sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

País rico e cobiçado


Um país africano, Mali, está ocupando espaços nas editorias internacionais, em função da intervenção militar francesa, no país que já foi sua colônia. O governo socialista (?) de François Hollande tem apoio de outros integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).        

O secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, confirmou o que se sabia, ou seja, que os EUA colocaram à disposição dos franceses o setor de inteligência. Já o Canadá, a Bélgica, a Dinamarca e a Alemanha também apoiaram, publicamente, a incursão francesa, prometendo apoio logístico no esmagamento dos rebeldes.        

Em suma, tudo como em outros momentos históricos de intervenções do Ocidente, em países do chamado Terceiro Mundo, com o apoio de governos que não primam pela defesa da soberania.        

Há pouco tempo, também, a pretexto de intervenção humanitária, a Otan interveio na Líbia e hoje este país africano recuou no tempo, retornando ao nível dos anos 50, quando um preposto do Ocidente, o corrupto rei Idris, detinha o poder.         Os tempos hoje são outros, mas o esquema colonial, guardando-se as devidas proporções de tempo e especificidades locais, para não falar da cobertura da mídia de mercado, utiliza métodos da época em que o mundo era outro mundo e nem todas as colônias já estavam, formalmente, independentes.        

No caso de Mali, a pretexto de combater forças terríveis, entre as quais grupos terroristas muçulmanos, o governo francês mandou para lá, inicialmente, 750 soldados, mas já admitiu o envio próximo, de mais 2.500 para dar conta do recado.

 Hollande estava mal nas pesquisas de opinião pública, mas agora os percentuais lhe são favoráveis. De um modo geral, os franceses estão sendo apresentados como heróis, da mesma forma que outras forças militares invadindo ou bombardeando países.        

Desta vez, a França teve apoios, sem vetos, do Conselho de Segurança da ONU. Rússia e China, ao contrário do que acontece na Síria, simplesmente, lavaram as mãos, ou seja, deram o aval para a intervenção, como fizeram com a Líbia ao se absterem na aceitação da proposta de criação de uma zona de exclusão aérea.        

Para os analistas, pesa na balança o fato de Rússia e China não terem tantos interesses em jogo como na Líbia, embora Mali seja uma nação rica. No cobiçado Mali, tem ouro abundante, inclusive com sete minas em operação, sendo a terceira reserva do continente africano. E ouro é ouro. Tem, também, urânio e diamantes, para não falar do manganês e da bauxita, entre outras riquezas do gênero e mesmo, alguma reserva de petróleo. Por muito menos, ex-colônias de países europeus que, hoje, atravessam dificuldades, sofreram intervenções militares sob os mais variados pretextos.        

Mas para a mídia de mercado, nada disso conta, prevalecendo para o setor apenas a visão do gênero pensamento único, isto é, que a França decidiu intervir a pedido do governo local e com o objetivo humanitário. Pode até, eventualmente, alguém aceitar o argumento, mas o que não se deve ignorar são as riquezas encontradas em Mali. E não se deve esquecer da cobiça internacional.        

Seja qual for o desfecho da incursão francesa, é preciso que a opinião pública seja informada e com as sutilezas que estão sendo mais uma vez postas de lado.        
 


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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

"Fazer de conta"...


Será bom viver no mundo “faz de conta”? Sabemos que existe uma realidade, mas fazemos de conta que não é com a gente, nos refugiamos no nosso mundo “faz de conta” e tudo bem. Durante minhas férias não deixei de ler o jornal, é um vício que não consigo evitar. Apesar dos jornais também terem seu próprio mundo “faz de conta”, pelo menos há notícias que devem publicar.

Quando leio que os médicos plantonistas faltam, pergunto-me: Qual é a novidade? Desde sempre isso acontece e está acontecendo neste momento. Vivemos no mundo do faz de conta que temos um sistema de saúde. Ao ver uma manchete (uma de tantas) sobre assassinato e as declarações dos secretários de segurança que os assassinos serão capturados e punidos percebo nosso mundo “faz de conta”. Quando o secretário de segurança não consegue mais manter essa estória da segurança “faz de conta”, a solução é rápida, troca-se o secretário de segurança. Desta forma o que é importante se mantém. O mundo “faz de conta” continua.

