terça-feira, 21 de setembro de 2021

Em que Era você vive?


 

Geologicamente falando, aprendemos na Escola que a Terra passou por grandes Eras Glaciais que, certamente, deixaram seu rastro de transformações visíveis até os dias de hoje. Mas não é acerca destas Eras que gostaria de convida-lo a refletir e sim, sobre o tempo em que estamos vivendo e no qual estamos construindo a nossa história e o nosso legado.

Eu nasci nos anos setenta, quando se falava na Era do Individualismo e onde cada pessoa vivia de acordo com os seus próprios preceitos e, portanto, pregavam a liberdade de ser e fazer, sem julgamentos.

Mas se há algo imutável, é que estamos em constante mudanças, então logo veio a Era da Extravagância, a Tecnológica, da Conexão, da Comunicação e, ouso afirmar que estamos tendo o privilégio de viver uma Era nunca antes vivida na humanidade, a Era do Despertar da Consciência.

Mesmo antes de me aperfeiçoar e me tornar Psicoterapeuta Holística, eu já havia começado a perceber um movimento diferente, vindo das gerações mais novas, especialmente dos adolescentes e das crianças, que pareciam nascer rompendo camadas muito antigas, desafazendo conceitos enraizados, abrindo caminho a reflexões que, até pouco tempo, não passavam de tabus.

Ao observar esse avanço, muito mais veloz do que a maioria de nós estava preparado para olhar e conviver, eu me aproximei deste desconhecido turbilhão e compreendi que todas as Eras pelas quais eu já vivi, tornaram-se ínfimas diante do que estávamos prestes a presenciar: o novo olhar, o qual estas gerações mais novas nos convidam a contemplar.

Este olhar deixou de ser para o outro e suas ações, suas escolhas, particularidades, como havia sido até então. E passou a ser um olhar bem mais audaz, que é um convite para aqueles que se sentem prontos a usar a sua coragem como roupa de mergulho e se aprofundar num oceano turbulento, escuro e desconhecido, dentro de si mesmos.

A Era do Despertar é inegável! Está entre nós, diante dos nossos olhos, como um farol, nos mostrando a direção certa, as ações coerentes, as decisões assertivas, os caminhos justos e retos. Nenhuma máscara consegue se manter por muito tempo.

Felizes de nós que estamos sendo privilegiados em vivermos esta Era desafiadora, porém igualmente transformadora.

Não deixamos de presenciar as máquinas evoluindo, como nos provaram Jeff Bezos e Elon Musk, com suas viagens espaciais. E isso, de fato, nos mostra que o ser humano é capaz de grandes feitos. Mas, sinceramente eu me pergunto, quando eles voltam para suas casas e se deparam com as notícias mundiais, como o que está acontecendo no Afeganistão, em que Era eles estão vivendo? Será que eles realmente estão à frente do tempo dos que já estão vivenciando a maior descoberta de todas, que é o real significado de estar neste mundo?

Não é à toa, tampouco por moda que se está ouvindo, mais do que nunca, palavras como autoconhecimento, gratidão e propósito de vida.

Estes são os portais. Os convites para nos transportar para a aventura mais instigante, emocionante, misteriosa e gratificante que poderíamos desejar. A viagem de retorno para a nossa essência. O mergulho que nos elevará a outro nível, como seres humanos, ao despertar da nossa consciência para o que, de fato, permanecerá ecoando nos corações de quem ficar aqui, quando for a nossa hora de partir.

Esta Era é uma chance de conferirmos os deslizes da humanidade e fazermos diferentes, de encontrarmos as preciosidades que todos temos e gerarmos reais e significantes transformações, que não atingirão apenas um seleto grupo de pessoas abonadas financeiramente, mas que refletirão por gerações e gerações.

Não, não é utopia.

O que você acha que vale mais? Retirar as vendas dos olhos e ver que é possível reconstruir, recomeçar, refazer, tudo de um jeito melhor, ou pagar por uma viagem, que amanhã poderá cair no esquecimento, substituída por outro feito tecnológico ainda maior.

Se você responder a esta pergunta, terá compreendido em que Era está vivendo.

Fonte:
Gabriele Lima
Psicoterapeuta holística

 

domingo, 19 de setembro de 2021

Hoje em dia luxo mesmo é ostentar saúde mental


 

O mundo cresceu. O mundo se conectou. O mundo se encheu de pessoas. Agora, somos milhares e milhares que conseguem se comunicar em tempo instantâneo. As notícias se espalham em segundos, os fatos alcançam um monte de gente, é tudo muito rápido e volumoso. Nem dá tempo de digerir tudo isso direito, porque tempo é o que menos temos nessa vida.

