sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A lei que falta no Brasil


Alguém já disse, com muita propriedade, que para o Brasil dar certo e se tornar um "pais paraíso", falta somente a elaboração de uma única lei: "que sejam cumpridas as leis existentes!". Realmente, temos leis para tudo que possa ser imaginado e, em alguns casos, mais de uma lei para tratar do mesmo problema.

A Constituição está aí, com determinações que, tecnicamente, nem deveriam estar inseridas nesse documento. Existem ministérios que elaboram regulamentos, Normativas e outros que, por vezes, vão de encontro a regulamentos elaborados por outros órgãos.

Em suma, temos de tudo à disposição de todos, mas, na grande maioria das vezes, todo esse emaranhado de leis, regulamentos, normativas etc., ficam apenas no papel, quer por falta de efetivo de fiscalização, quer porque, muitas vezes, acredita-se que nada acontecerá e, então, quando acontece, surge a correria desenfreada para tentar amenizar o problema causado e, como natural, todos tentam "tirar o corpo fora e empurrar a responsabilidade do erro para outro setor".

A recente tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, é um fato para essa comprovação. De quem foi a culpa: dos bombeiros, do governo municipal, do Estado, dos proprietários da casa noturna, da banda que se apresentou na festa? Alguém ou um conjunto de erros propiciou a tragédia. Agora, como diz o ditado, "depois da porta arrombada, coloca-se tranca de ferro" e fez com que o assunto ganhasse - como não poderia ser diferente foros nacional e em todos os Estados e Municípios, surgiu a grande correria de fiscalização, fechamento de casas noturnas, recolhimento de alvarás, notificações e tudo mais que possa dizer respeito a falhas existentes em casas que estavam em pleno funcionamento.

  Essa correria desabalada, apenas e tão somente mostra que uma infinidade de erros estavam a vista, mas, simplesmente, não eram fiscalizados, pois, caso contrário, não teria o porquê de tanta movimentação para vistorias e análises. Se houvesse, quando do pedido de expedição do alvará de funcionamento, fiscalização eficiente, verificando item por item do que determina a lei, assim como visitas constantes de todos os órgãos envolvidos na segurança, muito poucas casas seriam flagradas por tentativa de burlar a lei.

  Por Moacir Rodrigues.

Comente, participe...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A orquestra que somos...


Não vejo como diferenciar em grau de importância uma profissão de outra. Cada uma compõe a imensa orquestra da sociedade.
“Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.” (Martin Luther King, político norte-americano, 1929-1968)

O sapateiro, o médico, o gari, o advogado, a dona de casa, o mecânico, o engenheiro, o agricultor, a empregada doméstica, o radialista - não vejo como diferenciar em grau de importância uma profissão de outra.

Cada uma compõe a imensa orquestra da sociedade. Se somente um dos artistas falhar, a música não será a mesma.

Penso na cidade tocada pela vassoura do gari. Imagine se ninguém aceitasse trabalhar nesse valoroso labor: recolher, com a vassoura, as folhas secas das árvores, os plásticos e restos de cigarros deixados por pessoas que ainda não descobriram que o planeta é a casa de todos e por isso deve ser limpa em todos os seus meandros.

O gari soleniza os espaços públicos para que os transeuntes andem livremente pelas praças, calçadas, ruas, ruelas - higienicamente no direito constitucional de ir e vir. O gari dignifica a cidade. E dignidade não tem preço.

Recentemente, no mundo, outra profissão se expande com um viés de ecologia e inserção social: a de catador. Resíduos sólidos produzidos pela humanidade precisam ser reciclados: é o lixo que deve virar luxo, seja no reaproveitamento para tornar-se em produtos utilitários, seja para tornar-se húmus para a riqueza dos solos.

Alguns se preocupam em escolher eufemismo para o ofício: “agente ambiental”. Qualquer que seja o nome, o mister é nobilíssimo.

Se cada um dos músicos da orquestra que somos buscar a perfeição em cada número musical, em cada ensaio, a apresentação final deverá ser bela, fascinante aos ouvidos onde chegar.

Cuidado: não vamos desafinar.

Por: Juarez Machado de Farias.

Comente o texto, participe...

