sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O poliamor



O texto abaixo parece um daqueles falsos artigos com meu nome que aparecem na internet. Santo Deus, estou sendo influenciado por meus imitadores. Tudo bem, porque não aguento mais falar da Dilma, do petrolão e das delações premiadas. Falemos das neomulheres e dos homens-objeto. Vamos a isso.

Antes, os homens desejavam as mulheres. Hoje, queremos ser desejados. No tempo de meus pais, elas não davam: só casando. Os noivos galopavam como centauros para o quarto nupcial avançando sobre as noivas pálidas de terror. Filho dessa geração, eu achava que o desejo da mulher era “consequência” do nosso, que elas ansiavam por nosso assédio, em delíquios desmaiados. Eu achava que levar uma mulher para a cama era algo só de minha responsabilidade, que elas cumpriam cabisbaixas, trêmulas e, depois, gratas (ou não...). Elas “davam” como uma tarefa obrigatória. Histéricas, elas só amavam os que as rejeitavam. Nelson escreveu a parábola do “cafajeste do smoking impecável”. A mulher insultava o amante aos berros; ele imóvel, num smoking perfeito, fumando de piteira, indiferente às ofensas que ela atirava, de dedo espetado e olho em brasa. Aí, ela arriscou: “Você não é homem!”. O cafajeste jogou o cigarro fora, guardou a piteira com discreta elegância e assestou uma bofetada rutilante na mulher. Pronto! Banhada em lágrimas de paixão, ela agarrou-se às suas pernas. Era o amor, enfim.

Hoje, os homens é que dão. Elas comem. Os homens se raspam para ficar com o corpo feminino. Os homens malham para ficarem magníficos objetos de prazer. Antes, não. Eram barrigudos informes, sórdidos, com lindas damas ao lado, brutais machões dominando ninfas. Hoje, elas escolhem: “Aquele ali. Vou comer…”. Somos analisados minuciosamente nas conversas dos vestiários. Dizem-me informantes traidoras que o papo é mais grosso que conversa de marinheiro. Os pintinhos são analisados com régua e compasso. A barriga derruba um apaixonado, a bunda (isso é novo) passou a ser um objeto sexual fundamental para as moças: “Que bundinha ele tem!”. Nosso pobre feminismo deu nisso: as mulheres analisam os homens como imaginam que são analisadas por nós: “Que gato, eu ia te comer todinho...”. Hoje, nós somos as caricaturas das caricaturas que fazíamos delas.

Fui educado pelos jesuítas, o melhor caminho para a perversão. Sempre imaginei as mulheres como usáveis, romanticamente ingênuas, ou santas, ou decaídas... Mas nunca imaginei ver esse exército de rostos lindos, mas duros, implacáveis na avaliação do sujeito, nos olhando como sargentos examinando recrutas. O que nos excitava, nos fazia apaixonados, era ver em seus olhos a busca de proteção, quase um apelo de socorro. Nossa virilidade era quixotesca, salvadora. Sua fragilidade, mesmo fingida, era erotizante. Outro dia, vi um documentário antigo com a Jackie Kennedy falando com a voz fininha; parecia uma menininha, uma Barbie ingênua. Era a moda.

É claro que não me refiro às pobres desamparadas socialmente, às desvalidas; falo das peruas de esquerda (elas existem...) e de direita, falo da vanguarda das gostosas. Transar com uma mulher hoje é passar por um teste. E surge a dúvida máxima: o que dar às mulheres? Carinho? Proteção? Porrada? Desprezo? Companheirismo? Dar o quê? Dinheiro? Já servimos para sustentá-las, mandar nelas: “Oh, bobinhas... Não é assim, é assado...”. Mas não sabemos mais o que oferecer. Diante disso, o amor vira uma batalha de desencontros e dores, uma guerra constante e excitante, ciúmes afrodisíacos, ódios excitantes para o “make-up fuck” (a f... melhor que há). Os amores duram semanas; casou, perdeu a graça. Os jovens ricos vivem em haréns de luxo (ah, verde inveja…). Claro que o amor dos desvalidos continua igual: porrada, alcoolismo, e abandono. Repito que falo das “vanguardas” neossacanas.

