quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A neurose no trabalho moderno







As novas práticas de administração, que deveriam reconciliar o homem ao ambiente de trabalho, conduzem-no à luta sem quartel em busca de espaço.
As novas práticas de administração, que deveriam reconciliar o homem ao ambiente de trabalho, conduzem-no à luta sem quartel em busca de espaço.





Durante a Guerra do Vietnam, os bonzos, sacerdotes budistas, ateavam fogo às vestes em imolação pública de protesto contra a presença americana no território vietnamita. Anos após, Robert McNamara, à época Ministro da Defesa dos USA, diria: “A coragem impassível daqueles bonzos em chamas foi uma das mais poderosas armas utilizadas contra nós no Vietnam”.

Recentemente, o mundo assistiu atônito à eclosão da Primavera Árabe, que se iniciou no norte da Tunísia com um jovem que ateou fogo às próprias vestes como ato de protesto contra o regime totalitário prevalecente nos países islâmicos.
Não resisto à comparação desses eventos históricos trágicos com a onda de suicídios, estresse desmesurado, síndromes de pânico, inusitadas doenças psicológicas profissionais que convivemos hoje no mundo das organizações e, é claro, também aqui no Brasil, se bem que de forma ainda mais dissimulada, como se esse drama não nos atingisse igualmente.
Bem, compreendo, alguns dirão: “Mas que absurdo – as circunstâncias de uma guerra boçal não se comparam à realidade vivida hoje no mundo das organizações empresariais. Muito menos as razões que sublevam os jovens militantes islâmicos contra situações políticas ditatoriais em tantos países do mundo árabe”.
Os contextos são obviamente distintos. As devastações de uma guerra econômica, como a que vivemos hoje na sociedade de mercado globalizada, irrestritamente protagonizadas pelas organizações, não são de mesma natureza que as de um conflito armado bélico ou de uma revolução política.
No entanto, muitas das constatações das razões de pessoas que dão cabo às suas vidas por causa do trabalho certamente expressam o desejo de denúncia da realidade vigente no interior das organizações. É um ato indubitável de denúncia! Um brado derradeiro em busca da tomada de consciência contra as iniquidades crescentes praticadas no mundo do trabalho. Em verdade, um ato final de libertação da neurose alucinante do trabalho moderno.
Esses suicídios e sequelas nos conclamam a um basta à violência psicossocial existente nas organizações, à loucura das reengenharias e das reorganizações incessantes, um basta à busca desesperada de resultados a qualquer custo, um basta ao sempre mais e mais, um basta ao disparate de trajetórias que nos levam a lugar algum, se não ao nada e à devastação psicossociológica dos trabalhadores assalariados.
As novas práticas de administração, que deveriam reconciliar o homem ao ambiente de trabalho, conduzem-no à luta sem quartel em busca de espaço, em que cada qual objetiva alcançar mais e melhores vantagens, e, em vez da integração, cooperação e boa interação pessoa-trabalho, levam-no à desilusão, ao desencanto e à desesperança.
As práticas de administração voltam a fazer da pessoa, trabalhador assalariado, apenas mais um recurso descartável a serviço da rentabilidade empresarial.
Por quais razões o mal-estar laboral é tão profundo ao passo que, historicamente, as condições objetivas de trabalho nas organizações têm se aprimorando tanto? É indiscutível a melhoria das proteções concretas do trabalho assalariado ao longo do tempo, do trabalho do menor, da mulher, do idoso, dos portadores de deficiência. A jornada de trabalho é reduzida substancialmente, as condições físicas do exercício laboral são bem menos sacrificantes. Dispõe-se hoje de todo um aparato cientifico tecnológico a minimizar as antigas agruras do trabalhador manual dos tempos passados.
Mas se as condições objetivas do trabalho são hoje bem mais confortáveis, as condições psicossociais, subjetivas, com certeza se degradam exponencialmente, na contramão do discurso oficialista das organizações de laudação de seus “colaboradores”.

