sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Um Judiciário independente

Diante de representes dos três poderes, Ministério Público, entidades de classe e artistas brasileiros, o pronunciamento de posse do ministro Joaquim Barbosa, no Supremo Tribunal Federal, na última quinta-feira, reafirmou a importância da independência do Poder Judiciário, livre de ingerências políticas ou de qualquer outra natureza. Afinal, cresce o interesse do cidadão na atuação da Justiça, mais especificamente do Supremo, embalado no julgamento dos réus do mensalão. O momento serve para que o Judiciário, um dos poderes estruturais da democracia brasileira, venha a se conhecer.


O descumprimento de qualquer direito, independentemente de sua magnitude, implica uma atuação com os mesmos valores éticos aplicados às grandes causas. A função julgadora, pulverizada pela atuação dos magistrados, organizados em ramos, em áreas territoriais e em instâncias, tem um alcance didático para o dinâmico convívio social.

No pequeno mundo das relações pessoais, dos negócios e até mesmo no âmbito da família, as decisões têm como consequência a transformação da sociedade, alterando, em muito, os seus costumes. Em incontáveis aspectos, a nossa sociedade mudou. A dialética interpretação da norma pelos juízes brasileiros atualiza a legislação na velocidade exigida pelas circunstâncias do desenvolvimento das relações.

No que se refere à responsabilização dos administradores públicos, não poupou o Judiciário, em suas sentenças, sanções moralizadoras. A família mudou a sua configuração e, no âmbito das relações trabalhistas, enaltece-se – como nunca – a dignidade da pessoa. A compreensão da complexa atividade julgadora impõe a preservação das prerrogativas e dos deveres dos magistrados. As prerrogativas são indisponíveis e outorgadas em favor do cidadão e é em nome dele que devem ser exercidas de forma inflexível. Por outro lado, os deveres previstos na mesma legislação impõem renúncias pessoais.

A independência do Poder Judiciário, conforme frisou o ministro Barbosa em seu sucinto e direto pronunciamento, tem por pressuposto um sistema de garantias da magistratura brasileira: vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. O amadurecimento das instituições e da democracia contempla cada vez mais a necessidade do fortalecimento da magistratura, que vem a ser o próprio Poder Judiciário. Assim, não pode ser admitido, em hipótese alguma, qualquer abalo a tais garantias em nenhum de seus aspectos, sejam técnico-filosóficos ou materiais.

Por: Maria Helena Mallmann

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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Nascemos para sermos felizes

Mais do que profissionais talentosos, as organizações precisam de pessoas felizes e de bem com a vida. Há dois tipos de felicidade – a condicionada e a livre. A felicidade condicionada é insaciável, porque depende de fatores externos. Nós condicionamos que determinadas coisas são felicidade e outras infelicidade. Já a felicidade livre ou plena é a felicidade original de um bebê. É o software que vem embutido em nosso hardware. Está no coração. Está disponível e sempre esteve ali, é só acioná-la. Não se precisa correr atrás dela.


A felicidade de viver ou plenitude, só pode ser vivida no aqui e agora. Não no futuro, não no passado. Quando vivemos no momento presente a felicidade é plena. A felicidade não é o que você faz ou fez. É o seu estado de espírito. Conforme canta Roberto Carlos, “Quando eu estou aqui, eu vivo este momento lindo.“ Desfrute mais da vida, não espere para ser feliz.

Tudo é dinâmico, tudo é mudança. Não vivemos uma vida linear, vivemos ciclos onde tudo começa e termina. A natureza é cíclica, o ser humano é alternadamente feliz e infeliz.

Temos que aprender a não ter expectativas, isso é sabedoria. Tenho que ter felicidade independente do que os outros falam ou dizem. Não são as pessoas que nos irritam, somos nós que nos irritamos com as pessoas. Se eu estiver preso a uma expectativa, certamente eu estou preso a uma armadilha. Se o cônjuge, o colega ou chefe é um problema, ele tem de mudar ou você tem de mudar. Você não tem o poder de mudar ninguém. Eles vão mudar se quiserem, consequentemente você precisa mudar a si mesmo.

