domingo, 19 de abril de 2015

Querem acabar com os nossos direitos

Nosso legislador foi muito feliz quando adotou na Constituição o princípio legal de que todo mundo é inocente até que se prove o contrário, ao final de um processo.
Esse princípio legal é um dos mais importantes de nossa Constituição, pois preserva o cidadão da pecha de culpado, de criminoso, sem que tenha ao menos passado pelo crivo de um julgamento, com direito de defesa.
Negarmos ao acusado a ampla defesa é o mesmo que negarmos o direito à liberdade ao ser humano, é voltarmos ao tempo da ditadura militar com a legalização da prisão arbitrária, da tortura e da morte sem julgamento, como ocorria no Brasil e ultimamente ocorria em Guantánamo, por parte dos Estados Unidos.
Só quem já sofreu na pele uma acusação injusta, principalmente da prática de um ato criminoso, sabe o quanto é dolorido e revoltante esse sentimento, e é nesse momento que mais se clama e se valoriza a justiça.
Por outro lado, a restrição ao direito de defesa, como meio de combater a violência, impondo-se da prisão do acusado, após o julgamento de primeira instância, é uma barbárie ou absurdo, é o mesmo que acabarmos com nossos tribunais, tão importantes na correção da aplicação da lei e da justiça.
Não vamos confundir a proibição do uso do recurso como meio de celeridade, com o excesso de prazo em seu processamento, face à burocracia existente, que carece de profunda reforma, para que haja, efetivamente, maior rapidez.
Ressalte-se que a nossa Justiça é por demais lenta, seja em primeira instância, seja em nossos tribunais. Carece, como dissemos, de ampla reforma para tornar os processos menos burocráticos, usando-se mais o princípio da oralidade, com uma única audiência e decisão imediata.
Vale mais a pena, ao concluirmos, um culpado solto, ainda que provisoriamente, do que um inocente preso, pois jamais poder-se-á restituir o seu direito e, principalmente, a sua dignidade.

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sábado, 18 de abril de 2015

Em tempos de crise, como não perder dinheiro?

