sexta-feira, 4 de junho de 2010

Epidemia silenciosa



Muitos pensam que os problemas relacionados ao padrão de beleza estão presentes apenas na população feminina. Mero engano. Ao verem filmes, propagandas e fotografias de homens “sarados”, fazendo tanto sucesso entre a população, inúmeros rapazes correm para as academias em busca de um corpo definido. Quanto mais os dias passam, maior é a pressa de criarem corpo. Aí adotam o método irregular e ilegal do uso de anabolizantes. Mais pra frente, porém, podem vir a sofrer sérias consequências.
As consequências do uso de esteroides podem ser diversas, pois cada organismo reage de uma maneira. No entanto, em muitos casos, os danos causados ao usuário podem ser irreversíveis, podendo levar até a morte. Os anabolizantes são hormônios sintéticos que estimulam o desenvolvimento de vários tecidos do corpo a partir do crescimento da célula e sua posterior divisão.
A cada ano o índice de homens que usam esteroides anabolizantes aumenta. Embora no Brasil não tenham sido feitos levantamentos capazes de quantificar o uso dos esteroides anabólicos, pode-se afirmar que o consumo cresce assustadoramente entre a população jovem. E isso acontece sem o menor controle das autoridades da saúde, porque não há no país uma regulamentação destinada a normatizar a venda desses medicamentos.
Os esteroides anabolizantes não são considerados drogas que induzem o uso de outras drogas ilícitas, ou seja, não constitui porta de entrada para uso de outras drogas. Porém, os usuários dessas drogas para fins estéticos chegam a utilizar de 10 a 100 vezes mais a dose médica recomendada e normalmente misturam dois ou mais diferentes anabolizantes, oral e/ou injetável e algumas vezes utilizam compostos veterinários.
Agem dessa forma porque acreditam que a mistura de vários compostos possa dar um efeito maior sobre os músculos. O preço a pagar no futuro é alto para quem ultrapassa cedo os limites do corpo na busca por ganho rápido de massa muscular, pois, os anabolizantes podem causar diversos efeitos colaterais indesejados, dentre os quais: calvície, impotência sexual, insônia, hipertensão arterial, esterilidade, dor de cabeça e problemas cardíacos. Existem alguns efeitos provocados que não são revertidos, pois as chances de reversão dependem do comprometimento de cada corpo.
Considerada por muitos, como sendo uma percepção caracterizada pelo que é agradável aos sentidos, seria justo falar que beleza resume-se apenas em aparência física? Não. Beleza é tudo aquilo que nos agrada. Uma cara bonita, um sorriso, um gesto gentil ou até mesmo uma simples palavra. Entretanto, devido ao conceito de beleza estar baseado na impossibilidade poucos observam a beleza nas pequenas coisas da vida.
Se os jovens praticarem atividade física regularmente e adotarem suplementos alimentares, sob orientação médica, na composição de uma dieta variada e equilibrada, certamente não faltarão nutrientes em seu organismo e os objetivos, que nesta faixa etária são prioritariamente estéticos, serão alcançados de forma natural e saudável.


Hully Segatti.

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Bebedeira, obsessão e depressão