Futuro genro


O pai estava bebendo cerveja, comendo amendoim e vendo TV na sala, 'vigiando' a filhinha de 13 anos, que namorava na varanda. Sono chegando, cerveja fazendo efeito, o ouvido começa a coçar e o babaca vai cutucar o ouvido com um amendoim, até que a casca se rompe e o caroço entala no ouvido.

O cara fica desesperado, tenta tirar o amendoim com o dedo e empurra mais pra dentro. Pega uma tampinha de caneta Bic e... Merda! O amendoim entrou mais ainda.

Nisso, o sujeito, aos gritos, chama a mulher, que veio correndo. Ao ver a cena, se apavora e já queria levar o maridão bêbado para o hospital. O cara não queria - Que mico! - Sou um cara de posição, não posso me expor ao ridículo, e tal, e tal.

A filha e o namorado (17 anos) entram na sala pra ver o que estava acontecendo.

  - Pai, que é isso! Que vergonha! Daí, diz o gaiato, namorado da filha: - Calma, que eu dou um jeito! Quando era escoteiro, era eu quem socorria os amigos!

O entalado, sem graça, apavorado, e agora puto com aquele sujeitinho dando palpite, acabou aceitando ajuda.

 O sujeitinho mete dois dedos no nariz do sogrão e ordena: - Fecha a boca e sopra pelo nariz, com toda a força!

E não é que o maldito amendoim pulou fora do ouvido! O namoradinho sai todo convencido, a moça ainda mais apaixonada.

 A mulher, encantada com o eficientíssimo rapaz, comenta pro maridão: - Viu que gracinha? Tão calmo, tão seguro nas emergências. O que será que ele vai ser?!

E o maridão, cada vez mais puto, responde: - Pelo cheiro dos dedos do filho da puta, vai ser ginecologista!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mal Acostumados

Estamos acostumados. Acostumamo-nos fácil com as coisas, com as situações. Eu mesmo! Já me acostumei com o banco quebrado do meu carro. Ando pela cidade todo torto, feito gurizão fazendo marra ao volante, meio de lado, encostado na porta. E essa algia no joelho?! Parece que sempre esteve por ali, doendo, incomodando. Mas não reclamo, já estou acostumado.
Houve um tempo em que as coisas não eram bem assim. Não apenas comigo, mas com a maioria das pessoas. Era difícil se acostumar com certas situações. Quase impossível. Não estávamos habituados, por exemplo, com corrupção desenfreada e vergonhosa. Nem com pedágios abusivos, absurdamente caros. Tampouco éramos, em outros tempos, acostumados com alagamentos semanais, criminosos sendo soltos da cadeia sem cumprir pena, “assaltos” nas bombas de gasolina, mortes em corredores de hospitais, alunos desrespeitando e até agredindo professores, “ficha suja” ocupando cargos eletivos, chacina no trânsito.
 Em outras épocas pintaríamos os rostos, empunharíamos sinetas e cartazes, faríamos passeatas, iríamos às ruas e exigiríamos um basta. Hoje protestamos apenas em campos de futebol, e não é contra o corte de cabelo ridículo que o craque insiste em manter na cabeça e que muitos torcedores copiam.
Sempre ouvi dizer que nos acostumamos fácil com o que é bom. Naturalmente. Porém, começamos perigosamente a nos acostumarmos com situações que seriam impensáveis em outros tempos. Vivemos a época do “normismo”, onde tudo, ou quase tudo, é normal. É normal vermos homens e mulheres com pouco ou nenhuma roupa na novela das sete. É normal vermos homens e mulheres dormindo na calçada sob o rigoroso inverno gaúcho. É normal apanhar o panfleto que nos entregam no Calçadão para logo depois jogarmos no chão, longe da lixeira. É normal esperarmos horas, dias e, muitas vezes, meses por uma consulta médica.
Dia desses fui ao banco. Mais de trinta pessoas esperando atendimento - muitos em pé - que estava sendo feito em dois caixas. Em quarenta minutos três pessoas foram atendidas no caixa especial, sendo que uma delas furou a fila (devia achar normal furar fila). Durante esse tempo o guichê para atendimento normal atendeu uma pessoa, o mesmo cliente que ali estava no momento em que entrei no banco. Um senhor do meu lado disse que não estava avezado com essas circunstâncias e foi procurar o gerente.
Pensei que fosse um turista estrangeiro, porque brasileiro é afeito a fila em banco. Mas não. Era, sim, uma dessas raras pessoas que ainda têm o poder da indignação e que lutam por seus direitos. Voltou o senhor, minutos depois, com a informação de que o gerente nada podia fazer, pois estava sem pessoal. Alguns de férias, outros remanejados para agências do litoral, outro doente. Mas valeu a tentativa e ficou o exemplo. Saí da agência noventa minutos depois, sem ser atendido, e fui consertar o assento do meu carro.
Comente, participe...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Depoimento: Nem tudo é como sonhamos...