Esse fenômeno atinge a todos os tipos organizacionais, indistintamente – ao setor público e ao privado, às empresas submetidas à competição de mercado e as monopolistas, as grandes, pequenas e médias empresas, atinge como um todo a sociedade globalizada e a uma economia globalizada.
É preciso, o quanto antes, compreender e erradicar as causas de tantos suicídios e sequelas profissionais no mundo do trabalho. Fazer adequadas necrópsias e autópsias psicológicas dos suicidas e dos sequelados pelo trabalho.
A tomada de consciência de uma questão tão grave para a humanidade contemporânea parece difícil de emergir. Mais ainda: para os dirigentes públicos, sindicais e empresariais esta é ainda uma questão meramente secundária, restrita apenas á dimensão acadêmica por ser inexpressiva no conjunto real da vida organizacional. Alegam, os problemas que de fato os afligem são o emprego e o desemprego.Questões distintas, é verdade, mais igualmente relevantes.
Como analisar as mudanças que ocorrem no mundo do trabalho?Como compreender e superar as violências, inquietações e sofrimentos que as mutações suscitam? Por que razões os sintomas do mal estar no trabalho, como o estresse, suicídio, depressões, fadigas, esgotamento profissional, burnout e síndromes se encontram cotidianamente em campos de atividades empresariais tão distintos? Quais são as causas mais profundas e sentidas do mal estar no trabalho na vida moderna? Por que a insatisfação crescente dos assalariados não se expressa forte, solidária e coletivamente nas distintas manifestações dos movimentos sociais em geral, e, em particular dos sindicatos e associações profissionais?
As respostas a essas questões estão longe de serem produzidas pelos seus mais diferentes atores. Quando muito o que se obtém são avaliações parciais e limitadas, às vezes até cínicas e hipócritas, dissimuladas. É preciso ir fundo às raízes das suas causas, no sentido de erradicá-las.
Os atos de denúncia desesperada dos monges budistas contribuíram decisivamente para o fim da Guerra do Vietnam. O fogo às vestes dos jovens islâmicos desencapsulou a Primavera Árabe.
Por que a denúncia dos suicídios generalizados e das perversões psicológicas tão graves nos assalariados em todo o mundo das organizações não desencadeia uma atitude efetivamente proativa dos dirigentes empresariais, das associações profissionais e sindicais e dos políticos comprometidos com o bem comum? O silêncio de todos é cúmplice! Só contribui para o agravamento de uma nova epidemia profissional – a neurose do trabalho moderno!
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Utopia e paz social




Salta aos olhos de qualquer cidadão atento o clima de radicalismo em que vivemos. Refiro-me aqui, especificamente, ao nosso Brasil, de incitações e de desentendimentos, sobre qualquer ambiente.
A animosidade parece sempre ser bem-vinda, nesta verdadeira “civilização do espetáculo”, hipócrita por falsa necessidade. Para este tipo de sentimento disseminado, sempre haverá aplausos, consequência natural para um País carente de apaziguamento, de pacificação dos espíritos acirrados.
Percebo que enquanto perdurar esta fórmula estúpida, permaneceremos muito afastados de qualquer esboço de paz social. Conceito utópico para muitos, não vejo o menor sentido em assumir responsabilidades públicas sem a busca de objetivos convergentes, independente da formação ideológica de cada cidadão.
 Poucos representantes são capazes de exercer esse papel. A representação política, definitivamente, não é para amadores. O problema é que os “amadores”, sejam criminosos ou simplesmente irresponsáveis despreparados, são cada vez mais a regra vigente no nosso meio político.
Mais humanidade e compreensão! Menos fórmulas prontas, dignas dos ultrapassados sabichões, que apontam o dedo antes de ouvir. Insisto em alertar que existe um sistema falido, que não mais atinge às expectativas da sociedade contemporânea. Por isso, trago à tona a ideia de “paz social”.
E já alerto que o rótulo de “utópico” me cai bem, tendo a plena noção de que o tempo é finito e que estamos de passagem. Para minhas filhas, quero ensinar a lição de Eduardo Galeano: “A utopia está lá no horizonte (…) Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.
Respeitando sempre as determinações Constitucionais que regram o País, não me abstenho de lançar uma visão de mundo, responsável com minha geração e as próximas que virão: mais diálogo, menos intolerância. Ouvir muito mais, falar bem menos! Nosso tempo é finito e, sobre essa avaliação, é fundamental a tentativa de deixar a nossa melhor mensagem.
 Christopher Goulart.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Reescrita: identificação e satisfação




Pensar que os alunos irão se interessar por todos os gêneros textuais e obras literárias que o professor tentar inserir na sala de aula é uma doce ilusão, pois sabe-se que cada dia mais os alunos mostram-se opinativos e participativos em ralação à leituras e atividades de aula.
A iniciativa de Jandira Stand, professora da EMEF Humberto de Campos, em São Paulo, foi aceita de forma surpreendente, exatamente pela maneira como ela resolveu trabalhar com seus alunos o gênero textual fábula. 
O trabalho da professora Jandira consiste em fazer com que o aluno reescreva uma fábula, com a intenção de que o mesmo entenda melhor o desenrolar da história e o gênero textual com que estão trabalhando.
O método da reescrita utilizado pela professora é o que falta em grande parte dos docentes que tenta trabalhar com obras clássicas no Ensino Médio, pois ainda hoje alguns deles pensam que trabalhar com o cânone é exigir dos alunos análises críticas dessas obras.
 Os alunos de Ensino Médio que, na maioria das vezes, não estão prontos para isso, todavia submetem-se a fazer a árdua tarefa de analisar a obra exigida porque “necessitam” passar de ano.
Sendo assim, tem-se uma ideia do por que os alunos acabam rejeitando os clássicos e, muitas vezes, qualquer outra obra. Segundo Furtado, “etapas devem ser seguidas para a aproximação de uma obra clássica o aluno, e que qualquer salto dessa aproximação gradual à leitura dos clássicos pode deixar como sequela uma rejeição prévia a toda sugestão de leitura de textos literários não contemporâneos”.
Pensando assim, trabalhar com a reescrita é dar a oportunidade do aluno ler um texto clássico ao seu tempo, fazer suas diversas leituras e interpretações e, assim, expressá-las, relacionado com a sua realidade, seu ponto de vista e os aspectos que lhe parecem importantes; isso faz com que o aluno absorva, sinta o clássico, pois deste modo possuirá tempo para pensar sobre o que foi lido, e reconhecer-se – identificar-se na obra, e será esse tempo de reescrita e reflexão que poderá fazer com que o aluno sinta satisfação de reescrever algo tão importante para literatura.
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terça-feira, 20 de novembro de 2018