A tecnologia aumenta as possibilidades de conforto, mas continuamos desconfortáveis. As formas de nos comunicarmos uns com os outros são inúmeras, mas continuamos desconectados afetivamente. Existem variados eletrodomésticos, que nos poupam serviços, mas continuamos cansados. As informações estão cada vez mais acessíveis a todos, mas continuamos desinformados. É tanta coisa nova, que não conseguimos dar conta do mínimo.

O mundo está violento, perigoso, e a maldade toma conta dos noticiários. A competitividade permeia todos os setores da vida, desde o mercado de trabalho, até os relacionamentos cotidianos. As obrigações se avolumam e vamos, feito robôs, levando os dias adiante. Robotizamos nossas atividades, robotizamos nossas obrigações e o cumprimento das tarefas. Robotizam-se ações, pensamentos e sentimentos. A dureza lá de fora então se instala aqui dentro de nós.

E a gente adoece. A gente adoece por fora, por dentro, adoece os outros, adoecem os ambientes, os pensamentos, os sentimentos, os relacionamentos. Não conseguimos suportar tanta pressão, tanta notícia ruim, tanta falta de contato humano, de olhos nos olhos. Sentimos falta de ócio. A gente se prende às ostentações virtuais, almejando consumir e comprar e obter conquistas materiais. E a gente se esquece de consumir amor e de conquistar pessoas. Erro fatal.

Não podemos nos esquecer de que serão os sentimentos e os afetos verdadeiros que nos confortarão quando a vida der errado, quando a noite se prolongar e a dor chegar. O que nos salva é o que temos dentro de nós, todo o amor que juntamos e espalhamos por aí, junto a quem nos ama com verdade. É assim que mantemos nossa saúde mental, nosso equilíbrio, nossa lucidez, nesse mundo doido que nos rodeia. Isso, sim, é ostentação que se preze.

* O título deste artigo baseia-se em citação de “soucaos”

Por Prof. Marcel Camargo

 

sábado, 18 de setembro de 2021

HOLLYWOOD: COMO OS FILMES IMPACTAM A VIDA DOS ADOLESCENTES?

 

Qual jovem nunca imaginou estar presente em festas absurdas como em Projeto X (2012)? A verdade é que não faltam exemplos nos filmes de Hollywood de como os jovens podem ser dissimulados e "curtir a vida adoidados". Entretanto, há quem acredite que esses não são os melhores exemplos para uma mente em formação.

Um exemplo disso, segundo especialistas, seria o consumo de álcool que aparecem nas telas. Para um grupo de pesquisadores da Escola de Medicina de Dartmouth, nos Estados Unidos, personagens de filmes que consumem muitas bebidas alcoólicas estariam incentivando os jovens a também consumirem. E esse seria apenas uma fração dos riscos que a juventude estaria sofrendo.

Realidade dos atores


(Fonte: Netflix/Reprodução)

O mundo do cinema e das séries de televisão produz muito conteúdo feito para se assemelhar com a realidade ou pelo menos trazer uma versão mais dramática de aspectos do cotidiano. Entre os tópicos que costumam parar nas telonas,  estão as experiências adolescentes, como o primeiro beijo, briga entre amigos, jornada de autoconhecimento, etc. Isso tudo aparece como temáticas atrativas para os mais jovens.

Entretanto, Hollywood tem o costume de fazer algo nada novo no mercado: colocar adultos para realizar o papel de "crianças". No filme A Barraca do Beijo 3 (2021), que ficou no top 10 da Netflix por alguns dias, o personagem Lee Flynn é protagonizado pelo ator Joel Courtney, que já tem 24 anos de idade.

Outro exemplo clássico é o que aconteceu em Meninas Malvadas (2004), quando a atriz Rachel McAdams assumiu o papel da mimada adolescente Regina George quando já tinha ultrapassado a casa dos 25 anos. A lista é extensa e poderia ocupar o espaço deste texto inteiro.

Isso é feito principalmente para que os estúdios de cinema enfrentem menos problemas com atores que são menores de idade. Mas qual é o impacto disso em quem assiste às películas?

Esse "fenômeno" faz os jovens crescerem vendo corpos que não são reais para aquela idade e desenvolverem padrões estéticos simplesmente inalcançáveis para um adolescente comum — o que poderia acabar desencadeando transtornos psicológicos.