Atualmente, uma das doenças sociais mais alarmantes é o alcoolismo. Ninguém pode negar que a cada dia a juventude começa a beber cada vez mais precoce. Iniciando nas pequenas reuniões sociais e se alastrando para quase todas as reuniões para em seguida frequentar restaurantes, bares e botequins.
Muitas pesquisas já foram efetuadas em torno do que poderíamos chamar de parte genética ou orgânica, de onde denominaríamos de hereditariedade que possa justificar o processo da doença do alcoolismo, mas nada fora detectado antes que o indivíduo já esteja comprometido com a doença, ou seja, inicialmente não existe nenhum fator que possa ser identificado em exames de laboratórios.
Durante o desenvolvimento deste artigo, buscarei levar ao leitor o que realmente acontece na tríade: alcoolismo-obsessão-depressão.
O alcoolismo é grave problema de natureza médica, psicológica e psiquiátrica que merece assistência urgente, como também se apresenta como terrível dano social, em face dos prejuízos orgânicos, emocionais e mentais que operam no indivíduo e no grupo social ao qual pertence.
Existem vários tipos de bebedores, uns se embriagam somente em ocasiões especiais, outros bebem todos os dias sem se embriagarem e existem aqueles que bebem diariamente para ficarem embriagados, dentre outros tipos menos específicos.
Os danos que decorrem desse hábito infeliz são incalculáveis para o indivíduo e para a sociedade, assim como os prejuízos de várias ordens, inclusive econômicos, para as organizações governamentais de saúde. A embriaguez é de duração breve no seu aspecto clínico. No entanto, pode evoluir, passando por três fases: excitação, depressão e coma. Na primeira, surge a euforia, como mecanismo de libertação de conflitos emocionais reprimidos durante a abstinência. É de duração breve, relativamente entre uma hora e meia e duas horas. A depressão ocorre a seguir ou pode surgir de maneira inesperada, de chofre. O dependente entrega-se ao desmazelo, ao abandono, movimenta-se trôpego, trêmulo, numa espécie de ataxia física e mental. Oscila entre a tristeza e a alegria, apresenta sudorese abundante, náuseas, vômitos, mal-estar físico e mental. Os sentidos físicos ficam afetados, os estados oníricos tornam-se tormentosos, as alucinações fazem-se frequentes.
Lentamente o paciente começa a sofrer perturbações intelectuais e de memória, embotamento dos sentidos e distúrbios de conduta. Além desses desequilíbrios, a face apresenta-se pálida e de expressão cansada, língua saburrosa, hepatomegalia, febre, facilidade para permitir-se infecções, como gripe, erisipela, pneumonia.
Sabemos que o alcoolismo é uma doença progressiva. Muitos que se iniciam no álcool o fazem para sair da timidez, para ficar mais desinibidos e fazer parte de sua “tribo”. Não podemos negar que, quando ingerimos algum tipo de bebida alcoólica, nos sentimos “leves”, descontraídos e “falantes”, mas somente o tempo vai nos provar que tudo não passa de ilusão, pois logo podemos estar sob o domínio daquele que ontem parecia “remédio”.
O álcool é uma substância que também impede a produção de serotonina – hormônio que controla o humor – no cérebro. Primeiro vem a sensação de euforia para logo em seguida vir os processos de depressão. Não se pode negar que existe uma herança ancestral para o alcoólico. Descendente de um viciado, ele apresenta tendência a seguir o hábito doentio. Igualmente há outros fatores orgânicos, como lesões nervosas, encefalopatias, traumatismos cranianos. Do ponto de vista psicológico, podemos ser assinalados como causas, os conflitos de qualquer natureza, especialmente sexuais, empurrando para o vício destruidor. A timidez, a instabilidade de sentimentos, o ciúme, o complexo de inferioridade, os transtornos masoquistas propelem para a ingestão de substâncias alcoólicas como fugas das situações embaraçosas. Algumas vezes, o álcool serve para apagar lembranças ou situações desagradáveis ou de encorajamento no enfrentamento de desafios que julga não estar apto a resolver.
O dependente alcoólico é portador de compromissos espirituais transatos muito grandes, à semelhança de outros enfermos. No caso específico, há um histórico anterior, em experiência passada, quando se entregou às dissipações, especialmente de natureza etílica, assumindo graves compromissos perturbadores com outros Espíritos, que lhe padeceram as injunções penosas e que o não perdoaram. Reencontrando-o, estimulam-no à antiga debilidade moral, a fim de o consumirem na alucinação, ao tempo em que também participam das suas libações, dando prosseguimento aos desaires que a ausência do corpo já não lhes permite.
À semelhança de outros vícios, estabelece-se um conúbio vampirizador por parte do desencarnado, que se torna hóspede dos equipamentos nervosos, via perispírito, terminando por conduzir o paciente ao delirium tremens, como resultado de insuficiência suprarrenálica, quando o organismo exaurido tomba sob situações de hipoglicemia e hiponatremia.
Noutras vezes, prosseguem na desforra, em razão do sentimento ambíguo de amor e ódio, no qual satisfazem-se com a inspiração dos vapores etílicos que o organismo do enfermo lhes proporciona e do ressentimento que conservam embutidos no desejo da vingança.
Finalmente, entorpecem-se, embriagam-se, pela absorção da substância danosa que o perispírito assimila, enlouquecendo, além do estado infeliz e depressivo em que se encontram. Nessa situação, tomam da escassa lucidez do hospedeiro psíquico e emocional, ampliando-lhe o quadro alucinatório e levando-o à prática de atos abjetos e mesmo de crimes hediondos.
A questão é tão grave e delicada que nem sequer a desencarnação do obsediado faz cessar o processo que, não raro, prossegue sob outros aspectos no Mundo Espiritual.
Assim, não é inverdade que, dificilmente, encontraremos um alcoolista que não esteja acompanhado de um irmão desencarnado – obsessão, sofrendo os processos depressivos em detrimento da infelicidade causada pela culpa e deficiências hormonais – causadas pela agressão do álcool nos neurônios que provocam interrupções ou acelerações das sinapses que regulam e estimulam todos os sistemas do corpo humano que buscam harmonia e não encontram - necessária ao equilíbrio do ser para enfrentamento dos desafios necessários à sua evolução enquanto aprisionados na matéria. O corpo humano é um universo que busca a harmonia de todos os órgãos e sistemas, portanto, ao danificarmos um órgão ou agredirmos um sistema, colocamos todo universo interno e externo em desarmonia.