Temos que ser assertivos, sem deixar de amar as pessoas. Nós não somos separados. Tudo que fazemos de bom para as outras pessoas fazemos para nós mesmos, portanto, beneficie as pessoas à sua volta. Não queira mudar as pessoas, aceite elas como são. Ninguém é dono de ninguém. Você só pode ter atitude frente ao que acontece, mas você não tem controle sobre o que acontece. Você quer ter razão ou ser feliz?


Por: Soeli de Oliveira.

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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Não é um bom começo

Velhos manuais de marketing, escritos antes mesmo de o termo virar moda, apregoavam que a venda começa quando o cliente diz não. Sem a negativa, o nome para essa troca de valores por objetos e/ou serviços seria, no máximo, compra. Venda, jamais. Ao final, o resultado pode até ser parecido. Porém, apenas no sim, ambos saem perdendo: cliente sem chance de barganhar ou conhecer outras opções, ao vendedor é sonegada a oportunidade de aprimorar-se com vistas para a próxima transação.


Acontece algo muito parecido dentro dos nossos lares. Educar um filho começa tão somente quando os pais dizem não. Sem a negativa, o nome para essa troca de afetos pode ser qualquer um que se resolva dar: liberdade, direito, prêmio. Para piorar, o resultado também pode soar parecido. Porém, ambos saem da interação sem nenhum aprendizado: à criança é sonegada a chance de lidar desde tenra idade com a noção de limite, enquanto os pais perdem a oportunidade de transmitir valores.

É sempre junto ao universo daquilo que não podemos que estará contido o que podemos; junto do que não devemos que estará o que devemos; do que não precisamos aquilo que precisamos. Tão necessárias quanto as possibilidades são as impossibilidades. Talvez até mais. São os limites que nos moldam e, mesmo para rompê-los, é preciso reconhecer sua existência – ultrapassar o quê, se nada me baliza?

Apesar de sua fama negativa, por assim dizer, o não é a palavra que mais protege. É o termo preferido de nossa consciência, ela que existe para discernir entre o certo e o errado. O não, assim como a dor, são heróis incompreendidos que nos salvam de nós mesmos. O sim, tão belo (tão necessário), desconhece o perigo. Nunca mede as consequências de seu poder.

Tenho filhos e amo seus sorrisos diante dos meus sins. Contudo, sem o interdito firme e repetido, o aprendizado deixaria de acontecer. E, sem ele (sem a transmissão de valores), sei que terão dúvida na hora de dizer não ao que a vida oferece – vendedora às vezes inescrupulosa. Uns ficarão sem conhecer todas as opções, a outra sem a necessidade de aprimorar-se.

Por: Rubem Penz.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O "grito" que Tiradentes não deu

Eu nunca votei em ninguém pela simples razão de que jamais tive notícia de que algum candidato a cargo eletivo tivesse sido sabatinado com o objetivo de demonstrar, através de um teste, se realmente possui um mínimo de conhecimentos básicos - a meu juízo indispensáveis - para o exercício do mandato a que pleiteia.


Também me leva a isso, o fato de não ser exigida escolaridade mínima para concorrer em uma eleição. Essa facilidade para chegar ao poder beira às raias da irresponsabilidade, posto que abre espaço para que verdadeiras "toupeiras humanas", levadas pelo populismo demagógico, passem a exercer importantes cargos que influenciam na vida dos cidadãos, colocando em risco o bem-estar social, pelo instituto de leis absurdas propostas e aprovadas, não raro, por indivíduos sem um mínimo de capacidade para administrar, sequer, a própria família.

Nem seria preciso citar exemplos de gente despreparada exercendo mandato nos descaminhos do poder, uma vez que essas "amebas eletivas" aparecem todos os dias, no rádio, na televisão e nos palanques, proferindo discursos longos crivados de despautérios capazes de corar até uma criança do Jardim da Infância. Mas, "para não dizer que não falei de flores", vou me reportar aqui ao disparate dito pela prefeita de Ribeirão Preto-SP, Dárcy Vera, na Parada Cívica de 7 de Setembro daquela cidade. Falando a uma emissora local, a prefeita - reeleita na última eleição com 51% dos votos válidos - disse com todas as letras que deveria ser lembrado, também, naquele momento cívico, o herói Tiradentes, que deu o grito de "Independência ou morte". Talvez o Mártir da Inconfidência Mineira até tenha dito isso e a gente nem sabia, vindo a ser vítima de um plágio, poucos anos depois, por parte de dom Pedro I.

