quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Confessando...

Um peregrino, a caminho de Fátima, pernoita na casa de uma viúva deslumbrante.

No meio da noite, a viúva o procura, toda nua!
Ele, com medo de pecar, foge e vai confessar-se.
 O padre diz-lhe: - Volte para casa e coma 5 kg de CAPIM.
 - Sr. Padre, eu não sou um cavalo!
- Mas é burro!
- Primeiro deveria ter comido a viúva e depois vindo confessar! - Entendeu?

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Por que caímos? Para ficarmos em pé novamente!

Muitas pessoas tem medo das palavras cair, perder, fracassar... Admitir um fracasso, uma perda, uma queda, é assumir que você errou, falhou em algum momento, e que para reverter este jogo será necessário olhar-se de frente e ver quando e porque esse fracasso aconteceu. E a maioria dos seres humanos não admite a ideia de não obter êxito - seja no âmbito profissional ou pessoal.

Mas o que não enxergamos é que o fracasso não é totalmente ruim, tudo depende de como o encaramos. Ele pode ser uma benção, se o analisarmos como uma nova forma de fazer o que não deu certo na primeira tentativa, ou uma maldição, que nos trás até um sentimento de inferioridade.

Como tudo em nossa vida, precisamos escolher qual papel iremos interpretar - o de vencedores ou perdedores da nossa própria história. O fracasso é uma derrota temporária que nos permite medir nossas fraquezas, além de nos dar a oportunidade de corrigi-las para atingirmos nossos reais objetivos.

Precisamos entender que o fracasso tem seus benefícios, ele abre novas portas, cria novas oportunidades, nos possibilita novas descobertas e cura a nossa vaidade, que muitas vezes nos deixa cegos e prepotentes diante das demais pessoas e situações.

Reagir de forma positiva às adversidades do dia a dia já é uma forma de reverter as frustrações e não dar chance para que nossas fraquezas se fortaleçam. O fracasso gera em nós uma reação que deverá se transformar em ação, ou seja, criar uma oportunidade de recomeçar, de fazer diferente e entender que as frustrações fazem parte do nosso crescimento.

 Precisamos entender que cada fracasso nos ensina o que precisamos aprender naquele momento, e também que precisamos ter coragem para assumi-lo. Devemos compreender que o sucesso geralmente nasce após esse fracasso, mas que para chegarmos a ele precisamos ter sabedoria e esperar o tempo certo para reverter uma frustração.

Não deixe que o desânimo, o medo ou o sentimento de derrota te atropele, te engesse, faça com que perca a força de vontade, a autoconfiança, a perseverança em conquistar seus objetivos e sonhos. É necessário buscarmos atitudes e transformá-las em ação, a fim de que nossa meta seja alcançada e que o sucesso venha até nós.

Os vencedores são persistentes e sabem que as derrotas fazem parte da vida. Eles nunca desistem, não se cansam de encontrar novas maneiras de realizar seus sonhos. Aquele que nunca errou não pode dizer que é um grande vencedor, porque os maiores ganhadores são aqueles que perderam muitas batalhas, mas nunca desistiram da guerra.

E por último, lembre-se sempre que precisamos direcionar nossa mente para que ela nos traga o sucesso, usando situações desvantajosas e tornando-as favoráveis para nós. Tudo depende de você e de seu modo de enxergar as perdas - tantos materiais como pessoais.

As perdas fazem parte da vitória, e se caímos, é para termos a chance de nos levantarmos novamente.

Por Renata Rissato.

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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Como é difícil ser sincero

Quantas vezes nos deparamos com as verdades e mentiras que assistimos ou escutamos no nosso dia a dia? Alguns filósofos dizem que mentira e engano estão nos nossos genes, motores da nossa evolução.

A verdade em muitos momentos dói e arde. A vida vai nos ensinando a separá-las e afastá-las neste mundo globalizado, tão diversificado, com variedades de tipos humanos, com grandes e pequeníssimas pessoas.

Muitos se revelam numa linguagem corporal, tom de voz, ganham requintes bem pensados. Tivemos inúmeros exemplos na recente campanha dos candidatos no primeiro turno.

 Claro que nós adulamos e sorrimos diariamente com olhar inocente para manter uma boa conduta com o próximo. Como escreveu o jornalista Carpinejar: “A gente desconfia mais das verdades do que das mentiras. - e isso é um modo de inspirar novos enganos”.