O Dia do Professor




“Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo” (Paulo Freire)
Foi no dia 15 de outubro de 1827 que D.Pedro I baixou um Decreto Imperial criando o Ensino Elementar no Brasil.Ele estabelecia que “todas as cidades,vilas e lugarejos tivessem suas escolas de primeiras letras”.
O decreto falava de muita coisa: descentralização do ensino, salário dos professores,as matérias básicas que todos os alunos deveriam aprender e até como os professores deveriam ser contratados.A ideia era inovadora,revolucionária.Faltou apenas ser cumprida.O dia dedicado ao professor,entretanto,somente foi comemorado 120 anos depois, em 1947.
Foi iniciativa de professores de uma pequena escola da Rua Augusta,em São Paulo.Quatro professores tiveram a ideia de organizar um dia de parada para evitar a estafa e também de congraçamento e análise dos rumos para o restante do ano, já que o longo período letivo do segundo semestre ia de 1º.de junho a 15 de dezembro,com apenas 10 dias de férias em todo este período.
A celebração,que se mostrou um sucesso,espalhou-se pela cidade de São Paulo e pelo país nos anos seguintes,até ser oficializada nacionalmente como feriado escolar pelo Decreto Federal 52.682, de 14 de outubro de 1963.Desde então muita coisa mudou na atividades dos professores.
Hoje,pais não aceitam as notas dos filhos,ameaçam e questionam professores.
Os filhos,sem limites,brigões,cultivadores do bulling passam a ter toda a razão.As escolas,temerosas de perder clientes,avalizam em muitas ocasiões tais comportamentos, justificando-os como “rebeldia característica de adolescentes”.E em meio a tudo isto está o professor.
Agora o professor enfrenta um novo desafio: uma tentativa irracional de evitar as luzes do conhecimento via defensores da estapafúrdia, anacrônica e medieval “escola sem partido”. São os donos de uma compreensão das mais estreitas do que é educação e do que é ensinar.
Essas pessoas de um reacionarismo espantoso, acreditam piamente no mito da neutralidade da ação docente, segundo o qual, o professor não tem cara, não tem lado, não toma partido, não pensa nem intervém de modo transformador na realidade social.
Para elas, o professor deve estar unicamente comprometido com a sagrada missão de transmitir conteúdos anonimamente escolhidos, aparentemente desinteressados e oficialmente listados.
Os defensores da “escola sem partido”, são os extremamente partidários e ideologizados. O caminho por eles apontado é do retrocesso, já que são portadores do “chip fascista” da extrema-direita.
Não aceitam que o professor é o condutor do processo de conhecer, aprender,isto é, mudar.O verdadeiro portador da vocação ontológica de cada ser humano:ser livre,produtor de cultura,história.E isto ele faz trabalhando o conhecimento enquanto práxis:teoria e método que desvelam a contradição existente em todos os fenômenos e coisas.
É ele que desperta o jovem para a transformação e a criatividade.Paulo Freire chamou a isso de Curiosidade Epistemológica, isto é, acrescentar ao mundo algo nosso.Ao assim proceder escola, professores e alunos estão mudando o mundo. E mudando para melhor.
Mas para que este processo seja concretizado, as coisas não podem acontecer apenas e tão-somente na sala de aula.O professor precisa ser valorizado com piso salarial, carreira, condições de trabalho, acesso aos bens culturais e tecnológicos,respeito,diálogo,formação permanente e participação efetiva na gestão da educação.
Os processos avaliativos devem ser democráticos, internos e externos (por meio de universidades públicas), onde será valorizado o mérito,em contraposição à “meritocracia” de inspiração neoliberal.Afinal,professor não é jogador de futebol que deve ganhar de acordo com o número de gols marcados.
Sabemos que os melhores professores se caracterizam por ter vários anos de experiência,ter um conceito positivo de si mesmo e do seu trabalho,ter expectativas positivas com relação a todos os seus alunos e conseguir fazer todos os alunos aprenderem.
O bom professor é aquele que consegue fazer com que seus alunos aprendam bem o que precisam aprender, no ritmo correto. A sociedade espera tudo dos professores,os pais transferem a eles muito das suas responsabilidades.
A propósito encontrei uma carta de Abrahan Lincol,enviada ao professor do seu filho, em 1830.Isto é,antes da primeira metade do século 19, já aos professores tudo era atribuído.Eis o que pedia Lincoln:
“Caro professor,ele terá que aprender que nem todos os homens são justos,nem todos são verdadeiros,mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói,que para cada egoísta,há também um líder dedicado,ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo,ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada,ensine-o a perder, mas também a saber gozar a vitória,afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso,faça-o maravilhar-se com os livros,mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu,as flores no campo,os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa,ensine-o a acreditar em si,mesmo sozinho contra todos.Ensine-o a ouvir todos,mas,na hora da verdade,a decidir sozinho,ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram”.
Um grande abraço a todos os colegas professores pela passagem do nosso dia. Vamos continuar lutando pela educação crítica e livre. Jamais evoluiremos como sociedade sem examiná-la com rigor, visando melhorá-la!!