Se Tiradentes falou isso, teve bem menos sorte do que aquele que mais tarde repetiria a expressão às margens do Riacho Ipiranga.

No caso do chefe inconfidente, a Coroa Portuguesa optou pela segunda alternativa (morte) e mandou enforcar o autor da frase. Já em relação ao imperador, o poder monarca colonizador foi bem mais generoso, optando pela primeira hipótese (Independência), propiciando assim ao "don Juan tupiniquim" da marquesa de Santos uma emancipação política mansa, pacífica e sem o estampido de um único tiro. A asneira da prefeita está contida em um vídeo postado no Youtube.

Por: Lino Tavares.

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domingo, 18 de novembro de 2012

A importância dos alimentos antioxidantes

Especialistas estudam há muitos anos a importância dos alimentos antioxidantes na prevenção de doenças. As pesquisas têm demonstrado os benefícios que os antioxidantes promovem nas questões cardiovasculares, no processo do envelhecimento e numerosos tipos de câncer.


Estes alimentos têm a função de combater os radicais livres, que atingem o organismo. Os radicais livres podem se instalar no organismo através de processos exógenos e endógenos, como, por exemplo, via poluição, fumo, álcool e nutrição inadequada e imprópria. Aí reside a importância dos alimentos antioxidantes para combater estes inimigos. Por isso os antioxidantes não podem faltar à mesa. Citam-se alguns desses importantes e salutares alimentos: suco de uva integral, que é fonte de resveratrol, poderoso antioxidante existente na casca da uva. Este alimento tem o poder de varrer os radicais livres do organismo. Sua ingestão auxilia e impede a oxidação das gorduras e a formação plaquetária, ajudando na prevenção de doenças do coração.

O tomate é rico em licopeno e contém vitamina A. Combate o desenvolvimento do câncer na próstata, estômago e pulmão. O cacau é encontrado no chocolate amargo. Nele estão os polifenóis, extremamente salutares para o coração e a circulação. A cenoura contém betacaroteno, atuando e procrastinando o envelhecimento precoce da pessoa. A linhaça, é um repositório de ômega 3, tem ação vaso dilatadora e evita a formação plaquetária prevenindo desta forma doenças cardiovasculares.

As frutas cítricas (limão, laranja, abacaxi, tangerina e outras), ricas em vitaminas C e como poderoso inibidor do envelhecimento precoce. Já, o chá verde atua na prevenção de danos celulares evitando o aparecimento de tumores. Ainda, nesta direção nominam-se as oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, etc.) e óleo de coco.

Seria impossível deixar de nominar cinco alimentos de fundamental importância à saúde do ser humano. A pimenta preta, recomendada para as pessoas que sofrem excesso de gases, eis que acelera o metabolismo e favorece a digestão. O uso diário deve ser limitado. O manjericão é indispensável na mesa de refeição, eis que é rico em ferro, cálcio, potássio e vitamina C, além de possuir flavonóides que protegem as células e combatem os radicais livres.

O arroz preto é também rico em ferro, vitamina E, C, complexo B e proteínas. A fibra que o arroz preto contém faz a absorção do colesterol e com isso protege o intestino.

A pimenta chili, é rica em vitamina C, e tem o condão de reduzir o apetite, eis que além da vitamina C oferece magnésio, ferro e aminoácido ao organismo. É um alimento extraordinário. O ácido fólico e o betacaroteno também se fazem presentes na pimenta chili. Combate a enxaqueca, porquanto libera endorfina que é um analgésico natural. Todavia, deve-se ter um cuidado muito grande para não ingerir em excesso.

A fruta damasco, da mesma forma possui betacaroteno e auxilia a visão e eleva a imunidade do organismo. Para aqueles que não sabem o damasco é rico em cálcio, magnésio, potássio, ferro, vitaminas B1, B5 e C. Além de tudo isso é laxante e diurético.

Conhecer estes alimentos significa incluí-los nos nossos cardápios diários.

Por Ana Maria Bueno.

