domingo, 5 de janeiro de 2014

Túmulo de cervejeiro dos faraós é descoberto no Egito

CAIRO, 3 janeiro 2014 - Uma equipe de arqueólogos japoneses descobriu a tumba de um produtor de cerveja da dinastia Ramsés, que governou o Egito há 3.200 anos, indicou nesta sexta-feira o Ministério de Antiguidades egípcio.

A descoberta do túmulo de Khonso Em Hebreus "é uma das mais importantes (...) na necrópole de Tebas", em Luxor, cidade do sul do país famoso por seus templos faraônicos do Nilo, considerou o ministro Mohamed Ibrahim em um comunicado.

Jiro Kondo, à frente da missão da Universidade japonesa de Waseda, explicou que sua equipe tinha descoberto o túmulo "ao limpar o pátio de uma tumba pertencente a um alto funcionário durante o reinado de Amenhotep III".

O ministro Ibrahim destacou a presença de "paisagens desenhadas e várias inscrições nas paredes e teto (...) que revelam muitos detalhes da vida cotidiana no antigo Egito, incluindo a relação entre o marido e sua esposa e seus filhos, e os rituais religiosos.

"Uma parede mostra o chefe dos cervejeiros, também chefe das reservas reais, fazendo oferendas aos deuses, cercado por sua esposa e filha", de acordo com o comunicado do ministério.

Agência AFP.


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O adeus a quem tanto amei

Essa senhora manteve seu casamento até o fim sem traição. São inúmeros os apaixonados pelo Brasil que tem muitas histórias para contar e tiveram suas famílias sustentadas pela labuta em uma kombi. 

É certo que o Brasil é o último mercado do mundo a produzir a Kombi (atualmente, algumas poucas unidades são importadas para a Holanda como motorhomes. Entretanto urge ressaltar, que a decisão da Volkswagen de interromper a produção da Kombi  foi tomada justamente porque o veículo não cumprirá as regulamentações de segurança que devem entrar em vigor no primeiro dia de 2014 - e que incluem preponderantemente, a exigência de que os carros saiam da fábrica com duplo  airbag e freio ABS (sistema que evita a derrapagem das rodas durante a frenagem em pistas escorregadias).Se considerássemos o desenho atual, apesar do grande conforto diferenciado para o ato de dirigir e visão da
pista de rolamento, os airbags seriam inflados para cima, tornando ineficaz o funcionamento dos mesmos.

Last Edition. "Última Edição". Será com esse sobrenome que a Volkswagen Kombi se despedirá do mercado brasileiro após mais de 5 décadas. Alguns sentirão saudades principalmente deste motor 1.4 Total Flex, que rende 80  cavalos com etanol.

Entretanto para levar pra casa essa versão bastante especial, os consumidores interessados terão que arcar com R$ 85 mil, quase o dobro do preço base do utilitário, em torno de R$ 47.000 e que vai abrir uma lacuna porque não se apresenta atualmente algo no mesmo nível de confiança e com este valor. Baixa manutenção e peças com preços acessíveis ficarão na memória, até porque neste dia 19 próximo passado,um pouquinho depois do almoço, por volta das 13:00h, a última Kombi saiu da linha de montagem na fábrica da Volkswagen na rodovia Anchieta, São Bernardo do
Campo, interior de São Paulo.

Imagino até que a última unidade provavelmente irá para o museu da montadora na Alemanha. Despedida digna depois de mais de 1,5 milhão de unidades produzidas, 63 anos de mercado brasileiro, 60 anos de montagem no país e 57 anos de produção seriada. Historicamente ela foi o primeiro veículo produzido pela Volkswagem no Brasil, antes mesmo do não menos famoso Fusca. Foi idealizada pelo holandês Ben Pon na década de 1940, que projetou a combinação do Volkswagen Sedan em um veículo de carga leve.

Lançada na Alemanha em 1950, o modelo era equipado com motor 4 cilindros 1.200 com refrigeração a ar que dava a garantia de curiosidade é que a última kombi tem o final do seu chassi EP022526. Pra quem gosta de história fica claro perceber que os trabalhadores das fábricas brasileiras construíram não só suas vidas ao produzirem a Kombi, mas também as de milhares de outros brasileiros, que graças às características exclusivas deste automóvel resistente e evidentemente feito para trabalhar,  reuniram seus esforços, suas ambições,seus sonhos e seus talentos para abrirem negócios ou prestarem serviços que ajudaram a erguer esse rincão, onde apenas a clássica "perua" tinha condições de oferecer um custo-benefício que não havia nos concorrentes.