Exemplo na sociedade


(Fonte: Disney Channel/Reprodução)

E mesmo quando o elenco coloca uma pessoa realmente jovem para contracenar em um filme, isso gera um enorme impacto na sociedade. Atores e atrizes que alcançam o sucesso ainda muito novos precisam aprender a lidar com um tipo de pressão e responsabilidade social que não foram preparados para ter durante a sua vida.

Dois exemplos claros disso podem ser vistos nas atrizes Lindsay Lohan e Miley Cyrus, que acabaram enfrentando problemas com dependência química na vida adulta após terem passado suas juventudes inteiras sendo cobradas para assumir o papel de estrela teen. O mesmo vale para o mundo da música, como quando Justin Bieber passou a ter problemas com a imprensa e virou centro de várias polêmicas.

A verdade é que essas pessoas nunca estiveram prontas para assumir o papel de exemplo na vida e sofreram uma cobrança descomunal na época em que só desejavam ser jovens. Mesmo assim, isso não tira o fato de que eram idolatrados por inúmeros adolescentes, que foram expostos a uma grande quantidade de atitudes negativas de seus ídolos.

Violência e consumo de drogas


(Fonte: Warner Bros./Reprodução)

Um grande temor quanto à indústria cinematográfica sempre foi em relação à sua real influência no comportamento das pessoas mais novas. Em uma entrevista, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton chegou a dar sua opinião sobre o assunto. "Nós precisamos parar de brincar com essas coisas. Eu sei que esses filmes vendem bastante, mas isso não os torna corretos", ele disse a respeito do excesso de violência nas gravações.

Esse é um dos motivos, por exemplo, que a Coordenação de Classificação Indicativa (Cocind) foi criada em 1990 para definir a faixa etária para a qual as obras audiovisuais deveriam ser recomendadas. O principal propósito dessa medida sempre foi fornecer mais informações para que os pais tivessem controle sobre o que seus filhos assistem.

De acordo com os pesquisadores de Dartmouth, os filmes têm tanta influência nos hábitos dos jovens que Hollywood precisou ser impedida de mostrar marcas de cigarro em seus filmes para que os jovens não se sentissem impelidos a fumar. Essa proibição, entretanto, não é válida para os rótulos de bebidas alcóolicas — que constantemente aparecem por todos os cantos das telonas.

Diálogo aberto


(Fonte: Pixabay)

Em entrevista ao portal Global News, o professor e psicólogo Oren Amitay, da Universidade Ryerson, no Canadá, demonstrou certa preocupação com o que é feito em Hollywood. "Os filmes são como a vida real para os jovens. Eles acham que aquilo é a arte imitando a vida e tudo é um reflexo do que as pessoas reais estão fazendo pelo mundo", ele destacou.

Na visão de Amitay, que colaborou para os estudos da Universidade de Dortmouth sobre o consumo de álcool nos filmes, é importante ter em mente também que a maioria dos jovens é "programada" para ser rebelde e ignorar as ordens dos pais. Entretanto, isso não deve ser sinal de desistência.

Enquanto o pesquisador acredita que Hollywood deveria analisar a maneira como aborda temas polêmicos em suas obras, ele também aconselha aos pais buscarem sempre ter uma conversa aberta com seus filhos para evitar maiores conflitos. Sendo assim, o diálogo seria a melhor ferramenta para evitar que os jovens se tornem facilmente influenciáveis.


 PEDRO FREITAS

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

IA projeta experimentos de física quântica além do que qualquer humano concebeu


 

O físico quântico Mario Krenn se lembra de ter sentado em um café em Viena no início de 2016, analisando documentos e tentando entender o que MELVIN havia encontrado. MELVIN era um algoritmo de aprendizagem de máquina que Krenn tinha criado, uma espécie de inteligência artificial. Seu trabalho era misturar e combinar os blocos de construção de experimentos quânticos padrão e encontrar soluções para novos problemas. E encontrou vários muito interessantes. Mas um deles não fazia sentido.

“A primeira coisa que pensei foi: ‘Meu programa tem um bug, porque não pode existir solução'”, disse Krenn. MELVIN aparentemente resolveu o problema de como criar estados emaranhados altamente complexos envolvendo múltiplos fótons (estados emaranhados sendo aqueles que uma vez fizeram Albert Einstein invocar o espectro de “ação assustadora à distância“). Krenn, Anton Zeilinger da Universidade de Viena e seus colegas não tinham explicitamente fornecido ao MELVIN as regras necessárias para gerar estados tão complexos, mas ele tinha encontrado uma maneira. Finalmente, ele percebeu que o algoritmo havia redescoberto um tipo de arranjo experimental que havia sido concebido no início da década de 1990, mas esses experimentos haviam sido muito mais simples. MELVIN completado um quebra-cabeça muito mais complexo.

