: 11.out. 2021).

 


De outro lado, a série traz discussões pontuais sobre temáticas sociologicamente relevantes como doação compulsória de órgãos, tráfico de órgãos, violência, etarismo, sexismo, xenofobia e outros assuntos correlatos, abordando também como as pessoas agem nos seus limites, com precisão, seja por dinheiro, seja para preservar a própria vida, em suma, como podem se submeter a situações em que a própria integridade física (morrer pelo não cumprimento da norma de um jogo) seja colocada em risco.

A série traz uma discussão interessante também sobre a pobreza, as dívidas, uma crítica social sobre questões de desigualdade social, direito de moradia, assistência médica, alimentação digna e outros. Aborda também fatores importantes como a dualidade humana, envolvendo o bem e o mal, que me fez relembrar de Edgar Morin quando ele classifica os seres humanos como homo sapiens sapiens (o humano na fase de evolução atual) e também o homo sapiens demens (o lado selvagem, louco e errante).

O jogo aborda democracia (?) com a votação sobre a continuidade no jogo, porém quem está com a sua vontade totalmente livre com a eminente perda de alguém próximo por motivo de saúde ou distância, ameaçado de morte ou doação forçada dos órgãos, ameaçado por gangues, dívidas, iminente prisão e etc.?

Enfim, um topa tudo por dinheiro, sem a ingenuidade do programa matinal do Silvio Santos. Mostra uma face cruel da raça humana, colocando-a no centro de um jogo de vida e morte, coisificação do humano, com os participantes sendo tratados por números que constam nos seus agasalhos. Por isso, impróprio para as crianças, que mesmo sem assistir merecem a explicação de uma mediação humanística para se entender porque para eles é inadequado, jamais glamourizar a tratativa dos seres humanos como cobaias (apesar de sabermos que algumas redes sociais também tem feito isso com todos nós).

ADRIANO AUGUSTO FIDALGO.

 


segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Estudo: Pessoas feias não sabem que são feitas

Não faltam disparidades entre pessoas atraentes e pouco atraentes. Estudos mostram que os mais belos entre nós tendem a ter maiores salários, tem mais facilidade para receber ajuda, evitar punições e ser percebido como uma pessoa competente. (Sim, pesquisas também sugerem que pessoas belas têm relacionamentos mais curtos, mas também têm mais parceiros sexuais, e mais opções para relacionamentos românticos.)

Agora, novas pesquisas revelam outra disparidade: pessoas pouco atraentes parecem menos capazes de julgar com precisão sua própria atratividade, e tendem a superestimar sua aparência. Em contraste, pessoas bonitas tendem a se classificar com mais precisão ou subestimar o quão são atraentes.

A pesquisa, publicada no Scandinavian Journal of Psychology, envolveu seis estudos que pediram para que os participantes avaliassem a sua própria atratividade e a de outros participantes, que eram desconhecidos. Os estudos também pediram aos participantes para prever como outros voluntários os classificariam.

No primeiro estudo, o autor principal Tobias Greitemeyer constatou que os participantes mais propensos a superestimar sua atratividade estavam entre as pessoas menos atraentes do estudo, com base nas classificações médias.

Classificações de atratividade subjetiva em função da atratividade objetiva do participante. O eixo horizontal classifica de não atraente (esquerda) para atraente (direita). A linha azul é a medição subjetiva e a linha laranja uma medição objetiva. (Estudo 1). Crédito: Greitemeyer


Classificações de atratividade subjetiva em função da atratividade objetiva do participante. O eixo horizontal classifica de não atraente (esquerda) para atraente (direita). A linha azul é a medição subjetiva e a linha laranja uma medição objetiva. (Estudo 1). Crédito: Greitemeyer

“No geral, os participantes pouco atraentes se julgaram com uma atratividade média e mostraram muito pouca consciência de que desconhecidos não compartilham dessa visão. Em contraste, os participantes atraentes tinham mais insights sobre o quão atraentes eles realmente são. […] Parece, portanto, que pessoas pouco atraentes mantêm auto-percepções ilusórias de sua atratividade, enquanto as visões das pessoas atraentes são mais fundamentadas na realidade.”

Por que pessoas pouco atraentes superestimam sua atratividade? Poderia ser porque eles querem manter uma autoimagem positiva, então eles se iludem? Afinal, pesquisas anteriores mostraram que as pessoas tendem a desacreditar ou “esquecer” o feedback social negativo, o que parece ajudar a manter um senso de autoestima.