Especialistas orientam quais os melhores investimentos e o que as empresas devem fazer para não fecharem as portas.
Em tempos de crise, como a recessão econômica que o Brasil vive atualmente, quem tem alguma reserva financeira fica receoso em gastar e, muitas vezes, pensa em investir o dinheiro, mas não sabe como. Especialistas destacam que não há uma fórmula exata de como proceder nessa situação, mas reforçam que o mais importante é saber por que vai se investir. Para o educador financeiro e presidente da Associação Brasileira de Educação Financeira, Reinaldo Domingos, é preciso traçar uma estratégia para realizar algum investimento. Reinaldo aponta que investir no dólar ou na poupança não são medidas aconselháveis, visto que a moeda norte-americana está em alta e a poupança vem rendendo menos que a inflação. De acordo com o educador financeiro, uma das apostas para quem deseja segurança financeira é investir no mercado de ações, desde que haja o acompanhamento de um especialista e, uma observação importante: “não direcionando todo o dinheiro para um mesmo fim”.
Para o consultor financeiro e de planejamento do Sebrae Goiás, Fernando Aarão Melo, uma operação de investimento segura e rentável é aplicar no Tesouro Direto, que é emprestar dinheiro ao governo através da compra de títulos públicos, devido a alta da Selic. “Você protege o dinheiro do efeito da inflação e ainda recebe juros de 13% ao ano ou mais, dependendo do título e prazo de resgate escolhidos. Se não quer gastar e tem alguma reserva, deve-se aplicar, menos na poupança, pois com inflação projetada para 2015 a 8,2% e podendo ser até mais, pois essa já foi a terceira vez esse ano que o valor previsto pelo Banco Central é aumentado, deixar dinheiro parado na conta é prejuízo certo”, destaca.
O educador financeiro Reinaldo Domingos lembra que ao se fazer uma aplicação, como no mercado de ações, é necessário definir o momento do resgate de cada ativo financeiro escolhido, visto que quanto maior for esse período, normalmente, maior será a rentabilidade e menor a incidência de tributos. “A determinação do período de tempo de cada aplicação é importante no momento da escolha dos ativos financeiros, em conformidade com o cronograma de aplicação dos recursos poupados, para serem investidos no alcance dos objetivos desejados para o negócio”, explica. Apesar de ser o investimento mais indicado para o momento, Reinaldo adverte dos riscos da operação, pois o empreendedor poderá não conseguir o retorno prometido ou mesmo perder uma parcela do montante aplicado. “É importante conhecer muito bem os atributos de cada aplicação, tais como o nível de risco, retorno, o tempo de aplicação, os tributos e outras despesas que serão cobradas, tendo em vista que poderão comprometer a rentabilidade dos investimentos. É bom lembrar sempre que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura”, aponta.
Abrir um novo negócio ou poupar?
Um sonho de muitos é ter o próprio negócio e quando conseguem reunir um certo capital, pensam logo em abrir uma empresa. Mas essa decisão deve ser bem pensada, já que muitas empresas estão fechando as portas devido dificuldades na economia brasileira. Para o consultor financeiro Fernando Aarão, esse não é o momento mais propício para abrir uma empresa, mas se mesmo assim o empreendedor resolver iniciar um novo negócio é preciso fazer um bom planejamento, apesar disso não ser garantia de sucesso.
Tentar prever tudo o que pode acontecer depois que a empresa começar a funcionar é uma forma de se errar menos e se preparar melhor para o dia a dia de um negócio próprio. “Contudo, como há muita especulação no momento sobre a situação política e estamos vendo pessoas receosas em consumir, realmente adiar para o segundo semestre seria uma atitude prudente e contar com mercado mais aquecido e consumidores dispostos a gastar”, acredita.
Fernando destaca que se a pessoa deseja poupar para investir num futuro próximo, a poupança dificilmente é um bom investimento financeiro, apesar de seu rendimento – em torno de 6% ao ano – ser fixo e isento de imposto de renda. “Quem deixar dinheiro na poupança terá seu dinheiro desvalorizado, ou seja, começar o ano com valor aplicado e mesmo este sendo corrigido durante o ano, ao final dele valerá menos do que em janeiro, pois os preços terão aumentando muito mais do que os juros recebidos”, adverte.
O consumo da população tem diminuído, por isso, é preciso uma análise profunda de qual mercado investir para não perder dinheiro. No entanto, muitos empresários observam no período de crise oportunidades de negócio e a possibilidade de descobrir um novo nicho de mercado. Fernando destaca que tem observado as movimentações do mercado e, em Goiânia, o que se percebe é a queda das vendas e que se alimentar fora de casa tem ficado muito caro na Capital, além da alta nos preços dos combustíveis e uma série de despesas de início de ano, como IPTU e IPVA. “Com esse cenário, todos os ramos estão sentindo efeito das altas de preços, mas sempre é bom lembrar que na crise temos que estar atentos a alguma oportunidade de mercado e em reduzir custos, pois como empresários somos tirados da zona de conforto e se as vendas não aumentarão pela decisão dos consumidores, cabe a nós inovar e criar para buscar faturar mais”, ressalta Fernando.
Áreas para investir 
Fundos Referenciados DI – são fundos de investimento em títulos públicos, com rendimento vinculado ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Os fundos DI têm rendimento diário e permitem resgates de recursos a qualquer momento;
Fundos de curto prazo – este tipo de fundo investe em títulos de renda fixa de curto prazo, emitidos pelo governo. Sua rentabilidade também está vinculada ao CDI (taxa de juros interbancários).
Fundo de Investimento – é um tipo de aplicação financeira em que o aplicador adquire cotas do patrimônio de um fundo administrado por uma instituição financeira. O valor da cota é recalculado diariamente. A remuneração varia de acordo com os rendimentos dos ativos financeiros que compõem o fundo. Não há, geralmente, garantia de que o valor resgatado será superior ao valor aplicado.

Caderneta de Poupança – é o investimento mais simples, seguro e popular entre investidores, contudo, ultimamente seu retorno não está sendo interessante, estando abaixo da inflação. Seu rendimento, mensal ou trimestral, é fixado pelo Banco Central, sendo igual em todas as instituições financeiras que operam com esse tipo de aplicação.

Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Recibos de Depósito Bancário (RDB) – são títulos de renda fixa que pagam, em períodos definidos, uma remuneração ao investidor e que representa uma promessa de pagamento futuro do valor investido mais uma taxa negociada no momento da aplicação. A diferença entre o CDB e o RDB é que o CDB pode ser negociado por meio de transferência. O RDB é inegociável e intransferível.
Títulos públicos – são aplicações que rendem juros prefixados, pós-fixados e mistos. Alguns títulos públicos são remunerados pela correção cambial, enquanto outros são corrigidos por índices de inflação, atualizados pela taxa Selic.

Ações – investir na aquisição de ações significa adquirir uma fração do patrimônio de uma empresa e se tornar sócio. A valorização das ações, normalmente, acompanha os resultados da empresa. Se forem bons, o valor da ação tende a subir, ao contrário, ocorrerá uma desvalorização desse ativo financeiro.
Letras de Crédito Imobiliário (LCI) – é um ativo financeiro de renda fixa garantido por um bem imóvel e que rende aos aplicadores juros e atualização monetária.
Conhecimento: investimento seguro e com retorno garantido
Tathiane Deândhela: empresária destaca que conhecimento é um patrimônio valioso e que este é o momento de investir no desenvolvimento de competências (Mel Castro)
Para a empresária, master coach e fundadora do Instituto Deândhela – empresa especializada em coaching, que busca explorar ao máximo do potencial de cada indivíduo –, Tathiane Deândhela, o melhor investimento para ser feito neste momento é em desenvolvimento de pessoas, visto que “o conhecimento é um patrimônio valioso que ninguém pode tirar de você. Portanto, é um momento de investir tempo e dinheiro em autoconhecimento, desenvolvimento de competências e conhecimentos em geral”, ressalta. Tathiane lembra que, em outras crises, muitas empresas conseguiram remar contra a maré e tiveram crescimento. “Isso só aconteceu porque tinham uma equipe de alta performance, engajada e comprometida com o sucesso da empresa. Como Walt Disney disse, você pode sonhar, projetar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo, mas precisará de pessoas para tornar esse sonho realidade”, ressalta.
Investir na carreira ainda é uma das maneiras de se destacar no emprego e conseguir uma promoção e, em tempos de crise, permanecer na empresa. Para Tathiane, se desenvolver continuamente é mais que um diferencial profissional para ser promovido, “é um pré-requisito para se manter no mercado e, sem contar que você pode estudar erros e acertos de grandes nomes do passado para seguir os rastros das pessoas de sucesso e aprender com os erros dos outros sem a necessidade de passar pelo mesmo”. Mesmo que o profissional seja qualificado, muitas empresas têm de reduzir custos e enxugar o quadro de funcionários, o que implica em uma instabilidade no ambiente de trabalho e desmotivação da equipe. Tathiane aponta que a empresa deve buscar uma comunicação transparente com os funcionários, que pode gerar um engajamento e comprometimento interessante para a empresa passar por esse momento imune.
Competências como pró-atividade, foco no resultado, espírito de equipe, liderança, comunicação, dinamismo, dentre outras serão fundamentais para se manter na empresa. Se o profissional gera resultado para a empresa, provavelmente ele não será dispensado. Um executivo ou empresário não desliga um funcionário que consegue gerar um retorno para a empresa superior ao seu salário, até porque o País vive um “apagão” de liderança e de profissionais competentes, logo, “a empresa que tem a sorte de achar um profissional como esse, valoriza essa oportunidade”, afima Tathiane.
Inovação
Uma das palavras mais usadas nesse período de recessão da economia é inovação. Que as empresas devem inovar e buscar soluções para superar as dificuldades. No entanto, inovar já é difícil e com os problemas que a economia do País vive fica ainda mais. Conforme a master coach Tathiane Deândhela, por meio da Programação Neurolinguistica (PNL), tudo o que uma pessoa foca é aumentado. Sendo assim, ao se focar em problemas ou crise, ela aumentará de tal forma que ficará maior do que realmente é.
“Portanto, um dos principais segredos das pessoas de sucesso na inovação é focarem na solução. Pensar fora da caixa e saber que existem respostas para todas as coisas, mas só precisamos pensar um pouco mais”. “Fazer a famosa técnica de Brainstorm com toda equipe, sem julgamentos ou enfoque em hierarquia, também é uma prática comum em empresas reconhecidas pela inovação. A propósito, essas empresas ousam e são tão otimistas, que veem o fracasso com bons olhos. Não há como ser criativo onde há medo de errar”, aponta.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015