. (José Ernani de Almeida – Professor)


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

A Arte de Viver




O homem nasce para atingir a vida, mas tudo depende dele. Ele pode perdê-la. Ele pode seguir respirando, ele pode seguir comendo, ele pode seguir envelhecendo, ele pode seguir se movendo em direção ao túmulo - mas isso não é vida. Isso é morte gradual, do berço ao túmulo, uma morte gradual com a duração de setenta anos.
 E porque milhões de pessoas ao redor de você estão morrendo essa morte lenta e gradual, você também começa a imitá-los. As crianças aprendem tudo daqueles que estão em volta delas e nós estamos rodeados pelos mortos. Então temos que entender primeiro o que eu entendo por 'vida'. Ela não deve ser simplesmente envelhecer. Ela deve ser desenvolver-se. 
E isso são duas coisas diferentes. Envelhecer, qualquer animal é capaz. Desenvolver-se é prerrogativa dos seres humanos. Somente uns poucos reivindicam esse direito.
Desenvolver-se significa mover-se a cada momento mais profundamente no princípio da vida; significa afastar-se da morte - não ir na direção da morte. Quanto mais profundo você vai para dentro da vida, mais entende a imortalidade dentro de você. Você está se afastando da morte: chega a um momento em que você pode ver que a morte não é nada, apenas um trocar de roupas ou trocar de casas, trocar de formas - nada morre, nada pode morrer. A morte é a maior ilusão que existe.
Como desenvolver-se? Simplesmente observe uma árvore. Enquanto a árvore cresce, suas raízes crescem para baixo, tornam-se mais profundas. Existe um equilíbrio; quanto mais alto a árvore vai, mais fundo as raízes vão. Na vida, desenvolver-se significa crescer profundamente para dentro de si mesmo - que é onde suas raízes estão.
Para mim o primeiro princípio da vida é meditação. Tudo o mais vem em segundo lugar. E a infância é o melhor momento. À medida que você envelhece, significa que você está chegando mais perto da morte, e se torna mais e mais difícil entrar em meditação. Meditação significa entrar na sua imortalidade, entrar na sua eternidade, entrar na sua divindade.
 E a criança é a pessoa mais qualificada porque ela ainda está sem a carga da educação, sem a carga de todo o tipo de lixo. Ela é inocente. Mas infelizmente a sua inocência está sendo considerada como ignorância. Ignorância e inocência tem uma similaridade, mas elas não são a mesma coisa. Ignorância também é um estado de não conhecimento, tanto quanto a inocência é. Mas também existe uma grande diferença que passou despercebida por toda a humanidade até agora. A inocência não é instruída - mas também não é desejosa de ser instruída. Ela é totalmente contente, preenchida...
O primeiro passo na arte de viver será criar uma linha de demarcação entre ignorância e inocência. Inocência tem que ser apoiada, protegida - porque a criança trouxe com ela o maior tesouro, o tesouro que os sábios encontram depois de esforços árduos. Os sábios têm dito que se tornaram crianças novamente, que eles renasceram...
Sempre que você perceber que perdeu a oportunidade da vida, o primeiro princípio a ser trazido de volta é a inocência. Abandone o seu conhecimento, esqueça as suas escrituras, esqueça as suas religiões, suas teologias, suas filosofias. Nasça novamente, torne-se inocente - e a possibilidade está em suas mãos. Limpe a sua mente de todo conhecimento que não foi descoberto por você mesmo, de todo conhecimento que foi tomado emprestado dos outros, tudo o que veio pela tradição, convenção, tudo o que lhe foi dado pelos outros - pais, professores, universidades. Simplesmente desfaça-se disso. Novamente seja simples, mais uma vez seja uma criança. E esse milagre é possível pela meditação.
Meditação é apenas um método cirúrgico não convencional que corta tudo aquilo que não é seu e só preserva aquilo que é o seu autêntico ser. Ela queima tudo o mais e o deixa nu, sozinho embaixo do sol, no vento. É como se você fosse o primeiro homem que tivesse descido na Terra - que nada sabe e que tem que descobrir tudo, que tem que ser um buscador, que tem que ir em peregrinação.

