domingo, 17 de fevereiro de 2013

Menos mal, eu nã o penso como o Bial




“Pensar de modo diferente do aceito pela corrente do momento tem sempre um caráter clandestino e do contra, quase indecente, doentio e blasfemo e por esta razão é socialmente perigoso para o indivíduo. Aquele que pensa por conta própria está indo incessantemente contra a corrente” (excerto atribuído a Carl Gustav Jung, (livro Realidade da Alma) e utilizado por Murillo Nunes de Azevedo em sua obra: O paraíso é aqui.
Confesso que algumas seções como é o caso, “cinema” e até esportes, não me atraem deveras na leitura de jornais. Porém, com tempo para fazer uma leitura mais acurada em alguns dias de férias deparei-me com uma entrevista sobre cinema tendo como personagem Pedro Bial,(ZH-05.02), conhecido jornalista e, nos últimos anos, mais identificado por seu vínculo ao BBB. A última pergunta do entrevistador solicitou do seu interlocutor o parecer sobre o referido
programa que tem a sua condução. Ao que Bial retrucou: “Acho o formato sensacional, tem o marombado (malandro, astuto, esperto, acréscimo meu) a gostosa. Tem gente que reclama, mas o formato do programa não exige pessoas densas. Algumas até são, mas o importante que tenham imaginação. Tem gente que decepciona, outros que surpreendem (...), mas o Brasil se reflete no BBB. Quem não aceita isso não gosta do país em que vive”.

Há pelo menos duas reações que uma declaração da natureza acima pode provocar no leitor. A primeira é de concordância - parcial ou não e a segunda de rejeição, e até de indignação, mormente quando alguém quer incutir no leitor tamanha heresia e descomunal afirmação. É no mínimo petulante e descabido dizer que “o Brasil se reflete no BBB”, ou pior ainda: “quem não aceita isso não gosta do país em que vive”.

Sinceramente, pensei que o referido jornalista tivesse um pouco mais de bom senso e de respeito aos telespectadores, os quais não aceitam, tampouco toleram e sequer se coadunam com programas de tão baixa qualidade, dentre os quais o BBB se destaca.

 Acredito até existir muitos telespectadores de palato discutível, que ingerem qualquer alimento e se contentam com vulgaridades, com bobagens trivialidades e chatices. É verdade, “o formato do programa BBB, não exige pessoas densas”. O que se vê lá é gente muito vazia, insossa e de pouco conteúdo. Porém, querer incluir na lista todos é no mínimo estereotipar, é subestimar a capacidade pensante, é ir de encontro ao discernimento e à inteligência de pessoas seletas e do melhor escol que jamais se identificam com programas da espécie do BBB. Poupe-nos de tão infeliz rotulação, senhor Bial!

Penso que, a título de ilustração e até de reflexão caberia ao mister Bial revisar os seus conceitos tendo como base o pensamento no lide (leading) acima e, ainda ler o fantástico artigo do frei Beto intitulado: Do mundo virtual ao Espiritual, que dentre outras constatações assevera que a televisão, com raras exceções, nos empobrece culturalmente. “A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então é o dia nacional da imbecilização coletiva.

Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde tempo diante da tela”. Não me parece exagero estender dizendo que a inépcia extrapolou o domingo e perpassou os outros dias da semana. O BBB diário é uma prova. Menos mal que eu não penso como e Bial e, acredito você amigo leitor exigente, também não.
 por: Neivo Zago.

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sábado, 16 de fevereiro de 2013

O direito de não morrer (antes da hora)

Não basta existir a determinação legal garantidora da liberdade do cidadão O direito de ir e vir, vigente desde a Grécia e a Roma Antiga e integrante da atual Constituição Brasileira - que no inciso XV do artigo 5º, estabelece “É livre a locomoção no Território Nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens" - está cada dia mais ameaçado em nosso país.
 
Ao não conseguir fazer cessar os ataques do crime organizado, e ter de aceitar que a partir de agora os ônibus deixem de circular e, por isso, ser obrigado a suspender as aulas no período noturno, o Estado de Santa Catarina deixa de garantir o ir e vir de seus cidadãos.
 
E o mesmo ocorre em São Paulo, Rio de Janeiro e outras unidades da Federação onde as pessoas são assassinadas pelo simples fato de se encontrarem na rua ou em locais de frequência pública. Não basta existir a determinação legal garantidora da liberdade do cidadão.
 