Para descobrir, Greitemeyer realizou um estudo que teve como objetivo colocar os participantes em uma mentalidade positiva e não defensiva antes de classificar a atratividade. Ele fez isso fazendo perguntas aos participantes que afirmavam partes de sua personalidade que não tinham nada a ver com a aparência física, como: “Você já foi generoso e altruísta com outra pessoa?” No entanto, isso não mudou a forma como os participantes se classificaram, sugerindo que pessoas pouco atraentes não estão superestimando sua aparência fora da defensiva.

Os estudos continuaram chegando na mesma conclusão: pessoas pouco atraentes superestimam sua atratividade. Esse viés soa familiar? Você pode estar pensando no efeito Dunning-Kruger, que descreve como pessoas incompetentes tendem a superestimar sua própria competência. Por que? Porque eles não têm as habilidades metacognitivas necessárias para discernir suas próprias deficiências.

Greitemeyer descobriu que pessoas pouco atraentes eram piores em diferenciar pessoas atraentes e pouco atraentes. Mas a constatação de que pessoas pouco atraentes podem ter diferentes ideais de beleza (ou, mais claramente, capacidade mais fraca de julgar a atratividade) “não teve um impacto na forma como elas se percebem”.

Em suma, permanece um mistério exatamente por que pessoas pouco atraentes superestimam sua aparência. Greitemeyer concluiu que, embora a maioria das pessoas seja capaz em julgar a atratividade dos outros, “parece que aqueles que não são atraentes não sabem que não são atraentes”.

Pessoas pouco atraentes não são completamente inconscientes

Os resultados de um estudo sugeriram que pessoas pouco atraentes não estão completamente no escuro sobre sua aparência. No estudo, pessoas pouco atraentes mostraram um conjunto de fotos de pessoas altamente atraentes e pouco atraentes, e foram solicitadas a selecionar fotos de pessoas com atratividade comparável. A maioria das pessoas pouco atraentes optou por se comparar com pessoas igualmente pouco atraentes.

“A constatação de que os participantes pouco atraentes selecionaram pessoas de pouco atraentes com as quais comparariam sua atratividade sugere que eles podem ter uma noção de que são menos atraentes do que gostariam”, escreveu Greitemeyer. [Big Think]

Marcelo Ribeiro.

 

 

domingo, 10 de outubro de 2021

RARAMENTE ESCOLHEMOS QUEM AMAMOS, MAS SEMPRE PODEREMOS ESCOLHER QUEM DEIXAREMOS DE AMAR

“Por mais que doa, desistirmos de qualquer pessoa, de qualquer situação, de qualquer amarra afetiva, em favor de quem somos e de nossa felicidade, será sempre a melhor decisão a ser tomada.”

A verdade é que o amor vem de não sei onde, sem por que, veloz ou sorrateiro e se instala, muitas vezes sem nos darmos conta. Parece que não temos controle sobre as razões do coração, tampouco escolhemos as direções do poder de atração de certas pessoas sobre nós. Mesmo assim, após experenciarmos a forma como o outro entra em nossas vidas, bem como o que ganhamos ou perdemos a partir desse encontro, deveremos estar prontos para agir acertadamente em relação à manutenção ou não desse alguém junto de nós.

De início, quando a paixão parece minar qualquer controle sobre nosso discernimento frente ao que o outro traz junto com ele, acabamos por supervalorizar suas qualidades, as quais se sobrepõem às falhas, àquilo que no parceiro nos incomoda. E assim vamos tentando, de novo e mais um pouco, pois temos esperança de que receberemos em troca o tanto que nos doamos, torcendo para que dê certo.

Difícil é perceber quando já tentamos demais, quando nada mais parece surtir resultado, quando os erros se repetem além da conta. Difícil é encarar de frente tudo o que se fez ou se deixou de fazer, tudo o que se disse ou se calou, tudo o que foi exposto, aniquilado, roubado, usado, todas as mentiras, os fingimentos, os silêncios ensurdecedores. Porque dói a constatação de que tudo o que sonhamos e construímos não tem mais futuro.

Ninguém quer dar errado na vida, seja no trabalho, na família, nas amizades. Queremos ser alguém que deu certo, que venceu e conquistou o que queria. Muitos de nós vemos a falência amorosa como a pior de todas as decepções que podemos carregar, uma vez que a separação leva junto com quem se foi muito de nossa força e de nossa autoestima. O que resta, de início, é tristeza, desalento e uma sensação amarga de derrota.