O segundo princípio é a peregrinação. A vida deve ser uma busca - não um desejo, mas uma pesquisa: não uma ambição para tornar-se isso, para tornar-se aquilo, um presidente de um país, ou um primeiro-ministro, mas uma pesquisa para encontrar 'Quem sou eu?'. É muito estranho que as pessoas que não sabem quem elas são, estão tentando se tornar alguém. Elas nem mesmo sabem quem elas são neste momento! Elas não conhecem os seus seres - mas elas têm um objetivo de vir a ser. Vir a ser é a doença da alma. 
O ser é você e descobrir o seu ser é o começo da vida. Então cada momento é uma nova descoberta, cada momento traz uma alegria. Um novo mistério abre as suas portas, um novo amor começa a crescer em você, uma nova compaixão que você nunca sentiu antes, uma nova sensibilidade a respeito da beleza, a respeito da bondade.
Você se torna tão sensível que até a menor folha de grama passa a ter uma importância imensa para você. Sua sensibilidade torna claro para você que essa pequena folha de grama é tão importante para a existência quanto a maior estrela; sem esse folha de grama, a existência seria menos do que é. E essa pequena folha de grama é única, ela é insubstituível, ela tem a sua própria individualidade.
E essa sensibilidade criará novas amizades para você - amizades com árvores, com pássaros, com animais, com montanhas, com rios, com oceanos, com as estrelas. A vida se torna mais rica enquanto o amor cresce, enquanto a amizade cresce...
Quando você se torna mais sensível, a vida se torna maior. Ela não é um pequeno poço, ela se torna oceânica. Ela não está confinada a você, sua esposa e seus filhos - ela não é confinada de jeito algum. Toda essa existência se torna a sua família e a não ser que toda essa existência seja a sua família, você não conheceu o que é a vida. - porque homem algum é uma ilha, nós estamos todos conectados. Nós somos um vasto continente, unidos de mil maneiras. E se o nosso coração não está cheio de amor pelo todo, na mesma proporção a nossa vida é diminuída.
A meditação lhe traz sensibilidade, uma grande sensação de pertencer ao mundo. Este é o nosso mundo - as estrelas são nossas e nós não somos estrangeiros aqui. Nós pertencemos intrinsecamente à existência. 
Nós somos parte dela, nós somos o coração dela.
Em segundo lugar, a meditação irá lhe trazer um grande silêncio - porque todo o lixo do conhecimento foi embora, pensamentos que são partes do conhecimento foram embora também... Um imenso silêncio e você é surpreendido - esse silêncio é a única música que existe. Toda música é um esforço para manifestar esse silêncio de algum modo.
Os videntes do antigo oriente foram muito enfáticos a respeito da questão de que todas as grandes artes - música, poesia, dança, pintura, escultura - são todas nascidas da meditação. Elas são um esforço para, de algum modo, trazer o incompreensível para o mundo do conhecimento, para aqueles que não estão prontos para a peregrinação - presentes para aqueles que ainda não estão prontos para partirem na peregrinação. Talvez uma canção possa despertar um desejo de ir em busca da fonte, talvez uma estátua.
Na próxima vez que em você entrar em um templo de Gautama Buda ou de Mahavira, sente-se silenciosamente e olhe a estátua... porque a estátua foi feita de tal forma, em tal proporção que se você olhá-la, você cairá em silêncio. É uma estátua de meditação; não é a respeito de Gautama Buda ou de Mahavira...
Naquele estado oceânico, o corpo toma uma certa postura. Você próprio já observou isso, mas não estava alerta. Quando você está com raiva, você observou? seu corpo tomou uma certa postura. Na raiva você não pode manter as suas mãos abertas: na raiva, a mão se fecha. Na raiva você não pode sorrir - ou você pode? Com uma certa emoção, o corpo tem que seguir uma certa postura. Pequenas coisas estão profundamente relacionadas no interior...
Uma certa ciência secreta foi usada por séculos, de modo que as gerações futuras pudessem entrar em contato com as experiências das gerações mais velhas - não através de livros, não através de palavras, mas através de algo que vai mais profundo - através do silêncio, através da meditação, através da paz.
 À medida que seu silêncio cresce, sua amizade cresce, seu amor cresce; sua vida se torna uma dança, momento a momento, uma alegria, uma celebração.
Você já pensou sobre o porquê, em todo o mundo, em toda cultura, em toda sociedade, existem uns poucos dias no ano para a celebração? Esses poucos dias para a celebração são apenas uma compensação - porque essas sociedades tiraram toda a celebração de sua vida e se nada é dado para você em compensação, sua vida pode tornar-se um perigo para a cultura. 
Toda cultura criou alguma compensação e assim você não se sentirá completamente perdido na miséria, na tristeza... Mas essas compensações são falsas. Mas no seu mundo interior pode existir uma continuidade de luz, canções, alegria.
Sempre lembre-se que a sociedade o compensa quando ela sente que a repressão pode explodir em uma situação perigosa se não for compensada. A sociedade encontra algum jeito de lhe permitir soltar a repressão. Mas isso não é a verdadeira celebração, e não pode ser verdadeira. A verdadeira celebração deveria vir de sua vida, na sua vida.
E a celebração não pode estar de acordo com o calendário, que no primeiro dia de novembro você irá celebrar. Estranho, o ano todo você é miserável e no primeiro dia de novembro, de repente, você sai da miséria, dançando. Ou a miséria era falsa ou o primeiro de novembro é falso.; ambos não podem ser verdadeiros.
 E uma vez que o primeiro de novembro se vai, você está de volta em seu buraco negro, todo mundo em sua miséria, todo mundo em sua ansiedade.
A vida deveria ser uma celebração contínua, um festival de luzes por todo o ano. Somente então você pode se desenvolver, você pode florir. Transforme pequenas coisas em celebração... Tudo o que você faz deveria expressar a si próprio; deveria ter a sua assinatura. Então a vida se torna uma celebração contínua.
Inclusive se você adoece e você está deitado na cama, você fará daqueles momentos de repouso, momentos de beleza e alegria, momentos de relaxamento e descanso, momentos de meditação, momentos para ouvir música ou poesia. Não há necessidade de ficar triste porque você está doente. Você deveria estar feliz porque todo mundo está no escritório e você está na cama como um rei, relaxando - alguém está preparando chá para você, o samovar está cantando uma canção, um amigo se oferece para vir e tocar flauta para você. Essas coisas são mais importantes do que qualquer remédio. 
Quando você está doente, chame um médico. Mas, mais importante, chame aqueles que o amam porque não existe remédio mais importante que o amor. Chame aqueles que podem criar beleza, música, poesia à sua volta, porque não existe nada que cure como uma atmosfera de celebração.
O medicamento é o mais baixo tipo de tratamento. Mas parece que nós esquecemos tudo, assim nós temos que depender dos medicamentos e ficar rabugentos e tristes - como se você estivesse perdendo uma grande alegria que havia quando você estava no escritório! 
No escritório você era miserável - simplesmente um dia de folga, mas você também se agarra à miséria, você não a deixa ir.