Sei o duro que é viver com tais conflitos, uns contornáveis, outros quase sem solução. Nos últimos dias senti muito forte que em algum momento receberia sugestões para escrever sobre as famílias que vivem situações mais difíceis com doenças dos filhos, comportamentos inadequados pelo uso de drogas e consequente abandono do percurso natural do estudo.

Pensei sobre isso porque, realmente, costumo escrever muito sobre famílias com problemas mais contornáveis e onde mesmo com percalços os planos andam. Para algumas pessoas parece que não estou percebendo as dificuldades de outros e os conflitos intensos que vivem.

Pois bem, o e-mail chegou e impulsionou esta escrita... Há 33 anos trabalho como psicóloga clínica e diariamente me defronto com o drama real das pessoas com suas dores, perdas, desentendimentos, casamentos inadequados, brigas, filhos com desajustes e doenças mentais e físicas. Sei o duro que é viver com tais conflitos, uns contornáveis, outros quase sem solução.

 Pais à procura de um diagnóstico para seus filhos, que demora a chegar, medicações, internações e toda uma preocupação com o futuro e dependência dessas crias que continuarão presas aos pais, pela incapacidade de viverem com autonomia.

Doenças psíquicas como bipolaridade, esquizofrenia, depressão, transtornos de personalidade, psicopatia e outros tantos quadros sérios e com prognóstico preocupante, sem perspectiva. Nestas famílias os planos caem, despencam e o convívio intenso, as angústias, as dificuldades de adaptação nos ambientes sociais como escola começam a não ocorrer de maneira adequada trazendo reclamações, provocando outros problemas e envolvendo todos os membros de uma família.

 Todos passam a adoecer! Todos se enredam com os mesmos sintomas! Mas, nem todos filhos voam, ficam ao pé das mães e dos pais, apresentam problemas comportamentais, podem desenvolver doenças muito sérias e dependência continua.

Os ninhos não ficam vazios, como seria o mais adequado, e pior, quando saem os pais ficam cheios de angústia e preocupação, como é o caso dos filhos usuários de drogas.

O sofrimento dessas famílias é grande, as mudanças possíveis nem sempre são duradouras e o avanço sempre está atrelado aos retornos e a estaca zero. Não é fácil! Os casais, muitas vezes, se separam e as mulheres ficam sozinhas com seus filhos.

A assistência com saúde é uma caminhada longa, cansativa e a esperança se perde. Cada um tem uma história com personagens diferentes e com surpresas boas e desagradáveis... Saibam que eu compreendo, me envolvo com essas dores, mas também uso meus mecanismos para me manter mais saudável e um deles é minha escrita e minha maneira de ver a vida com um olhar de esperança. Não é fácil ser pais! Não é fácil constatar que nem tudo é como sonhamos...

Por: Marlise Flório Real.

Situação complicada. Comente sobre o assunto...

O país do futuro apresenta:


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Igreja Católica alemã pode aprovar pílula do dia seguinte


A Igreja Católica da Alemanha pode aprovar algumas pílulas do dia seguinte para vítimas de estupros. O cardeal de Colônia Joachim Meisner, aliado do papa Bento 16, declarou que algumas dessas pílulas - que evitam a gravidez e são tomadas após a relação sexual - não induzem o aborto e podem ser usadas em hospitais católicos.          