José Geraldo Rabelo.

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Os valores dos brasileiros e brasileiras



Em 2003, quase ao final de uma reunião na periferia de Picos no Piauí sobre o Programa Fome Zero, uma senhora se levantou e disse: “Nós não precisamos de esmolas. Eu quero é trabalhar.” Essa fala incisiva levou a equipe nacional de educadores do Talher, expressão criada por Frei Betto, a enviar carta ao presidente Lula, falando sobre o sentimento e a esperança do povo trabalhador, especialmente o mais pobre e sofrido. O que se esperava era dignidade, o que se pedia era oportunidade de trabalhar.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) fez uma pesquisa sobre o Perfil dos Valores dos Brasileiros. O desenvolvimento passa a ser visto também pela ótica dos valores dos brasileiros. Saber o que brasileiros/as pensam e como querem agir tornou-se tão importante quanto detalhar os indicadores de educação numa cidade. Em consulta ampla e aberta à sociedade brasileira, meio milhão de pessoas disse o que precisa mudar no Brasil para suas vidas melhorarem de verdade.
Para os pesquisadores do Pnud, valor é a crença que influencia as pequenas decisões e as grandes escolhas. São necessários valores humanos, valores de vida e valores públicos para a promoção do desenvolvimento humano, para ter paz nas casas, na rua e esperança de futuro através de uma educação de qualidade. Entender os problemas levantados é o primeiro passo para pensar em como resolvê-los.
Segundo a pesquisa, em ordem decrescente os dez principais valores dos brasileiros são: bem-estar dos próximos – 8,8%; bem-estar da humanidade e da natureza – 8,5%; estabilidade social – 8,3%; autonomia, 8,2%; tradição, 8,1%; prazer, 8%; êxito pessoal, 7,2%; conformidade, 6,5%; vida estimulante, 6,1%; e poder, 5,3%.
Segundo a pesquisa, a responsabilidade de ensinar valores é, em primeiro lugar, da família – 43,1%, depois da escola - 24,3%, da religião - 14,5%, do governo - 11,25%, dos amigos - 4,55% e da mídia - 2,3%.
Os resultados mostram que o ’jeitinho brasileiro’ pode estar perdendo espaço para características como a honestidade e a lealdade. Para Flávio Comim, coordenador do relatório, o aparecimento da estabilidade social em terceiro lugar “é um elemento novo. Em levantamentos semelhantes, a estabilidade social costumava aparecer em sétimo lugar. Bem-estar do próximo sempre aparece nos estudos”.
A pesquisa do Pnud pode ser mais bem entendida quando confrontada com uma pesquisa feita pela BBC em 27 países pelo Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês): 35% dos brasileiros dizem que o capitalismo tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico. 64% dos brasileiros defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país. 89% defenderam que o Estado deve ser mais ativo promovendo a distribuição de riquezas. Segundo Steve Kull, Diretor do Pipa, “os brasileiros não são os mais entusiasmados com a globalização. Os brasileiros estão tão insatisfeitos com o capitalismo que estão interessados em procurar alternativas”.
Eis um retrato de brasileiros/as, como são, o que pensam, o que os/as impulsiona a agir, como se relacionam na vida social. Não são o egoísmo, a busca da felicidade individual, a autopromoção, o individualismo seus valores primeiros. Há uma base boa e sólida para construir uma sociedade justa, solidária, fraterna. Basta acreditar no povo e oferecer-lhe oportunidade, vez e voz. O futuro do Brasil está em boas mãos.


Selvino Heck.

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Maior lucro



Temos por hábito perguntar quanto lucraremos, sempre que nos propõem uma participaçâo em um negócio, um posicionamento em uma situação ou quanto cobramos por uma orientação esclarecedora, sendo especialista na área. Até para sermos simples palpiteiros, avaliamos se valerá à pena gastar nosso tempo. Assim agimos por considerarmos inútil nos envolver com o que não nos trará vantagens.

