sábado, 8 de dezembro de 2012

Quem não foi índio levante a mão?

O maior sempre engole o menor! Quem não ouviu a trágica verdade? Quando abandonamos, em levas e aos poucos, o Leste da África para conquistar o mundo nós, os humanos, fomos criando aglomerações diversificadas que passamos a definir no decorrer do tempo como povos com usos e costumes peculiares.
 
Usos e costumes que foram sofrendo (e sofrem) mudanças constantes, modificações diuturnas imperceptíveis, pois a vida é movimento e nela nada permanece imutável. A intensidade do frio e do calor, o ambiente, o alimento (principalmente a proteína animal), o solo, a flora, a fauna, a percepção de novas realidades, o surgimento da fala, as descobertas (fogo), o avanço cientifico (roda, agulha, vidro), a invenção escrita foram, entre milhares de outros elementos, nos afetando num processo de moto contínuo que nos modifica a todo instante.
 
Espalhados pelos cinco continentes os descendentes do homo sapiens criaram incontáveis civilizações que, em contato umas com as outras, passaram a influenciar e ser influenciadas – com o mais forte impondo seu jeito de ser quando os choques, tidos como inevitáveis pelo nível cultural de diferentes épocas, ocorriam. Assim, civilizações nascem e civilizações morrem.
 
 É a dialética da natureza, perversa eu e todos sabemos, mas incontrolável: não há como segurar a história menos ainda voltar para ao passado. Nesse contexto é que se deve analisar a questão indígena entre nós.
 
O assunto foi mal encaminhado desde que os choques inevitáveis da intensificação da globalização e a chegada do português e do espanhol (que também foram índios) produziram. Com a predominância da civilização europeia que chegou (também com seu Deus, seus vícios e doenças), optamos, após anos de ações truculentas, pela reserva indígena. Espécie de confinamento perpétuo para impedir a emancipação desses povos como se fosse possível parar a roda da história e evitar que eles – protegendo seus usos e costumes na esfera do possível ditado pela dialética de que nada é estático – evoluíssem como os demais do planeta (portugueses e espanhóis, por exemplo) em idênticas circunstâncias.
 
Hoje, pasmos, nos damos conta que nada é mais anacrônico do que as reservas: 63% dos índios brasileiros possuem televisão, 51% contam com geladeiras, 36% tem telefone celular e cresce o numero dos que têm automóveis e internet. E a maioria só sobrevive com ajuda do Bolsa Família! Quando estão vivos graças à medicina do SUS?
 
Com tudo isso dentro de uma aldeia/reserva será possível falar em manter o modo de vida que tinham quando da chegada do homem branco? E o que produzem suas terras? Tenham a santa paciência, vamos parar de ser cínicos e de impor sofrimento a esses povos. Vamos respeitar o que sinalizam as principais lideranças deles e criar rumos para que possam efetivamente aproveitar as facilidades que a vida moderna oferece.
 
Claro, a sociedade e o Estado (e nossa consciência) não podem virar as costas para os problemas que afetam as populações indígenas (mesmo por que como cidadãos têm direitos constitucionais), mas crer que tudo se resume em dar terras é só prolongar o sofrimento delas.
 
Por ironia do destino, a disputa entre aceitar ou refutar a nova vida trazida pelo europeu já foi decidida lá traz com a posição do cacique Neenguiru, que se aliou ao colonizador e a morte do cacique Nheçu, que perdeu a batalha pelo status quo.
 
De mais a mais, como garantir o mesmo tipo de vida se o essencial deles – o deus Tupã, foi eliminado e em seu lugar colocado outro deus?
 