O Estado, como instituição, tem o dever de manter o ambiente suficientemente seguro para a população fazer sua vida, produzir e, cada um, oferecer sua contribuição para o desenvolvimento nacional. Os poderes públicos foram criados e arrecadam tributos para o custeio dos serviços comuns a todos. Os governos, dentro de uma escala de obrigações estabelecidas em lei, têm a tarefa de manter a segurança pública, realizar serviços sociais e conservar em funcionamento o vasto conjunto de órgãos e repartições criado com finalidades específicas.
Quando não o fazem, estão descumprindo suas finalidades e não têm razão para continuar. O que ocorre agora em Santa Catarina, São Paulo, Rio e em outros estados, onde grupos (criminosos ou não) insistem em confrontar o poder estatal, é inadmissível.
 
Desde a redemocratização, iniciada nos anos 1970, o Brasil tornou-se uma grande casa da mãe joana onde, em razão da maldita reeleição e outros interesses, as autoridades e pseudolideranças, para se parecerem democráticas, abrem mão de princípios que, independentemente do regime, são inegociáveis. As forças de segurança, por exemplo, têm um papel a cumprir, sem qualquer conotação ideológica.
 
Mas esse papel multas vezes é negligenciado porque o governo “é democrático”. Com isso, as facções, milícias, quadrilhas e esquemas criminosos crescem e desafiam o poder constituído. O Estado é leniente e o povo vitima.
 
Senhora presidente, senhores governadores. Por favor, ajam (ou reajam) em nome da democracia. O povo não aguenta mais ser desrespeitado naquilo que é mais caro e básico na vida de cada indivíduo: o direito de ir, vir, viver, estudar, trabalhar, progredir e não morrer antes da hora...
 
 
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O conceito do preconceito


É importante perceber que a palavra "preconceito" foi inventada pelos interessados em centralizar o poder e dominar as massas como mais um instrumento de controle/patrulhamento social

É impossível a existência fundamental da palavra "preconceito" que resulta da junção das palavras “pré” e “conceito”. Um conceito não pode ser antecipado, pois ele existe por si só. Portanto, o que existe é um conceito, certo ou errado.

Mesmo que exista nos dicionários, é importante perceber que a palavra "preconceito" foi inventada pelos interessados em centralizar o poder e dominar as massas como mais um instrumento de controle/patrulhamento social. É mais fácil taxar alguém de "preconceituoso" do que debater com fundamentos sobre o conceito que alguém tem sobre algo. São técnicas bem azeitadas na linha de Antonio Gramsci e dos lunáticos da Escola de Frankfurt.

Transformou-se, portanto, a palavra inventada, em método de ataque aos conceitos de valor e princípios mantidos por pessoas conservadoras, rotulando-as de preconceituosas. Aliás, o conservadorismo foi taxado também de retrógrado, ou seja, força-se o seu entendimento cognitivo imediato para o novo conceito (aí sim!) pretendido, de forma que se possa retirar mais um dos pilares que sustentam a sociedade com seus valores éticos, morais e familiares tradicionais.

Desta forma, há que se ficar atento na produção da novilíngua, pois esta traz inúmeras armadilhas que buscam aprisionar conceitos verdadeiros de liberdade, individualidade, mérito próprio e prosperidade com base em novos “valores”, cujo relativismo busca, como um retrovírus que anula as defesas imunológicas de um organismo, desmontar toda e qualquer referência social, já que um “povo barata tonta” se torna fácil na sua dominação. O processo tem tido êxito, infelizmente, associado com inúmeras outras situações, preconizadas pelas situações do dia a dia, encetadas na economia, na política(gem), na insegurança jurídica e patrimonial, nas relações afetivas e de negócios, e nas relações entre governo e sociedade. Até a História está sendo alterada primeiro com o esquecimento dos heróis e vultos importantes que sempre podem servir de referência para os jovens de hoje. Aliás, chega-se ao desplante de promover a heróis, atletas esportivos e até participantes de programas de reality shows como o famigerado Big Brother...

Estar atento identificando os conceitos fundados por detrás de novas expressões e ressignificações de expressões e palavras consagradas cognitivamente é vital para alertar os incautos, pois a técnica subliminar não está presente apenas nos interframes de filmes e novelas, mas na própria língua que se fala, em especial, nas gírias, constituindo uma nova língua que atende os requisitos do interesse de poderosos que querem ficar mais poderosos. Nada pior do que minar a língua e seus conceitos cognitivos para destruir toda uma sociedade...