Pra quem gosta de curiosidade,  o nome Kombi é uma abreviação, adotada no Brasil, para o termo em alemão Kombinationsfahrzeug, que em português significa "veículo combinado". Mas não combinaram que ela não iria deixar  saudades. Enfim, neste natal ela nos deixa sem ver um rival que a tenha sobrepujado. Não houve traições...só amores. Desde as crianças em idade escolar até o adulto em trabalhos de feiras livre. Destarte parece-me ser esta a última de uma geração de automotores que o Brasil jamais esquecerá, por tudo que ela representa para as famílias brasileiras.

Rosildo Barcellos.


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sábado, 4 de janeiro de 2014

Mulher morre de tanto trabalhar: o que mudou nas relações de trabalho desde a Revolução Industrial?

A morte da redatora Mita Diran, da agência de publicidade Young & Rubicam, após cumprir uma insana jornada de três dias ininterruptos de trabalho aliado ao abuso no consumo de energético, nos remete aos séculos XVIII e XIX, quando camponeses tiveram de abandonar sua vida pacata das pequenas cidades medievais onde exerciam e controlavam o ritmo de seu trabalho artesanal nas chamadas corporações de ofício, face à concorrência desleal da máquina a vapor e dos teares - pilares da revolução industrial.

Sem armas para competir com a escala de produção e os baixos preços, viram-se obrigados a mudar para as grandes cidades que começavam a se formar. A população de Londres, como exemplo, passou de 800 mil habitantes, em 1780, para mais de 5 milhões, em 1880. Lá chegando eram forçados a vender sua mão de obra aos burgueses proprietários das fábricas, submetidos a condições de trabalho insalubres, fossem homens, mulheres e até crianças em jornadas semanais que chegavam a atingir 80 horas semanais.

Apesar dos movimentos Ludista e Cartista que lutavam pelo fim da exploração infantil, regulamentação do trabalho feminino e folga semanal, pouco se avançou nas relações trabalhistas, gerando o que conhecemos como sistema de produção em massa no início do século XX. Teóricos como o americano Taylor e o francês Fayol, e empresários como Henry Ford e seu modelo T, serviram de inspiração para Charles Chaplin criar o filme Tempos Modernos.

A película mostra de maneira caricata a alienação dos funcionários, forçados a cumprirem longas jornadas de trabalho, ditadas pela velocidade da linha de produção e pelos ferozes capatazes da época. Obrigados a seguirem o ritmo em movimentos repetitivos, não raro desenvolviam problemas psicológicos e tiques nervosos tais como o observado por Chaplin ao deixar seu posto de trabalho, caminhando como se ainda apertasse parafusos. 

O foco estava no aumento da produtividade, que crescia a taxas nunca vistas.

Em meados dos anos 30 começa a surgir uma luz no fim do túnel para os trabalhadores, através da experiência de Hawthorne, patrocinada pelo Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos em uma fábrica da empresa Western Eletric Company. Conduzida pelo pesquisador Elton Mayo, tinha como objetivo verificar a influencia da iluminação sobre a produtividade dos empregados. Para conduzi-la, um grupo de trabalhadoras foi separada e utilizada como grupo de controle.

Foram oferecidas a este grupo diversas vantagens além da iluminação, tais como pausas para o lanche, folgas semanais e horários reduzidos de trabalho, sempre comparando com a produtividade, a qual obviamente subia cada vez que se introduziam mais benefícios. 

Curiosamente ao se retirar todas as vantagens concedidas a produtividade subiu como nunca, intrigando os pesquisadores que aguardavam reação contrária.

Descobriu-se através de entrevistas em profundidade, que o principal fator para o aumento da eficiência estava na formação dos grupos informais. Com maior liberdade e menor pressão, as trabalhadoras criaram vínculos de relacionamento que antes não eram possíveis em face da aridez das condições de trabalho. Unidas, felizes e com um melhor ambiente de trabalho, demonstraram pela primeira vez a importância no cuidado com as pessoas, o que hoje parece algo óbvio e desejável às empresas que procuram reter os melhores talentos.