O porquê de termos um queixo

Por qual motivo os seres humanos modernos são a única espécie a ter queixos? Os pesquisadores dizem que não é devido a forças mecânicas, como a mastigação, mas a chave está em nossa evolução.
Se olhar para um primata ou para a caixa craniana de um Neandertal e compará-la com a de um moderno ser humano notará que algo está faltando. Temos uma característica que eles e demais humanos arcaicos (de qualquer espécie) não possuem: o queixo. “De alguma forma, parece trivial, mas a razão pela qual os queixos são tão interessantes é que nós somos os únicos a possuí-lo”, afirma Nathan Holton, que estuda característica mecânico e craniofaciais na Universidade de Iowa (UI). “É único para nós”.
Na sua mais recente pesquisa, Holton e seus colegas da UI postularam que os queixos não foram criados pela ação natural das forças mecânicas, como mascar ou dilacerar alimentos, mas, em vez disso, é o resultado de uma adequação evolutiva envolvendo o tamanho e o formato do rosto, possivelmente relacionada aos níveis hormonais já que nos tornamos uma sociedade mais domesticada.
A descoberta, se for verdade, pode ajudar a resolver um debate que se passou de forma intermitente por mais de um século do porquê o homem moderno possui queixos e como eles vieram a ser o que são hoje.
Procedimento
Usando biomecânica facial e craniana avançada, cerca de 40 pessoas tiveram suas medidas plotadas em um computador, desde quando crianças até a fase adulta, o que permitiu a conclusão da equipe de pesquisadores de Iowa, de que forças mecânicas, em especial a mastigação, foram incapazes de produzir resistência suficiente para a “deformação” no osso aparecer na mandíbula inferior, ou mandíbula de área.
Ao contrário, no artigo que eles publicaram no Jornal de Anatomia (Journal of Anatomy), o surgimento do queixo veio de uma geometria mais simples: como nossos rostos ficaram menor desde os humanos mais antigos até os atuais, 15% menor do que o rosto dos neandertais, o queixo virou esta proeminência óssea, sendo apenas uma adaptação emblemática e pontiaguda na parte inferior do nosso rosto.
“Em suma, não encontramos sequer evidências de que os queixos são vinculados à função mecânica e, em alguns casos, até, descobrimos que eles são ruins para resistir a forças mecânicas à medida que crescemos”, disse Holton, professor assistente e antropólogo do Departamento de Ortodontia do Colégio de Dentistas da UI. “No geral, isto sugere que os queixos não vieram de uma necessidade de dissipar tensões e estresses e que outras explanações beiram melhor a verdade”, pontuou.
Por que, então, o queixo?
Mais intrigante ainda são as análises dos antropólogos da UI liderados por Robert Franciscus, que acreditam que o queixo humano é uma consequência secundária da nossa mudança de estilo de vida, começando cerca de 80.000 anos atrás e acelerando a pleno vapor com a migração de humanos modernos da África há cerca de 20.000 anos mais tarde.
O que aconteceu foi o seguinte: os seres humanos modernos evoluíram a partir de grupos de caçadores-coletores que foram bastante isolados um do outro para grupos cada vez mais cooperativos que estabeleceram redes sociais em todo cenário. Estes grupos mais ligados parecem ter melhorado o grau de expressão na arte e outros meios simbólicos.
Os machos, em particular, tornaram-se mais tranquilos durante esse período, menos propensos a lutar por território e pertences, e mais dispostos a fazer alianças, evidenciadas através da troca de bens e ideias, que beneficiaram todos eles.
A mudança de atitude foi amarrada a níveis de redução de hormônios, isto é, a testosterona, resultando em mudanças perceptíveis para a região craniofacil masculina: uma grande mudança foi o rosto tornar-se menor, reduzido em vigor, que foi uma saída fisiológica natural criando uma oportunidade, “escape”, para, enfim, surgir o queixo humano.
“O que estamos discutindo é que nós tivemos uma vantagem em algum momento por termos estabelecidos redes sociais melhor vinculadas, e pudemos trocar informações e companheiros com mais facilidade, não houve inovação”, disse Franciscus, que estava na equipe que primeiro expôs a teoria em artigo publicado no mês de agosto de ano passado na revista Antropologia Atual (Current Anthropology) e que é um dos autores a contribuir no artigo mais recente. “Para isso ter acontecido, os machos passaram a tolerar uns aos outros. Foi preciso ter mais curiosidade e menos agressão, e a arquitetura facial é a prova patente dessa história”.
O novo estudo reforça esse argumento, na medida em que descarta o queixo como efeito das forças mecânicas.
Após minucioso exame da região mandibular, e das forças principais que ela sofre/aplica: flexão vertical e deslocamento horizontal. No segundo caso, um lado da mandíbula é puxado para fora, resultando em compressão na parte exterior do queixo. Por outro, a análise da flexão vertical também mostrou as forças que tensionam a área do queixo. Em ambos os casos, o pensamento anterior era que que o estresse mecânico aplicado ao queixo, apesar de acontecer em nível microscópico, teria sido a causa desta saliência óssea que temos abaixo da boca.
O crescimento do queixo, segundo a conclusão dos pesquisadores, tem mais a ver como cada recurso em nosso rosto de adapta com o nosso aumento de tamanho da cabeça, como se cada peça individual de um quebra-cabeça tridimensional em expansão muda de forma para se adequar ao novo espaço e encaixe.
Crianças, por exemplo, têm queixos mais planos, até imperceptíveis, semelhante ao que é visto nos Neandertais. Essa proeminência óssea só se torna visível à medida que nossas cabeças crescem para a vida adulta.
“Nosso estudo sugere que o queixo existe por causa da função”, afirma Holton, e “provavelmente tem muito mais a ver com a dinâmica espacial durante o desenvolvimento do ser humano.”