 
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Imagine

No sábado faz uma data que John Lennon foi morto.
Remember? Ele estava com 40, mesma idade que tenho agora...
No sábado (8) faz uma data que John Lennon foi morto. Remember? Ele estava com 40, mesma idade que tenho agora. Isso me faz pensar sobre a intensidade de tudo que o beatle maníaco produziu e o que ainda poderia ter feito. Talvez você discorde. Não será o único. Mas nunca saberemos. Muitos desconsideram sua carreira-solo que tem umas cachaças. Sem falar em toda a lengalenga de que a Yoko separou o fabuloso quarteto. Claro que não vou negar que a japa era um chiclete no couro cabeludo do jealous guy. Até no concerto do telhado da Apple ela tá lá. Sentadinha. Papagaio de submarino amarelo. Deixa pra lá, que pimenta no sargento dos outros nunca foi refresco. Até o Paul emitiu recentemente óbvia mas nada gritante declaração de que Yoko não seria culpada pelo final dos Beatles. Que John sairia de todo jeito e sem ela, não teria composto Imagine. No bombástico maio de 68, o casal lançou disco que ficou famoso pela capa e contracapa com os dois peladíssimos. Puro barulho e experimentações sonoras. Podreira total! Os demais integrantes do quarteto inglês morreram de vergonha. Já não se poderia falar do bem comportado conjunto de Liverpool sem levar em consideração o escandaloso membro que se expunha daquele modo. Trocadilhos inclusos. John se despia de si e da hipocrisia burguesa.
Outra foto que bombou mostra ele deitado em posição fetal (nu, claro) abraçado à Yoko. Vestidinha ela, dessa vez. A imagem foi feita algumas horas antes do assassinato e virou, conforme prometido pela fotógrafa, capa da Rolling Stones no mês seguinte. Talvez ele buscasse ainda pela figura materna. Perdeu sua mãe ainda garoto, que aliás sequer lhe fora tão próxima. E com o pai, pouquíssimo contato teve. No disco Plastic Ono Band, primeiro solo pós-Beatles, lançado em 1970, a faixa de abertura é uma das mais viscerais que já ouvi. Chama-se Mother e encerra com repetidos gritos primais de Mama don´t go! Daddy come home! A influência sobre o disco The Wall, (Pink Floyd), de 1979, está na cara. Inclusive com idêntica cena fetal (porém sozinho) do protagonista Bob Geldof no filme homônimo, lançado em 1982. Em God, do mesmo LP, Lennon encerrava uma geração com a frase The dream is over. É power! E se não crê no que digo, escute ainda Gimme some true do álbum Imagine, de 1971.
Comprei semana passada livro recém-lançado, Cartas de John Lennon. É uma coletânea de toda correspondência encontrada pelo biógrafo oficial da banda, Hunter Davies. O jornalista britânico considerou para tanto qualquer bilhete, autógrafo ou anotação que encontrou assinado pelo cantor, que foram reproduzidos no volume com mais de 300 páginas. John, que chegou a cursar Artes Plásticas, desenhava em muitas cartas e postais que mandava. Fazia o mesmo em autógrafos e qualquer papel que lhe caísse nas mãos. Superbacaninha o traço. E traços é que não faltam na obra sobre sua relação com a tia Mimi, que o criou, com a primeira esposa Cinthya e com já citada Yoko. Algumas rusgas com Paul e jornalistas temperam. Tudo entremeado por comentários do organizador, que contextualiza a trajetória do artista até o que teria sido seu último autógrafo a uma moça no estúdio, naquela fria noite de 8 de dezembro, pouco antes de voltar para casa, onde o sonho acabaria.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Como o mundo vê agora o Brasil


O país do futebol, das praias e do samba. Os estereótipos criados para o Brasil e usados com fartura pelas outras nações, que sem muita dificuldade nos deram Bueno Aires como capital, começaram a ser deixados de lado a partir do momento em que o país cresceu economicamente e ocupou espaço de destaque no cenário internacional entre as potências emergentes.

Ouvido pelo site Terra, o presidente da agência Imagem Corporativa, Ciro Dias Reis, falou da substituição dos clichês conhecidos por debates mais sérios em relação ao Brasil. O monitoramento sobre as notícias diárias publicadas referentes ao país revela que cresce a atenção dada pelos principais veículos a temas importantes, ligados à economia, à política e ao meio ambiente.