Faça todas as coisas criativas, faça o melhor a partir do pior - isso é o que eu chamo de arte. E se um homem viveu toda a vida fazendo a todo momento uma beleza, um amor, um desfrute, naturalmente a sua morte será o supremo pico no empenho de toda a sua vida.
Os últimos toques... sua morte não será feia como ordinariamente acontece todo dia com todo mundo. Se a morte é feia, isso significa que toda a sua vida foi um desperdício. A morte deveria ser uma aceitação pacífica, uma entrada amorosa no desconhecido, um alegre despedir-se dos velhos amigos, do velho mundo...
Comece com a meditação e muitas coisas crescerão em você - silêncio, serenidade, êxtase, sensibilidade. E o que quer que venha com a meditação, tente trazer para a sua vida. Compartilhe isso, porque tudo o que é compartilhado cresce mais rápido. E quando você atingir o momento da morte, você saberá que não existe morte. Você pode dizer adeus, não existe nenhuma necessidade de lágrima de tristeza - talvez lágrimas de felicidade, mas não de tristeza.
Osho


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A gamificação aplicada à aprendizagem




A gamificação é um conceito cada vez mais explorado, mas em que consiste concretamente esta técnica? A gamificação busca basicamente aplicar a lógica da mecânica dos videogames ao campo educacional. Desta forma, as habilidades ou disciplinas a serem ensinadas são apresentadas como fases a serem superadas, obtendo pontos e até montando tabelas de classificação dos participantes. Algo como transformar o aprendizado em um jogo.
Nosso sistema de ensino se baseia na formação de indivíduos produtivos, brincando com as regras do mundo real, no entanto, não é assim com todo o tipo de conteúdo. Por exemplo, aprender História da Arte não tem uma aplicação imediata, já que não vamos construir um templo grego ou uma coluna dórica, de modo que não obtemos uma gratificação imediata, que às vezes gera um desapego. No entanto, as regras internas de um jogo não têm em mente a atividade produtiva; os pontos são obtidos e o progresso é feito seguindo uma lógica mecânica que acaba quando o jogo termina. Ou seja, é uma situação em que é possível cometer erros para buscar melhorar depois, sem o medo ou a tensão de saber que a falha pode ter graves consequências.
A lógica interna de um jogo também é construída por meio de uma narrativa, que organiza as informações de maneira simples e lógica. Uma história fictícia é criada com problemas objetivos que incorporam, ao mesmo tempo, os elementos fundamentais da habilidade ou disciplina que se pretende ensinar. O que está em foco é a familiaridade dos alunos com conceitos, habilidades ou histórias para, assim, facilitar a introdução ao assunto mais profundo da disciplina e fazê-lo com um interesse maior.
Além disso, a apresentação desse tipo de atividade no processo de aprendizagem não é apenas uma forma de provocar interesse de maneira momentânea, mas também incentiva a continuidade do aprendizado. Quando os dados são recebidos de maneira impessoal e não são imediatamente aplicáveis, os alunos vêem isso como um procedimento que deve ser superado para ser aprovado nas provas ou exames, nada mais.
A gamificação, naturalmente, é um método que não substitui o ensino tradicional ou a figura de instrutores e professores, mas é um complemento que está fornecendo ótimos resultados. É, sem dúvida, uma boa maneira de abordar um conhecimento que queremos aprender sem ter que entrar totalmente em conteúdos que ainda não compreendemos e cuja dificuldade pode gerar apatia.
Essa técnica, além de já ter sido aplicada em escolas com bons resultados e ter revolucionado o aprendizado digital, também chamado de Educação a Distância (EaD) ou e-learning, deve chegar até a formação nas empresas. De fato, de acordo com um estudo da Udemy sobre treinamento no ambiente profissional, 3 dos 10 chefes de departamentos de treinamento planejam incorporar essa técnica em programas de treinamento para seus trabalhadores ao longo dos próximos anos. Você estará preparado?