Além disso, ponderarmos sobre o relacionamento que estamos mantendo, sobre as perdas e ganhos que ele vem trazendo às nossas vidas, não depende somente do que realmente queremos, pois, à nossa volta, deparamo-nos com as opiniões e os julgamentos dos familiares, dos amigos, da sociedade enfim, o que pesa muito nessa questão. Mantermos a lucidez nesses momentos requer que nos desvencilhemos de todas as cargas afetivas que nos amarram e nos vinculam ao parceiro. Trata-se de uma tomada de decisão solitária e cruel.

Estaremos sempre sujeitos aos términos indesejáveis dos relacionamentos em nossa vida, haja vista que o para sempre pode, sim, acabar um dia ou outro. É preciso, pois, que estejamos dispostos ao enfrentamento de tudo o que não deu certo em nossa caminhada, de modo a nos libertarmos daquilo que se tornou peso inútil, desenterrando diariamente os sonhos e ideais que se perderam por entre as algemas de um cotidiano frio e desarmônico.

E, no final das contas, ninguém há de negar que, por mais que doa, desistirmos de qualquer pessoa, de qualquer situação, de qualquer amarra afetiva, em favor de quem somos e de nossa felicidade, será sempre a melhor decisão a ser tomada. Porque desistirmos de nós mesmos seria condenarmo-nos à morte em vida e viver será sempre a nossa maior vitória. Sempre.

Prof. Marcel Camargo.

 

sábado, 9 de outubro de 2021

POR QUE NÓS CHORAMOS? ENTENDA A CIÊNCIA POR TRÁS DO CHORO

 

Você é do tipo de pessoa que costuma chorar para qualquer coisa? Quando o assunto é choro, nem todas as lágrimas são exatamente iguais. Na verdade, o ato de chorar é realmente um dos "fenômenos" mais intrigantes da natureza humana e cumpre funções no nosso organismo que algumas vezes não percebemos.

Embora nem todas as pessoas chorem com extrema facilidade, essa pode ser uma resposta do nosso corpo para expressar emoções, aliviar dores corporais ou até mesmo se conectar socialmente com outras pessoas. Então, vamos entender um pouco mais sobre a importância do choro nas nossas vidas.

Função do choro


(Fonte: Pixabay)

O choro — especialmente o emocional — é uma das melhores formas que o corpo humano tem para se livrar de hormônios do estresse como o cortisol. Portanto, quando choramos, as lágrimas carregadas de cortisol saem pelos olhos e nós acabamos ficando mais tranquilos em questão de poucos minutos. 

De acordo com alguns pesquisadores e cientistas, o choro é importante para aumentar a resiliência imunológica, assim como o riso. O choro pode desencadear a liberação de opioides, que podem influenciar a atividade das células imunológicas e ajudar o sistema imunológico a se tornar mais eficaz como um todo. 

Sendo assim, podemos enxergar o choro como uma importante ferramenta para proteger nosso corpo de estressores, sejam eles internos ou externos. 

Tipos de lágrimas


(Fonte: Pixabay)

Ao longo da vida, acabamos notando que o ato de chorar pode ser usado pelos seres humanos para múltiplas funções. Em geral, as lágrimas podem servir para expressar um pedido de ajuda que muitas vezes não conseguimos através de palavras. Seja em um choro de raiva ou por pura tristeza, deixamos o restante das pessoas compreender que não estamos em um bom momento.

Alguns indivíduos sentem tanta vergonha dessa vulnerabilidade que dificilmente conseguem chorar em público ou na frente dos outros. Por conta disso, às vezes pode parecer um pouco mais fácil conseguir deixar uma lágrima escorrer quando estamos completamente a sós.

De uma perspectiva evolucionista, chorar seria uma demonstração de fraqueza que lhe colocaria em uma situação de desvantagem em uma batalha por sobrevivência. Entretanto, esse pode ser um importante método para gerarmos simpatia das outras pessoas e estabelecermos laços mais fortes por meio das estruturas sociais que criamos para viver.

Processando emoções


(Fonte: Pixabay)

Por vezes, chorar é uma simples reação do nosso olho para se livrar de alguma irritação ou algo que está atrapalhando a sua visão. Mas na maior parte do tempo, choramos para tentar lidar com emoções extremas e que não sabemos exatamente qual a melhor forma para controlá-las. 