Realizado desde 2009, o Boletim Brasil acompanha tudo o que é publicado sobre a nação nos 15 mais importantes representantes da imprensa mundial. Em três meses, de julho e setembro, por exemplo, foram 1.217 notícias - superior a 13 por dia -, mais de que o dobro identificado no primeiro levantamento, feito há três anos.

Vulnerabilidade, situação privilegiada, questões socioambientais, protagonismo, locais de investimento, empresas/executivos do Brasil, player internacional e comércio exterior foram os assuntos mais abordados pela mídia do exterior no penúltimo trimestre - 70% das reportagens foram consideradas positivas e 30% negativas.

Deixar para trás estereótipos é uma boa notícia. Imagens nem sempre desejadas do Brasil, usadas por muitos anos ao redor do planeta, sempre incomodaram. A questão é que, não muito distante, os bordões nunca serviram de estímulo para as mudanças. Se irritavam, apenas geravam reclamações aqui e ali. Mas quando os governos passaram a investir no desenvolvimento econômico e social, o que ajudou a colocar o país na parte nobre da vitrine, a mudança do discurso aconteceu naturalmente. O samba, o futebol e a praia deram lugar a assuntos, de fato, importantes. Uma virada importante do jogo.

A pauta da imprensa especializada, entretanto, continua aberta para questões ainda “bem nossas”. A corrupção dentro dos governos é uma delas. Se nos tornamos mais sérios e evoluímos estruturalmente, ainda temos que baixar a cabeça quando somos apontados como o país da maracutaia. Os mecanismos continuam falhos para reduzir a níveis aceitáveis um dos piores problemas nacionais. A corrupção, para existir, precisa apenas de alguém que ofereça alguma vantagem e outro que a aceite. E esse defeito humano governante algum consegue resolver. O que não o impede, porém, de tentar se cercar por profissionais mais sérios e de cobrar desempenhos.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sobre o sono e o ronco

Conheça alguns tratamentos que podem acabar com os distúrbios do sono


O barulho incomoda e, quando alto, não permite que as pessoas ao redor durmam. Em outras ocasiões, pode até ser motivo de piada. Embora pareça algo simples, o ronco, se não tratado, pode evoluir para a apneia, distúrbio grave que pode levar ao aumento do risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Mas a boa notícia é que para esses males existem três tipos de tratamentos, cirúrgicos e não-cirúrgicos, que podem melhorar muito a qualidade do sono. Então, se você sofre com eles não perca tempo e procure logo um especialista.

Considerado por muitos um motivo de gozação, o ronco é provocado por um estreitamento das vias respiratórias superiores, que dificulta a passagem do ar, fazendo com que essas estruturas vibrem, provocando o barulho. De acordo com o dentista e membro fundador titular da Academia Brasileira de Fisiopatologia Cranio-oro-cervical (ABFCOC), Dr. Douglas Bellomo, o ronco pode ser um sinal de algo que não vai bem no organismo. “Uma coisa importante a ser dita é que o ronco já é um alarme de que alguma coisa vai se deteriorando a partir desse momento. A pessoa deve ficar atenta para que o ronco não evolua para a apneia.”

Segundo dados do Instituto do Sono de São Paulo, 40% dos homens e 26% da mulheres possuem apneia. Esse distúrbio do sono é uma obstrução mecânica da língua na faringe que pode levar a outros problemas graves de saúde. “A apneia ocorre pelo relaxamento total e recuo da língua na faringe. Ela é gravíssima e tem inúmeras doenças que estão correlacionadas a esse tipo de problema. Quem sofre com a apneia tem três vezes mais chances de sofrer de infarto e AVC, por exemplo.”

Mas quem sofre com esses distúrbios do sono já pode respirar mais aliviado, pois existem três tipos de tratamentos para melhorar o sono. Segundo Bellomo, um deles é a cirurgia, que possui efetividade. Mas existe apenas uma que o especialista recomenda. “A única cirurgia que eu recomendo é quando a pessoa não consegue respirar pelo nariz. Se ela não respira pelo nariz, acaba abrindo a boca que potencializa o ronco e a apneia. Existe outra cirurgia que remove a úvula, popularmente conhecida como campainha, que fica no final do céu da boca. Ela é empurrada pela língua quando a pessoa dorme. Sua retirada possui baixa efetividade, pois, apesar de o paciente deixar de roncar, a língua continua indo para a garganta.”