“Quando entendemos o que estava acontecendo, fomos imediatamente capazes de generalizar [a solução]”, diz Krenn, que agora está na Universidade de Toronto. Desde então, outras equipes começaram a realizar os experimentos identificados por MELVIN, permitindo-lhes testar os fundamentos conceituais da mecânica quântica de novas maneiras. Enquanto isso, Krenn, trabalhando com colegas em Toronto, refinou seus algoritmos de aprendizagem de máquina. Seu último esforço, uma IA chamada THESEUS, foi ainda mais longe: é ordens de magnitude mais rápido que MELVIN, e os humanos podem facilmente analisar seus resultados. Embora Krenn e seus colegas levem dias ou até semanas para entender os resultados de MELVIN, eles podem quase imediatamente entendem o que THESEUS está dizendo.

“É um trabalho incrível”, diz o físico quântico teórico Renato Renner, do Instituto de Física Teórica do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Zurique, que revisou um estudo de 2020 sobre a THESEUS, mas não estava diretamente envolvido nesses esforços.

Krenn descobriu este programa de pesquisa por acidente quando ele e seus colegas estavam tentando entender como criar experimentalmente estados quânticos de fótons emaranhados de uma maneira muito específica: Quando dois fótons interagem, eles se emaranham, e ambos só podem ser matematicamente descritos usando um único estado quântico compartilhado. Se você medir o estado de um fóton, a medida fixa instantaneamente o estado do outro, mesmo que os dois estejam a quilômetros de distância (daí os comentários de Einstein sobre o emaranhado ser “assustador”).

Em 1989, três físicos — Daniel Greenberger, o falecido Michael Horne e Zeilinger — descreveram um estado emaranhado que ficou conhecido como “GHZ” (suas iniciais). Envolveu quatro fótons, cada um dos quais poderia estar em uma superposição quântica de, digamos, dois estados, 0 e 1 (um estado quântico chamado qubit). Em seu artigo, o estado GHZ envolveu enredar quatro qubits de tal forma que todo o sistema estava em uma superposição quântica bidimensional dos estados 0000 e 1111. Se você medisse um dos fótons e o encontrasse no estado 0, a superposição entraria em colapso, e os outros fótons também estariam no estado 0. O mesmo vale para o estado 1. No final da década de 1990, Zeilinger e seus colegas observaram experimentalmente os estados GHZ usando três qubits pela primeira vez.

Krenn e seus colegas estavam voltados para os estados GHZ de dimensões mais altas. Eles queriam trabalhar com três fótons, onde cada fóton tinha uma dimensionalidade de três, o que significa que poderia estar em uma superposição de três estados: 0, 1 e 2. Este estado quântico é chamado de qutrit. O emaranhado que a equipe estava atrás foi um estado GHZ tridimensional que era uma superposição dos estados 000, 111 e 222. Tais estados são ingredientes importantes para comunicações quânticas seguras e computação quântica mais rápida. No final de 2013, os pesquisadores passaram semanas projetando experimentos em quadros-negros e fazendo os cálculos para ver se suas configurações poderiam gerar os estados quânticos necessários. Mas eles falharam repetidamente. “Eu pensei: ‘Isso é absolutamente insano. Por que não conseguimos chegar a uma configuração?'”, diz Krenn.

Para acelerar o processo, Krenn escreveu pela primeira vez um programa de computador que pegou uma configuração experimental e calculou a saída. Em seguida, ele atualizou o programa para permitir que ele incorporasse em seus cálculos os mesmos blocos de construção que os experimentadores usam para criar e manipular fótons em um banco óptico: lasers, cristais não lineares, divisores de feixe, metamorfos de fase, hologramas e afins. O programa pesquisou através de uma vasta possibilidade de configurações misturando e combinando aleatoriamente os blocos de construção, realizou os cálculos e emitiu o resultado. MELVIN nasceu. “Em poucas horas, o programa encontrou uma solução que nós, cientistas — três experimentalistas e um teórico — não poderíamos descobrir por meses”, diz Krenn. “Foi um dia louco. Eu não podia acreditar que isso aconteceu.

Então ele tornou MELVIN mais inteligente. Sempre que encontrou uma configuração que foi útil, MELVIN adicionou essa configuração a seu cinto de utilidades. “O algoritmo lembra e tenta reutilizá-lo para soluções mais complexas”, diz Krenn.