Creio que a revolução sexual se deu mais por via das mulheres do que dos homens. Elas mudaram desde a pílula até hoje, impulsionadas pela tecnologia veloz, pela indústria da punheta das revistas pornô, pelo fetichismo das partes ao contrário do todo. São pedaços que vemos. O conjunto nos angustia. Disse-me uma psicanalista outro dia que o que mudou foi a transformação do sexo em ginástica, num atletismo em que as perversões proibidas se transformaram em brincadeiras polimorfas. Ninguém peca mais. E a culpa? O que foi feito dela? O limite é o quê? A morte? Há um recrudescimento da sacanagem como parques de diversões. As famosas surubas de antigamente (oh, crime nefando...) hoje são cirandas-cirandinhas felizes e gargalhantes. O bom e velho orgasminho não basta mais. É preciso ir mais longe. Até onde?

Talvez busquemos um êxtase permanente num mundo que se aquece, nas beiras da catástrofe, num presente enorme que não acaba. No Brasil, a ostentação de sexualidade é espantosa até em menininhas, miniperiguetes.

E que orgasmo é esse que atroará os ares? Que transgressão suprema acabará com todos os limites? Nesta neolibertinagem, queremos ir além das coisas que viramos. Há um desejo de aperfeiçoar os desempenhos, como se moderniza um avião ou um chip. Nas casas de swing, por exemplo, há uma utopia de se atingir um gozo além do ciúme, além da posse, um companheirismo pacífico entre putas e cornos. O swing sonha com uma democracia sexual. E há agora o novo hype do “poliamor” – não mais o velho ninguém é de ninguém, mas todos são de todos.

Dentro em pouco, talvez ressurja uma onda romântica, diante da angústia que a liberdade está gerando. Teremos amores melodramáticos, beijos eternos, fidelidades sem fim? No entanto, onde se aninharão os casais? No campo? Nas neves derretidas? No pó das cidades? Onde? Não temos onde amar. Não há casulos disponíveis. Famílias, lares? Não. Haverá talvez bordéis românticos, motéis da paixão, onde a paz infinita irá alem dos gritos de tesão.

Ninguém aguenta mais tanta liberdade... (Pronto, escritores de apócrifos, podem publicar que este é meu.)

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Pessoas que só tem certezas são muito perigosas


Nada pior do que dizer para alguém “conheço TUDO sobre esse assunto”. Isso, além de arrogância, fecha as suas portas para aprender algo novo.

Pessoas que acreditam que as coisas só funcionam da forma como ele faz ou acredita que deve ser feito não terão um futuro promissor ou de sucesso.

O mundo está mudando MUITO rapidamente e o que funcionava ontem pode não mais funcionar hoje. Ou então algo pode ser feito de forma muito mais simples, mais ágil ou muito mais eficiente do que antes.

Pessoas que não possuem dúvidas são incapazes de fazer algo novo, de se reinventar, de fazer de outra forma. Elas estão presas em conceitos antigos e em suas falsas certezas.

“Pior do que o ignorante é o falso sábio.”

Faz sentido para você?
Lembre-se, seu grau de interesse sobre determinado assunto é diretamente proporcional à quantidade de dúvidas que você possui. Simples não?

Se você deseja ser uma pessoa de sucesso, aprenda a dizer cada vez mais “não sei”, “não tenho certeza”, “conheço até certo ponto” e qualquer outra variável que mostre que você está aberto a ouvir e conhecer mais sobre determinado assunto.

Você e seus resultados serão soma de todas as vezes que você falar “não sei” e “me ensina”. Simples, não?

Nosso desejo é que você decida se tornar uma PESSOA DE SUCESSO.

 Que você decida se tornar um VENCEDOR. Porque, com toda a certeza, este um caminho MUITO MELHOR.

Vamos juntos contar para todo mundo!


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Os endividados


O Brasil está com mais da metade da população endividada. Essa informação é da SERASA. 