Sempre quando pretendemos ser donos da verdade, de tudo, e de si mesmo, a impossibilidade nos alcança, ficamos restritos, acuados, impossibilitados. Sempre é difícil admitir culpas. Quando somos sinceros com palavras, gestos, apontando verdades e caminhos, somos taxados de conservadores, altivos, querendo produzir impressão.

No aspecto dual, entre a verdade e a mentira, temos a sinceridade, que garante a liberdade do indivíduo. “Os românticos no século 19, no Brasil, eram eufóricos por liberdade, como Machado de Assis que escreveu: ”A mentira muitas vezes é tão involuntária como a respiração”.

Também o português Fernando Pessoa numa das suas citações: ”Não sei quem sou que alma tenho. Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo“. Por fim, acredito que a mentira jamais procede da verdade, mas ser sincero, dizer o que pensa em todas as questões relativas à vida, é difícil.

Por: Por: Eduardo Stein Teixeira.

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domingo, 21 de outubro de 2012

Conexões em nossas vidas

Há diferentes tipos de conexões. Desde as elétricas até as que vêm diretamente da alma. Quando conhecemos uma pessoa estabelecemos ou não algum tipo de conexão. Quando lemos algo nos conectamos com o autor ou não. Existem conexões instantâneas e outras demoradas. Tudo na vida pode-se resumir em conexões. Até o DNA depende de como as conexões são feitas para estabelecer as características do ser humano.

Neste mundo que vivemos tudo depende se estamos ou não conectados, mas algumas pessoas pensam que o importante é estar conectada ao twitter, internet ou na rede social do momento, quando em verdade as conexões devem ser entre seres humanos.

Agora entramos num tema mais delicado, as interconexões entre nós, seres supostamente pensantes. Dizem os cientistas, que a maioria das nossas ações se deve a reações químicas e que na realidade não temos muito controle sobre elas. Uma epifania espiritual não seria produto de meditação e comunicação com o Ser Superior, mas uma consequência de nosso cérebro ter produzido ou liberado determinado componente químico.

 Uma atração sexual que leve ao orgasmo não seria nada mais do que o resultado de uma explosão de determinada substância no nosso organismo.

O prazer que obtemos quando lemos uma obra de William Shakespeare ou Miguel de Cervantes depende de nossa capacidade de produzir certa combinação química que produz efeitos de prazer intelectuais.

A solução então é usar drogas (legais ou ilegais) para produzir as sensações de prazer e satisfação que, aparentemente, os integrantes de nossa sociedade hão deixado de produzir?

 Desta forma compensamos o que os seres humanos são incapazes de produzir naturalmente? Ritalina em lugar de limites? Cocaína em lugar de autoconfiança? Que substância química poderá substituir o prazer de fazer o amor com a pessoa amada física, espiritual e intelectualmente?

 Que droga conseguirá descobrir o outro na sua essência quando se despe ante o mundo através da sua escrita? Que pó mágico terá a cara de pau de pretender substituir o sentimento de uma mãe quando pega o filho no colo?

No mundo as pessoas podem conectar-se de várias formas, mas poucas podem fazê-lo totalmente até fundir-se uma na outra e se transformarem num novo ser. O primeiro passo é realmente fazer a conexão entre os diferentes habitantes que há dentro de nós mesmos: nossa mente, nosso espírito, nossas emoções, nossa parte física e nossa alma.

Quando nossas conexões internas deixem de existir porque se transformaram num todo único, aí é quando podemos estabelecer relações com outro ser igual. Internet, twitter e redes sociais são substitutas das reais conexões entre seres humanos.

São meros acessórios que bem usados ajudam, mas quando tentam substituir as verdadeiras conexões se transformam em simples drogas.

 Este artigo foi inspirado no que escreveu a filha de um amigo, no seu blog. Quando li o texto desta jovem escritora, percebi alguém que está estabelecendo as verdadeiras conexões do seu eu. Quem esteja interessado pode acessar: http://refantasiar.blogspot.com.br/2012/10/as-vezes-eu-penso.html

Boa reflexão.

Por: Ricardo Irigoyen

sábado, 20 de outubro de 2012

Bula para cigarro!

Devido às preocupantes consequências do tabagismo para a saúde pública, por óbvio, o cigarro está com seus dias contados. É necessário acelerar este tão esperado benefício para o bem comum. Sugerimos que junto às carteiras de cigarro seja oferecida uma bula. O que, por consequente, dispensaria a propaganda do cigarro.