Quem não quer passar por cirurgias pode optar por dois tratamentos. Um deles é o aparelho de pressão de ar positiva (CPAP). Ele é um compressor que injeta ar pelo nariz e boca, desobstruindo a faringe e forçando o ar chegar aos pulmões. De acordo com Bellomo, a efetividade do aparelho vai depender do paciente. “O aparelho impede esses males. Mas é efetivo desde que o paciente se adapte a dormir com a máscara.”

Apesar de não ser muito popular, o aparelho intraoral é outra alternativa efetiva no combate ao ronco e a apneia. Trata-se de duas lâminas com resina especial que se encaixam nas duas arcadas dentárias. “Ele projeta a mandíbula para frente. Como a língua é fixa na mandíbula, ela consequentemente vem para frente, junto com a mandíbula. Ou seja, o aparelho joga a língua para dentro da boca, não deixando ir para a faringe, o que permite a passagem do ar.” - explica Bellomo, que acrescenta: “Esse tratamento possui efetividade em média de 90 a 95% para o ronco, e 76% para apneia.”

O aparelho é feito por dentistas e possui inúmeras vantagens em relação aos demais tratamentos. “O primeiro é que não depende de eletricidade. Além disso, é portátil, isto é, põe em uma caixinha e a pessoa pode levar consigo. É reversível, ou seja, não é como a cirurgia que se faz e não pode voltar atrás.” - finaliza o especialista.

Fonte: Viva Bem.

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Tyson em cada um de nós...

Para quem acredita em Deus, refletir sobre as próprias evoluções diárias torna-se um exercício obrigatório. Quando observamos este desenvolvimento positivo em personalidades famosas, sentimo-nos gratificados, pois elas representam uma espécie de exemplo a ser seguido.


Mike Tyson, ex-lutador de boxe profissional, ídolo de várias gerações fãs do esporte, tem demonstrado que é possível modificar sua forma de viver, promovendo crescimento pessoal.

Em 2005, depois de perder para o anônimo Kevin Mcbride, Tyson reconheceu publicamente ser usuário de drogas e, algum tempo depois, internou-se num centro de reabilitação. Não encontrando forças para fomentar mudanças efetivas na sua vida, costumava repetir as mesmas atitudes equivocadas, marcadas normalmente pela impulsividade e pela influência das pessoas superficiais com quem se relacionava. Era um momento delicado, pois se encontrava inerte, sozinho e estigmatizado.

Em 2009, o trágico falecimento da filha Exodus - que se enforcou acidentalmente numa esteira de ginástica – fez o pugilista buscar um novo caminho para sua vida: refletiu sobre seu comportamento e passou a escutar mais cautelosamente os sons do próprio íntimo. Deu-se conta que precisava crescer dentro da alma, não fora dela.

A partir de então, casou-se com uma moça religiosa e, com o apoio da mulher, sentiu-se encorajado pela solidez emocional recebida, abandonando as drogas, mudando a alimentação (emagreceu 45 kg) e tornou-se um pai mais presente junto aos outros filhos. O indivíduo que priorizava itens materiais agora reúne sua sensibilidade, não tanto em torno de versos poéticos bem rimados, mas em torno da essência poética que deve existir no ser tolerante, humilde e atento à base familiar.

Hoje, aos 46 anos, tendo o mesmo peso que só alcançou em sua adolescência, Tyson revela-se um homem transformado. Resultado da boa metamorfose brotada de si mesmo. Surpreendente pela versatilidade de ator humorístico no criativo filme Se beber não case. Capaz de dirimir suas imperfeições e realizar por si mesmo o abastecimento interior com novos elementos que fortaleçam seus alicerces morais.