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Desabafo: A educação e a minha melancolia

Ao escrever essa crônica, eu confesso e quero comungar com outras pessoas a minha melancolia. Eu gostaria de ser refratário a este estado mórbido de tristeza e depressão. Mas a Medicina, que eu professo e exerço, ainda não alcançou sintetizar um soro ou vacina para essa condição enfermiça e existencial que acomete algumas pessoas. Já antecipo que jamais vou me considerar o sal da terra. Sou apenas semelhante a outros bilhões de minha espécie que têm o potencial de amar, fazer amigos, ser racional e dotado de muitos outros sentimentos como tristeza, solidariedade, piedade e compaixão! Apenas isso!
Teria eu visto algum crime cruel? Não. Esta realidade tem se incorporado ao nosso cotidiano e com ela até nos costumamos a conviver sem mais nos escandalizar. Alguns mortos a mais no trânsito? Também não. Eles fazem parte das notas diárias dos noticiários. Mais alguns milhões no balanço da corrupção? Não. Estes fatos também já foram classificados como institucionalizados e já não assombram ninguém.
Que me tachem do que quiseram, mas eu estou contrariado com a educação brasileira. Na verdade, educação brasileira, com e (letra e)   e b mais do que minúsculos. Raquíticos mesmo. Eu não sei se os leitores que me leem, ouviram ou viram uma notícia dessa semana nos jornais sobre as vagas não preenchidas na Universidade Federal de Goiás (UFG – 7.4.15). São 942 em variados cursos, inclusive no curso de Medicina, historicamente uma das áreas mais concorridas. Eu tomo de empréstimo uma citação de um ex-governador de MG, Francelino Pereira: que País é este? Frase esta repetida por Renato Duque, um dos corruptos da Petrobras, quando foi preso na Operação Lava Jato, que País é este ?
Este País que foi tão grandiloquentemente aclamado e beatificado por figuras como Osório Duque Estrada, Castro Alves e Olavo Bilac deveria estar sendo mantido e reconstruído por homens e livros como recomendou Monteiro Lobato. Mas tudo tem sido feito ao contrário do que preconizaram esses grandes sonhadores, idealistas e notáveis vultos de nossa história.
É aceitável e certo que nossos governantes e representantes políticos tenham culpa no cartório no que concerne aos rumos de nossas escolas e universidades. Na visão de nossos áulicos administradores, cultura e educação digna e de qualidade se tornaram artigos de segunda necessidade. Esta realidade está estampada na visão e jeito petista de engabelar e enganar o povo brasileiro.
Que Pátria educadora é esta? Qualificativo este inventado pela presidente Dilma Rousseff. Que educação é esta, que abandona os seus próprios filhos? É muita falta de gentileza de um País com o seu próprio futuro, as crianças e jovens.
De outro lado, não se pode perder de vista também o espírito e disposição de nossa juventude. Afinal, o que querem os nossos moços e moças desse Brasil? Basta lembrar os versos da música disparada de Geraldo Vandré “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”. É sabido e exaltado que a melhor hora, o melhor momento do ser humano é a fase jovem, quando a pessoa está plena de sonhos e projetos de vida. É oportuno então indagar: o que vocês jovens querem para o seu futuro e o amanhã de nosso País? Os sonhos de uma pessoa são as medidas de seu futuro. Será que nossos jovens já não sonham mais como o faziam os nossos ascendentes (pais e avós)?