Enquanto os choros por tristeza, culpa ou preocupação são ótimos para se livrar do estresse, os chamados "choros bons", como os de felicidade, amor e gratidão podem ser vistos como de você regular e processar todas essas informações e sentimentos intensos.

O suporte emocional é um processo chave para a existência humana nos dias atuais, porém nem sempre é fácil de ser obtido. Por isso, chorar pode acabar nos ajudando a receber algum tipo de conforto para o que sentimos por dentro.

Pedro Freitas.

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Qual o propósito do patrimônio familiar?

 

Famílias empresárias modernas entendem que o seu principal ativo não está mais nos bens materiais ou tangíveis, mas na família em si.

No último ano, um vírus tem feito os dias ainda mais difíceis, e com ele a vulnerabilidade humana se tornou ainda mais reflexiva. Basta ligar a TV, olhar as redes sociais ou ler os jornais para ver números assustadores.

Com toda esta realidade, a emoção e os pensamentos sobre um futuro incerto tomam conta da mente. Dentre tantos questionamentos e preocupações, sem dúvidas, a família ocupa o lugar número um. Afinal, é necessário muito mais do que amar e almejar o sucesso de cada membro.

Aliás, o que é sucesso? Agora, vejo com mais clareza. Por anos, minha ideia de sucesso era trabalhar duro e construir um patrimônio grande. Resumindo, associava a palavra a força, poder e respeito.

Aonde quero chegar com tudo isso? Bom, todo esse relato faz parte de um case, utilizado em um curso sobre Preservação do Patrimônio Familiar. O assunto te desperta interesse? Sentiu-se identificado com o tema?

A verdade é que a pandemia fez com que muitos fundadores fizessem essa reflexão ainda mais significativa. A vulnerabilidade do ser humano frente à vida os fez repensar conceitos. Se sucesso era trabalhar duro e construir um patrimônio considerável, agora, para muitos, não é mais só isso. Confrontados com a nova realidade imposta pela vida, independentemente de suas vontades, seus conceitos veem sendo autoquestionados.


Famílias empresárias modernas entendem que o seu principal ativo não está mais nos bens materiais ou tangíveis, mas na família em si. Ela é o seu maior ativo, sobretudo nas que pensam de forma multigeracional, ou seja, no sucesso das gerações futuras. Cuidar do patrimônio financeiro é sem dúvida uma tarefa importantíssima no processo de preservação, mas zelar pelo capital humano, intelectual e social é imprescindível.

Afinal, capital financeiro podemos ganhar ou perder ao longo de nossas vidas, em parte devido a nossas habilidades, mas também devido às conjunturas políticas ou econômicas do período. No entanto, o capital intelectual, uma vez adquirido, nunca mais se perde. Inclusive, é dele o principal responsável pela possibilidade de criação de mais capital financeiro, se assim for desejado pela família e seus membros.

Nessa mesma linha, muitas famílias quebram por disputas internas, sem correlação alguma com o negócio em si. Assim, a realização pessoal, de cada membro, é importantíssima para atingirmos um razoável nível de harmonia do grupo, o que ajuda na preservação do patrimônio e da empresa.

Desta forma, a união familiar, saúde e educação para netos e bisnetos, inteligência para enfrentar os grandes desafios do futuro e perpetuar o legado da família e liberdade de escolha com consciência são atribuições que devem ser planejadas pelas famílias que buscam a multigeracionalidade como objetivo.

A família deve ter sempre a visão estratégica do patrimônio, buscar saber sempre quais são os verdadeiros investimentos que devem ser feitos para, assim, cumprir com o propósito do patrimônio familiar.

Leonardo Wengrover

 


quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Existem lugares para onde eu nunca mais voltarei.

 


EXISTEM LUGARES PARA ONDE EU NUNCA MAIS VOLTAREI. EXISTEM PESSOAS COM QUEM NUNCA MAIS CONVERSAREI. EXISTEM ATITUDES QUE NUNCA MAIS PERMITIREI.

Na maioria das vezes, a gente tem que quebrar a cara para aprender as lições sobre as pessoas, as atitudes, os comportamentos, sobre quem merece ou não o nosso melhor.

Temos a mania de achar que algumas pessoas são melhores do que, na verdade, são. Investimos tempo e sentimento onde nada mais há do que vazio, deserto e escuridão. E a dor vem. E o ensinamento vem junto.