O lutador que dá o exemplo de como somos capazes de nos reinventar, basta buscarmos no íntimo o equilíbrio, a calma e a sinceridade dos nossos atos, diariamente. O autêntico campeão, no convívio com as diferenças coletivas, na permanente luta consigo mesmo, passando a ensinar e aprender o verdadeiro sentido da palavra renovação.

Por: Márcio Andrade.

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domingo, 2 de dezembro de 2012

Apagão cibernético

Era uma noite sem Lua, que deveria estar disputando o dia com o Sol no céu do outro lado da Terra. Repentinamente uma chuva de meteoritos inundou o escuro de claridade, estranhamente surgidos de vários pontos aparentemente fixos além da atmosfera.


Tentei ligar para alguns amigos com a intenção de verificar se tinham visto a mesma coisa, mas não tive sucesso, pois o aparelho celular estava "sem serviço". Busquei esta comunicação através da Internet, mas também estava "fora do ar". A televisão que estava ligada até um pouco antes da chuva de meteoritos estava com todos os canais fora do ar, uma tela azul era o máximo que se conseguia.

Tudo bem! Vamos ao telefone convencional, mas também não funcionava.

As rádios ainda estavam no ar e ficou-se sabendo que estes problemas estavam ocorrendo até onde as ondas conseguiam chegar. Nada de facebook, nada de e-mail ou qualquer outra fonte de comunicação pela Internet.

O ciberespaço tinha simplesmente apagado! A chuva de meteoritos era nada mais nada menos do que satélites de comunicação e todos os demais explodindo em cadeia.

Até o dia seguinte, com apenas notícias das rádios locais e por informações de pessoas que se deslocaram para nossa cidade, ficamos à deriva das informações tão costumeiras e que já faziam parte do nosso cotidiano.

O mundo estava desconectado; uma desplanetarização tomou conta de nosso pequeno universo planetário; por vários dias, a comunicação era limitada ao nosso pequeno pedaço de terra, mesmo as rádios começaram a falhar; os jornais circulavam com notícias locais; o sistema financeiro entrou em colapso, sem a possibilidade de operações on-line ninguém podia acessar contas, pagar, receber, transferir dinheiro e o que mais se tentasse fazer.

As atividades do crime organizado dentro dos presídios cessaram, pois, sem celulares operantes, não mais tinham comunicação com os parceiros de fora e os incêndios de ônibus, ataque a órgãos públicos e outras bandidagens também cessaram.

A partir daquele dia, não ouvimos mais a Voz do Brasil, não ficamos sabendo se o Bruno havia sido condenado, ignorávamos o resultado final do julgamento do Mensalão, não tínhamos notícia da guerra entre israelenses e palestinos e ficamos sem ver o último capítulo da novela das 8h...

Foram retirados os telégrafos do Museu Ferroviário e alguns telegrafistas de suas aposentadorias, algumas redes telegráficas começaram a ser construídas.

O caos estava instalado e o mundo enfrentava uma crise sem precedentes... um novo estouro e mais um clarão e eu... acordei do pesadelo, relâmpagos enfeitavam a noite, uma chuva rápida estava amainando e rapidamente as nuvens desapareceram e um céu sem Lua permitia que se visse com mais nitidez as estrelas.

Felizmente, tudo aquilo não passou de um pesadelo. Fiquei, então, contemplando o céu estrelado, neste momento... uma chuva de meteoritos... agora estava acordado!

Por: Neiff Satte Alam.

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sábado, 1 de dezembro de 2012

Negado pedido de retirada de frase religiosa das notas de real

A Justiça negou no último dia 29, o pedido para retirar a expressão "Deus seja louvado" das cédulas do real feito pelo Ministério Público Federal de São Paulo. Segundo a decisão judicial, a menção a Deus nas notas do real "não parece ser um direcionamento estatal na vida do indivíduo que o obrigue a adotar ou não determinada crença", afirma a decisão sobre a ação. "Assim como também não são os feriados religiosos e outras tantas manifestações aceitas neste sentido, como o nome de cidades". A decisão da 7ª Vara da Justiça Federal é provisória, podendo ser modificada.