Uma bula elaborada com letras bem legíveis, fonte graúda e papel reciclado. Seria assim:


Apresentação

- São vendidos em pacotes denominados maço com 20 cigarros. Cada cigarro mede nove cm de comprimento, sua forma cilíndrica tem oito mm, conhecido vulgarmente em alguns locais por "bastão cancerígeno".


Informações ao cliente/dependente

- Benefício: não existe! Vide o item atenção.


Composição

- O cigarro é um produto composto por mais de 4.700 substâncias. Destas, ao menos 250 são comprovadamente tóxicas e 50 são cancerígenas.


Modo de usar

Não use.

- Em caso de dúvida procure orientação com profissional da área da Saúde.


Mecanismo de ação

- As substâncias presentes na composição do cigarro agem no sistema nervoso central desenvolvendo dependência física, psíquica, comportamental e física.


Contraindicações

- Este produto é totalmente contraindicado para consumo.

Siga a orientação de seu médico, não use este produto ele faz muito mal para sua saúde.



Reações adversas

- As reações são de intensa diversidade. Vão desde mau cheiro, ao mau cheiro e câncer e ao mau cheiro e morte.

Atenção: este produto, segundo indicações de pesquisas elaboradas pela própria indústria que o produz, não apresenta, comprovadamente, níveis de segurança para uso.

Efeitos colaterais

- O cigarro é um produto que induz ao aparecimento de mais de 50 doenças. Doenças graves, crônicas e incapacitantes. Causa câncer, levando à morte, inclusive de pessoas que não o utilizam.


Cuidados de conservação

- Não existe razão alguma que justifique a conservação de um produto com estas características.

Interações

- Devido a sua composição química tóxica, este produto, altera, dificulta e culmina com anulação completa do efeito de todo e qualquer medicamento utilizado pelo usuário.

Custo-benefício

- Vide efeitos colaterais.

- O tabaco causa dependência e, só no século 20, exterminou com 100 milhões de pessoas.

- Dados da OMS referem que morrem cerca de 600 mil não fumantes no mundo devido ao tabagismo passivo.

Precauções

- Mantenha fora do alcance das crianças, jovens, adolescentes, adultos e de quem quer que seja.


Advertência

Ao sentir vontade de fumar, veja: modo de usar.

Se não desaparecer este sintoma, procure orientação de um profissional da área da Saúde ou Disque Saúde 136.

Por: Roni Quevedo.

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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Quando o tema é o amor...

Sem bravatas, mas certamente com acerada vocação exegética, a mulher é especialista na arte de falar de amor. Matinas, vespertinas ou noturnas, há belas, meigas, grisalhas ou cafuzas, melancólicas ou feias falando de amor. Ou nele cogitando. Moças ou anosas, magrelas ou gorduchas, em pecado ou pudicícia, em todas as latitudes, plagas e ambiências, a mulher está sempre a falar e a florar de amor.

Falando de amor, mulher nenhuma é feia ou desairosa.

 Duendes do mistério tangem de quimera e esperança o universo interior da mulher que sonha e fala de amor. E falar de amor, para outrem ou a si mesma, salva. No mínimo, resgata! Falar de amor é amar o amor consentido. É inserir-se na atemporalidade. Falar de amor é ingressar no tempo e no templo dos deuses. É a flor-e-flarar doçuras, propósitos e devaneios.

Na mulher de flora-flara de amor habitam potestades etéreas: anjos e arcanjos. Mais que eles, demônios angélicos, obreiros ocultos de porções obrigatórias ao composto de sortilégio e nobreza que é o amor. A mulher que fala, flora ou flara de amor não é somente um ente solitário que narra singularidades episódicas da vida. É mais. É um ser de natureza, na graça sempiterna da procriação.

Sua história exclusiva é apenas a evasiva de seu ingresso na harmonia do amor cósmico, na ordem enigmática do passadio da vida. Por esse motivo, acodem entidades secretas - fadas, ninfas e dríades - para celebrar e tornar prazenteira a tarefa de amar, amorfoseando-lhe o ato de confidenciar(se), auscultar(se), perquirir(se), saber(se), ratificar e desvelar o que lhe vai n'alma, na deliciosa embriaguez do amor partilhado. Quiçá do amor secreto. Talvez de um amor puro e não retribuído.