Endividado é aquele que perdeu a capacidade de pagar. E o número vem crescendo, na medida em que a economia nacional vai perdendo forças. O governo tem o dever de intervir nesse cenário, porque milhões perderam a capacidade consumir ou estão consumindo menos. Nessa mesma direção, a atividade econômica encolhe. Em consequência, a indústria produz menos. Produzindo menos, está demitindo.

 Gente sem emprego não consome. O comércio está com a atividade reduzida, quase estagnada. O raciocínio é lógico! É necessária uma intervenção do Estado, para reduzir os endividados. E como consequência, a atividade econômica será reativada. Os endividados voltarão a ter capacidade de consumo.

O governo quer o ajuste fiscal, para reduzir o comprometimento do governo. Mas até o momento não vi nada acerca dos endividados, especialmente das pessoas físicas.

 Muitos devem tudo o que ganham aos bancos, quando estão empregados. Para conservar esses empregos, será necessária a intervenção da área econômica do governo.

No passado se falava muito sobre caloteiro. A pessoa que não pagava as suas contas era um caloteiro. Lembro até dos vermelhinhos. Aqueles cobradores que rodavam de bicicleta cobrando contas. Hoje sabemos que às vezes é impossível pagar a conta.

Os próprios credores, especialmente os bancos, fazem questão de tornar isso impossível. Muitas execuções se eternizam, porque os bancos não tem interesse em conciliar.

 E também porque utilizam índices de correção e cobram juros que multiplicam o valor da conta. O mais interessante: em audiências de conciliação os representantes dos bancos não trazem qualquer proposta.

Banco não tem interesse em conciliar. E passam anos tornando as famílias infelizes. Nós sabemos que a conta apresentada pelo banco é arbitrária. Mas a maioria não litiga em juízo, onde poderia ter uma solução, mesmo que demorada.

O governo e os bancos têm suas parcelas de culpa dessa situação. Em primeiro lugar, o governo Lula jogou os aposentados aos lobos. Depois essa praga do crédito fácil se disseminou no país. Quem tem salário está endividado. Temos uma financeira em cada canto. Todos podem cobrar juros escorchantes, a exemplo do que fazem os bancos e cartões de crédito.

 O crédito irresponsável, fornecido pelos bancos, é culpado dessa CALAMIDADE PÚBLICA QUE É O ENDIVIDAMENTO.

Eu não vejo reclamação nas ruas sobre o endividamento. É o que mais aflige os brasileiros. Parece que somos ovelhas prontas para serem imoladas. Onde estão as organizações que vão para as ruas protestar contra o governo? Será que a pauta do endividamento não interessa a ninguém? 

Ainda vou fazer algum trabalho, para estimular as pessoas à prevenção contra o endividamento.

VAMOS PARA AS RUAS CONTRA O ENDIVIDAMENTO E O DESEMPREGO? ESSAS SÃO RESPONSABILIDADES DO GOVERNO CENTRAL. O GOVERNO TEM O DEVER DE INTERVIR NOS BANCOS E NAS FINANCEIRAS!


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Memórias de uma Raposa


Em meio aos meus problemas e devaneios estive com uma raposa, que me falou sobre a dor de ser quem é. Ela me disse assim: 

“Ser raposa dói, tens uma vida monótona caçando galinhas e sendo caçada por homens, as figuras humanas me espantam, me causam pânico, me torturam, julgam-se superiores pois eles possuem rifles. Não são bons amigos os que possuem rifles... mas um dia, uma única figura humana me apareceu como que vindo do nada, parecia frágil, não carregava consigo arma alguma, exceto talvez uma ingenuidade desmedida e a memória de alguém que amava, chorava deitado na relva.

Aprendi uma valiosa lição após os contatos com esse humano quase que desarmado: Algumas coisas podem ferir mais que as armas dos homens.

Descobri que aquele infante vinha de longe, envolvia-se em belas vestes e habitava um planeta pouco maior que um baobá. Falou-me certa vez desse amor que carregava, descreveu-a lindamente. Em minha cabeça pude imaginá-la, suas pétalas bem distribuídas em espiral em torno de um núcleo quase imperceptível, pude imaginar o vermelho dessas pétalas, o longo caule que sustentava sua nobreza e os quase imperceptíveis quatro espinhos, ao quais o meu príncipe não conseguia atribuir nem uma utilidade já que não acreditava realmente que eles a protegeriam das feras, apenas queria acreditar, queria que seu amor estivesse bem.