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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A mordida é de dragão


Os aumentos consecutivos, especialmente nos gêneros alimentícios, estão elevando a temperatura do vulcão inflacionário estabelecido na barriga do grande dragão, levando preocupação ao setor econômico do Planalto que, embora aparentando calma, começa a buscar mecanismos de combate, caso a situação escapar ao controle, se é que já não escapou. Além dos reajustes rotineiros, o recente aumento nos valores dos combustíveis, o qual mostrará impacto maior no bolso a partir do final deste mês, até porque o brasileiro, neste momento, entusiasmado pelo carnaval, ainda não se deu conta da pressão inflacionária que esse aumento oportunizará. No momento de começar o ano, oficialmente (no Brasil o ano começa após o carnaval), quando acontece o desembolso com IPVA, material escolar e outros itens, pesar no orçamento doméstico. 

Quando do reajuste nos combustíveis, o governo federal deixou claro que os valores não seriam repassados integralmente ao consumidor, mas, conhecendo a falácia política que sempre acontece nesses momentos, na tentativa de amenizar o impacto, todos podem sentir que o repasse foi integral, sem contar que a própria presidente da maior estatal brasileira indicou a necessidade de um novo reajuste dos combustíveis para conseguir equilibrar a situação da Petrobras. Imediatamente, surgiu a resposta da área governamental de não permitir mais um aumento, no entanto, ninguém sabe até onde a pressão poderá ser contida.

Certo é que os setores econômicos apontam para um aumento da inflação, alegando que somente no segundo semestre deste ano é que poderá acontecer alívio, desde que a situação mundial não venha indicar qualquer outro tsunami financeiro.

Difícil com isso, qualquer projeção de futuro, especialmente quando começa a se planificar um ano de muitos gastos governamentais na preparação do país para a Copa e para a olimpíada que se avizinham. Quem sabe ou pode dizer quanto teremos ainda que pagar até que se possa dizer que o país está pronto para as grandes competições? Fatalmente, toda essa despesa será bancada pelos nossos impostos, sem contar que 2014 é ano de suma importância política e  onde é costume abrir torneiras para mostrar trabalho e atrair eleitores.  Podemos estar rumando para período temeroso, com superaquecimento da barriga do velho dragão, fazendo-o cuspir muito fogo inflacionário, de difícil contenção. 


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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Raios ultravioleta A têm ação direta e indireta sobre DNA


As lesões diretas, isto é, aquelas geradas a partir da absorção imediata dos raios UVA pelo DNA a eles exposto, dão-se principalmente com a formação de substâncias denominadas dímeros de pirimidina ciclobutano (CPD), compostos orgânicos que podem acarretar alterações genéticas nas células.

Os raios ultravioleta A (UVA) podem produzir lesões em moléculas de DNA tanto por ação direta, quanto por intermédio de outras substâncias originadas nas células a partir da exposição a essa radiação.

 Uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP buscou esclarecer os mecanismos pelos quais os raios UVA danificam o material genético das células cutâneas. “A UVA, embora seja a radiação que chega em maior abundância na superfície terrestre, é a menos compreendida e a mais polêmica dentre as UVs”, comenta Teiti Yagura, autor do trabalho, que recebeu a orientação do professor Carlos Frederico Martins Menck.

As lesões diretas, isto é, aquelas geradas a partir da absorção imediata dos raios UVA pelo DNA a eles exposto, dão-se principalmente com a formação de substâncias denominadas dímeros de pirimidina ciclobutano (CPD), compostos orgânicos que podem acarretar alterações genéticas nas células.

 “Dentre as lesões geradas, os CPDs são os maiores responsáveis por bloquear a transcrição celular [processo essencial à expressão gênica das células, ligado à síntese de novas moléculas de DNA]“, explica Yagura.

Ele conta que há estudos que mostram que essas lesões podem causar mutações claramente associadas ao desenvolvimento de câncer de pele.

Por sua vez, as lesões indiretas dependem da produção de espécies reativas de oxigênio, ou radicais livres, que agem sobre o DNA, promovendo a sua degradação. O oxigênio presente na pele, ao entrar em contato com componentes celulares denominados cromóforos, capazes de absorver a energia proveniente dos raios UVA — como a hemoglobina —, suga para si parte dessa energia, transformando-se, assim, nessa molécula altamente reativa e nociva ao material genético, denominada oxigênio singlete.