Desde a infância, as crianças têm interesse em amontoar, egoisticamente, algo que lhes dê sensação de poder, mesmo que sejam pedrinhas, papéis, sementes, contas, calháus e hoje, as célebres figurinhas, que consomem um bom dinheiro.
A luta pela sobrevivência nos impele a sair de nossa zona de conforto, em busca do recurso que se faz necessário. Para isso relegamos à mãos desconhecidas, os filhos que gostaríamos de acalentar. Não acalma a consciência justificando fazê-lo em busca da segurança econômica ou do equilíbrio da balança financeira. Nem sempre há quem nos substitua neste mister. Chegamos a entregar os filhos, como se fossem uma batata quente, ao primeiro que surgir pela frente. A ânsia pelo ter submerge os anseios do ser.

Há perigo em apegarmo-nos, desmesuradamente, ao que amealhamos. Pode pintar o arrependimento ao verificarmos que as supostas vantagens se transformaram em perdas desastrosas.

Paulo, o apóstolo, nos diz que ‘o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males...e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores”. Ele não assevera que o dinheiro seja flagelo para a humanidade, pois o dinheiro não significa um mal. O ruim é amar os bens materiais e usar as pessoas, quando deveria ser o contrario: amar as pessoas e usar os objetos, os bens materiais.

O homem não poderá ser vilipendiado por possuir fortuna, mas será, inexoravelmente, condenado pelo mau uso que dela fizer. Quando dominado pelo orgulho e pela soberba, desvia-se do reto agir e se esquece de conquistar sua elevação espiritual. Aos necessitados à sua frente, despreza-os nomeando-os “os mortos de fome” que não usaram sua inteligência como ele o fez, no processo de angariar bens, dividendos, facilidades, conforto, moeda fácil. Age, também inconsequentemente, em relação aos outros dons que lhe foram outorgados: se tem boa saúde, costuma abusar dela, até comprometê-la ou perdê-la. Se é abonado financeiramente, esbanja com arrogância ou tropeça na usura enclausurante.

O que deverá então, fazer para que o bom senso o norteie? Que procure questionar sobre o que realmente quer, o que busca? Que satisfações o preenchem? Que lucros persegue?
O que percebemos é que de forma atordoada buscamos as facilidades materiais como se fossem bens eternos, imutáveis. Ignoramos a finalização do roteiro de todos nós com encontro marcado na real dimensão da vida. No país dos tesouros imperecíveis finanças, câmbios, moedas, propriedades não asseguram e nem conferem poder ou qualquer valor. O que confere segurança são as verdadeiras propriedades, apanágio do Espírito Imortal: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Investir nestes valores é acumular tesouros imperecíveis. Vale aferir nossas posses inventariando nossos bens de consumo que não irão nos servir do outro lado da vida. Tudo o que neste plano usufruímos merece nossos cuidados e respeito. São benesses que nos facilitam e confortam o trânsito apenas neste orbe planetário.

Ante as rotas do Infinito não garantirão tranqüilidade e nem significarão maior valia. Deste mundo só levaremos os investimentos aplicados nas obras e realizações do Bem. Lançar-se ferozmente em busca do que não nos irá servir para sempre, ao invés de empenhar-se em alcançar o próprio crescimento espiritual evidencia conduta de risco e perdas. Aplicar nossos talentos (inteligência, conhecimento, valores morais) na bolsa de valores imperecíveis, aumenta os dividendos e facilita a jornada além da vida. O aperfeiçoamento integral, a vivência solidária serão a garantia, nesta vida e na outra, de nosso maior lucro.

Elzi Nascimento.

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Lan house exerce atividade escolar?