Foi esse MELVIN mais evoluído que deixou Krenn coçando a cabeça em um café de Viena. Ele tinha funcionado com uma ferramentas experimentais que continham dois cristais, cada um capaz de gerar um par de fótons emaranhados em três dimensões. A expectativa ingênua de Krenn era que o MELVIN encontraria configurações que combinassem esses pares de fótons para criar estados emaranhados de no máximo nove dimensões. Mas “ele realmente encontrou uma solução, um caso extremamente raro, que tem um emaranhado muito maior do que o resto dos estados”, diz Krenn.

Finalmente, ele descobriu que MELVIN tinha usado uma técnica que várias equipes haviam desenvolvido há quase três décadas. Em 1991, um método foi projetado por Xin Yu Zou, Li Jun Wang e Leonard Mandel, todos na Universidade de Rochester. E em 1994 Zeilinger, então na Universidade de Innsbruck, na Áustria, e seus colegas inventaram outro. Conceitualmente, esses experimentos tentaram algo semelhante, mas a configuração que Zeilinger e seus colegas criaram é mais simples de entender. Começa com um cristal que gera um par de fótons (A e B). Os caminhos desses fótons passam por outro cristal, que também pode gerar dois fótons (C e D). Os caminhos do fóton A do primeiro cristal e do fóton C da segunda se sobrepõem exatamente e vão ao mesmo detector. Se esse detector clicar, é impossível dizer se o fóton se originou do primeiro ou do segundo cristal. O mesmo vale para os fótons B e D.

Um metamorfo de fase é um dispositivo que efetivamente aumenta o caminho que um fóton viaja em uma fração de seu comprimento de onda. Se você introduzisse um metamorfo em um dos caminhos entre os cristais e continuasse alterando a quantidade de mudança de fase, você poderia causar interferência construtiva e destrutiva nos detectores. Por exemplo, cada um dos cristais poderia estar gerando, digamos, mil pares de fótons por segundo. Com interferência construtiva, os detectores registrariam 4 mil pares de fótons por segundo. E com interferência destrutiva, eles não detectariam nenhum: o sistema como um todo não criaria fótons, mesmo que cristais individuais gerassem mil pares por segundo. “Isso é realmente muito louco, quando você pensa”, diz Krenn.

A solução estranha de MELVIN envolvia caminhos sobrepostos. O que tinha desconcertado Krenn era que o algoritmo tinha apenas dois cristais em seu cinto de utilidades. E em vez de usar esses cristais no início da configuração experimental, ele tinha fixado os cristais dentro de um interferômetro (um dispositivo que divide o caminho de, digamos, um fóton em dois e depois recombina-los). Depois de muito esforço, ele percebeu que a configuração que MELVIN havia encontrado era equivalente a uma envolvendo mais de dois cristais, cada um gerando pares de fótons, de modo que seus caminhos para os detectores se sobrepuseram. A configuração poderia ser usada para gerar estados emaranhados de alta dimensão.

A física quântica Nora Tischler, que era uma estudante de doutorado trabalhando com Zeilinger em um tópico não relacionado quando MELVIN estava sendo colocado em seus passos, estava prestando atenção nesses eventos. “Ficou meio claro desde o início [que tal] experimento não existiria se não tivesse sido descoberto por um algoritmo”, diz ela.

Além de gerar estados complexos emaranhados, a configuração usando mais de dois cristais com caminhos sobrepostos pode ser utilizada para realizar uma forma generalizada dos experimentos de interferência quântica de Zeilinger em 1994 com dois cristais. Aephraim Steinberg, experimentalista da Universidade de Toronto, que é colega de Krenn, mas não trabalhou nesses projetos, está impressionado com o que a IA encontrou. “Esta é uma generalização que (pelo que sei) nenhum humano sonhou nas décadas seguintes e talvez nunca tivesse feito”, diz ele. “É um lindo primeiro exemplo do tipo de novas explorações que essas máquinas de pensamento podem nos levar.”

Em uma dessas configurações generalizadas com quatro cristais, cada um gerando um par de fótons, e caminhos sobrepostos que levam a quatro detectores, a interferência quântica pode criar situações onde todos os quatro detectores clicam (interferência construtiva) ou nenhum deles o faz (interferência destrutiva).