O resultado do Enem 2014 foi outra notícia e constatação que nos deixa profundamente consternados com os rumos de nossa educação, com o futuro de nossa cultura, com a inteligência, com as ciências, enfim com o desenvolvimento “Latu senso” de nossa Nação. Um dos critérios ou item importante do exame (Enem) para se entrar numa universidade são as provas discursiva e Redação. Onde o aluno tem questões subjetivas. Ou seja, ele tem que expressar os seus conhecimentos escrevendo os seus pensamentos e conceitos sobre determinado tema.
O tema da Redação foi publicidade infantil. Mais de 500 mil alunos tiraram zero nesse item. Dissecando melhor os motivos de tantos reprovados, constatou-se que cerca da metade desses zerados entregaram a prova em branco, a outra metade escreveu alguma coisa, mas fora da temática proposta. Traduzindo em miúdos, os cerca de meio milhão de alunos reprovados por causa da redação não sabiam o significado da expressão publicidade infantil.
Explicando melhor o nível de nossos candidatos a um assento nos bancos de um curso superior: Nossos adolescentes e jovens crescem e lidam o tempo todo com publicidade e não sabem expressar sobre este maior fenômeno de seu próprio dia a dia. E como nossos candidatos vivenciam esta realidade? Através dos instrumentos que eles mais usam e apreciam. Ou seja, a televisão, o computador, a internet, o mundo virtual, as redes sociais, os smartphones, etc.
Tornando a minha melancolia e o desinteresse dos candidatos a uma vaga da UFG, tem-se que as vagas são preenchidas pelo sistema SISU (Sistema de Seleção Unificada, via Enem). Foram feitas três chamadas dos candidatos em lista de espera. Acreditem! É como se os coordenadores dos cursos tivessem que sair às ruas de laço em mão, para capturar o máximo possível de alunos paras os claros existentes nos bancos da universidade. É mole ou querem coisa mais lastimável!
O problema da educação brasileira começa lá na infância. Como ter um ensino médio e superior de qualidade se faltam até creches para nossas crianças? É o mesmo princípio na construção de uma casa ou prédio. Se em sua fundação e aterramento não há uma boa sustentação, essa obra está condenada ao fracasso, rachaduras e desmoronamento.
Educação e cultura de qualidade se fazem com livros, boas escolas, professores qualificados e as famílias engajadas nesse processo. Cada vez mais, os pais e cuidadores de nossas crianças e jovens têm delegado a missão da cultura, formação integral e educação às escolas. Ledo e lamentável engano. As escolas são apenas uma adjuvante nesse processo, que vão ministrar os conhecimentos das disciplinas básicas. Cidadania, conteúdos morais e éticos, o caráter, o estabelecimento de uma disciplina em tudo que se faz em casa, são pilares significativos na formação de futuros indivíduos de boa índole, honestos e com projetos de vida. Querem um exemplo triste e fútil, que presenciamos hoje, pelos pais ditos modernos e antenados com o progresso? A criança, o pimpolho, ainda nas fraldas e na chupeta, recebe os atrativos objetos de informática (celular, iPad, smartphone), esses são objetos lúdicos e uma espécie de babá eletrônica. Agora, imagina se quando forem para a escola estas crianças terão interesse e aptidão para escrever, desenhar, folhear um livro, aprender a ler e entender o que se lê. Nunca. Lápis, borracha, papel e régua parecem coisas arcaicas. A perdurar a orientação dos modernos educadores apenas com os instrumentos digitais, continuaremos a formar uma horda de analfabetos funcionais, de lorpas, idiotas e náufragos da cultura que mal sabem se expressar, pensar, criar e se quer escrever um bilhete, um ofício, uma carta, uma reles redação sobre publicidade. Que triste!