No início de novembro, o Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública para pedir que as novas cédulas de real passassem a ser impressas sem a expressão "Deus seja louvado". O pedido, feito pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, afirma que a existência da frase nas notas fere os princípios de laicidade do Estado e de liberdade religiosa.

O Banco Central defende que este tema deve ser debatido pelo Conselho Monetário Nacional e que há "inexistência de verossimilhança das alegações e [...] que estas não violam os princípios constitucionais do Estado Laico e da liberdade religiosa".

"Após tantos anos de utilização da expressão 'Deus seja louvado' nas cédulas do meio circulante nacional, pode-se dizer que o povo brasileiro já se acostumou a tal expressão. [...] Acreditamos que, considerando-se o costume e a religiosidade do povo, se a expressão for retirada, haverá uma quantidade de reclamações superior à quantidade que atualmente chega ao Banco Central com manifestação contrária a sua presença", afirmou o BC em ofício de fevereiro desta ano.

Os custos de divulgação de uma possível alteração nas cédulas podem chegar a R$ 12 milhões, estima o BC. Qualquer mudança na nota do real deve ser amplamente informada à população para evitar fraudes.

O pedido de retirada da expressão causou polêmica sobre a possível alteração das notas de real. Um dos críticos foi o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que foi responsável por incluir a frase nas cédulas da moeda brasileira quando foi presidente da República, em 1986. Sarney classificou a ação como "falta do que fazer" do Ministério Público. A Igreja Católica também criticou a ação.

"De fato, não foi consultada nenhuma instituição laica ou religiosa não cristã que manifestasse indignação perante as inscrições da cédula e não há notícia de nenhuma outra representação perante o Ministério Público neste sentido", reconhece a decisão da 7ª Vara sobre a questão. "A alegação de afronta à liberdade religiosa não veio acompanhada de dados concretos, colhidos junto à sociedade, que denotassem um incômodo com a expressão 'Deus' no papel-moeda."



Por Folhapress

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A verdade sobre o aquecimento global

Já experimentou a sensação de entrar em um carro que ficou muito tempo exposto ao sol? O calor que se sente é resultado do “efeito estufa” dentro do veículo. O calor entra, mas não pode sair e, assim, o interior do automóvel fica aquecido. Nosso planeta está sujeito a mesma lei da física e graças aos gases de efeito estufa (que promovem a retenção do calor), podemos viver!


A falta de vapor de água e gases de estufa e até mesmo da própria atmosfera, leva outros planetas a terem diferenças de temperatura de 200 graus Celsius das áreas expostas ao sol para as áreas de sombra. Assim, o dia é escaldante e a noite gélida, sendo a vida impossível.

O aquecimento global possibilita extremos mais próximos e homogeneização das temperaturas, sendo condição fundamental para a manutenção da vida. O problema que se vive hoje é que, o ideal projetado de concentração de CO2 na atmosfera para a manutenção da vida é da ordem de 250 a 280 ppm (partes por milhão) - níveis verificados antes da revolução industrial.

A revolução industrial nos ensinou, entre outras coisas, a obter energia pela queima de combustíveis fósseis e em pouco mais de cem anos a concentração de CO2e na atmosfera passou para 390 ppm. Estima-se que a partir da concentração de 450 ppm existe o risco de entrarmos em um ciclo irreversível, chamado de “feedback positivo”.

Nele o aumento de temperatura impede que mares e florestas absorvam CO2 da atmosfera, consequentemente, a temperatura aumenta, o que leva a dificuldade maior da natureza sequestrar o carbono e assim por diante.

O assunto é de extrema urgência. Desde o estabelecimento da UNFCCC e do Protocolo de Quioto - criados internacionalmente para combater o aquecimento global, as emissões de gases de efeito estufa não diminuíram. As previsões do IPCC são de que as emissões médias do planeta durante esse centenário, não sejam superiores a 18 GToneladas ano a ano. As emissões atuais são superiores a 40 Gtoneladas. Esse é o tamanho do desafio que os negociadores enfrentam ano a ano na Conferência das Partes.