As lan houses, atendendo à demanda da população, são hoje centros de acesso a serviços, onde é possível, entre outras coisas, elaborar currículo, fazer o imposto de renda, cursos de informática e até comprar passagens de avião. Com incentivos e políticas públicas, poderiam ser também uma espécie de “poupa tempo” ou “vapt vupt” local, a interface entre governo e população.
Dentro dessa visão, é necessário que o poder público proporcione formalidade, legalidade, regularidade e incentivo a essa atividade comercial, que cumpre um papel muito importante na sociedade, no sentido de possibilitar o acesso de milhares de pessoas à internet. Isso deve incluir a adoção de uma base tributária pequena para as lan houses, como forma de incentivo fiscal na compra de softwares e equipamentos. As lan houses, hoje consideradas casas de jogos, devem se transformar em centros de inclusão digital, espaços sociais e culturais. É necessária a mudança da denominação do setor na Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Como são considerados casas de jogos, esses estabelecimentos têm o processo de legalização dificultado, pois é necessário um alvará do Juizado de Menores para funcionarem. Esse alvará dura apenas 180 dias e pode demorar até 28 meses para ser expedido. Com essa classificação, as lan houses não conseguem benefícios fiscais concedidos a outras atividades econômicas.
Entretanto, se for para regulamentar só com intenção de cobrar impostos, muitas lan houses vão continuar na atividade informal como acontece hoje. A atuação da administração municipal deve ser no sentido de qualificar esses espaços, tornando-os áreas de educação, formação de redes, prestação de serviços em geral e suporte a serviços públicos. Uma das causas do grande número de estabelecimentos irregulares seria o alto custo dos processos de legalização, que chegam a 10% dos custos totais dos empreendimentos. Segundo o Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, hoje no País há 108 mil lan houses. Só 13% têm CNPJ. Apenas 3,5% têm alvarás de funcionamento e menos de 1% têm autorização do Juizado de Menores para funcionar. Mas, quase metade dos brasileiros que usufruem dos serviços da rede, 45%, são atendidos por lan houses. Quanto maior o número de brasileiros conectados, maior é a importância social das lan houses espalhadas pelo País. As lan houses são muito importantes no processo de informatização das pessoas de baixa renda. Existe uma população que, muitas vezes, não conta, por exemplo, com saneamento básico, mas que tem acesso ao computador. Assim não tem sentido o conceito de que as lan houses seriam apenas locais de jogos.
Conforme o Comitê Gestor da Internet no Brasil, atualmente, as lan houses respondem por 48% das conexões à rede mundial de computadores. Essa é única forma de contato com a internet para mais de 28 milhões de brasileiros. Nas famílias com renda per capita de até dois salários mínimos, o percentual sobe para 82% dos acessos. No Nordeste, as lan houses representam o único local de contato com a rede mundial para 68% da população, enquanto no Norte o índice é de 66%, de acordo com a mesma pesquisa. Hoje, 65% dos frequentadores usam esses espaços para realizar pesquisas acadêmicas, 22% buscam entretenimento e 10% fazem cursos a distância.
Por isso, o governo deveria oferecer parcerias e benefícios, como financiamentos do Banco do Povo e uso do vale-cultura nesses espaços, incentivos e subsídios. Porém, deve fixar medidas de proteção a crianças e adolescentes e de combate a crimes virtuais, determinar modificações nos computadores a serem utilizados por crianças, de forma que haja controle do acesso a conteúdos impróprios. O acesso de crianças à internet em lan houses deve ser condicionado a cadastramento e autorização dos pais.


Rusembergue Barbosa.

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Narcisismo, a idolatria do ego



O mito do jovem Narciso da mitologia grega é o ícone da idolatria do ego. A modernidade fez de muitos homens verdadeiros egocêntricos. Os povos de países tidos como primeiro mundo também são, há muitas gerações, individualistas ao extremo. Pequenos Narcisos em grandes sociedades.
A beleza exterior de Narciso cobiçava muitas ninfas e mulheres, mas Narciso não correspondia com ninguém esse sentimento. Até que Narciso se apaixonou pelo seu próprio reflexo na água na fonte de um rio. Quando tentou abraçar seu reflexo, Narciso caiu na água e morreu afogado.
Duas coisas ninguém aparentemente comenta: ao se apaixonar pela imagem de um jovem rapaz Narciso expôs sua preferência sexual. Eis uma possível razão de não ter correspondido aos anseios femininos. Ao cair na água, acreditando que poderia abraçar um reflexo aquático, o jovem Narciso revela pouca inteligência. Qualquer criança mais ativa saberia que uma imagem refletida não é palpável. Talvez o mito loira-burra, a associação de beleza excessiva ou vaidade exterior com excessos de cuidados à incapacidade de raciocínio lógico, na verdade possam estar aí originados.
Muita gente comenta a crítica evidente de que todos os que se vangloriam e se colocam no centro de tudo acabam por se levar por meras aparências, cometendo o pecado da vaidade. A filosofia e a psicologia rotulam de narcisismo esses de autoestima exagerada.
O narcisista é egocêntrico e individualista, alheio aos interesses dos outros. É considerado uma patologia, uma doença mental que pode ser tratada, apesar de muito difícil. Tal atitude é próxima a atrair invejas e sentimentos confusos por uma aparente qualidade nas pessoas.
A autoestima é necessária, mas deve ter limites certos. A humildade é uma virtude, ao contrário da vaidade. Parâmetros para definir até que ponto o otimismo e a autoestima não estão bem estabelecidos.
Freud tem o costume de atribuir tudo a uma conotação sexual. Por isso ele atribui a uma fase da sexualidade infantil quando as crianças veneram os seus corpos. Aos adultos, tal desvio de personalidade é tido como regressão, voltando a essa fase já superada na infância. Freud conclui que o narcisista é amante de si mesmo.
Se as pessoas dos países do primeiro mundo forem narcisistas, isso significa que são vaidosos e individualistas, incapazes de pensar de forma adequada. Quem sabe ao menos assim, como crianças – o futuro nas nações –, não tragam esperanças para o mundo?