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quinta-feira, 16 de abril de 2015

As cores mexem com as emoções humanas

Os consultórios médicos têm paredes brancas para nos dar uma impressão de limpeza e, em alguns países, as celas de uma prisão são pintadas de rosa na esperança de que a cor diminua a agressividade dos detentos.
Somos capazes de passar horas escolhendo a melhor cor para pintar uma sala ou um quarto de acordo com o astral que queremos para aquele ambiente. Os consultórios médicos têm paredes brancas para nos dar uma impressão de limpeza, lanchonetes apostam na vibração do vermelho e do amarelo, e, em alguns países, as celas de uma prisão são pintadas de rosa na esperança de que a cor diminua a agressividade dos detentos.
Achamos que sabemos sobre a influência de cada cor sobre nossas emoções. A ideia de que o vermelho nos mantém em alerta e de que o azul nos acalma está profundamente arraigada na cultura ocidental – tanto que muitos consideram isso um fato comprovado. Mas será que as cores são mesmo capazes de modificar o comportamento?
Se considerarmos as pesquisas científicas existentes sobre o assunto, vamos descobrir que os resultados são bastante variados e até disputados.

Associação x influência
O vermelho é a cor mais analisada e tende a ser comparada com o azul ou o verde. Alguns estudos revelaram que as pessoas executam melhor tarefas cognitivas quando cercadas da cor vermelha do que quando expostas ao verde ou ao azul; mas outras pesquisas revelam exatamente o contrário.
O mecanismo mais citado é o condicionamento: se uma pessoa passa repetidamente por uma experiência enquanto é cercada por uma cor específica, começa a associá-la com um determinado sentimento.
Um estudo chegou a mostrar que um indivíduo que passou toda a vida escolar lendo as anotações em vermelho feitas pelos professores cada vez que cometia um erro acaba por associar a cor ao perigo.
Já o azul é mais relacionado a situações de tranquilidade, como olhar o horizonte do mar ou se deliciar com um céu limpo de um dia ensolarado. Mas, enquanto associações são verdadeiras, a influência das cores no comportamento é uma questão completamente diferente.