 Mulheres acumpliciadas, contando a baboseira adorável de um mero vocábulo ou de uma simples oração, o presságio manifesto do sim ou o vaticínio recôndito do não, as amarguras de cada lágrima ou as agonias doridas da incerteza, são a natureza em revérbero e vida.

Mulheres falando de amor - ou mulheres silentes, em insondável tagarelice com o seu ego - não são apenas seres humanos absortos em casos singulares. São a vida em processo, a eternidade em vir-a-ser e gestação. Seres veneráveis, pois falar de amor é de certa forma provê-lo. É insuflar a seiva que o nutre enquanto o consome. Feliz é o homem que já, agorinha, neste átimo de tempo - ainda que sob a impertinência do céu plúmbeo de primavera! - é lembrado por alguma mulher em qualquer escaninho do enigmático planeta terráqueo! Feliz até mesmo o homem que é ultrajado por amor ou execrado, em prantos, à cause d'amour!

Enquanto houver mulheres alegres ou tristes - coléricas e vulpinas são excluídas; elas não combinam com poesia! - falando, florando, fluindo ou influindo amor, o gênero humano ainda poderá vislumbrar na fímbria do horizonte uma sutil réstia de esperança.

 Como o queria o estro poético de Lamartine: Aimons-donc! Aimons-donc! De l´heure fugitive...

 Por: Sergio Cruz Lima.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sobre Deus e maçãs

Vejo Deus com certa frequência. Há alguns anos reparei que ele gosta de chegar pela manhã, ali entre nove e meia e dez e 15, nos dias de sol. Não é dado a cerimônias, como as bocas ortodoxas insistem em sustentar. Estou convencida de que fazem dele um péssimo juízo e isso, no final das contas, atrapalha a todos nós, que temos obsessão por referências estáveis. Seria melhor, mais eficiente e decente se rezássemos diante de pilares de concreto, se o que nos interessa são crenças vagas e arremedos de espiritualidade. A questão da ilusão, aliás, é um tema recorrente em nossas conversas. Refaço sempre a pergunta sobre fé: o que tu ganhas com isso? Ele usa uma mesma reação, olha para a janela, sorri, então me olha de novo e convida a dividir uma maçã. Não gosto de maçãs, mas procuro tê-las em casa por dois motivos: por ele e pela minha úlcera. Costumo brincar que o estímulo divino mantém minha saúde gástrica: vai tudo bem, graças a Deus! Não fosse pela lembrança dele, meu estômago murcharia tanto quanto a fruta esquecida na geladeira. Sim, ele prefere suas maçãs geladas. Acho até charmoso Deus assim, sentado no chão, as costas escoradas no sofá, uma faca a retirar a casca, partir a polpa ao meio e aparar as sementes antes de levar à boca nacos miúdos de maçã. O cara não tem pressa. Fica horas ali, comendo e falando e me ouvindo. Muitas vezes a fruta escurece na mão dele enquanto aguarda que eu fale alguma coisa útil. Coitado. Mas o homem vem porque quer. Nunca convidei. Percebi que quando chove ou venta, ou quando chove e venta, ele não aparece. Coincidência ou não, nesses dias é quando me vejo mais agoniada. Já falamos sobre isso também. De agonias. Não imaginava que Deus tivesse palpitações, que sentisse a garganta fechando, que sua cabeça latejasse de preocupação ou ansiedade, que tivesse herpes ou aftas de aflição. Segundo ele, acontece seguidamente. São mazelas humanas, fiz gracinha. Não retrucou. Sacudiu a cabeça, apenas, e manteve-se em silêncio. Da última vez que veio, coloquei meu CD do Gil naquela música “Se eu quiser falar com Deus”, certa de que estava surpreendendo. Pelo visto não agradei. A expressão do rosto de Deus mudou de um jeito. A pele da testa fez três vincos na horizontal e tudo nele de repente ficou meio transparente. Disse que era a minha vez de ouvir. Tudo bem, consenti, e fui me acomodando ao lado dele no chão da sala. Grave, curto e grosso, confessou não ser quem eu pensava: de Deus não tenho nada, querida. Estatelei, perdi a reação, as pontas dos meus dedos roxos de susto. Eu estava encostada em Deus, perna com perna, como assim, não era ele? Não sou. Venho e permaneço até que te distraias e não lembres mais de te ferir com a faca das maçãs. Se nosso papo é bom, te fortaleces o suficiente até os próximos dias ensolarados e estás a salvo de ti. Deus de verdade tem um poder sem fim. Eu nem sei evitar temporais. Dependo do tempo aberto para cruzar a tua janela. Entendi tudo. Desde então chuvisca todas as manhãs até perto do meio-dia.