Ele buscava curar feridas no seu coração, feridas essas, causadas por esses quatro espinhos, embora nunca tenha me admitido que eles o causaram.

 Procurava um amigo. Ora, para que fosse meu amigo precisava antes cativar-me, pedi que me cativasse, ele precisava de um amigo e eu precisava de um significado para o trigo dourado dos campos. Talvez aqui eu tenha errado, buscando curar as feridas do meu príncipe eu acabei por me machucar.

Vinha todas as tarde visitar-me, sempre ao mesmo horário sob minhas recomendações. No começo desajeitado, não sabia bem o que fazer, sentava na sombra de uma árvore e estudava minha aproximação... Cativou-me, era agora único no mundo, era agora responsável por mim, o trigo não era mais uma simples matéria-prima, era uma representação dos fios do cabelo dourado de meu príncipe.

Parecia ter esquecido o antigo amor, os espinhos, não mais me preocupei com os machucados, eles pareciam nem existir mais. A aparência da ‘não existência’ não bastou e não o impediu de certa manhã anunciar sua partida. Mostrei-lhe dois importantes fatos aquela manhã.

Primeiro fato: ‘Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos’.

Segundo fato, sendo esse complemento e tão importante quanto o primeiro: 'Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas'.

Isso não o impediu de partir de volta ao seu amor, não o impediu de buscar aqueles quatro espinhos que agora possivelmente já conhecera as borboletas.

Passei dias olhando os campos de trigo, o tom dourado lembrava-me do cabelo de ouro do meu príncipe, deitada na mesma relva onde o encontrei chorando... chorei.

Tu só consegues entender a dor de ser raposa quando teu príncipe vai embora, te deixando apenas com o vento vespertino nos campos de trigo."


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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O dia em que fiquei feliz por me sentir um ignorante


Não lembro quem falou a frase, mas “todos somos ignorantes em algo”. E isso é uma grande verdade, você deve ter vários conhecimentos maneiros que eu não tenho e seus amigos não têm, assim como seus amigos também devem ter e assim por diante.

Parece completamente estranho, mas você vai entender como um dos dias em que me senti mais idiota, foi um dos que eu mais aprendi. Eu acabei parando em uma favela e foi incrível.

Não lembro quem falou a frase, mas “todos somos ignorantes em algo”. E isso é uma grande verdade, você deve ter vários conhecimentos maneiros que eu não tenho e seus amigos não têm, assim como seus amigos também devem ter e assim por diante.

Ainda bem que ninguém sabe de tudo, seria muito chato. A questão é que estamos evoluindo o conhecimento e as ideias absurdamente rápido, o que consequentemente quer dizer que cada vez ficamos mais longe de ter uma boa gama de conhecimento sobre o todo rsrsrs. Eu sei, parece triste, mas é verdade.

No entanto, esses tempos eu fiquei muito feliz por me sentir “um idiota” em determinado assunto... foi uma sensação ótima. 
Estava no EEJ-BA, um super evento do MEJ baiano que foi um dos melhores da minha carreira, mudou a vida de muita gente e, para começar, eles colocaram entre os participantes nada mais, nada menos, que o cara – Eduardo Marinho. 

O Eduardo é daqueles caras iluminados que têm uma visão tipo Thundercats, a visão além do alcance. O cara enxerga muito além do que a maioria das pessoas, e depois nos ajuda brilhantemente com coisas que parecem “óbvias”. 

Ele expôs tantas verdades e situações embaixo do nosso nariz que fiquei por vários momentos procurando onde estava minha inteligência, por não ter percebido (acredito que quase todos tenham se sentido assim, mas só posso falar por mim rsrsrs).

No início, rapidamente me revoltei – Como assim eu, que estudo tanto, analiso e percebo as coisas, não tinha me tocado disso? Ora, eu sou humano, tem coisas que estavam mais no meu foco, e os pontos humanistas dele chamaram a minha atenção naquela hora. 