Leonardo Teixeira.

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As vantagens da gripe suína!



Até as enfermidades têm o seu lado positivo. Quando surgiu a gripe suína, vivemos verdadeiros momentos de pânico. A peste parecia alvejar indiscriminadamente. Todos nós ficamos inseguros, com medo, receosos. Um espirro de outra pessoa era sinal para levarmos a mão à boca imediatamente. Medidas foram tomadas e a população reagiu bem, pelo menos se saiu melhor que no caso da dengue, que beira a vergonha. Mas, estamos a discutir sobre a vantagem da gripe suína. Vantagem? Sim, ou você acha que usar álcool em gel não é um excelente padrão de comportamento? Quem é escravo desta vida moderna sabe a que me refiro. Imagina o tanto de gente que você tem que cumprimentar no trabalho. Até este comportamento está se tornando fora de moda. O que antes era educação está se tornando inconveniência. Um simples cumprimento verbal já está bastando, mas, se houver o contato físico, pode observar que, disfarçadamente, a pessoa logo dá um jeito de lambuzar a mão de álcool em gel e se “desinfetar”. Passamos a ter nojo de muita coisa. Outra grande vantagem é nos restaurantes. A correria para dar tempo de almoçar e descansar alguns segundos, fazia muita gente nem lavar as mãos e depois ter uma diarréia de matar. Onde estava a contaminação? Podia muito bem estar nas mãos do próprio cliente. A cultura do álcool em gel mudou muito isto. É bem mais prático, rápido e econômico. Ao invés de pegar fila até para ir ao banheiro ou lavado só para lavar as mãos, basta você dar uma dosada do álcool e esfregar, coisa bem mais eficiente. Econômica porque o dono do restaurante não terá que gastar com água, sabão líquido e toalha de papel. Ou seja, olhando por este quadrante, o álcool em gel é até ecologicamente correto. Sem contar a desagradável sensação que você tem quando se depara com as malditas lembranças que alguns porcos deixam nos banheiros, fora aquele odor insuportável. Enfim, existem vantagens a serem aferidas depois desta tsunami chamada gripe suína. É interessante que reflitamos sobre isto e que sejam ampliados estes comportamentos. O resultado é que teremos mais qualidade de vida e, acredite, seremos muito mais educados, coisa rara hoje em dia, pois a maioria acha que sozinho vai vencer na vida. É isto. A idéia deste artigo surgiu de uma conversa com meu amigo e colega de trabalho.

Nelclier Marques.

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Espelho, espelho meu...