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sábado, 17 de novembro de 2012

O futuro dos orelhões é a rede

Já está em teste na capital catarinense a nova utilidade dada aos telefones públicos, os populares orelhões, cada vez menos usados pela população.


As unidades controladas pela empresa Oi em Florianópolis oferecem desde o mês de outubro acesso à internet sem fio (Wi-Fi). As pessoas podem aproveitar o sinal em um raio de 70 metros.

Roteadores junto aos orelhões são os responsáveis por distribuir o sinal que pode ser captado por quem tem à mão tablets, smartphones, notebooks, entre outros equipamentos.

A novidade deve avançar nas próximas semanas e, ainda esse ano, chegar a 30 telefones públicos nas principais capitais do país. E até o fim do ano que vem, projeta a Oi, serão mil equipamentos novos com o serviço disponível.

A Vivo é outra empresa que já testa o modelo também em teste noutros países, como os Estados Unidos.

Se o telefone público era a realidade da comunicação para a maioria da população há alguns anos, hoje a internet ocupa esse papel. Dados do Target Group Index, do Ibope Media, mostram que a penetração da rede mundial junto à população passou de 24% entre 2002 e 2003 para 55% entre 2011 e 2012. Rompeu barreiras, avançou dentro das classes sociais e estabeleceu um novo jeito de relacionamento entre as pessoas.

Para se ter uma ideia dessa força, o Target Group Index identificou cerca de 28% dos moradores das principais capitais e regiões metropolitanas do Brasil que cultivam o hábito de assistir à TV enquanto acessam à internet.

Há uma mudança de hábito sendo fixada e mais da metade dos brasileiros já consome duas ou mais mídias ao mesmo tempo. Veem TV e leem jornal, escutam rádio e navegam pela internet. Outras modalidades usadas juntas.

A expansão da internet parece não ter limites e se ela passou a ser um serviço essencial à vida de todos, para o lazer ou o serviço, nada mais lógico do que disponibilizá-la no maior número de pontos possíveis, em locais públicos ou privados, abertos e fechados.

As próprias cidades devem se preocupar em oferecer o sinal aos seus moradores e a quem vem de fora, a trabalho ou como turista.

E nessa área os telefones públicos aparecem como uma boa alternativa aos municípios, afinal, os aparelhos estão espalhados por todos os bairros, aos milhares, dentro de escolas e bares, nos calçadões, na frente de órgãos públicos.

E se os testes acontecem nesse momento nas capitais, a aceitação pode levar as empresas a oferecer a ideia rapidamente a outras localidades. Entre as vantagens, as pessoas não teriam mais que procurar a oferta de Wi-Fi.

Bastaria encontrar um orelhão para usufruir da rede. No futuro a curto prazo, o aparelho que marcou gerações e perdeu seu lugar para o celular pode voltar a ter grande importância na vida das pessoas.

Por: DDP.

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Produtos “pirateados”

Quem não comprou ou, ao menos, não sentiu à tentação de comprar um CD ou um DVD “pirata”, cujo valor é significativamente inferior ao original?


Muitos alegam que a exposição comercial de tais produtos não pode ser tratada como crime, uma vez que a sociedade, como um todo, aceita esse tipo de comércio, ou seja, haveria ocorrido uma “adequação social” da conduta de vender ou expor à venda mídias ilegais!

Outros, ainda, alegam que essa prática comercial é mesmo justa, diante da carência de emprego sofrida pela população e do exagero dos valores impostos às mídias originais pelas produtoras e revendedoras. Todavia, não é esse o entendimento do nosso Superior Tribunal de Justiça (STJ)!

Com efeito, no recente decisum referente ao recurso especial nº 1.193.196-MG cuja decisão, frise-se, vem na mesma linha do que o Supremo Tribunal Federal já havia decidido no habeas corpus 98.898-SP, restou esclarecido que é típica, formal e materialmente, a conduta de expor à venda CDs e DVDs falsificados, prevista no artigo 184, parágrafo 2º, do Código Penal.

Consignou-se, ainda, que não é possível aplicar o princípio da adequação social à referida prática, considerando que ela não afasta a incidência da norma penal incriminadora de violação de direito autoral, além de caracterizar ofensa a direito constitucionalmente assegurado, ou seja, à proteção constitucional no sentido de que “aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar” (artigo 5º, XXVII, da CF).