E fiquei feliz por me dar conta: nossa, quanta coisa pude aprender hoje. E neste momento que veio aquele *insight*: caramba, todas as vezes que me senti um besta em um bate-papo, foram momentos em que aprendi mais do que em todos os outros. 

Depois da palestra, o pessoal me convidou para ir para a balada com eles, mas eu quis acompanhar o Eduardo em uma aventura: ele queria ir na periferia, era lá que se sentia bem. Eu estava curioso, com uma vontade de beber aquele novo conhecimento insaciável – queria mais e não importava o risco. Um clássico sentimento Free LifeStyle. 

Fomos para a periferia e lá paramos em um bar. Começaram a vir falar conosco pessoas de todos os jeitos, estilos e ideias. Notei o carinho e a vontade de ajudar que ele tanto falava, que só existiam na periferia mesmo. Não que eu nunca fora em uma, mas nunca tinha ido com esse olhar de aprendizado...

Eu sempre tive uma ideia de política, sobre ensinar a pescar e as pessoas terem o direito de criarem e conquistarem o quanto estão dispostas a suar na vida. Porém, o pessoal lá tinha ideias diferentes e eu resolvi que não falaria nada, apenas abriria a mente. 

Foi quando me apresentaram pontos super relevantes, de como um pequeno incentivo ajuda e inspira, da forma como o ensino e a valorização na base estão hoje, de como algumas pessoas acabam desenvolvendo um pensamento errôneo quando saem das classes mais baixas e aumentam a diferença não só social, mas até psicológica entre eles... Minha cabeça era, literalmente, aquela expressão “blow my mind” – ou seja parecia que ia explodir.

Eu percebi que existiam outras opiniões muito fortes, pois apenas via o meu lado, não tinha vivido o outro para construir algo mais sólido. Como eu poderia dizer que sabia o que era mais justo se conhecia apenas um lado? Isso é hipocrisia. 

O aprendizado foi tanto, que em certos momentos pensava em quando estava no início do colégio: cada dia tinha um novo mundo para desvendar. E fiquei feliz, muito alegre, por ter a oportunidade de ver e descobrir esses novos pontos de vista e universo.
 
Por sinal, no resto do evento me senti cada vez mais assim, quando vi meu querido brother Marc Kirst e o Rodrigo Hernandes falarem depois, nos bate-papos, com todos no dia a dia do evento.
Parecia brincadeira, vamos fazer o Bru se sentir um estúpido por não ter percebido algo rsrsrsrs. Mas eu adorei isso, talvez porque me lembrou de uma das essências de ser Free LifeStyle: fez perceber o quanto sou um humano que posso aprender quanto mais estiver aberto e lembrar que não há nada mais empolgante do que conhecer o novo.

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Cervejaria especializada em cães chega ao mercado brasileiro


Bebida é feita à base de água, malte e carne e pode ser consumida sem problemas para a saúde do animal.
  
  Conhecida por apaixonados por animais de estimação, a cerveja Dog Beer construiu a primeira cervejaria especializada no ramo no Brasil, em São Paulo.

A cerveja é feita nos mesmos moldes que a bebida para humanos, mas não inclui álcool nem gás para não prejudicar a saúde do animal.
Segundo a empresa, o "petisco líquido" é à base de água, malte e carne e pode ser consumido sem problemas para a saúde do cão.

“Mantivemos a fórmula, que fez bastante sucesso desde o lançamento do produto, mas estamos apostando em uma nova roupagem, embalagem e rótulo, que marcará a nova fase da Dog Beer”, revelou o empresário responsável pela marca, Lucas Marques.

A Dog Beer foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia e Alimentos e Bebidas do SENAI. Para isso, foram chamados veterinários, e especialistas em cerveja. 

A fábrica possui capacidade produtiva de sete mil garrafas ao dia.
A empresa conta também com vendas online para um maior alcance de público.

“Nossa nova estrutura garantirá um forte controle da qualidade do produto, agilidade e segurança na produção e grande pulverização nos pontos de venda de todo o país”, contou Marques.

O Dia.