Auto-oxidação Os estudos de Yagura apontam, todavia, para outra forma de produção desse tipo danoso de oxigênio, na qual a própria estrutura do DNA ou algo fortemente ligado a ele poderiam estar diretamente envolvidos. “Isso acarreta na possibilidade de que um mecanismo intrínseco à molécula de DNA possa levar à sua auto-oxidação, sem a necessidade de outros cromóforos”, relata.

Para o desenvolvimento da pesquisa, os tipos de danos nas moléculas de DNA foram quantificados com a utilização de enzimas de reparo de DNA, que reconhecem e cortam estruturas que contenham lesões como as CPDs ou material oxidado.

Também foram realizados ensaios com anticorpos específicos para cada variação de lesão. Segundo Yagura, o conhecimento das maneiras como os raios UVA agem sobre o material genético indica que “para se combater seus efeitos nocivos, são necessários tanto materiais que absorvam a energia da UVA quanto materiais antioxidantes”.

Assim, o pesquisador faz algumas recomendações. “Na prática, o ideal seria evitar expormo-nos ao sol, sem nos esquecermos de uma nutrição balanceada, rica em vitamina D”, diz. Isto porque a síntese desta vitamina se dá com a exposição da pele ao sol e, por isso, no caso de menor contato com a luz solar, faz-se necessária a ingestão de alimentos que contenham quantidades abundantes deste nutriente.

 Além disso, ele ressalta a importância do uso de bloqueadores solares que também ofereçam proteção contra os raios UVA. E ainda completa: “Câmaras de bronzeamento, nem pensar!”.

Fonte: Agência USP de Notícias.

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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A lei que falta no Brasil


Alguém já disse, com muita propriedade, que para o Brasil dar certo e se tornar um "pais paraíso", falta somente a elaboração de uma única lei: "que sejam cumpridas as leis existentes!". Realmente, temos leis para tudo que possa ser imaginado e, em alguns casos, mais de uma lei para tratar do mesmo problema.

A Constituição está aí, com determinações que, tecnicamente, nem deveriam estar inseridas nesse documento. Existem ministérios que elaboram regulamentos, Normativas e outros que, por vezes, vão de encontro a regulamentos elaborados por outros órgãos.

Em suma, temos de tudo à disposição de todos, mas, na grande maioria das vezes, todo esse emaranhado de leis, regulamentos, normativas etc., ficam apenas no papel, quer por falta de efetivo de fiscalização, quer porque, muitas vezes, acredita-se que nada acontecerá e, então, quando acontece, surge a correria desenfreada para tentar amenizar o problema causado e, como natural, todos tentam "tirar o corpo fora e empurrar a responsabilidade do erro para outro setor".

A recente tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, é um fato para essa comprovação. De quem foi a culpa: dos bombeiros, do governo municipal, do Estado, dos proprietários da casa noturna, da banda que se apresentou na festa? Alguém ou um conjunto de erros propiciou a tragédia. Agora, como diz o ditado, "depois da porta arrombada, coloca-se tranca de ferro" e fez com que o assunto ganhasse - como não poderia ser diferente foros nacional e em todos os Estados e Municípios, surgiu a grande correria de fiscalização, fechamento de casas noturnas, recolhimento de alvarás, notificações e tudo mais que possa dizer respeito a falhas existentes em casas que estavam em pleno funcionamento.

  Essa correria desabalada, apenas e tão somente mostra que uma infinidade de erros estavam a vista, mas, simplesmente, não eram fiscalizados, pois, caso contrário, não teria o porquê de tanta movimentação para vistorias e análises. Se houvesse, quando do pedido de expedição do alvará de funcionamento, fiscalização eficiente, verificando item por item do que determina a lei, assim como visitas constantes de todos os órgãos envolvidos na segurança, muito poucas casas seriam flagradas por tentativa de burlar a lei.

  Por Moacir Rodrigues.

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A orquestra que somos...


Não vejo como diferenciar em grau de importância uma profissão de outra. Cada uma compõe a imensa orquestra da sociedade.
“Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.” (Martin Luther King, político norte-americano, 1929-1968)

O sapateiro, o médico, o gari, o advogado, a dona de casa, o mecânico, o engenheiro, o agricultor, a empregada doméstica, o radialista - não vejo como diferenciar em grau de importância uma profissão de outra.

Cada uma compõe a imensa orquestra da sociedade. Se somente um dos artistas falhar, a música não será a mesma.