"Se uma medicação que impede a gravidez é usada depois de um estupro, com o objetivo de evitar a fecundação, então isso é aceitável, na minha opinião". Meisner fez as declarações depois que dois hospitais católicos se recusaram a tratar vítimas de estupro porque eles não poderiam prescrever a medicação. No passado, o cardeal se manifestou contrário ao uso de contraceptivos de emergência.          

O cardeal se desculpou publicamente pelo incidente e disse que o fato "nos envergonha profundamente, porque contradiz nossa missão cristã e nosso propósito".          

A Igreja Católica se opõe ao aborto e ao controle de natalidade artificial. Alguns católicos veem contraceptivos de emergência, como indutores de aborto. Meinser disse que alguns deles impedem a fecundação e podem ser usados em casos de estupro. Segundo ele, a mudança de opinião veio após ouvir de cientistas que algumas pílulas mais modernas não fazem efeito após a fecundação, apenas impedem que ela ocorra.

Por Folhapress

domingo, 3 de fevereiro de 2013

As respostas do amanhã estão sendo inventadas


Aqueles que não reconhecerem as mudanças em processamento no país - e que são muitas! - por certo julgarão o presente pelo passado

O mundo está in fieri. Há uma mudança nas relações de poder entre estados e também um deslocamento do poder dos estados para atores não estatais. Isto é: falo de um duplo fenômeno de deslocamento e de difusão do poder. Mas a mudança que atinge o globo terráqueo e o Brasil, em particular, é para melhor ou para pior? Bem, isso depende do ângulo de observação e da proposta filosófica de cada um. Todavia, de um ou de outro modo, todos nós, brasileiros, temos essa sensação no Brasil de hoje. Talvez, por isso, o vocábulo da moda seja "emergência".

A sensação de mudança não é em si mesma uma novidade. Países mudam e o Brasil, faz bastante tempo, sofre mudanças. A novidade, estou seguro, origina-se da percepção de que estamos vivendo um período de ruptura e de transformação, no qual a mudança ocorre em ritmo tão intenso que configura a emergência de alguma coisa nova que não se sabe bem o que é. Mais: que não repete o que existia antes. Não é assim? Por isso, é inegável que o Brasil trilha novos caminhos. A sociedade brasileira, sabe-se, sempre foi marcada por intensa mobilidade social. E essa mobilidade social acompanhou os processos de integração nacional, crescimento urbano e industrial ocorridos no transcurso do século passado.

O Brasil, como disse, está in fieri. E a mudança atual não repete o que existia antes. O país trilha novos caminhos. E essa sensação de estar vivendo algo novo, como afirmei, traz consigo uma sensação de insegurança. Percebemos que alguma coisa está sucedendo. As coisas estão in fieri. Mas que mudança é essa? Para onde estamos indo?

Diariamente, a mídia nos fala de coisas novas. Fala-se, por exemplo, da emergência de uma nova classe média. Em verdade, as classes médias brasileiras são muitas. De outra feita, as profissões do futuro estão sendo inventadas hoje. E, muitas delas, não são produtos dos bancos universitários, mas sim de novos modos de fazer, de trabalhar, de aglutinar competências. É isso que ocorre. E é, justamente, esse complexo de dinâmicas e oportunidades antes não existente, que gera a sensação de que estamos avançando, embora não se saiba muito bem para onde vamos.

 No passado, cabe dizer, também avançamos, mas tínhamos um norte, sabíamos para onde queríamos seguir e estávamos seguindo. No passado, reitero, o caminho do progresso era repetir o que dera certo lá fora. Por isso, a economia brasileira cresceu - não há dúvida! - mas a sociedade não mudou. Ela apenas estufou: migração favelização, colapso dos serviços públicos etc.

Hoje, caro amigo, não é mais assim. Em razão da globalização, não se consegue fechar nada, absolutamente nada, nem a economia. Nos dias atuais, ninguém propõe a generalização do acesso à antiga sociedade. Mais: a interrogação sobre a sociedade é mais desafiadora do que a questão do mercado. Os temas em debate são outros. Hoje, as grandes interrogações dizem respeito à sociedade. O que está sucedendo na sociedade? Como as pessoas - os brasileiros, no caso - vão reagir diante das novidades que afetam diretamente sua vida?