Colocado este pano de fundo, voltemos ao caso da redatora. Cresci vendo meu pai chegando muito cedo ao escritório, literalmente acendendo e apagando as luzes durante mais de 30 anos na mesma empresa. 

Pertencente à geração silenciosa, tinha como características o trabalho árduo, a paciência, o conformismo e o respeito, sobrepondo o dever ao prazer. Creio seja por isso se orgulhava de nunca tirar férias. Nascido no final dos anos 60, portanto membro da geração X, sempre fui mais cético, informal e avesso a hierarquia, promoções por tempo de serviço e horários pré-determinados.

Face as diferentes gerações, nossos conflitos eram sempre pontuados por diferenças de pontos de vista, acentuados em minhas trocas de emprego em busca de melhores oportunidades ou insistência em tirar férias de 30 dias todos os anos, algo inimaginável para um silencioso. 

Hoje não mais discutimos, creio pelo fato de já estarmos ambos ultrapassados em relação a nova geração Y. Inteligentes, rápidos, ousados e multitarefas querem mudar o mudo, aliando trabalho e vida pessoal em projetos que lhes tragam prazer, tais como os jovens do Vale do Silício.

Por fim, a morte de Mita Diran, aliada à pergunta ingênua de minha filha de dez anos sobre se ainda havia escravidão na Indonésia, me fez repensar os conceitos e valores que venho incutindo com meus discursos a uma integrante da nova geração Z. 

Pontuar os pontos fortes e fracos de cada uma das escolhas, as consequências em sua vida pessoal, respeitando as diferenças entre gerações talvez seja o caminho mais indicado, reforçando sempre os malefícios dos excessos, seja em frente a um tear ou um notebook. 



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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Eu tenho um sonho: um futuro digital melhor

Este ano o Brasil alcançou a marca de 117,8 milhões de pessoas com acesso à internet banda larga fixa e móvel. Um número realmente expressivo, o qual acompanha o avanço tecnológico que parece, finalmente, ter alçado voo no país. 

Atentas a esse movimento, empresas de diversos setores correm para lançar plataformas online em tentativas, muitas vezes, frustradas de conquistar o consumidor, que está cada vez mais conectado e exigente. 

São diversos aplicativos, hotsites, campanhas e promoções. Criações multiplataforma desenvolvidas para abocanhar cliques e compartilhamentos para aumentar o share da empresa ou, simplesmente, ajudar a expandir e consolidar a marca. A eterna busca por um lugar ao sol entre tantos bits.

No entanto, um recente estudo da empresa sobre o uso de redes sociais no meio corporativo apontou que a grande maioria das companhias que se arriscam no universo online ainda não sabem bem o que fazer com tantos dados transitando pela rede. As principais empresas de cada setor gastam em média US$ 28 milhões em atividades online, mas somente 10% delas notam um retorno positivo sobre esse investimento. Um resultado muito aquém do ideal. Mas será que o problema está nas redes sociais ou na forma como as empresas se relacionam com elas?

Ao que parece, grandes gestores ainda não conseguem compreender o poder de ferramentas como Facebook e Twitter, capazes de criar situações e experiências únicas para cada usuário, transformando-o em um cliente em potencial, além de proporcionar maior interação entre público x empresa e empresa x funcionários. 

Muitas companhias coletam os dados, mas não avaliam o perfil de cada consumidor individualmente. As informações são todas colocadas em uma mesma pilha e o que se oferece são apenas produtos/serviços enlatados, com o mesmo formato, para todos. A verdade é que as instituições veem esses dados como um grande emaranhado de gostos e preferências, flutuando no complexo universo web. 

Muitas, não estão dispostas a qualificar pessoas ou departamentos para desfazer os nós, cruzar informações, alinhar tendências e prover soluções que melhor se encaixem no perfil desse usuário de maneira eficaz e assertiva.

É preciso inovar e tratar o consumidor como ele realmente é: único.

O consumidor de hoje é multicanal, ou seja, compra em diversos meios no momento que for mais conveniente e prático para ele e pode cruzar compras em ambientes físicos e virtuais. Em muitos casos, o consumidor não distingue mais o online do offline. 