Todos admitimos que crianças são seres em formação, mas poucos percebemos que diante do tempo eterno, a vida inteira somos eternos aprendizes. As sociedades primitivas entremeavam os ciclos com rituais de passagem, trazendo sempre à tona, por uma riqueza simbólica, as questões do nascer e morrer e as sucessivas transformações pelas quais somos submetidos enquanto seres vivos. As pessoas, individualmente, estão em constante processo de crescimento e amadurecimento e, mesmo sem a aura do mistério ou da magia, os ritos de passagem acontecem: aniversários, batismos, formaturas, casamentos, velórios. Cerimônias que nos ajudam a representar o indizível e nos preparam para suportar melhor a passagem de um estado de ser para outro.
Crescer e amadurecer requer uma preparação ritualística que vai além dos festejos e celebrações. É um momento de significação simbólica, um momento de decisão que pressupõe responsabilidade, momento de perdas e abandono de certos padrões de comportamento. Quando se fala em transformação é comum que ela venha acompanhada de sofrimento, dada a nossa dificuldade em vivenciar o luto. Isto é genérico, válido para diversas fases da vida, mas tomemos, por exemplo, os relacionamentos humanos que quando adoecem se sustentam pelo ódio, porque um, ou os dois, não conseguem transpor esse portal e compreender a separação. Cumprir os rituais, sair da posição de sofrimento, elaborar o luto, significa tomar as rédeas do próprio destino. É uma decisão entre ser ativo (sujeito da ação) ou passivo (objeto da ação). Por isso os rituais exigem preparação, discernimento e coragem. Ao final, podem servir também para elevação da alma.
Os mistérios que envolvem os ritos de passagem são vivências individuais, íntimas e intransferíveis e o risco que se corre é que a compreensão se prenda em uma simbologia de mãos e pés, esquecendo os aspectos mais profundos que norteiam a verdadeira iniciação. Ou ainda, que se tornem provas de resistência física ou de sofrimento, como acontecia entre os espartanos e tribos indígenas e africanas. Há sim um simbolismo e um significado profundo a ser apreendido, mas sem que seja realmente necessário oferecer seu corpo para chibatadas, mais próximo do fanatismo que da vontade de apaziguar-se com o sagrado.
A ordem e a disciplina são extremamente importantes para aprender com seriedade e profundidade qualquer ciência. Sem estes requisitos, o homem tem dificuldade de controlar seus pensamentos e uma imaginação desordenada e fantasiosa passa a ocupar sua mente. Galileu e Descartes consideram a razão como o único meio legítimo de se chegar à verdade, excluindo de certa forma o imaginário, muitas vezes confundido com o delírio e o fanatismo. Só há uma maneira de descobrir: colocar-se frente a frente consigo mesmo. O espelho serve para aqueles que se recusam a permanecer escravos dos seus próprios fantasmas, que não se deixam submeter passivamente à atuação das pressões psicológicas que carregam dentro de si, e que estão determinados a se tornarem os mestres da sua própria vida.
Todos esses processos, sejam na vida cotidiana, sejam nas nossas experiências mais íntimas, tem como meta o aperfeiçoamento do ser humano como uma contingência natural da evolução, a dinâmica do “vir-a-ser” em um padrão cósmico. Ao entender a expressão e o significado dos rituais de passagem o ser humano tem a chance de exercitar o equilíbrio físico, mental e espiritual, vivendo em harmonia. O homem que tem a consciência de si mesmo, nessas três dimensões, sabe da concretude dos seus pensamentos e reconhece o exercício responsável dos papéis sociais que escolheu desempenhar. Os revezes da vida, os encontros que acontecem no cotidiano servem de condição para o laboratório do aperfeiçoamento e desafio às potencialidades humanas. Há o sentimento profundo de vivenciar princípios o que permite uma mudança de comportamento em que se reduzem as contradições entre os nossos valores e a nossa ação, intensificando, consequentemente, a nossa leitura do mundo.

Kleber Adorno

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O seu crime é sexual ou emocional?


O que podemos observar regularmente é que os homens são mais predispostos a acreditar que as mulheres têm relações sexuais somente quando se apaixonam e que as mulheres acreditam que os homens têm relações sexuais, mesmo quando não estão apaixonados. As pesquisas têm documentado que a maioria dos homens se torna muito mais ciumentos nos casos de infidelidade sexual do que infidelidade emocional e que a maioria das mulheres vê a infidelidade emocional, pior do que a traição sexual. A verdade que se verifica em todo o mundo é que, em matéria de ciúme, as mulheres são o oposto dos homens. A teoria tradicional tem como base as origens evolucionárias: os homens aprenderam com o tempo a serem hiper-vigilantes sobre sexo, porque nunca tinham certeza absoluta de ser o pai de uma criança, enquanto as mulheres se mostravam muito mais preocupadas em ter um parceiro que tivesse comprometimento com a família.Com a dinâmica do universo científico, novas pesquisas sugerem uma explicação complementar, ou melhor, contemporânea sobre o tema. Um novo estudo não questiona fundamentalmente a diferença entre os sexos sobre o fenômeno ciúme, ele sugere que a relevância está nas diferenças individuais da personalidade e não na diferença de gênero. Na Universidade Estadual da Pensilvânia, os cientistas do campo da psicologia, Kenneth Levy e Kristen Kelly, afirmaram que existe um conjunto notável de homens que se angustia mais diante da traição emocional do que da infidelidade sexual. Algumas pessoas - homens e mulheres - são mais seguras em seus relacionamentos enquanto outras tendem a ser mais necessitadas de uma estreita relação de apego. Psicólogos vêm esta busca de autossuficiência como uma estratégia defensiva - a proteção contra sentimentos profundos de vulnerabilidade. Para os pesquisadores, esses indivíduos tendem a se preocupar com os aspectos das relações sexuais, em vez de intimidade emocional.Semelhante a estudos anteriores que examinaram as diferenças sexuais do ciúme, Levy e Kelly perguntaram a homens e mulheres o que seria mais angustiante - a infidelidade sexual ou a infidelidade emocional. Os resultados, publicados na revista da Association for Psychological Science, demonstraram que aquelas pessoas com um estilo de vinculação superficial se preocupavam mais com a infidelidade sexual do que a infidelidade emocional e aquelas bem presas nos relacionamentos - incluindo homens, firmemente agarrados - eram muito mais prováveis de receber a traição emocional de forma mais perturbadora. Os cientistas comemoraram o resultado do estudo enfatizando seu valor contributivo para adição de novos dados às pesquisas anteriores, sugerindo que a promoção da intimidade emocional pode ser um meio eficaz para a redução do ciúme sexual, um dos estimuladores da violência doméstica.