Por outro lado, o fato de, muitas vezes, haver tolerância das autoridades públicas em relação a tal problemática não significa que a conduta irregular não seja mais tida como típica ou que haja exclusão de culpabilidade, razão pela qual, pelo menos até que advenha modificação legislativa, incide o tipo penal, mesmo porque o próprio Estado tutela o direito autoral.

Além disso, não se pode considerar socialmente tolerável uma conduta que cause sérios prejuízos à indústria fonográfica brasileira e aos comerciantes legalmente instituídos, bem como ao fisco pelo não pagamento de impostos.

Assim sedimentado, pois, o entendimento suso, de relatoria da celebrada ministra Maria Thereza de Assis Moura, cabe às autoridades públicas mostrarem-se atentas sobre o indigesto assunto “pirataria”.

Aliás, falando sobre a conduta de quem vende mídias falsificadas, vale lembrar que, além de ela ferir os bens jurídicos do autor tutelados constitucionalmente, como visto acima, também desautoriza a declaração de atipicidade à luz do princípio da adequação social, pois é sabido e consabido de todos que o crime de violação de direito autoral, hoje já bastante divulgado mediante a expressão "pirataria", justamente por ser de conhecimento público e notório, não mais abre espaço para absolvição sob o manto do desconhecimento da sua proibição legal, mas, apenas, em tese, pode permitir a redução de pena cabível em face do erro evitável (artigo 21, parágrafo único, do Código Penal).

Por tudo isso, alegar-se que o Direito Penal deve apenas penalizar as condutas mais graves e perigosas as quais lesem bens jurídicos de maior relevância da nossa sociedade, não se aplica aos casos de mídias ilegais, isso porque a intervenção estatal pode e deve ser mínima apenas quando os demais ramos do Direito forem suficientes para proteger os bens jurídicos em conflito, isto é, quando outras formas de sanção ou controle social mostrarem-se eficazes para a tutela dos nossos bens jurídicos, o que não está parecendo ser o caso!

Por: Roger Spode Brutti.

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A China acordou. O Brasil, não

Brasil e China são opostos não apenas geograficamente. Quando se trata de valorizar a indústria nacional, estas nações são também muito distintas. Abrigando mais de 1,3 bilhão de habitantes, aproximadamente um sétimo da população do planeta, a China tornou-se uma das economias de mais rápido crescimento no mundo, além de segundo maior exportador e terceiro maior importador de mercadorias. O processo de industrialização deste que é o maior país da Ásia Oriental reduziu sua taxa de pobreza de 53% em 1981 para 8% em 2001, daí a condição de superpotência emergente.


No lado oposto, o Brasil, país com dimensões continentais, o maior da América Latina, com 192 milhões de habitantes, mas que ainda patina com discussões e medidas pontuais, como a desoneração da folha de pagamentos e a redução de juros, para reverter a ineficiência estrutural de sua competitividade. As reformas econômicas promovidas no decorrer dos anos concederam reconhecimento internacional ao país, mas a desigualdade social ainda é grande e seu parque produtivo vive um momento alarmante de desindustrialização.

O Brasil é o país que exporta cacau hoje para importar chocolate amanhã. Ainda assim, é visto como um país com grande potencial de desenvolvimento, embora navegue lentamente pelos mares do crescimento, tal qual um marinheiro que se gaba pela distância percorrida, mas esquece de olhar o longo trajeto que ainda deve percorrer até a praia.

Há 200 anos, Napoleão Bonaparte profetizou: “Deixem a China dormir porque, quando ela acordar, o mundo vai estremecer”. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial da economia, atrás apenas dos Estados Unidos. Verdade seja dita, muitos produtos comercializados atualmente têm partes, senão o todo, “made in China”. Quase como mágica, eles colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas e com preços bem abaixo dos praticados em qualquer outro lugar, inclusive no Brasil, onde são altíssimos os custos para se abrir uma empresa, investir em maquinário, mão de obra, matéria-prima, produzir e até vender.