Para piorar, o efeito não é sentido uniforme ou regularmente. Ao contrário de colocar o dedo na tomada, onde facilmente aprende-se a lição, nas questões climáticas, quando se sente o choque pode não haver mais tempo para reagir.

Fato é que o mundo não vai acabar. A decisão que devemos tomar é se queremos aprender com nossos próprios erros e agir racionalmente para aumentar nossas chances como espécie de sobreviver ou se vamos lançar à sorte nossa própria existência e continuar negando os fatos.

Por: Felipe Bottini.

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domingo, 25 de novembro de 2012

Canetas a laser apontadas para o céu podem causar graves acidentes

Durante a noite, o comandante do Batalhão de Aviação Operacional (Bavop) da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), tenente-coronel Mário Ramos, sobrevoa o DF em busca de luzes verdes apontadas para o céu. Os pontos encontrados, muitas vezes vários, vêm de canetas de raio laser utilizadas como brincadeira para apontar aeronaves. A atividade, que pode parecer inofensiva, é crime previsto no Código Penal. Quando as luzes atingem as cabines, podem causar perda de visão temporária do piloto e graves acidentes.


O Distrito Federal não é um caso isolado. Em 2012, até a última sexta-feira (23), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) registrou 1.624 casos em todo o país, o que representa pouco mais de seis vezes o número registrado no ano passado (250). Os campeões de notificação são o Aeroporto Internacional de Brasília - Presidente Juscelino Kubitschek, Aeroporto Internacional de Viracopos/Campinas (SP) e Aeroporto de Belo Horizonte - Pampulha/Carlos Drummond de Andrade (MG) - todos com o mesmo número de casos relatados, 107.

Os relatos partem de todos os estados brasileiros. Até agora, Sergipe é o que registra menos ocorrências (1). O próprio comandante do Bavop foi vítima de uma dessas luzes. "Estava em um helicóptero. Essa é a vantagem, podemos girar 360 graus. Desviamos da luz e conseguimos aterrissar e fazer o flagrante." O comandante conta que, este ano, foram dois flagrantes, ambos com menores de idade.

De acordo com a PMDF, a maioria dos casos de flagrantes é formada por menores que brincam com as canetas, mas há também maiores de idade que ignoram os riscos de apontar o equipamento para aeronaves.

Segundo os relatos ao Cenipa, as consequências vão desde distração (782 casos) até cegueira temporária (46 casos). A maioria (942) ocorre durante a aproximação final, quando a aeronave está a cerca de 500 metros do chão. "É a fase de maior carga de trabalho do piloto. Mesmo que o laser não cause perda de visão, pode levar à distração e fazer com que o piloto deixe de executar alguma parte da sequência de pouso, algum item da operação. Isso pode levar à perda de controle da aeronave", explica o investigador do Cenipa, major aviador Marcio Vieira de Mattos.

Para o investigador o aumento das notificações se deve a alterações no preenchimento do formulário online, agora mais simples, e à facilidade de adquirir canetas de raio laser. Elas podem ter a luz vermelha ou verde, sendo esta a mais potente, cerca de 60 vezes mais que a vermelha. Uma caneta de luz verde pode ser adquirida pela internet por valores entre R$ 20 e R$ 400, conforme a sofisticação e potência. O professor Sebastião Willian, físico especialista em ótica da Universidade de Brasília (UnB), explica que a potência de uma caneta é cerca de 0,5 milivolt (mV). Mas são encontradas no mercado online equipamentos de 500 mV.

"As canetas nada mais são que 'luz concentrada' em apenas um ponto. Isso as torna mais potentes. Quando voltadas para pontos distantes, para o céu, esse foco tende a se dissipar, transformando-se em um clarão. É isso que chega aos pilotos", diz o professor.