Penso na cidade tocada pela vassoura do gari. Imagine se ninguém aceitasse trabalhar nesse valoroso labor: recolher, com a vassoura, as folhas secas das árvores, os plásticos e restos de cigarros deixados por pessoas que ainda não descobriram que o planeta é a casa de todos e por isso deve ser limpa em todos os seus meandros.

O gari soleniza os espaços públicos para que os transeuntes andem livremente pelas praças, calçadas, ruas, ruelas - higienicamente no direito constitucional de ir e vir. O gari dignifica a cidade. E dignidade não tem preço.

Recentemente, no mundo, outra profissão se expande com um viés de ecologia e inserção social: a de catador. Resíduos sólidos produzidos pela humanidade precisam ser reciclados: é o lixo que deve virar luxo, seja no reaproveitamento para tornar-se em produtos utilitários, seja para tornar-se húmus para a riqueza dos solos.

Alguns se preocupam em escolher eufemismo para o ofício: “agente ambiental”. Qualquer que seja o nome, o mister é nobilíssimo.

Se cada um dos músicos da orquestra que somos buscar a perfeição em cada número musical, em cada ensaio, a apresentação final deverá ser bela, fascinante aos ouvidos onde chegar.

Cuidado: não vamos desafinar.

Por: Juarez Machado de Farias.

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Futuro genro


O pai estava bebendo cerveja, comendo amendoim e vendo TV na sala, 'vigiando' a filhinha de 13 anos, que namorava na varanda. Sono chegando, cerveja fazendo efeito, o ouvido começa a coçar e o babaca vai cutucar o ouvido com um amendoim, até que a casca se rompe e o caroço entala no ouvido.

O cara fica desesperado, tenta tirar o amendoim com o dedo e empurra mais pra dentro. Pega uma tampinha de caneta Bic e... Merda! O amendoim entrou mais ainda.

Nisso, o sujeito, aos gritos, chama a mulher, que veio correndo. Ao ver a cena, se apavora e já queria levar o maridão bêbado para o hospital. O cara não queria - Que mico! - Sou um cara de posição, não posso me expor ao ridículo, e tal, e tal.

A filha e o namorado (17 anos) entram na sala pra ver o que estava acontecendo.

  - Pai, que é isso! Que vergonha! Daí, diz o gaiato, namorado da filha: - Calma, que eu dou um jeito! Quando era escoteiro, era eu quem socorria os amigos!

O entalado, sem graça, apavorado, e agora puto com aquele sujeitinho dando palpite, acabou aceitando ajuda.

 O sujeitinho mete dois dedos no nariz do sogrão e ordena: - Fecha a boca e sopra pelo nariz, com toda a força!

E não é que o maldito amendoim pulou fora do ouvido! O namoradinho sai todo convencido, a moça ainda mais apaixonada.

 A mulher, encantada com o eficientíssimo rapaz, comenta pro maridão: - Viu que gracinha? Tão calmo, tão seguro nas emergências. O que será que ele vai ser?!

E o maridão, cada vez mais puto, responde: - Pelo cheiro dos dedos do filho da puta, vai ser ginecologista!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mal Acostumados