Mas até recentemente, realizar tal experiência permaneceu um sonho distante. Então, em um artigo de pré-impressão de março, uma equipe liderada por Lan-Tian Feng da Universidade de Ciência e Tecnologia da China , em colaboração com Krenn, relatou que eles haviam fabricado toda a configuração em um único chip fotônico e realizado o experimento. Os pesquisadores coletaram dados por mais de 16 horas: um feito possível devido à incrível estabilidade óptica do chip fotônico, algo que teria sido impossível de alcançar em um experimento de mesa em maior escala. Para começar, a configuração exigiria um metro quadrado de elementos ópticos precisamente alinhados em um banco óptico, diz Steinberg. Além disso, “um único elemento óptico tremido ou desviado por um milésimo do diâmetro de um cabelo humano durante essas 16 horas pode ser suficiente para acabar com o efeito”, diz ele.

Durante suas primeiras tentativas de simplificar e generalizar o que MELVIN havia encontrado, Krenn e seus colegas perceberam que a solução se assemelhava a formas matemáticas abstratas chamadas gráficos, que contêm vértices e bordas e são usadas para retratar relações em pares entre objetos. Para esses experimentos quânticos, cada caminho que um fóton toma é representado por um vértice. E um cristal, por exemplo, é representado por uma borda que conecta dois vértices. MELVIN primeiro produziu tal gráfico e, em seguida, realizou uma operação matemática sobre ele. A operação, chamada de “correspondência perfeita”, envolve a geração de um gráfico equivalente no qual cada vértice está conectado a apenas uma borda. Esse processo torna o cálculo do estado quântico final muito mais fácil, embora ainda seja difícil para os humanos entenderem.

Isso mudou com o sucesor de MELVIN, THESEUS, que gera gráficos muito mais simples ao ganhar o primeiro gráfico complexo representando uma solução que ele encontra com o número mínimo de bordas e vértices (de modo que qualquer exclusão adicional destrói a capacidade da configuração de gerar os estados quânticos desejados). Esses gráficos são mais simples do que os gráficos perfeitos do MELVIN, por isso é ainda mais fácil fazer sentido de qualquer solução gerada por IA.

Renner está particularmente impressionado com os experimentos interpretáveis do THESEUS. “A solução foi projetada de tal forma que o número de conexões no gráfico é minimizado”, diz ele. “E essa é naturalmente uma solução que podemos entender melhor do que se você tivesse um gráfico muito complexo.”

Eric Cavalcanti, da Universidade Griffith, na Austrália, está impressionado com o trabalho. “Essas técnicas de aprendizado de máquina representam um desenvolvimento interessante. Para um cientista humano que olha para os dados e os interpreta, algumas das soluções podem parecer novas soluções “criativas”. Mas, nesta fase, esses algoritmos ainda estão longe de um nível em que se pode dizer que eles estão tendo ideias verdadeiramente novas ou chegando a novos conceitos”, diz ele. “Por outro lado, eu acho que um dia eles vão chegar lá. Então, esses são passos de bebê — mas temos que começar em algum ponto.”

Steinberg concorda. “Por enquanto, são apenas ferramentas incríveis”, diz ele. “E como todas as melhores ferramentas, elas já estão nos permitindo fazer algumas coisas que provavelmente não teríamos feito sem elas.” [ScientificAmerican]

Por Marcelo Ribeiro.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Ajude as pessoas, mas não se responsabilize pelos erros delas!

Ajude as pessoas, mas não se responsabilize pelos erros delas!

Eu preciso ter empatia, mas não posso carregar, dentro de mim, sofrimentos que eu não causei. Eu devo ajudar as pessoas, mas não serei responsável pelos erros delas

O amor não é simples. Amar é uma delícia, é necessário, mas não é tranquilo.

Quando a gente ama a pessoa, tudo dela parece também ser da gente. Sua felicidade e sua tristeza. O que ela conquista, o que ela perde. O que nela é prazeroso, o que nela dói.

Amar é sair um pouco de si, para dar espaço ao que é do outro. E vem de tudo nesse acolhimento, inclusive o que não é muito bom.

É humanamente impossível, por exemplo, que pais consigam estar bem, quando o filho está passando por algum problema.

Da mesma forma, se um amigo muito querido ou o companheiro sofrem, não conseguimos nos desligar totalmente do que lhes acontece.

É essa a contrapartida mais difícil do amor. É essa uma das mais dolorosas formas de vivenciar as etapas amorosas de nossas vidas.

Não tem por onde, quando trazemos alguém para nossas vidas, temos que abraçar tudo o que vem junto.

Ninguém é perfeito, ninguém possui só levezas dentro de si, e os pesos emocionais que não são nossos acabam, de certa forma, atingindo-nos também.

Relacionar-se tem dessas coisas.