 Por: Andréia Alves Pires.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Tem é que botar ordem...

Sempre achei que o problema das pessoas que circulam em seus automóveis com o som do rádio a todo volume não é o barulho, mas o mau gosto. E convenhamos, mau gosto musical não dá para aceitar de braços cruzados. Os ouvidos reclamam, aquela veia ao lado da testa lateja e os olhos ficam apertados. Por isso, o Poder Público deveria ter um grupo especial, com autoridade na área sonora, responsável por fazer blitze nas ruas. Gente com austeridade policial e sutileza decibélica. Bastiões dos tímpanos.
 - Encosta aí, encosta aí.
 - Aqui estão os documentos do carro e minha CNH, seu guarda. Tá tudo certo. IPVA em dia.
 - Não quero isso. Cadê o pen-drive?
- Como?
- O pen-drive do teu rádio. Passa logo. Somos do EAG. - EAG? -Nunca ouvi falar.
- Esquadrão Antifalta de Gosto. Nosso trabalho é novo, quase secreto. Deixa eu ver o que tu carrega nesse pen-drive. Humm... Sabia. Sai do carro agora.
- Mas, o que foi que eu fiz?
 - Ô rapaz, tu tá de brincadeira comigo. Isso aqui tá cheio de droga. Como é que tu explica isso?
 - Mas, que droga, seu guarda. Isso é um pen-drive.
 - É, e o que tem dentro desse pen-drive?
 - Minhas músicas preferidas, ué.
 - E tu chama isso de música? Pancadão, funk, sertanejo universitário, axé music. Isso não é música rapaz, principalmente pra ficar a todo volume no rádio do carro e circulando por aí.
 Isso é caso de polícia. Tu tá muito encrencado. Nós vamos ter que conversar.

Por: Jarbas Tomaschewski.

O Brasil precisa aprender a envelhecer

Muito antes do que imaginávamos o Brasil está se tornando um país com população velha. Hoje contamos com 20 milhões de idosos, o que representa 12% da população total. Estima-se que em 2050 este número atinja 65 milhões de pessoas, o equivalente a 30% da população nacional. Consideram-se idosas as pessoas com mais de 60 anos.

São mudanças extremamente rápidas, que em outros países, chamados desenvolvidos, levaram mais de um século para acontecer, e que no Brasil devem ocorrer em pouco mais de 40 anos, demandando dos governos e do conjunto da sociedade medidas estruturais para acolher este aumento da população idosa que se avizinha.

Mudanças também na forma de encarar a velhice, que hoje não é mais sinônimo de incapacidade produtiva, doenças e falta de perspectivas, mas sim de inúmeras possibilidades e oportunidades no mercado de trabalho e no lazer.

O fantástico avanço da medicina, embora ainda não acessível a todos, torna possível chegar à terceira idade gozando de ótima saúde e de qualidade de vida. Claro que não podemos ser hipócritas de acreditar que o mercado de trabalho, num mundo capitalista, simplesmente resolveu abrir oportunidades para as pessoas com idade mais avançada.

Se dependesse dos setores de recursos humanos da maioria das empresas ou dos próprios recrutadores de mão de obra se continuaria contratando pessoas jovens, com até 50 anos, e olhe lá. Então, o que está mudando?

A população jovem disponível no mercado esta se reduzindo. A maioria dos mais moços com condições financeiras um pouco melhor, está saindo da faculdade e partindo para a realização de mestrados e doutorados para só então ingressarem no mercado de trabalho.

Como os setores produtivos não podem parar se veem obrigados a recrutar pessoas mais velhas e estão se surpreendendo com os resultados positivos em termos de produção e de produtividade. A parcela com mais de 60 anos, embora represente 12% da população, responde por 20% do poder de compra do País e por 11% da população em idade ativa, sendo que mais 70% têm autonomia financeira.

 Esta realidade chegou também ao campo, cujos estabelecimentos em sua maioria estão sendo tocados por pessoas com idade mais avançada, já que a juventude está debandando do meio rural em direção às cidades.