Qual o segredo? Um operário brasileiro custa ao empregador três vezes mais que um chinês do outro lado do planeta. E com o acréscimo de impostos e benefícios, essa conta dobra. Os chineses trabalham muito e recebem pouco. É quase um regime de escravidão – a face cruel de seu socialismo. E o mundo, inclusive o Brasil, alimenta este sistema, importando mercadoria e incentivando a produção chinesa em larga escala. Esta é a estratégia que eles utilizam para ganhar o mercado ocidental: preços absurdamente baixos, produtos por vezes com qualidade duvidosa e trabalhadores subjugados. O futuro? A China será o único parque industrial do mundo e os demais países, incluindo o Brasil, ficarão à mercê desse monopólio.

Brasil e China são países igualmente extensos, possuem ideais semelhantes de crescimento, mas exibem caminhos tão opostos. Quem está equivocado? Ambos. Na China, o objetivo é chegar ao posto de maior potência mundial, colocando em risco, inclusive, a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida de seus habitantes. Mas um ponto a se admirar é o incentivo dado à produtividade nacional, detentora de alta tecnologia e desempenho.

Separando o joio do trigo, é preciso seguir parte deste exemplo, fomentando a indústria e incentivando a geração de empregos, mas sempre respeitando o trabalhador e o ambiente. Aqui faltam políticas sérias para reduzir o peso da carga tributária, o número de obrigações acessórias e a quantidade de encargos sociais e trabalhistas que tanto sobrecarregam as empresas que precisam lutar a cada dia para sobreviver neste ambiente tão hostil aos negócios e à produção. Nas condições atuais, não há como a indústria brasileira competir comercialmente com outra nação emergente, menos ainda com a China.

É notório que o excesso de burocracia, regras e tributos trava o desenvolvimento, pois faz aumentar o Custo Brasil e afasta investidores. Se a reforma tributária parece distante, por que não começar pelo que é viável? Dia desses o presidente do maior banco de investimentos da América Latina, o BTG Pactual, disse que o governo tem espaço para começar agora a cortar a carga tributária de todos os setores produtivos. Desonerar a produção nacional seria o primeiro grande passo do Brasil para colocar a indústria nacional em posição de igualdade para competir com as maiores potências mundiais.

É preciso agir e parar de colecionar ideias que podem perder o poder de ação antes mesmo de sair do papel. A luz de emergência já se acendeu e, se nada for feito, as sequelas ficarão cada vez mais difíceis de ser superadas.


Por: José Chapina Alcazar.

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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Exploração e tráfico internacional de pessoas

O tráfico de pessoas e prostituição internacional são temas que voltam aos holofotes com a novela Salve Jorge, da Rede Globo. Assunto ignorado pela maioria das pessoas, a temática abordada escancara uma modalidade criminosa que penaliza principalmente mulheres, que saem do Brasil para trabalhar e têm suas vidas privadas e viram escravas do sexo. Em um país que nem mesmo consegue controlar a incidência de trabalho escravo ou tráfico de crianças em seu território, a perplexidade desaparece diante da impunidade.


O tráfico de pessoas é a terceira prática criminosa mais rentável do Planeta, atrás apenas da exploração das drogas e comércio ilegal de armas. De acordo com dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), estima-se que essa modalidade criminosa movimente cerca de 32 bilhões de dólares. Ainda, conforme o Instituto Europeu para Controle e Prevenção do Crime, cerca de 500 mil pessoas, das quais 98% são mulheres para trabalhos sexuais, são traficadas de países pobres para o Continente Europeu. Dados da Pesquisa Nacional sobre Tráfico de Mulheres, Adolescentes e Crianças (Pestraf) contabiliza 110 rotas nacionais e 131 internacionais que facilitam e favorecem esse execrável crime. O país que recebe mais mulheres para a exploração sexual é a Espanha.

Para quem realiza esta exploração sexual, o proxenetismo, ato que consiste em obter benefícios econômicos da prostituição de outra pessoa, a atividade não apresenta muitos riscos. Já o lenocínio, que consiste em explorar o comércio carnal alheio, equivale à cafetinagem. O rufianismo consiste no fato de obter proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar. Em todos os casos, crimes previstos no código penal. Muitas mulheres que já se prostituem em seu país são incentivadas a fazer o mesmo em outras nações, com a promessa de ganhar mais e em moeda estrangeira.