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terça-feira, 8 de maio de 2018

Parábola da demissão da formiga desmotivada:




Havia uma formiga que todos os dias chegava cedo em seu trabalho e fazia tudo com dedicação e excelência. Ela era produtiva e feliz!


Como a formiga era muito dedicada, trabalhava por conta própria. Um dia, o gerente marimbondo percebeu que a formiga estava trabalhando sem supervisão e teve um pensamento: “se ela era tão produtiva sem supervisão, imagina então se fosse supervisionada!”

Então, colocou uma barata como sua supervisora. Essa barata era muito experiente e competente, seus relatórios eram impecáveis!

Em sua nova função, a primeira medida que a barata tomou foi padronizar o horário de entrada e saída da formiga. 

Depois, chamou uma secretária para ajudá-la a montar os relatórios e chamou uma aranha para organizar os documentos e atender o telefone.

O gerente marimbondo se encantou com o trabalho de qualidade realizado pela barata, e também pediu gráficos com assuntos debatidos em reuniões. Para cumprir melhor sua função, a barata contratou uma mosca e comprou mais equipamentos.

A formiga, que antes era produtiva e muito feliz em seu trabalho, começou a se sentir reprimida em meio a tantos papéis, aparelhos e reuniões.

Com toda a evolução daquele departamento, o marimbondo sentiu que era o momento de contratar um gestor para a área onde a formiga trabalhava.

A escolhida para o cargo foi uma cigarra, que muito exigente mandou emperiquitar sua sala.

Não demorou muito para que a nova gestora precisasse de equipamentos pessoais de trabalho e de uma assistente, foi escolhida a pulga que já tinha trabalhado com ela anteriormente.

Juntas, elas elaboram uma estratégia de melhorias para o departamento e um controle de orçamento para a área onde a formiga trabalhava, formiga essa que a cada dia ficava mais triste e desmotivada; nem cantar mais, ela cantava!

A gestora cigarra conversou com o gerente marimbondo para lhe mostrar que precisavam investir em uma pesquisa de clima. O marimbondo concordou, mas ao analisar as finanças, percebeu que a unidade onde a formiga trabalhava não estava mais rendendo como antigamente, e por esse motivo, contratou a coruja, que era uma consultora muito reconhecida e famosa, para fazer um diagnóstico da situação.

A coruja trabalhou nesse diagnóstico por três meses, e em seu extenso relatório de conclusão, ela afirmou que tinha muita gente na empresa.

Chegou a hora de demitir alguém da empresa, e adivinha quem foi a escolhida? 

A formiga, óbvio, porque ela tinha mudado muito de um tempo para cá, andava desmotivada e não conseguia acompanhar o ritmo da empresa.


Moral da história: O gerente, percebendo que o trabalho no setor da formiga era bem-sucedido, foi tomado pela ganância e pensou apenas em aumentar os ganhos, sem valorizar a funcionária que esteve desde o início se esforçando e dando o seu melhor no trabalho. 

Ele criou diversos processos e contratou novos animais, mas se esqueceu do principal: cuidar e investir em quem fez o setor crescer em primeiro lugar. A formiga, sentindo-se desmotivada e inibida por tanta novidade, começou a produzir bem menos e logo foi “descartada”, como se fosse o problema.

Isso acontece muitas vezes na vida real. Nós criamos muitos relacionamentos e desvalorizamos aquelas pessoas que estão conosco desde o início, pensamos apenas em nosso próprio bem, e assim destruímos muitos de nossos melhores relacionamentos, os mesmos que nos fizeram ir em frente na vida.

Analise a parábola com sabedoria e depois veja se existe alguma “formiga desmotivada” em sua vida, magoada por conta de suas atitudes. Se existir, procure maneiras de melhorar o seu comportamento e valorizar quem realmente contribui para o seu crescimento.


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sábado, 10 de fevereiro de 2018

7 razões pelas quais a maioria não sai do lugar



Não espere ser escolhido, escolha você mesmo e seja um iniciador por natureza. Se não escolheram você, a culpa não é sua, o azar é deles.