 É a emergência do novo que move a sociedade. Não estamos mais a repetir o passado nem a seguir modelos de fora. Algo original está sendo gerado. As formas de socialização estão mudando. O importante agora é compartilhar. Comunidades virtuais coexistem com o mundo real.

A sociedade emergente é estranha. Complexa. Ela causa espécie. Mas aqueles que não reconhecerem as mudanças em processamento no país - e que são muitas! - por certo julgarão o presente pelo passado. E julgar o presente pelo passado, caro leitor, é condenar o presente. Toda a mudança, face ao desconhecimento de seus efeitos, é geradora de medo. E o medo nada mais é do que uma reação natural do ser humano diante do desconhecido.

A simples visão de que nada muda quando não há revolução é conservadora. Patética. Os nostálgicos do passado - encastelados na sua nostalgia do ontem! - serão incapazes de compreender o presente. Mais: calarão sobre o futuro. Não têm o que dizer. Ficam sem saber o que é bom e o que é ruim.

A sociedade contemporânea não ferve o tempo todo. Não é assim. Ela aquece. Ferve. Esfria. Mas o debate aparece adiante. Com seus altos e baixos, idas e vindas de temas, o ato de debater é contínuo. E, por veredas imprevistas, o debate converge para ações coletivas.

Não vivemos, na terra revelada por Cabral e abençoada por frei Henrique de Coimbra, um momento em que se tenha recibo. Um momento em que se tenha resposta. Mas, por certo, as respostas de hoje não serão as respostas do passado. As respostas do futuro, leitor amigo, estão sendo inventadas: aqui e agora.


Participe comentando...

 

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Será que caso ou compro uma bicicleta?


Casar pode ser o sonho de muita gente. Entrar no altar de mãos dadas com o teu pai, ver o amor da tua vida ali, parado um pouco mais à frente, te esperando para te receber até o final da vida. Mas, para! Isso é o que acontece em filmes, essa é apenas a parte boa e bonita do casamento. Casamento tem brigas, tem barraco, tem ciúmes, tem gastos, tem desgaste emocional, tem uma porção de coisas.

E a bicicleta? A bicicleta é ela e pronto. Ela não te cobra se tu chegares tarde em casa. Não vai te fazer cara feia se tu fores a um churrasco na casa dos teus amigos. Nem irá te mandar mensagem dizendo: "E aí?". Claro que não! A bicicleta é simples, meiga e uma das tuas melhores amigas. Tu sobes, abre as pernas e sai por aí...

Ela tem a capacidade de te proporcionar a sensação de liberdade mais gostosa do mundo. A brisa acariciando teus cabelos, a confusão do trânsito te dá a mais infinita leveza, independência, felicidade...

Mas, vem cá?! Quem vai passar o domingo contigo quando estiveres com frio e cansado? Quem vai te fazer companhia em uma quarta-feira de feriado? Quem irá cobrar tua presença quando deres saudades? Quem vai te mandar aquela mensagem de boa noite só no objetivo de dizer: "Tu és a última pessoa que penso antes de dormir"? Com quem irás construir uma história?

Ter uma bicicleta é ótimo, mas eu sugiro-lhes terem os dois. E vocês podem! O dia que o casamento estiver tenso, pesado, pega tua companheira e vai por aí refrescar tua mente. Desgasta os pneus da bike e não o teu relacionamento. Trai apenas o caminho que tu fazias antes. Mude a rota. Grite de raiva e chute o quadro da companheira de duas rodas quando ela inventar de deixar a correia escapar. Explode. Grita. Xinga. Ama e odeia a tua magrela. Deixa-a em um canto, esquece por um tempo, pega de novo. Porque bicicleta dá, dá e pode.

Agora casamento na primeira esquecida, um dos "pneus" já vai começar a esvaziar. No segundo grito, já esvazia o da frente. Na terceira esquecida, na quarta briga, na quinta confusão, já irá furar o pneu da frente e o de trás. Aí meu amigo, não adianta tapar o furo com pistache. Cuida bem do que é teu, cuida e te dedica no afeto de quem está ao teu lado. E a minha magrela? Perguntariam os indignados.

Ah, ela vai estar sempre ali no cantinho da garagem, esperando por mais e uma velha/nova aventura. Então, casa! Casa e compra uma bicicleta...


Comente, participe....