sábado, 12 de novembro de 2011

Os brasileiros e a cultura pela morte no trânsito



A estatística da mortandade diária é estarrecedora, mas a gente não tá nem ai! Estamos anestesiados. Estamos morrendo como moscas e nossas atitudes, as nossas e as das nossas autoridades, são apenas pontuais. Nossa crise moral nos impele a varrer para debaixo do tapete algumas questões relevantes. Nosso jeitinho se torna câncer com quase 30 partidos políticos, por exemplo, não conseguimos estabelecer um projeto de Brasil, algo duradouro que fuja do oportunismo eleitoreiro de qualquer sigla. Nossas perspectivas de futuro como Nação são pífias e nossas instituições parecem enfermas.

Segundo a administradora do DPVAT – o seguro obrigatório dos veículos – 160 pessoas morrem por dia no transito neste amado Brasil. São 4.800 óbitos por mês, ou a astronômica cifra de 58.400 pessoas por ano, a maioria dos mortos entre 21 e 30 anos. Claro que essa matança não nos impressiona mais, ela é digerida nas refeições na hora do noticiário como algo banal. Sim, o avião, quando cai em meio às chamas ainda toca nossos corações, mas essa matança equivale à queda de um Boeing lotadinho a cada dois dias. Concordo, não há estoque de lágrimas para tanto...

De quebra, a Associação Brasileira e de Prevenção dos Acidentes de Transito dá colorido mais sangrento a esses dados ao informar que nas estradas e nas ruas das nossas cidades produzimos 500 mil feridos por ano. Quantos ficam inválidos? Quanto dinheiro é gasto para atender essas pessoas?
Por outro lado, um estudo global feito pela ONU revela que em 2010 ocorreram 43.016 homicídios no Brasil. Isto significa, nesta realidade insana, que 120 pessoas são assassinadas no Brasil a cada 24 horas.Em se tratando de assassinatos nós, aqui na América do Sul, só perdemos para a Venezuela do paranoico Chaves e para a Colômbia, que está às voltas com uma guerrilha.

Mais, computando-se as diferentes estatísticasrelativas aos óbitos pelo consumo de álcool, cigarro, cocaína, maconha crack e o uso dos diferentes tipos de inalantes, o numero de mortes chegaria a 120 mil por ano. São mais de 300 vidas ceifadas por dia.

São números doentios e paramos neles, pois a dimensão quando se trata da nossa relação com a violência, a morte, a crise moral é assustadora e pode nos tornar ainda mais distantes ainda da realidade. Para nos comover adiantaria citar ainda os milhares de casos de assaltos e roubos, os milhares de roubo de cargas por ano, os milhares de estupros por ano, os milhares de mortos por falta de segurança no trabalho, os casos de violência contra menores, os...?

Friamente os números revelam que há algo de assustador na sociedade brasileira e que tende a se agravar pelas terríveis deficiências no nosso ensino fundamental, pelo paternalismo adotado nos programas destinados aos setores sociais carentes, pela a ausência de exemplos a serem seguidos, pela crise de valores a serem cultivados, pela balburdia partidária, pela indigência moral de muitas celebridades... Há saída para esse caos que tende se incrementar? Sem um novo pacto fica difícil crer que podemos trocar a atual cultura pela morte por numa cultura pela vida...


por: Ivaldino Tasca.

Muito preocupante este assunto. Comente sobre o que você acha disso!!!

3 comentários:

  1. Há anos estamos vendo tudo isso que você cita no seu artigo simplesmente se agravando sem a menor perspectiva de solução. E o pior de tudo é a violência desenfreada que já atinge praticamente todos os municípios brasileiros e a zona rural com o avanço brutal do consumo de crack que já está substituindo a cachaça, segundo estudo recentemente divulgado na internet. Não sei o que poderá melhorar no Brasil nos próximos anos. Contudo, as perspectivas atuais são bastante sombrias. Aqui em Feira de Santana, na Bahia, o número de homícidios triplicou na última década, principalmente entre os jovens!!!

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  2. Uma pais só se contrói com pessoas que possuem uma boa formação, a questão da educação, se não me falha a memória, é totalmente ignorada por todos os meio de comunicação em massa,não me lembro de nenhum governo ter falado, nem estadual,nem federal, nem mesmo regional,em verbas ou atitudes definitivas para a educação...

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