Também li que alguns dos condenados pelo mensalão afirmam sua inocência e continuam ocupando e assumindo cargos no mundo “faz de conta”. E o que é mais incrível são os jantares de coleta de dinheiro para que os condenados possam pagar as multas que a justiça lhes impôs.

Os prefeitos e vereadores eleitos aumentam seus salários nas prefeituras “faz de conta” que há dinheiro, mas os habitantes ficam sem educação, sem saúde, sem esgoto, sem coleta de lixo, sem transportes decentes e/ou proteção de encostas ou pontes que foram destruídos.

No mundo de “faz de conta” o governo federal manda dinheiro todos os anos para resolver os problemas causados pelas inundações e enxurradas no Rio de Janeiro. No mundo real nada muda porque se resolvemos esses problemas em 2014 não teremos a ajuda de Brasília. No mundo real algumas pessoas morrem, casas são destruídas, milhares ficam desabrigados. No mundo “faz de conta” mais trabalho para as empreiteiras, mais minutos na televisão mostrando a preocupação dos políticos em resolver os problemas.

Entendo a necessidade do “faz de conta”, porque imaginem o que aconteceria se resolvêssemos os problemas de uma vez, que seria das pessoas que se preocupam com nosso bem-estar, nossa educação, nossa saúde. Quem tomaria conta de nós no mundo real? Nós mesmos. É o que a gente faz todos os dias. A menos, lógico, que também vivamos no mundo do “faz de conta”, nesse caso necessitaremos sempre de alguém que tome conta de nós.

E você meu amigo leitor vive no mundo real ou no “faz de conta”?


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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A Crueldade: Razões e motivações


Nem tudo que nos assusta ou foge do comum é crime. Porém nossa sociedade, que tanto prega a liberdade de manifestação, ainda surpreende com demonstrações de falta de entendimento do que é liberdade. Há poucos dias um caso de animais encontrados mortos nos leitos dos Rios  causaram estranheza e grupos de pessoas se mobilizaram nas redes sociais pedindo a identificação e punição dos responsáveis.
Apesar da polícia estar investigando o caso, para identificar se houve crime ambiental – seja por maus tratos aos animais mortos, seja por poluição do meio
ambiente pela contaminação do rio – a situação parece ter ganhado proporções maiores do que a legislação dá a casos como esse. A demora na comunicação do fato à polícia atrapalha a identificação dos autores e análises que pudessem identificar crime ambiental, porém acredito que a polícia tenha casos mais urgentes para se ocupar.


Noto que muitas pessoas consideram o fato de animais serem sacrificados como um crime hediondo. Ocorre que nosso Estado é laico, logo nossa legislação também. Ou seja, mesmo que se tratasse de magia negra, a questão religiosa e o objetivo espiritual de tal atitude não são caso de polícia. Uma vez que a Constituição Brasileira, no seu artigo 5º, assegura o livre exercício dos cultos religiosos. Então o fato só se configura crime se a cerimônia for considerada de maus-tratos aos animais ou poluir o meio ambiente.

Animais mortos em um rio tem mais a ver com higiene do que com poluição. Afinal a água recebe tratamento antes de ser disponibilizada nas nossas torneiras  que eliminam agentes biológicos que possam causar dano à saúde. Caso a carne desses animais fosse destinada ao consumo humano, o autor poderia ser multado pela Vigilância Sanitária, por abate sem inspeção. É algo semelhante a alguém invocar a perturbação do sossego pelas badaladas de um sino.
Algumas pessoas parecem mais motivadas em que os autores da provável cerimônia sejam conhecidos e punidos por alguém ter levantado a possibilidade de que haveria motivação política. Hora se alguém recorre a um ritual religioso para tentar garantir uma vitória nas urnas, ou para agradecer por uma vitória, do ponto de vista de nossa legislação há pouca diferença entre quem sacrifica animais na cerimônia ou quem procura uma bacia com água benta para fazer uma cruz na testa. Concordo que poderiam ter tido o cuidado de dar uma destinação mais adequada às carcaças dos animais sacrificados, mas transformar o inadequado em crime pode ser exagero.
Somos a sociedade da era das comunicações, e a internet, através das redes sociais, tem um papel muito importante na disseminação da informação. Qualquer pessoa pode se manifestar, é a expressão máxima da liberdade de opinião, porém enquanto nossos computadores trabalham com gibabites, as pessoas que os usam ainda têm dogmas, crenças, preconceitos e intolerâncias da idade da pedra, que aprecem integrados ao nosso DNA. Já vi nas redes sociais pessoas se mobilizando para evitar que cães sejam abatidos na China. Os chineses comem cães no almoço, é a cultura deles. Gostaria de saber o que essas mesmas pessoas achariam se indianos viesse ao Brasil tentar impedir o abate de vacas (sagradas naquela cultura) perseguindo caminhões boiadeiros e usando faixas e cartazes em frente a nossos frigoríficos.
Infelizmente os avanços tecnológicos ainda não nos fizeram evoluir como seres humanos no sentido de compreender as motivações do próximo e respeitar as liberdades e direitos individuais. Precisamos aprender a separa o que é imoral a nossos olhos, do que é ilegal.  