As mulheres entram no país com vistos de turistas e a exploração sexual é disfarçada com ofertas de atividades profissionais como babás, garçonetes, dançarinas ou agenciamentos de modelos. Poucas são as mulheres que sabem os propósitos destes trabalhos e ficam em cárcere privado, sob permanente vigilância e tem seus passaportes retidos pelos aliciadores. No caso das crianças, que engloba meninas e meninos, o tráfico destina-se para fins de adoção ilegal, pornografia, comércio de órgãos, casamento precoce ou trabalho forçado.

As mulheres são forçadas a terem relações sexuais, sem recusar nenhum cliente. Trabalham por horas, induzidas a consumirem álcool e drogas. São desrespeitadas, sofrem preconceito e maus-tratos. Perdem suas referências. São fragilizadas emocionalmente e expostas a todos os tipos de doenças sexualmente transmissíveis. As mulheres ficam à mercê dos exploradores, pois, contraem dívidas exorbitantes. Sofrem ameaças se não pagarem e se veem cada vez mais aprisionadas à prostituição.

Esforços são feitos por órgãos de direitos humanos e da própria ONU para coibir tais práticas, mas é necessário muito mais. Ampliar a cooperação entre órgãos policiais de todos os países. Medidas que ultrapassem ações discretas e repressivas como orientação maciça à sociedade e comunidades marginalizadas. Traçar o mapa de lugares onde se concentram essas práticas de trabalho escravo e exploração sexual. Mobilizar a população sobre a calamidade que toma conta da vida de pessoas que são corrompidas e têm sua dignidade e liberdade esfaceladas.

Por:Breno Rosostolato.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Outro Rico

O dinheiro ilude. Somos seres-humanos pressionados a consumir não apenas diariamente, mas em qualquer situação. O sonho de muita gente (até de mim) é um dia ganhar na loteria milhões, para comprar uma mansão e carro importado. Entupir-se de roupas, calçados, joias, e claro, um camarote no estádio de futebol.


Resumindo: todo mundo quer ser rico, de dinheiro. E do quê mais?

Podemos ser ricos em conhecimento: ler bons livros, assistir bons filmes, estar por dentro das últimas notícias. Em humildade, ajudando o próximo, doando alimentos e roupas usadas a quem precisa, fazendo voluntariado em instituições de caridade. Rico em dignidade, sempre sendo honesto, sem nunca ter passado a perna nos outros, trapacear. Rico em amor, sendo simpático com todos ao redor, com um sorriso estampado no rosto e tratando bem as pessoas. E aí vai.

Estes ricos citados acima talvez não tenham grandes quantias em dinheiro, mas podem possuir características que não há valor que compre. Por exemplo, meses atrás, estava eu na praia observando os vendedores ambulantes: muitos humildes, vendendo um pouco de tudo para seu sustento e da família. Na hora vi que essas pessoas são muito batalhadoras. Elas devem ser muito mais admiradas, em sua simplicidade e força, ao invés de muita gente rica que está bem hoje porque aprontou com uns e outros, às vezes, muitos.

É óbvio que não estou generalizando. Muitas pessoas do dinheiro são inteligentíssimas e cultas, independente do ângulo e do ponto de vista de cada um, e acredito que essas conquistaram o que tem hoje com o suor da camisa, a vontade. E é esse o verdadeiro rico. Possui dentro de si todos aqueles tipos que falei antes. O dinheiro, é sua consequência, o prêmio de dedicação.

As cédulas não trazem felicidade, mas elas ajudam a construí-la. A pessoa que está bem financeiramente hoje, de forma honesta, está assim porque soube investir o que tem. Devemos continuar batalhando diariamente para conseguir dinheiro, pagar nossas dívidas, sustentar a nossa família e ir ver o time do coração – nem precisa o camarote, a arquibancada já dá para se divertir. Continue sonhando com a fortuna, só que ponha em primeiro lugar os “outros ricos” que eu sei que existe em cada um de nós. Digam-me a verdade: do que adianta todo o material no mundo quando não ter as outras riquezas dentro de si, que são a simplicidade, a felicidade, o bom coração?

Por Nathalia Maynart Cadó.

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