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Marginal sabonete




O marginal comum – aquele que age com menor dolo e movido pelo oportunismo – pode ser considerado marginal-sabonete.
Isso é, quando pressionado de um lado, “escorrega” para outro, onde possa encontrar facilidade de ação, para arrombamentos e furtos de pequenos objetos.
Assim agem punguistas, batedores de carteiras, assaltantes de transporte coletivo e oportunistas (que furtam material em exposição, nas portas de casas comerciais etc).
É natural que, até mesmo pelo pequeno efetivo disponível, a Brigada Militar, como força de repressão, fica concentrada sobre os registros com maior repercussão, como assaltos, infestação de marginais junto ao comércio, furtos de motos, bicicletas, arrombamento de veículos, entre outros.
Com isso, deixam em aberto outros setores que são aproveitados pelos marginais, assim como um jogo de gato e rato, tornando difícil um equilíbrio entre as duas partes, principalmente levando-se em conta que um grande número de registros policiais estão alicerçados na presença de menores, que não podem ser presos.
Os crimes mais violentos, como homicídios, latrocínios e agressões graves, entre outros, dificilmente podem ser evitados, porque são imprevisíveis, mas, entendemos que ações sobre o marginal comum podem evitar crimes comuns.
 Para tanto, lembramos antigas rondas policiais à noite, com passagem constante de viaturas junto a escolas, em horários de entrada e término das aulas, quando marginais ficam à espreita dos alunos, que podem ter sua eficácia. Professores e alunos do Bibiano de Almeida, como exemplo, reclamam dos constantes assaltos quando do término das aulas.
A parada de coletivos, com revista dos passageiros, em meio ao percurso, também pode ser acionada, detendo marginais armados e inibindo essa prática.
Isso não seria um fato novo no Rio Grande, e podemos lembrar que, quando feita, obteve sucesso. Bater forte sobre a ação de marginais-sabonete é reduzir, ao mesmo tempo, ações em várias áreas. Importante mantê-los sob o medo da presença de forças de segurança.
Quanto a revistas dentro de coletivos, entendemos que só pode ter medo de polícia quem praticou algo fora do normal, ou aquele que não quer entender que ele é o grande beneficiado.
 

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O pau e a vergonha alheia



Quantas vezes na última semana você ouviu o provérbio “pau que dá em Chico dá em Francisco”? Quando uma frasezinha pega, fica ali na boca do povo remoendo, passa para lá e para cá, participa de várias atividades, mesmo que o seu sentido se esvaia antes de chegar ao final da história.

Já que nem tudo é tão democrático assim, em um país de desigualdades tão marcantes como o nosso é que essa do pau batendo em Chico e Francisco não rola mesmo. Só o Chico é que toma uns tecos. O Francisco dá alguma carteirada e se pica, lépido com seus títulos e diplomas; se possível até esfrega na nossa cara um foro especial e alguma imunidade parlamentar. Ou algum cargo de ex.

Ex-presidente, por acaso, tem um monte rodando por aí. Um não, dois, três, contando o do saco roxo que anda fazendo aparições (cinco, se contarmos o quieto Sarney e o viajante FHC que de vez em quando aparece, dá uns pitacos e some).

Um, visto em boneco gigante, inflável, camisa listrada, saiu por aí, Pixuleco, carregado pela oposição para tudo quanto é canto. E o de verdade, carne, osso e barba num road movie promocional esquisitíssimo. Inflado, fica insuflando. Sobe na tribuna, pega um microfone e logo vem brandindo alguma ameaça feita em voz grossa, alta e rouca, de quem se faz de mouco e não ouve a voz das ruas. Não vê que a coisa não está de brincadeira, que não é hora de marketing eleitoral populista. Quanto mais as pessoas olham a cara dele, com mais raiva vão ficando.

Para nos deixar mais boquiabertos ainda com tanta coisa acontecendo e desacontecendo, como se não bastasse os personagens em ação, esses dias teve o outro ex-do-passado-distante-e-longínquo-que-adoraríamos-ver-enterrado que ressuscitou, no palco do teatro do absurdo onde apresentou um monólogo com direito a todas as caretas que deve ter treinado à exaustão antes na frente do espelho.