 

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Onde está a verdade?

Estamos perdendo a noção do real e do fictício, o inventado, o figurado

Estamos perdendo a noção do real e do fictício, o inventado, o figurado. Onde a verdade tem estrutura de ficção e o real é o possível. Assistimos diariamente a abusos sexuais, estupros, latrocínios, policiais marcados para morrer, filhos com os pais assaltando e roubando, sendo que deveriam estar na escola, praticando esportes e brincando. Suspeitos saindo das delegacias de polícia praticamente junto com as vítimas. Cada vez mais grades, cercas elétricas, câmeras, muros altos em nossas residências, para proteção contra tudo e contra todos, pessoas com lágrimas contidas, com vontade de chorar e o poder nas mãos de poucos e incompetentes.
Presídios superlotados, depósitos de gente. Isso tudo é o real. O fictício, o inventado, são as leis, as regras, para que todos possam viver em igualdade e sejam harmoniosamente cumpridas. O inventado é o voto, o trabalho, a poesia etc. Precisamos reinventar a relação humana em nosso século, pois o homem é contraditório, não sabe de onde vem nem aonde vai. Cada vez mais a ponte entre o real e o fictício está aumentando, ficando extensa. Ainda que as ideias conduzam o mundo, creio que as palavras estão em desalinho e as ações descompassadas, apesar de Lacan afirmar que a lei do homem é a lei da linguagem.
Epícteto, na Roma antiga, dizia: “O que perturba os homens não são as coisas, e sim as opiniões que eles têm em relação às coisas”. Há pessoas que veem as coisas como elas são e perguntam a si mesmas “por quê”? Outras sonham com as coisas como jamais foram. Entretanto, é importante ressaltar que estamos construindo um abismo entre estes dois temas, causando-nos uma falsa certeza, estando quase fora do nosso alcance, pois não podemos ficar nas janelas da vida esperando aquela chuva, aquele vento, aquele sol.
Por fim, você não pode impedir que os pássaros das preocupações voem ao redor de sua cabeça, mas pode impedir que façam ninhos sobre ela. (provérbio chinês).
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domingo, 20 de janeiro de 2013

Caminhamos para o fim?


A Inglaterra, através da chamada "Câmara dos Lordes" elaborou relatório onde entende que a descriminalização das drogas poderá levar o consumo a níveis mais baixos, entre os adolescentes ingleses. Esse relatório fala em drogas livres, comercializadas em casas legalizadas, sendo que, os produtos considerados "mais pesados" continuarão proibidos. Na contraposição, um pedido feito por deputados, para a formação de uma comissão de avaliação sobre a descriminalização de drogas foi rejeitada pelo Primeiro Ministro inglês, que considerou que os números dão conta de que, tanto na Inglaterra como no País de Gales, está acontecendo uma redução no que diz respeito ao consumo de entorpecentes, através de ações de programas, colocados em execução.

Nos parece, com todo respeito aos estudiosos do tema, que querem seguir o ditado simplificador: "se não podemos enfrentar os inimigos, melhor nos aliarmos a eles". Quer dizer, a força do crime organizado está tão alta que é melhor abrir espaço para o domínio total. Abrir uma porta para liberar o que se pode chamar de droga leve, entendemos, estaremos preparando o caminho para a liberação total e, com isso, criando gerações de zumbis, como se pode ver, especialmente, nas ruas das grandes cidades e que, inapelavelmente, serão os formadores das politicas do amanhã. 