Acumulamos decepções demais ao longo de nossa jornada, lágrimas, dores e solidão. Não conseguimos alcançar todos os nossos sonhos, manter somente relacionamentos saudáveis, nutrir apenas sentimentos reconfortantes. E as contrapartidas dolorosas nos arrebatam sem piedade.

É assim com todo mundo. Ninguém acerta o tempo todo. A questão é o que fazer com o que vem derrubando, com quem fere e machuca a nossa alma.

A dificuldade acontece porque, quando estamos feridos e decepcionados, ficamos enfraquecidos, sem forças para analisar aquilo tudo de uma forma que nos leve a prosseguir e a vislumbrar as possibilidades que continuam ali na nossa frente.

Permanecemos muito tempo agarrados às ilusões de que o que não era para ter sido teria que ter sido, de que não conseguiremos nada melhor, de que nada mais fará sentido.

Esquecemos a sistemática da vida, que sempre nos permite recomeçar, que sempre nos permite amanhecer.

A DOR É EGOÍSTA, ELA NOS OBRIGA A FOCAR NELA, SOMENTE NELA.

Por isso, temos que nos forçar, quando houver escuridão, a olhar além de nós, a sair de dentro da gente, e tentar enxergar lá fora.

É lá que está a cura. É lá que estão os horizontes. É lá que teremos respostas.

Para sair da dor, temos que sair do lado de dentro. Temos que conseguir perceber tudo o que nos espera, tudo o que poderá nos abraçar e nos confortar. Lá fora.

É assim que a gente se fortalece. Foi assim que eu sempre consegui me desvencilhar do que me feria. Não é fácil, mas é possível.

Existem lugares para onde eu nunca mais voltarei. Existem pessoas com quem nunca mais conversarei. Existem atitudes que nunca mais permitirei.

Essas poucas certezas já me confortam.

Prof. Marcel Camargo

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

INTELIGÊNCIA GERAL: POR QUÊ ALGUNS SÃO MAIS INTELIGENTES QUE OUTROS?

É comum ouvir que uma pessoa é mais inteligente do que a outra. Porém, o que define o nível de inteligência? Quais critérios são observados para qualificar um indivíduo como intelectualmente superior a outro? Para responder aos questionamentos, desenvolvi, juntamente com a biomédica Nathália Barth e a neuropsicóloga Leninha Wagner, um artigo científico, recentemente publicado na Bio Innovation, para avaliar a inteligência geral.

Nele, destacamos que alguns indivíduos possuem o desenvolvimento cerebral mais eficiente do que de outros, e tais variações são determinadas através da inteligência lógica, que influencia no tipo de inteligência de cada um, além de fatores genéticos. Vale ressaltar que a psicologia considera dois tipos de inteligência: cristalizada e fluida.

A primeira está relacionada ao conhecimento e experiência anteriores e reflete a cognição verbal e é influenciada pela estrutura cortical e da espessura cortical em áreas laterais dos lobos temporais e do polo temporal.

Enquanto a inteligência fluida, ligada à atividade neural nas regiões pré-frontal e parietal lateral, está relacionada ao raciocínio, atenção e memória.

Para avaliar a participação genética na inteligência, uma vez que "percentual de genes que produzem proteínas funcionais está implicada em diversas funções neuronais", foi utilizado estudos que mostram que genes, associados aos neurônios principais do córtex e mesencéfalo, indicam haver relação da função e a estrutura da célula piramidal à inteligência humana.

A avaliação:

Existem diversos recursos para analisar a inteligência de um indivíduo, como imagem cerebral que investiga a estrutura e funções do cérebro, mas é sabido que a inteligência tem grande participação genética.

Quando observadas neuroimagens, é possível identificar melhores e maiores conexões na região branca e cinzenta do cérebro. Porém, não apenas o volume e espessura da substância cinzenta do cérebro que tem relação com a inteligência.

Deste modo, concluiu-se que pode haver relação da função e a estrutura da célula piramidal à inteligência humana relativo ao tamanho dendrítico e velocidade do potencial de ação e o QI.

Logo, o fator genético serve como precursor para o desenvolvimento da inteligência e uma boa dieta assim como prática de exercícios físicos e atividades lúdicas na infância, são fatores importantes para que a região do córtex pré-frontal, responsável pela lógica, prevenção e tomada de decisões possa comprometer o bom desenvolvimento de regiões no cérebro relacionadas às demais inteligências.

O artigo original foi publicado na revista científica Bio Innovation.