 Ninguém merece. Os palavrões que disse fizeram a sessão ser proibida para menores de idade que não podem ver filmes de terror e sangue injetado nos olhos.

Acompanhar a política nacional nos últimos tempos virou mesmo um exaustivo exercício de paciência e de vergonha alheia – expressão que agora entendo mais do que nunca, em sua exatidão e plenitude impressionante do que é a capacidade humana de sempre nos surpreender e decepcionar.

 Ora é a presidente saudando a mandioca e dobrando a meta imaginária, o seu zero particular. Ora é um boquirroto que na verdade está mesmo tentando só salvar a sua própria pele – viu que o caldo está entornando – para tentar retomar glorioso daqui a alguns anos, assobiando e repetindo que não sabia, que errou, mas que isso não se repetirá.

Aí alguém lá em cima tem alguma ideia que acha de gênio e resolve soltá-la em balões: as da vez foram criar mais um imposto com nome pomposo e disfarce, além do corte dos longos cabelos da Esplanada dos Ministérios, mas só dez dedinhos; nada de navalhadas radicais.

 Daí? Daí nada. O imposto morreu, ainda bem, sufocado pela gritaria. E os cabelos? Ah, os cabelos continuam os mesmos – o que mudará será a voz.

Desde o primeiro governo da presidente, escrevo sobre a estranheza que havia na sensação de que tínhamos duas pessoas no comando do país; uma ficava como sombra, fazendo negócios que estão sendo revelados só agora, dando ordens, orientando a manada.

Era uma sombra, mas admitamos que, pelo que vemos acontecer nesse segundo governo, a sombra até era útil e funcionava. Alguma coisa não deu certo nessa relação, gastou – tanto que a sombra se afastou – e quando o nada foi iluminado novamente foi que percebemos que o buraco já estava muito mais em baixo. Canoa furada. Sem direção. Sem argumentos. Sem respostas.

E sem oposição também. Por falar em vergonha alheia, com a oposição que temos quem precisa de governo? Eles próprios se exterminam entre si, ou caindo do muro na lama, pelo lado errado, ou equilibrando-se em cima dele e rezando pela cartilha de algum profissional da fé e fiscal de costumes, mais sujos do que outro pau, o pau-de-galinheiro.

É uma novela. Acaba uma, começa a outra. Um novelo a desenrolar, e cada mês que passa – e estão passando – se torna mais surpreendente seu roteiro, seus vai-e-vem. Nossa própria resiliência e resignação.
Somos todos Chico.

São Paulo, vem setembro, vem setembro! 2015


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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Por que algumas pessoas são mais egoístas do que as outras?



Um estudo recente buscou descobrir como funciona a mente de pessoas egoístas. Logicamente, todos nós somos egoístas de vez em quando, mas o que a pesquisa buscou compreender melhor foi a forma como pessoas consideradas maquiavélicas pensam.

O termo “maquiavélico” tem relação com o escritor, político e diplomata italiano Nicolau Maquiavel, autor de “O Príncipe”. Na obra, Maquiavel consegue traçar perfeitamente o perfil frio do personagem principal, que pode ser descrito como manipulador, calculista, traiçoeiro e sem empatia.


O comportamento do personagem principal de “O Príncipe” é comumente visto em nossa sociedade. Há muitas pessoas dispostas a explorar outras apenas por benefício próprio, e essa questão de conduta ética e social é frequentemente estudada por cientistas comportamentais, que tentam entender o que há por trás da forma como as pessoas agem com as outras.



Em um estudo recente, realizado na Hungria, cientistas observaram as reações de dois grupos de estudantes: um era formado por pessoas levemente maquiavélicas e outro por aqueles considerados altamente maquiavélicos. A partir dessa divisão, com a ajuda de exames de imagem, os cientistas puderam ver as diferenças de atividades cerebrais entre esses indivíduos.

Os voluntários foram informados de que trabalhariam em duplas, e cada pessoa recebeu uma nota de US$ 5 e, em seguida, deveria decidir quanto gostaria de “investir” em seu parceiro. A essa altura, os participantes acreditavam que seus parceiros eram outros estudantes, mas, na verdade, eles estavam lidando com um programa de computador.