Relacionar-se implica abrir mão, renunciar, doar-se, olhar dentro dos olhos de quem, muitas vezes, clama por ajuda.

É claro que jamais poderemos nos esquecer de nós mesmos nesse caminho. Se não estivermos inteiros, não conseguiremos interagir com o outro de uma forma saudável, nem seremos capazes de ajudar a quem precisa.

Não podemos é nos despedaçar ou nos anular em favor do outro. Não podemos é abrir mão da reciprocidade que deve pautar todo e qualquer tipo de relacionamento que tivermos.

Isso, sim, seria imperdoável.

O MUNDO CARECE DE EMPATIA, MAS MUITOS DE NÓS CARECEMOS TAMBÉM DE AMOR-PRÓPRIO.

A gente tem que se amar o bastante para não ter um emocional quebrado por conta do que é da alçada do outro.

Eu preciso ter empatia, mas não posso carregar, dentro de mim, sofrimentos que eu não causei.

Eu devo ajudar as pessoas, mas não serei responsável pelos erros delas. É isso.

Prof. Marcel Camargo.

 

 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Película para telhados substitui o ar condicionado com zero consumo de energia

As tecnologias estão avançando no que diz respeito às técnicas para se refrescar do calor tropical com baixo custo. Você sabia que uma película para telhados é capaz de substituir o ar condicionado com consumo zero de energia? Isso mesmo! Ela resolve dois problemas com uma só solução, isso sem contar com as diversas outras vantagens que pode ter.

Uma alternativa ecologicamente correta, acessível a praticamente todos os tipos de “bolso”, além de muito eficiente. Essa invenção foi feita por pesquisadores nos Estados Unidos, mais especificamente na Universidade do Estado do Colorado.

Foi publicado um estudo por Xiabo Yin e Ronggui Yang relatando como conceberam a película. Esta é capaz de executar a refrigeração de ambientes sem precisar do uso de energia elétrica e gás refrigerador.

Como é o funcionamento da película para telhados?

Funciona através do processo da filtragem de raios solares incidentes na atmosfera que essa maravilha acontece. Os cientistas fizeram a conversão dos calores exorbitantes em radiações infravermelhas no exato comprimento de onda que a atmosfera retorna.

A película é produzida com polimetilpentano. Este é um plástico totalmente transparente que contém adições de pequenas pedras de vidro. Este material se transforma em lâminas com 50 milionésimos de metro de espessura, após ter um dos seus lados, revestido com prata.

A partir do momento que esta película permanece em cima do telhado, com o lado que está prateado voltado para baixo, reflete a luz do sol por meio do plástico. Isso impede que o ambiente se aqueça, liberando o calor que é interno para a nossa atmosfera.

Já a capacidade de resfriamento da película alcança até 93 watts/m². Durante a noite, essa capacidade se potencializa ainda mais. Segundo Yin e Yang, aproximadamente 20 m² desse filme bastam para que se mantenha a temperatura média de uma residência em 20°C à temperaturas externas de 37°C.

película para telhados que substitui o ar condicionado com zero consumo de energia pode ser sua grande aliada. Isso se dá em termos de economia financeira e sustentabilidade. Deixe sua opinião nos comentários!

engenhariahoje.com

 

 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Não existe remédio capaz de amenizar a dor emocional


 

Não existe remédio capaz de amenizar a dor emocional.

Cerque-se de pessoas boas, cultive relacionamentos sadios, pratique atividades que lhe deem prazer, tire um tempo para não fazer nada, diga “eu te amo”, diga “eu me amo”.

Parece-me impossível, ultimamente, sentar para escrever sem discorrer sobre a tristeza, a fragilidade humana, sobre a dor.

Eu não queria, eu evito, mas a gente coloca para fora o que sente e não consigo fugir a reflexões sobre sentimentos doloridos.

Eu nunca havia vivenciado tempos tão difíceis, nunca antes a morte esteve tão presente no cotidiano e estampada por todos os lados.

Eu escrevo para desabafar e para tentar entender e digerir tudo o que me transborda.

Minha escrita é minha terapia, minha salvação, a forma que eu tenho de me expressar e amenizar o que não me faz sorrir e o que me dilacera.

Eu escrevo para me entender e para que esse meu entendimento, quando lido por alguém, possa lhe trazer um pouco de esperança também.

E a esperança vem porque há desesperança. Faz-se luz quando há escuridão. Ou seja, eu supero o que dói, porque dói, mas vai passar.