Ora, se os atuais "senhores do mundo", com mentes sadias e operativas, estão encontrando dificuldades para conduzir o planeta a bons caminhos, o que se poderá esperar do futuro se não combatermos, hoje, a proliferação de drogas cada vez mais destrutivas, distribuídas por elementos que, apenas, visam interesses pessoais e usam tudo o que está disponível para alimentar a ânsia de poder que, certamente será facilitada pela falta de resistência da sociedade?

Vale, também, perguntar: quem terá maior vantagem com a liberação de drogas? O governo, que arrecadará mais impostos e economizará na busca de ferramentas para o combate a esse crime? Ou os viciados, que terão à disposição o "veneno diário", em cada farmácia de esquina? 
Não custa lembrar que, cada chefe de Estado, nos países mais desenvolvidos, tecnologicamente, tem ao seu alcance, o famoso "botão vermelho", capaz de disparar ogivas atômicas a grandes distâncias, mas não o fazem porque ainda usam o bom senso e o temor da reação. O poder de um país nas mãos de um grupo afetado pelas drogas e ânsia de expandir poder, sem medir consequências, será que teria o mesmo bom senso?


A tese da Câmara dos Lordes ingleses, certamente, não deve servir de exemplo, dentro da certeza que, desorganizado, o Mundo poderá estar marchando, ao encontro dos cavalheiros do Apocalipse.


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sábado, 19 de janeiro de 2013

O “crime” pode virar crime: O abandono dos filhos pelos pais ou responsáveis pode em breve ser caracterizado como crime


 O   abandono dos filhos pelos pais ou responsáveis pode em breve ser caracterizado como crime Um dos problemas mais graves da sociedade moderna, o abandono dos filhos pelos pais ou responsáveis, pode em breve ser caracterizado como crime.

O Projeto de Lei do Senado que modifica o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para caracterizar o abandono moral dos filhos como ilícito civil e penal voltará a ser analisado, ainda neste semestre, em decisão terminativa, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).

O texto já passou pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e ingressou na pauta da CDH em 11 de dezembro do ano passado, mas a discussão e a votação foram adiadas para este ano. De acordo com informações do Parlamento, o PLS (700/2007), do senador licenciado Marcelo Crivella (PRB-RJ), propõe a prevenção e solução de casos “intoleráveis” de negligência dos pais para com os filhos. E estabelece que o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente passa a vigorar acrescido do artigo 232-A. Ele prevê pena de detenção de um a seis meses a “quem deixar, sem justa causa, de prestar assistência moral ao filho menor de 18 anos, prejudicando-lhe o desenvolvimento psicológico e social”.

Em sua justificativa, Crivella lembra que a pensão alimentícia não esgota os deveres dos pais em relação a seus filhos. Há muito mais a ser dado aos menores, como atenção, presença e orientação. Para o senador, reduzir essa tarefa à assistência financeira é “fazer uma leitura muito pobre” da legislação.

O texto também aponta o artigo 227 da Constituição, que estabelece também como dever da família resguardar a criança e o adolescente “de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.

Já o Código Civil é citado nos artigos em que determina que novo casamento, separação judicial e divórcio não alteram as relações entre pais e filhos, garantindo a estes o direito à companhia dos primeiros. O Senado lembrou casos importantes, de repercussão nacional, para tratar do assunto. Um deles, o julgado em 2006, na 1ª Vara Cível de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Naquele ano um pai foi condenado a indenizar seu filho de 13 anos por abandono moral. Mais atual, de maio de 2012, em decisão inédita a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) também obrigou um pai a pagar R$ 200 mil à filha por abandono afetivo. Para a ministra Nancy Andrighi, responsável pela decisão, “amar é faculdade, cuidar é dever”. A proposta é de interesse público e deve ser acompanhada por todos.

Representa um avanço contra ato que, de tão praticado, tornou-se banal aos olhos de muitos. E comprometer para sempre a vida e o futuro de uma criança não é uma situação que deva ser aceita de braços cruzados.

Por: DDP

E agora, será que isso pega? Comente...

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O grande negócio da saúde


Não há melhor negócio no mundo do que a saúde. Não há maior prova de humanismo do que o exercício honrado da medicina.