Estamos acostumados. Acostumamo-nos fácil com as coisas, com as situações. Eu mesmo! Já me acostumei com o banco quebrado do meu carro. Ando pela cidade todo torto, feito gurizão fazendo marra ao volante, meio de lado, encostado na porta. E essa algia no joelho?! Parece que sempre esteve por ali, doendo, incomodando. Mas não reclamo, já estou acostumado.
Houve um tempo em que as coisas não eram bem assim. Não apenas comigo, mas com a maioria das pessoas. Era difícil se acostumar com certas situações. Quase impossível. Não estávamos habituados, por exemplo, com corrupção desenfreada e vergonhosa. Nem com pedágios abusivos, absurdamente caros. Tampouco éramos, em outros tempos, acostumados com alagamentos semanais, criminosos sendo soltos da cadeia sem cumprir pena, “assaltos” nas bombas de gasolina, mortes em corredores de hospitais, alunos desrespeitando e até agredindo professores, “ficha suja” ocupando cargos eletivos, chacina no trânsito.
 Em outras épocas pintaríamos os rostos, empunharíamos sinetas e cartazes, faríamos passeatas, iríamos às ruas e exigiríamos um basta. Hoje protestamos apenas em campos de futebol, e não é contra o corte de cabelo ridículo que o craque insiste em manter na cabeça e que muitos torcedores copiam.
Sempre ouvi dizer que nos acostumamos fácil com o que é bom. Naturalmente. Porém, começamos perigosamente a nos acostumarmos com situações que seriam impensáveis em outros tempos. Vivemos a época do “normismo”, onde tudo, ou quase tudo, é normal. É normal vermos homens e mulheres com pouco ou nenhuma roupa na novela das sete. É normal vermos homens e mulheres dormindo na calçada sob o rigoroso inverno gaúcho. É normal apanhar o panfleto que nos entregam no Calçadão para logo depois jogarmos no chão, longe da lixeira. É normal esperarmos horas, dias e, muitas vezes, meses por uma consulta médica.
Dia desses fui ao banco. Mais de trinta pessoas esperando atendimento - muitos em pé - que estava sendo feito em dois caixas. Em quarenta minutos três pessoas foram atendidas no caixa especial, sendo que uma delas furou a fila (devia achar normal furar fila). Durante esse tempo o guichê para atendimento normal atendeu uma pessoa, o mesmo cliente que ali estava no momento em que entrei no banco. Um senhor do meu lado disse que não estava avezado com essas circunstâncias e foi procurar o gerente.
Pensei que fosse um turista estrangeiro, porque brasileiro é afeito a fila em banco. Mas não. Era, sim, uma dessas raras pessoas que ainda têm o poder da indignação e que lutam por seus direitos. Voltou o senhor, minutos depois, com a informação de que o gerente nada podia fazer, pois estava sem pessoal. Alguns de férias, outros remanejados para agências do litoral, outro doente. Mas valeu a tentativa e ficou o exemplo. Saí da agência noventa minutos depois, sem ser atendido, e fui consertar o assento do meu carro.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Depoimento: Nem tudo é como sonhamos...


Sei o duro que é viver com tais conflitos, uns contornáveis, outros quase sem solução. Nos últimos dias senti muito forte que em algum momento receberia sugestões para escrever sobre as famílias que vivem situações mais difíceis com doenças dos filhos, comportamentos inadequados pelo uso de drogas e consequente abandono do percurso natural do estudo.

Pensei sobre isso porque, realmente, costumo escrever muito sobre famílias com problemas mais contornáveis e onde mesmo com percalços os planos andam. Para algumas pessoas parece que não estou percebendo as dificuldades de outros e os conflitos intensos que vivem.

Pois bem, o e-mail chegou e impulsionou esta escrita... Há 33 anos trabalho como psicóloga clínica e diariamente me defronto com o drama real das pessoas com suas dores, perdas, desentendimentos, casamentos inadequados, brigas, filhos com desajustes e doenças mentais e físicas. Sei o duro que é viver com tais conflitos, uns contornáveis, outros quase sem solução.

 Pais à procura de um diagnóstico para seus filhos, que demora a chegar, medicações, internações e toda uma preocupação com o futuro e dependência dessas crias que continuarão presas aos pais, pela incapacidade de viverem com autonomia.

Doenças psíquicas como bipolaridade, esquizofrenia, depressão, transtornos de personalidade, psicopatia e outros tantos quadros sérios e com prognóstico preocupante, sem perspectiva. Nestas famílias os planos caem, despencam e o convívio intenso, as angústias, as dificuldades de adaptação nos ambientes sociais como escola começam a não ocorrer de maneira adequada trazendo reclamações, provocando outros problemas e envolvendo todos os membros de uma família.

 Todos passam a adoecer! Todos se enredam com os mesmos sintomas! Mas, nem todos filhos voam, ficam ao pé das mães e dos pais, apresentam problemas comportamentais, podem desenvolver doenças muito sérias e dependência continua.

Os ninhos não ficam vazios, como seria o mais adequado, e pior, quando saem os pais ficam cheios de angústia e preocupação, como é o caso dos filhos usuários de drogas.

O sofrimento dessas famílias é grande, as mudanças possíveis nem sempre são duradouras e o avanço sempre está atrelado aos retornos e a estaca zero. Não é fácil! Os casais, muitas vezes, se separam e as mulheres ficam sozinhas com seus filhos.

A assistência com saúde é uma caminhada longa, cansativa e a esperança se perde. Cada um tem uma história com personagens diferentes e com surpresas boas e desagradáveis... Saibam que eu compreendo, me envolvo com essas dores, mas também uso meus mecanismos para me manter mais saudável e um deles é minha escrita e minha maneira de ver a vida com um olhar de esperança. Não é fácil ser pais! Não é fácil constatar que nem tudo é como sonhamos...

Por: Marlise Flório Real.

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