A gente tem que ter fé de que vai passar, de que tudo vai melhorar, de que a gente vai ser bem feliz. Em vez de fugir da tristeza, eu opto por aceitá-la, entendê-la, para, então, lutar contra ela. E a gente só luta quando para de fugir. A gente só vence se consegue enfrentar o que machuca. Mas isso requer uma coragem absurda.

Cada um se apega ao que lhe der mais força para encarar as aflições e os medos, de maneira mais segura.

Tem quem pratique esporte, tem quem faça artesanato, quem cante, quem faça terapia, quem pinte quadros e paredes. Eu escrevo.

Dedilhar meu piano ajuda muito, mas minha escrita é o meu mais forte escudo contra essa tristeza que rodeia a vida de todo mundo, principalmente hoje.

Ninguém está muito bem, ninguém está sem nenhum tipo de medo, ninguém está livre de qualquer preocupação.

Somos todos guerreiros diários, sobrevivendo e buscando a felicidade, que deve ser a meta de todo mundo.

A dor emocional é a mais difícil de se amenizar, não tem remédio que dê conta. O que devemos fazer é tentar sair desses espaços emocionais pesados, preenchendo-nos do que faz bem.

Cerque-se de pessoas boas, cultive relacionamentos sadios, pratique atividades que lhe deem prazer, tire um tempo para não fazer nada, diga “eu te amo”, diga “eu me amo”. Guarde em suas memórias os momentos mais prazerosos de sua vida.

Dance, cante, toque um instrumento, toque uma pele, sorria, dê gargalhadas por bobagens. É isso que servirá como medicação, nos momentos em que a vida disser não, nos momentos em que escurece aqui dentro.

E nunca, jamais, em hipótese alguma, deixe de acreditar em dias melhores. Eles virão. Eu sei que sim. E você, no fundo, também sabe.

É que a gente tem essa estranha mania de ter fé na vida. Graças a Deus.

 Prof. Marcel Camargo.

 

 

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Seja o que você quiser, mas deixe o outro ser o que ele quiser

Você pode ser religioso, mas não precisa tentar converter o outro. Você pode fazer dieta, mas não precisa tentar mudar o hábito do outro. Você pode ser maratonista, mas não precisa tentar fazer o outro correr também.

É MUITO DESAGRADÁVEL A MANIA QUE MUITAS PESSOAS TÊM DE SE INTROMETER NA VIDA DOS OUTROS.

Tem gente que parece viciada em palpitar e em opinar, mesmo que não tenham sido chamadas, mesmo que nem conheçam direito o indivíduo que é alvo de seus pitacos.

QUANTO MENOS LIMITES VOCÊ ENXERGAR, MAIS INVASIVO VOCÊ SERÁ.

Um limite básico, que todo mundo deveria entender, desde a mais tenra idade, é aquele que se refere aos espaços pessoais que não devem ser violados.

Sabe aquele lugar-comum do cada um no seu quadrado? Pois é assim mesmo. Enquanto não estivermos ferindo nem desrespeitando ninguém, nossa vida é problema nosso, de ninguém mais.

Nosso caminho é pessoal e nossas decisões também. Temos que impor limites.

E outra, as pessoas não têm que se ofender ou se preocupar com aquilo que não lhes diz respeito.

Sim, temos o direito de discordar e de não gostar do modo de vida dos outros, porém, temos o dever de tolerar e de aceitar as escolhas que não são nossas.

NÃO ADIANTA TENTAR IMPOR A SUA VISÃO DE MUNDO AO OUTRO, AFINAL, SOMOS ÚNICOS, SOMOS UM MUNDO TODO DENTRO DA GENTE. CADA PESSOA, UM UNIVERSO DENTRO DE SI.

É lógico que não conseguiremos viver numa bolha, sem nos importar com nada, nem com ninguém. Vivemos em sociedade, somos seres gregários, o que fazemos acaba atingindo outras vidas.

Além disso, muitas vezes, conselhos são bem vindos, principalmente quando vêm de quem nos ama de verdade. Mesmo assim, é preciso selecionar muito bem o que nos chega, ou absorvemos muita coisa lá de fora e nos esquecemos do que pulsa em nosso coração.

A GENTE TEM QUE SE ACEITAR E ACEITAR O OUTRO.

Você pode ser religioso, mas não precisa tentar converter o outro.

Você pode fazer dieta, mas não precisa tentar mudar o hábito do outro.

Você pode ser maratonista, mas não precisa tentar fazer o outro correr também.

Seja o que quiser, mas deixe o outro ser o que ele quiser.

Simples assim.

Por Prof. Marcel Camargo