São duas visões conflitantes da mesma ideia, a que une a vontade de viver e o medo permanente da morte. O negócio da saúde envolve a indústria do ensino, a atividade médica, as pesquisas biológicas e bioquímicas, o desenvolvimento técnico e científico, a produção e a venda dos medicamentos, os hospitais e as empresas de seguro médico, as chamadas operadoras.

Desde o governo militar a proliferação de universidades privadas no Brasil tem sido grande negócio político-empresarial. Muitas das licenças para o seu funcionamento foram concedidas aos políticos ou a parceiros de políticos. Essas licenças são renovadas, ainda que a qualidade do ensino seja cada vez mais deplorável.

 Sem laboratórios, sem lições práticas de anatomia e patologia, sem professores capacitados, surgiu o sistema em que médicos incompetentes ensinam alunos despreparados a se tornarem também médicos incompetentes e novos mestres de médicos ainda mais incompetentes.

Contrastando com esse quadro desolador, temos alguns dos melhores hospitais do mundo, estatais e privados, que servem de referência internacional. Mas, esses, embora muitos deles reservem leitos para o atendimento universal, pelo SUS, são de difícil acesso aos pobres.

A classe média se vale dos planos de saúde, que se têm revelado dos maiores e mais lucrativos negócios do Brasil, cobiçados pelos consórcios internacionais. A Amil, conforme se noticiou, está sendo adquirida por capitais norte-americanos. Essas instituições foram, em seu início, cooperativas de médicos e se transformaram em empresas mercantis comuns.

No passado, tínhamos menos recursos técnicos, mas os médicos, de modo geral, possuíam melhor formação. A maioria dos médicos brasileiros, felizmente, é constituída de homens e mulheres dedicados, com alta qualificação e profundo sentimento humanista. Muitos deles conseguiram superar as falhas do ensino, empenhando-se no aprimoramento constante.

As operadoras dos planos de saúde poderiam deixar de existir, se os recursos que arrecadam – grande parte deles destinados só a remunerar seus controladores – fossem administrados diretamente pelo Estado. Talvez o governo pudesse enfrentar a ganância dos donos dos planos de saúde de forma corajosa e radical, e não só suspendendo a ampliação do número de segurados, como decidiu agora a Anvisa.

É preciso todo o rigor contra os que violam a lei e, na alteração unilateral dos contratos, lesam os segurados – sobretudo os mais idosos – depois de os terem escalpelado ao longo dos anos.

Por: Mauro Santayana.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Auto(des)promoção

Preenchemos páginas e mais páginas de celulose até não poder mais...
Escrever. Reescrever e escrever de novo. Mas pra que tudo isso? Quem se importa com linhas e mais linhas dessa tolice toda? Equívocos tortos por linhas retas. O Eclesiastes estava certo. Não há limite para fazer livros e o estudar demais é enfado à carne. Capítulo 12, versículo 12. Preenchemos páginas e mais páginas de celulose até não poder mais. Jatos de tinta em papel reciclado. Depois seguimos escrevendo em telas. E se juntássemos toda a escrita do mundo, de todos os tempos em um único livro? Ou melhor, em única página... Digo, em uma frase que sintetizasse todo o conhecimento humano. Alexandria na casca de noz. Uma palavra apenas. Uma letra. Certamente não seria o aleph. E essa partícula de informação contendo todas as coisas seria vã. Patética. Vazia. Porque nada sabemos. Vendemos ideias póstumas, pagas à prestação.
Enquanto isso, por que contribuir para o jornal? Para a revista? Para o livro? Não por dinheiro, certamente. Nunca foi. E isso precisa ser dito bem claramente. Crianças, não se iludam, na sua maioria, os escritores nada ganham. Paulo Coelho não vale. Tudo de bom pra ele. Tá rico e é lido na Europa. Eduardo Bueno não vale. Massa os livrinhos dele. Refiro-me aos escrevinhadores artesanais que às pencas, gastam horas e horas em busca do melhor texto em que realmente poderiam dizer alguma coisa, que significasse algo a esse outro eu, chamado leitor. Tantos que investem do bolso pra deixar seus pensamentos impressos numa edição barata de luxo. Oferta de viúva pobre. E burra!
Não estou depressivo, nem bêbado. Tampouco desiludido. Minhas constatações de obviedades não me abalam mais. Todo mundo escreve e escreve e nada a ver. Vivemos um império sem sentidos. O.k., não estou ajudando. Azar. Autopromoção nunca foi meu forte e, ademais, as pessoas acabam se enchendo. Nesse ponto a literatura perde feio para as outras artes. Não adianta ler poesia no rádio. Rádio é outdoor de música. O cinema tem seus trailers. As mercadorias, o fetiche. Viajo bonito. Peguei o tempo da verdadeira maionese. Embalagem de vidro e tampa de lata. Mas como fazer um livro vender? Eu sei lá? Não sou mercador de Veneza. Como divulgar? Alguns autores deixam capítulos para baixar na internet. E como se divulgam os sites?
Propaganda é a alma do negócio. Foi a brilhante frase de um grande publicitário. Ou não. O circo agora usa avião de som. Nunca tinha visto essa. Vi um anjo voando no meio do céu e ele tinha uma mensagem para os quatro cantos da cidade. Queria achar, feito Nietzsche, que escrevo bons livros. Ter certeza que a certeza é que enlouquece e não a dúvida. A literatura é um circo voador. Seis leitores no globo da morte. É tudo que tenho. Capítulos bem escritos são melhores que os grand finales. Falta-me a autoconfiança. Preciso de agente literário. Cadê minha Gertrude Stein?
Tenho três livros em andamento. Tudo para este ano. Pra que isso? Digamos que consiga? Divulgarei como? Que loucura! Sou o Salieri de mim mesmo. Encomendo-me o próprio réquiem e depois morro de inveja do que poderia fazer se menos tempo tivesse e muito mais a dizer.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O começo da Lei das Cotas