Renner Cândido Reis

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terça-feira, 1 de junho de 2010

Evolução criativa





O constante desequilíbrio advindo do confronto entre a biologia e o meio ambiente é a mola que impulsiona a continuidade e o aperfeiçoamento das espécies sobre o planeta Terra. A aparente estabilidade que encobre as lentas modificações sofridas desde a existência da primeira célula primitiva é apenas uma ilusão acerca do equilíbrio tão amplamente desejado pelo ser humano que sempre almejou se sentir seguro ante o caos que verdadeiramente é a vida; das transformações geológicas às mutações genéticas impostas pelo tempo e a sobrevivência biológica. Contudo, mesmo que tal véu tente encobrir a realidade através do autoengano, nada detém a essencial marcha da vida, que é capaz de proporcionar novos caminhos a cada obstáculo que surge na vasta caminhada evolutiva. E é justamente em razão de cada conflito que se impõe a superação criativa e a vital adaptação, cuja informação genética é transmitida à geração seguinte, como no caso dos seres humanos, por exemplo. Não é a toa que se diz popularmente ser a necessidade a mãe da invenção. Quando o avanço é crucial, e é preciso deixar para trás algo do qual não se precisa mais, portas desconhecidas se abrem a novos acessos.
Assim, um fator determinante neste cenário de modificações voltadas à sobrevivência é a aprendizagem, que permite a aquisição de novos saberes relacionados às maneiras de se lidar com o mundo em constante mudança. Aprender relaciona-se à ampliação das capacidades inteligentes presentes no homem, levando-o a extrair mais recursos de si mesmo. A cada nova aprendizagem, nova desestabilização surge, rompendo com o temporário equilíbrio. Por sorte, pois é através de tal inconstância que se obtém novas e cruciais respostas que pretendem responder às frequentes questões do desenvolvimento. Então, quanto mais se aprende e mergulha-se no mar da sabedoria, tanto melhores serão as chances de encontrar abundantes recursos em si mesmo a fim de transpor cada barreira que inevitavelmente surgirá ao longo da vida.
Mas aprender, contudo, requer do aprendiz constantes doses de vontade e espírito persistente na aquisição do saber. Mas é facilmente percebido que no atual estágio evolutivo em que nos encontramos, somos presas fáceis da cegueira e da acomodação, levando-nos, convenientemente, ao descrédito relacionado ao conhecimento – fugimos dos livros, da reflexão e da criação – e à conformação com o próprio estado notadamente atrasado. Queixamo-nos consideravelmente de tal marasmo e retardo, mas bem pouco empreendemos em nós mesmos as mudanças criativas que certamente podem auxiliar na virada da mesa das nossas próprias inquietudes. Tememos as mudanças sem entender que nelas residem as auroras do avanço e da sobrevivência. Desejamos o sossego em demasia sem se dar conta que a sua serventia é temporária e não permanente. Despercebidamente, lutamos contra nós mesmos. Vê-se nisso o desgastante embate que o ser humano trava consigo mesmo no escuro proporcionado pela falta de conhecimento?
Evoluir criativamente, portanto, diz respeito (e muito!) ao envolvimento que se tem com o saber e a prática do pensamento reflexivo, cujos resultados, via de regra, são idéias inteligentes que procuram substituir velhos recursos por novos, à medida que as transformações fazem-se imperiosas para o nosso aperfeiçoamento e a vital continuidade.

Armando Correa de Siqueira Neto.

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