Quando online, está conectado às redes sociais, compartilha e expõe sua opinião com amigos sobre determinadas empresas, produtos e serviços. Pesquisa e aprende, desenvolvendo um ponto de vista que influencia toda sua rede de contatos. O jeito como o consumidor se relaciona com o mundo real e o virtual mudou, e as empresas precisam a companhar essa mudança, evoluir junto.

Segundo pesquisas recentes feitas nos EUA, constatou-se que o consumidor que participa da vida social de uma determinada marca por meio das redes sociais, tende a consumir e indicar mais os produtos ou serviços dessa marca. Esse engajamento, porém, deve ir de encontro aos interesses do usuário, não somente do que a marca quer “empurrar” para ele.

Escolher levar a empresa para o universo web é uma decisão que deve ser tomada com cautela, embora necessária, se a companhia quiser seguir o fluxo do mercado atual e se reinventar. 

Estamos cara a cara com o novo futuro digital, que avança a passos largos e inevitáveis em nossa direção. As fórmulas utilizadas pelas empresas no passado não se ajustam mais a esse novo modelo de consumidor que sabe o que quer e nos mostra isso, claramente.

 Cabe agora, a cada empresa, saber fazer uso do futuro digital e garantir melhores resultados.



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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O invencível Aquiles tinha até ajuda aérea!!!

FAIL!!!

Plano é obrigado a partir de hoje a cobrir 37 remédios contra o câncer

Entra em vigor hoje (2) a ampliação da cobertura obrigatória para beneficiários de planos de saúde, que inclui 37 medicamentos orais para tratamento domiciliar de câncer, além de 50 novos procedimentos como exames, consultas e cirurgias. As mudanças foram anunciadas em outubro pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

É a primeira vez que os planos de saúde terão que cobrir os custos com medicamentos via oral para o tratamento do câncer em casa. Com essa inclusão, passam a ser ofertados remédios para o tratamento de tumores de grande prevalência na população como estômago, fígado, intestino, rim, testículo, mama, útero e ovário. De acordo com a ANS, a forma de distribuição desses medicamentos ficará a cargo de cada operadora de plano de saúde.

Entre as inclusões na cobertura dos planos estão 28 cirurgias por videolaparoscopia (que reduzem o risco para o paciente e o tempo de internação), a obrigatoriedade de fornecimento de bolsas coletoras intestinais e urinárias para pacientes ostomizados, o tratamento de dores crônicas nas costas utilizando radiofrequência e o tratamento de tumores neuroendócrinos por medicina nuclear.

A ANS também definiu 22 critérios para o uso adequado de tecnologias no rastreamento e tratamento de 29 doenças genéticas. A medida amplia a cobertura obrigatória, com exames mais complexos.

A cobertura odontológica também foi ampliada com a inclusão de enxertos periodontais, teste de identificação da acidez da saliva e cirurgia de gengiva para facilitar a higienização dentária.

Além das inclusões, a ANS ampliou o uso de 44 procedimentos já ofertados. Entre eles, o exame PET Scan (procedimento que serve para detecção precoce de tumores ou de novos focos), que passa de três para oito indicações. O número de consultas e sessões com fonoaudiólogo e nutricionista também foi ampliado para casos específicos.

A cada dois anos, a agência revisa a lista mínima de procedimentos cobertos pelas operadoras. A ampliação atual beneficia 42,5 milhões de consumidores com plano de saúde de assistência médica e mais 18,7 milhões com planos exclusivamente odontológicos, de acordo com a ANS.

No caso de operadoras que não cumprirem a cobertura obrigatória, os consumidores devem entre em contato com o Disque ANS, no 0800 701 9656, para fazer denúncias ou comparecer a um dos 12 núcleos da agência instalados em todas as regiões do país. A ANS informa que as operadoras que não cumprirem a cobertura estão sujeitas a multa de R$ 80 mil por infração cometida.

A agência preparou um documento com perguntas e respostas para esclarecer dúvidas dos consumidores sobre o novo rol de procedimentos.
Em nota, a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), entidade que reúne operadoras de planos de saúde, informou que a revisão do rol de procedimentos tem efeito sobre os custos, com previsão de crescimento das despesas das operadoras de saúde. Os impactos financeiros reais, no entanto, só poderão ser medidos a partir do próximo ano, de acordo com a federação.