Os aviões comerciais são constantes alvos. O secretário de Segurança de Voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, comandante Carlos Camacho, recomenda que, caso isso aconteça durante qualquer fase da operação, os pilotos se revezem. Um deles deve abaixar a cabeça para não sofrer nenhum tipo de ofuscamento e assumir o comando caso a visão do outro seja prejudicada. Em hipótese alguma deve-se olhar diretamente para a luz.

O comandante Camacho reforça que "o grande problema das canetas é a venda indiscriminada. A maioria é importada e entra no Brasil sem nenhuma regulamentação específica."

Até agora, no Brasil, não há relatos de acidentes. A prática, no entanto, é criminosa. O Artigo 261 do Código Penal Brasileiro prevê sanções para quem expor a perigo ou praticar qualquer ato que possa impedir ou dificultar a navegação aérea. Se houver consequências mais graves que causem danos ou lesões, o autor pode ser condenado de dois a cinco anos de reclusão.

Fonte: Agência Brasil.

sábado, 24 de novembro de 2012

Digam o que disserem

Há um discurso retrógrado e cansativo, que imagino seja comum a outras cidades. Um ranço de criticar o passado, em vez de construir o futuro. Mania persistente de diminuir o que outros fizeram, sem valorizar as obras existentes, sinal comprovado do seu trabalho.


Insistência em procurar erros, malfeitos, cavoucando em jornais amarelados pelo tempo, atrás de notícias que provem que aquela gente não prestou, era vil e mercenária, só pensava em si e nos seus, embora suas obras aí permaneçam, confirmando o oposto.

E em quanto do que se lê, tanto nos jornais como nos livros publicados, é possível crer? Quanto se esconde nas entrelinhas? Quanto veneno precisa destilar o autor do texto, para se sentir melhor em sua pequenez ou pretensa sabedoria? Qual a isenção e liberdade de pensamento daquele que externa suas ideias, julgando-se dono da verdade? Por outro lado, quantos acontecimentos jamais chegam ao conhecimento do público, para não suscitar melindres ou atrapalhar projetos futuros?

Quando até a história mundial começa a ser reescrita e o que se soube ontem hoje se descobre que não foi bem assim, é natural colocar ressalvas em muito do que nos querem passar como certo.

"Quem conta um conto, aumenta um ponto", aprende-se em criança. Naquele tempo, sentados lado a lado, um passava para o outro, - em voz baixa, de forma que ninguém mais ouvisse - uma frase qualquer. E a frase, repetida, passava de boca em boca, até chegar ao final da fila e ser dita em voz alta, despertando risadas, por estar completamente modificada.

Muitas notícias alardeadas agora parecem repetir a brincadeira infantil. Fatos dos quais participamos ou temos pleno conhecimento ganham novas versões, conforme paixões, despeitos e desavenças de quem os relata. Cada um tem o seu ponto de vista, a maneira de ver o fato e a verdade, muitas vezes, vale menos que a versão, dependendo de quem a defende. Ou assume viés de certeza, logo de cara, se combina com a nossa maneira de pensar. "Ele escreve tão bem", falamos, quando o cronista diz tudo que desejávamos ouvir.

A história é contada pelos vencedores; muda, inclusive, conforme quem está no poder. Ou é sonegada ao público, quando a divulgação não atende os interesses de quem deveria divulgá-la.

E a história precisa ser compreendida em seu contexto, na época, no local em que aconteceu, de acordo com a mentalidade das pessoas daquele período; não pode ser julgada por quem não estava lá.

Agora, porém, com a facilidade de acesso a publicações, ela é contada por qualquer um que se disponha a se manifestar, aproveitando o espaço concedido e muitas vezes usufruindo do anonimato ou citando fatos sem citar nomes, de forma a não dar a ninguém o direito de se defender, se não quiser enfiar a carapuça. E se defender para quê, se o que importa é o que cada um sabe de si?

Mas, acima das palavras proferidas ou escritas, da história forjada, atendendo a interesses, permanecem as obras, o que de palpável e visível alguém deixou, para o bem dos que vieram depois. E essa é a história que fica.

Por: Marta Fernandes de Sousa Costa.

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