Esse programa tinha duas formas de ação: ou retornava o investimento de maneira justa, com 10% acima ou abaixo do valor inicial, ou dava resultados injustos, retornando apenas 30% do valor inicial. Após a interação inicial, era o programa de computador que investia nos participantes, mas eles mesmos precisavam decidir se teriam um retorno justo ou não.



Esse exercício mostrou que, quando os participantes menos maquiavélicos decidiram quanto de retorno dariam a seus parceiros, agiam conforme as normais sociais, recompensando seus companheiros de maneira justa no início e os punindo quando receberam a recompensa considerada injusta.

Os mais maquiavélicos deram recompensas injustas para todos, independente das recompensas que haviam recebido. No final do joguinho de investimento, os maquiavélicos foram os que acabaram com mais dinheiro.

As análises das atividades cerebrais dos participantes revelaram que, quando o programa de computador dava uma recompensa justa aos maquiavélicos, as áreas cerebrais mais ativadas eram as relacionadas à criatividade e à inibição. 

Para os cientistas, isso pode significar que essas pessoas inibiram seus instintos naturais de agir de maneira recíproca e justa, de modo que, ao mesmo tempo, calculavam uma forma melhor de conseguir tirar proveito do parceiro.

Ao que tudo indica, pessoas mais manipuladoras e dissimuladas não são egoístas porque são injustas, mas agem de maneira egoísta em momentos específicos, o que é justificado pela falta de empatia. Da mesma forma, essas pessoas tendem a explorar a boa vontade de quem demonstra agir de forma justa e cooperativa.


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A função paterna



Na constituição psíquica de uma criança cada sujeito que interage com ela tem uma função importante, mas os pais contam com um papel central, são as ações deles com a criança que organizam o seu desenvolvimento e as possibilitam aprender a conviver em sociedade.

 As crianças que por algum motivo perdem seus pais terão outras pessoas substitutas que assumiram esse papel de cuidador, que seja uma referência.

O bebê logo que nasce necessita muito de sua mãe, interage mais com esta, tem momentos que apenas ela consegue acalmá-lo, em razão da própria amamentação, a mãe e o bebê constroem uma intimidade maior.

O pai já tem sua entrada nessa relação desde muito cedo, é um terceiro que rompe essa díade mãe x bebê, com o intuito de inserir este pequeno para outras relações além da mãe. O pai é referência pelas regras da casa, aquele que decide o que pode e o que não pode ser feito. É a palavra de ordem.

 É quem vai mostrando a criança que ela não pode fazer tudo o que quer, e nem ter tudo o que quer, na hora que quer, vai ajudando a organizar esse espaço, para que possa se relacionar e conviver com outras pessoas.

Algumas mães podem dizer que precisam fazer o papel de pai e mãe, ou que elas assumem essa responsabilidade, falam isso porque imaginam e esperam que a função paterna está ligada a entrada da lei na vida das crianças.

As mães precisam dar esse lugar valorizado ao pai, para que de fato possa ser respeitado pela criança. Suas ordens devem ser sustentadas diante de sua presença ou não, se o pai proíbe a criança de fazer uma atividade e a mãe permite e combina com a criança que não conte ao pai, faz uma dupla que desvaloriza a figura paterna, assim a palavra do pai perde a força.

Os pequenos testam os adultos e de acordo com a reação deles vão tentando aquilo que desejam. Muitos identificam na figura do pai, aquele que ordena, que tem a decisão final. Por exemplo, se o pai disse não, a criança já sabe que não tem conversa, podem não compreender os reais motivos do não, mas sabem que não adianta insistir.

As crianças tem essa parada pelo medo de perder o amor dos pais, isso é constitutivo para que saibam até onde podem ir, internalizando a noção de limite.

Ao proibir o pequeno é preciso ter de lidar com sua raiva, suportando que chore, grite, esperneie, o que logo passa. O importante é que o adulto possa manter-se firme em sua palavra, para que a criança desenvolva formas mais evoluídas de lidar com as frustrações, tornando-se um sujeito com melhores condições de enfrentar as dificuldades da vida.



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