Imagine um mundo sem professores, políticos inescrupulosos, economistas, contabilistas e administradores, um mundo sem líderes nem psicólogos nem gerentes de RH, um mundo sem ninguém dizendo o que você deve ou não deve fazer.
Já pensou nisso? Se existisse algo assim, o que você faria, por onde começaria a trabalhar a sua ideia, o seu projeto, o seu artigo ou a sua tese de doutorado para defender uma ideia diferente e capaz de influenciar as pessoas para uma vida melhor, um mundo melhor?
A maioria está sempre esperando o próximo discurso, o próximo livro ou artigo, a próxima instrução, o próximo e-mail ou a próxima ordem do dia. A maioria não sabe o que dizer, pensar, escrever ou fazer para fugir da escravidão imposta pelos pensamento alheios.
Na prática, a maioria espera. Pensar dá um trabalho danado, é a tarefa mais difícil do mundo, por isso, poucas pessoas se dispõe a fazê-lo. Tudo é difícil, estudar, escrever, vender, liderar e trabalhar em equipe, montar um negócio, fazer a diferença. Amar é difícil, perdoar é mais difícil ainda.
É assim nas organizações religiosas, nas empresas públicas, privadas, não-governamentais e, infelizmente, na política, onde a estratégia dos marqueteiros alienados, sustentados a peso de ouro por políticos mal intencionados, não tem a mínima preocupação em iludir os cidadão comum, altamente influenciável.
Por que estou dizendo isto? Porque a grande maioria continua com os mesmos pensamentos de vinte ou trinta anos atrás e, como não evolui, não estuda, não faz o mínimo esforço para pensar por si mesmo nem se compromete a fazer algo diferente, continua refém dos pensamentos alheios.
Um exemplo prático pode ser visto todos os dias na Internet. Basta você ler um artigo ou uma posição um pouco mais polêmica de alguém, daquelas que contrariam o senso comum. Dificilmente consegue-se extrair alguma coisa positiva do debate. Alguns retornam ao seu estado mais primitivo.
É impressionante como os ânimos acirram e os comentários se multiplicam inutilmente sem qualquer fundamentação. E o que é pior, na tentativa de participar e mostrar sua opinião, você entra na onda, se emociona mais do que o necessário, ofende, se perde e ao mesmo tempo se frustra.
Por que a maioria não consegue sair do lugar? Tenho algumas convicções, não por pesquisa, mas por experiência própria. Tive que mudar a mim mesmo inúmeras vezes para encontrar o melhor caminho, pois, como se diz em estratégia, não existe estratégia certa ou errada, existe estratégia que deu certo ou estratégia que deu errado. Embora você possa desenhar um caminho, nunca saberá se é o melhor enquanto não chegar lá.
1. Falta de consciência: dos seus pontos fracos, das suas limitações, do que você ainda não domina, do que precisa ser melhorado, das oportunidades que aparecem, de quem você é, do quanto ainda falta para caminhar, do que já conseguiu, do seu papel na sociedade, do que o mundo espera de você.
2. Falta de educação: para entender o que acontece à sua volta, para ser mais racional e menos emotivo, para discutir com mais propriedade e discernimento, para não sair disparando bobagens a qualquer preço, para contribuir mais e destruir menos, para não ser refém dos pensamentos alheios, para sofrer menos.
3. Falta de coragem: na maioria das vezes, o desafio não é aperfeiçoar a capacidade de realizar e sim o desafio de começar e continuar caminhando. Em qualquer lugar do mundo, feito será sempre melhor do que perfeito. Você é capaz de transformar iniciativa em paixão e prática? Se não consegue, pare de reclamar do chefe, do salário e da empresa onde trabalha, isto é o melhor caminho para a depressão.
4. Falta de foco: você nunca vai conseguir agradar a todos, portanto, quanto mais você pensa, quanto mais você espera, quanto mais você muda e quanto mais você empurra com a barriga, baseado no que outros estão querendo ou dizendo, mais se distancia do seu objetivo. Quem quer ser tudo para todos acaba não sendo nada.
5. Falta de regularidade: quando você está trabalhando duro num determinado projeto, escrevendo um artigo, um plano de negócio, um livro ou qualquer coisa que o faça sair do lugar, a coisa mais contraproducente do mundo é parar para ler um e-mail idiota que acabou de chegar, entrar no Facebook ou correr para o YouTube a fim de curtir o vídeo que o amigo mandou pelo whatsapp. Sem regularidade, sua ideia morre no papel.
6. Falta de consistência: sustentar uma ideia ou uma posição requer conhecimento sobre o assunto, não basta ser mais um na multidão. Os discursos de Gandhi, Madre Teresa de Calcutá e Martin Luther King nunca mudaram. Sem consistência, a mensagem se perde, sua integridade também. Não existe nada pior do que ensinar e não praticar. Quem vai acreditar em alguém que muda de ideia e opinião o tempo todo?
7. Falta de confiança em si mesmo: se você fica o tempo todo se comparando a alguém que parece estar melhor do que você, o sofrimento triplica; pare de fazer comparações inúteis, cada um tem a sua própria história e faz o seu próprio caminho; é como abrir a Revisa Você S/A ou a Boa Forma e constatar que todo mundo está bem, menos você; em resumo, pare de sofrer, acredite mais em si mesmo.
Sendo mais prático, não espere ser escolhido, escolha você mesmo. Saia do lugar, pague o preço, seja um iniciador por natureza. Esperar por um investidor, uma oportunidade para falar, uma promoção, um aumento ou o reconhecimento do chefe pode ser uma péssima escolha.
Se não escolheram você, azar deles. Como dizia Oliver W. Holmes, escritor e médico norte-americano, o mais importante da vida não é onde estamos, mas em que direção estamos nos movendo.
Pense nisso e empreenda mais e melhor!

Jerônimo Mendes.

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