 A aposentadoria rural, conquistada em 1988, tem se constituído numa importante política pública de fixação destas pessoas no processo produtivo rural. O Brasil precisa se preparar com rapidez para este novo quadro que se avizinha, em especial no campo da previdência social, para garantir a aposentadoria desse contingente de pessoas.

 Solução esta que não deve passar apenas pela visão simplista de aumentar o limite de idade para concessão de benefícios.

 Envelhecer é parte da vida de todos os seres vivos, mas envelhecer com qualidade de vida é uma construção que só os seres humanos são capazes de construir.

Por: Heitor Schuch.

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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Muita areia para o caminhãozinho


Sem a pretensão de desmerecer ou subestimar a quem quer que seja, mas para clarear melhor nossa visão, exponho o que sei e o que ocorre com muitas pessoas. 

Quando eu era garoto e entregava jornal aos assinantes, rodando a cidade numa bicicleta, devotava um respeito exagerado e muita admiração pelas pessoas importantes da localidade, tidas como “gênios”, “sumidade de doutores”, “um mestre inigualável”, consideração parecida com essa que os fãs legam aos seus ídolos, astros e estrelas de cinema e televisão.

 Então, se naquele tempo eu era original com as pessoas comuns, por outro lado, eu devotava uma admiração inexplicável e grande respeito aos “célebres” que chegava a me dar medo; mal entregava o jornal a esses donos de nomes pomposos e me retirava da sombra de sua importância. 

Mas o tempo rolou, tornei-me adulto, fui conhecendo pessoalmente as figuras importantes reverenciadas pelo povo e fui dando conta de que tudo aquilo que a gente pensava que essas sumidades fossem era apenas mais um pré-aviso para mais um aprendizado. Quando se procurava nelas todos aqueles talentos, aquela grandeza, os motivos que os tornaram tão especiais, não era absolutamente grandeza nenhuma, apenas as normais diferenças de pessoas para pessoas. 

 Mas não encontrei, em nenhum deles, nada de especial, que os diferenciassem dos outros. Se uns eram venerados, causando esnobismo aos humildes, até que podiam ter motivo para aquilo, porém, esse mérito era restrito apenas dentro de sua área profissional. Quando os conhecia pessoalmente, ao vivo e a cores, ao me tornar jovem adulto, foi então que achei graça do exagero sobre cada um deles. Percebi que as pessoas exacerbavam no equívoco. Não passavam daquilo que estudaram para ser, não superavam – digamos – sua oratória ou o seu saber jurídico ou o seu talento, fosse qual fosse. 

Mas não eram polivalentes nem merecedores de tão esmerado tratamento que se deviam dispensar às demais pessoas. Vejo, hoje, que ainda existem pessoas assim, que tratam autoridade com tal deslumbramento que a gente – que a conhece – sabe tratar-se de um nome célebre, mas pobre de cérebro; famoso, mas não por suas qualidades, mas pelo medo que passam devido a crimes e deslizes cometidos; bajulado, mas não por ser popular, e sim por ser rico ou, enfim, aclamado, não pelos seus atos humanitários, porém, pelos gols que sabem fazer na seleção canarinho.

 Claro que há os que são aclamados e queridos pelos seus méritos e talentos descomunais, que não ficaram restritos só a sua área de atuação. Sem ter eu que me esforçar para lembrar alguns célebres desse calibre, nem piscar para grifar, aqui, pessoas como Darcy Ribeiro, Juscelino Kubitschek de Oliveira, Oscar Niemayer, Antônio Francisco Lisboa, Irmã Dulce, Tereza de Calcutá, Chico Xavier, Castro Alves (que, aos treze anos, compôs o Navio Negreiro), Vitor Hugo, Amadeus Wolfgang Mozart e uma infinidade deles. 

Estes até hoje causam espanto, além de Steve Job e Bill Gates, que, segundo me disseram, não tiveram curso superior, mas nem por isso ficaram impedidos de serem tão úteis à humanidade e aclamados pelo povo, como merecem.

 Nem todos aqueles que são ovacionados pela maioria são fora do comum. São pessoas normais e simples como nós mesmos. A dimensão que vemos nele é o tamanho da nossa ignorância relativamente ao próximo. 

É hábito nosso querer botar areia demais sem medirmos o tamanho do nosso caminhãozinho, quando toda essa carga caberia na palma da mão. 

Por: Iron Junqueira.

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