“Os impactos dessas incorporações só poderão ser medidos a partir do ano subsequente ao início das novas coberturas obrigatórias, com o acompanhamento de sua execução. Mas o ideal seria que, previamente à incorporação desses procedimentos, a ANS analisasse a relação de custo-efetividade das novas incorporações, garantindo resultados assistenciais favoráveis aos beneficiários dos planos e, ao mesmo tempo, preservando o equilíbrio do sistema", diz a nota.

De acordo com a ANS, a inclusão das novas coberturas é avaliada por um ano e, caso a agência identifique impacto financeiro, este será avaliado no reajuste do ano seguinte, que é 2015.

 Pelas regras atuais, a ANS estabelece o reajuste apenas para os planos individuais e familiares e pode apenas sugerir o reajuste para os planos coletivos, que atendem a maior parte dos usuários.

 Agência Brasil.


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Sem caneta não dá!!!


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Um telhado verde contra o calor

Dois prédios na capital paulista. Um com laje de concreto e outro com área verde. No topo do segundo edifício, com o jardim, a temperatura é até 5,3ºC mais baixa. No mesmo local há ainda ganho de 15,7% em relação à umidade relativa do ar.

 Tais constatações foram feitas pelo geógrafo Humberto Catuzzo, em estudo pela Universidade de São Paulo (USP), e apontam que o chamado “telhado verde” pode ser um importante instrumento para reduzir os impactos do calor, principalmente nos grandes centros urbanos.

“Se imaginarmos que está fazendo 25°C no prédio com telhado verde e, no de concreto, 30°C, isso faz uma grande diferença dentro daquele microclima”, afirmou o pesquisador e autor da tese de doutorado com esse tema, em entrevista à Agência Brasil. Apesar de ainda não ser possível definir exatamente o impacto da iniciativa se ela fosse expandida, as diferenças de temperatura e umidade constatadas na experiência foram consideradas significativas.

Os dois edifícios, o Conde Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo, e o Mercantil/Finasa, escolhidos por estarem sujeitos a condições atmosféricas e de insolação semelhantes, receberam sensores instalados a 1,5 metro do chão que, durante um ano e 11 dias, mediram a temperatura e a umidade relativa do ar na área de seus telhados.

Segundo Catuzzo, a ilha de calor existente no centro de São Paulo eleva em até 10°C a temperatura na região durante o verão. O concreto, o pavimento e a intensa circulação de veículos fazem com que essa área tenha um aquecimento maior em relação a outras. O uso de telhados ecológicos, por sua vez, ajudaria a solucionar a falta de espaços no centro para abrigar áreas verdes.

Segundo o geógrafo, esses pontos com plantas absorvem cerca de 30% da luz irradiada pelo sol. “Parte da energia é retida pelas plantas, até pela questão da fotossíntese, e uma menor quantidade de calor é emitida de novo para a atmosfera”, explicou ele. Já nos locais sem vegetação, o concreto recebe a energia solar, aquece e emite novamente calor, ou seja, aquece ainda mais.

Há também outras vantagens em ganhos climáticos com o telhado verde. Com o aumento o conforto térmico no interior das edificações, reduz-se, por exemplo, o uso do ar-condicionado. Também ocorre uma melhora no escoamento pluvial, fundamental nas cidades que sofrem com enchentes, porque a água da chuva passa a escoar mais lentamente em direção às galerias.

O geógrafo destacou ainda que a expansão desses telhados pode formar corredores ecológicos nas grandes cidades e interligar várias coberturas às áreas preservadas. “No 14° andar de um prédio, existe vida. São pássaros, como sabiás e bem-te-vis. Há todo um ecossistema, mesmo que reduzido, funcionando perfeitamente. Ver a cidade mais verde significaria ganho de qualidade ambiental para a comunidade como um todo.”

Para instalar um telhado verde é preciso fazer cálculos e verificar qual o modelo mais adequado, de acordo com as condições estruturais do prédio, lembrou. 

Quem sabe não está aí uma boa ideia para as cidades que crescem para cima?


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