Ao que parece, o Brasil precisa mesmo é oferecer mais chance aos estudantes que têm capacidade de avançar no ensino e sempre precisaram superar barreiras extras

Os primeiros números do uso da Lei de Cotas no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) mostraram que 864.830 inscritos optaram por disputar as vagas através do percentual racial e socioeconômico. A estreia da legislação federal sancionada ano passado representou 44% do total das inscrições, que somaram 1.949.958 em todo o país.

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, considerou a novidade como “um salto extraordinário” para facilitar o acesso ao ensino técnico e superior de uma fatia da sociedade que, até então, precisava disputar seu espaço com quem, teoricamente, sempre esteve mais bem preparado. O resultado era - e ainda é - a exclusão desse público das universidades e a elitização da educação profissionalizante.

E mesmo assim, com as dificuldades conhecidas da rede pública de educação, o resultado chegou a ser uma surpresa. O desempenho dos cotistas no processo seletivo foi semelhante ao dos alunos inscritos na ampla concorrência. Segundo o MEC, a nota de corte dos candidatos cotistas em Medicina, por exemplo, ficou em 761,67 pontos, enquanto a nota de corte da ampla concorrência foi 787,56 pontos. No curso de Pedagogia a nota de corte dos cotistas ficou em 591,58 e a da ampla concorrência em 598,08 pontos.

Ao que parece, o Brasil precisa mesmo é oferecer mais chance aos estudantes que têm capacidade de avançar no ensino e sempre precisaram superar barreiras extras. O governo da presidente Dilma Rousseff acerta, portanto, ao investir na educação. Vem desse setor as mudanças para uma vida melhor em várias esferas da sociedade, não só a pessoal, de quem é beneficiado. Muitos países fizeram suas “revoluções” através dos livros. Para a presidente, o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) tem sido fundamental para ampliar e democratizar o acesso de jovens à educação superior. “Sabemos que a educação é o principal instrumento para reduzir as desigualdades e construir um país mais justo e mais desenvolvido”, declarou Dilma, ao analisar a estreia da Lei de Cotas.

Os primeiros anos da nova maneira de enxergar e “fazer” a educação universitária serão de testes e, certamente, ajustes. Os estudantes que ingressarem agora através do novo modelo são os pioneiros de uma política que, no futuro, poderá ser apontada como o mecanismo responsável por lançar o país em outro nível educacional. Daqui a quatro, cinco ou seis anos, nas solenidades de formatura, serão estes os alunos a erguerem seus diplomas no ar, pela primeira vez, e a dizerem em seus discursos “eu sou cotista”. Ingressarão no mercado de trabalho ou, quem sabe, se tornarão professores universitários de novos jovens beneficiados pela lei social.


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