Alerta ou desejo?
Depois de tantos resultados conflitantes entre os diversos estudos científicos, em 2009 pesquisadores da Universidade da Columbia Britânica, no Canadá, tentaram esclarecer a questão de uma vez por todas.
Eles pediram para voluntários se sentarem diante de computadores cujas telas mudaram de azul para vermelho e para uma “cor neutra” e os testaram em várias tarefas. Quando trabalharam diante da tela vermelha, as pessoas se saíram melhor em testes de memória ou correção de texto, que requerem atenção para detalhes, mas quando a tela se tornou azul, elas tiveram melhores resultados em tarefas criativas.
Os cientistas especularam se o vermelho sinalizaria “cuidado” e se por isso os voluntários teriam mais atenciosos, enquanto o azul incentivaria um comportamento de “aproximação” que os encorajava a serem mais livres para pensar.
Para testar essa hipótese, os pesquisadores pediram para os mesmos voluntários resolverem anagramas de diferentes palavras relacionadas aos dois comportamentos. Eles pareceram descobrir as palavras de “cuidado” mais rapidamente com a tela vermelha e as de “aproximação”, na tela azul, sugerindo que as cores e os comportamentos estavam associados em suas mentes.
De qualquer forma, agora essas descobertas estão sendo contestadas. Quando o mesmo teste foi aplicado em um grupo maior de voluntários, os cientistas perceberam que não houve diferença por causa das cores.
Outro estudo, conduzido originalmente por Oliver Genschow, da Universidade da Basiléia, na Suíça, ofereceu a voluntários um prato de salgadinhos e os orientou a comer quantos julgassem necessários para poder avaliar seu sabor.
Novamente, a cor vermelha parece ter servido como um alerta, já que as pessoas que receberam salgadinhos no prato vermelho se serviram de menos unidades. Mas outro estudo, nos Estados Unidos, realizou a mesma experiência e comprovou o contrário, que as pessoas com pratos vermelhos comeram mais.
Prisões cor-de-rosa
Obviamente, estudar o efeito das cores é bem mais difícil do que parece – ou talvez as cores não tenham o efeito que se esperava. Mas estamos tão convencidos de que elas têm influência que países como Estados Unidos, Suíça, Alemanha, Polônia, Áustria e Grã-Bretanha decidiram pintar algumas celas de suas prisões de rosa.
No ano passado, a equipe de Genschow realizou um teste em uma prisão de segurança máxima na Suíça. Detentos que foram punidos depois de violar regras internas foram colocados aleatoriamente em celas totalmente rosa e outras com paredes cinza e teto branco. Depois de três dias, todos eles se mostravam menos agressivos do que quando entraram. Ou seja, a cor das paredes não fez diferença alguma. Os autores admitem que um estudo mais amplo poderia ter encontrado diferenças, mas se a cor só muda o comportamento de poucas pessoas, as autoridades talvez precisem reavaliar se vale a pena o custo de pintar as celas.
Os pesquisadores questionaram até o fato de as paredes rosa terem um efeito negativo caso os prisioneiros se sintam emasculados por ter uma cor tão feminina nas paredes. Portanto, as cores podem até surtir um efeito, mas até agora esses resultados têm sido difíceis de comprovar com consistência – ou nem mesmo existem.
Estudos com melhor controle estão surgindo aos poucos, mas pode levar algum tempo até que tenhamos uma ideia melhor sobre como as cores nos afetam. E mais ainda para entendermos os mecanismos exatos pelos quais isso acontece. Ou seja, por enquanto, a cor das paredes deveria ser uma escolha baseada inteiramente em gosto pessoal e instinto artístico.
Da BBC Future.
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Protestar, por que não?

Em meio a tantas denúncias de corrupção no País, criticar quem sai às ruas em protesto tem um pouco de "deixa como está para ver como é que fica". As pessoas saem às ruas porque estão cheias de ver tanta corrupção em toda parte. É inegável que o momento é de instabilidade e de revolta por tudo que está acontecendo, até porque são bilhões desviados e tirados da população sem que saibamos se tais valores serão recuperados ou se os verdadeiros culpados serão presos e punidos.

Defende-se partidos, defende-se políticos, mas o que se vê é um envolvimento em massa de quem deveria estar trabalhando em prol do povo brasileiro. Já está mais do que na hora de se fiscalizar mais, cobrar mais, exigindo que o nosso dinheiro seja aplicado de forma mais igualitária em saúde, educação, segurança e infraestrutura. Se não for assim, é pouco provável que veremos algo mudar para melhor. Temos que admitir que a corrupção reina graças à impunidade proporcionada por nossas leis.

É inegável que hoje o Brasil vive mergulhado numa profunda recessão econômica. A cada dia vemos novos indicadores socioeconômicos mostrando a piora do cenário em que nós vivemos: inflação fechando 2014 com a maior alta dos últimos 7 anos, vendas no comércio varejista registrando seu pior resultado em mais de 10 anos, enfraquecimento do PIB, aumento dos índices de criminalidade, aumentos surreais do preço do combustível. Porém, por trás dessa crise econômica se esconde uma profunda crise moral, em virtude da inversão de valores de boa parte da classe política e do empresariado.

Ausência de credibilidade, não só do governo reeleito, mas da classe política em si, aliados à estagnação econômica e altos índices de criminalidade estão provocando efeitos em praticamente todos os setores vitais da economia, não faltando razões para não ocorrerem protestos.


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quarta-feira, 15 de abril de 2015

O humano é um ser social

Somos sociais, queremos viver em grupos, ter amigos para conversar, dialogar sem interesses, apenas opiniões ou mesmo conversas evasivas, isto faz parte do intimo de cada um, precisamos ter grupos de pessoas de diferentes pensamentos, mas que são harmoniosas, simplesmente por serem seres humanos, que necessita de ombro, de um sorriso, de uma festa regada de pratos diversificados da cabeça de cada um, tardes maravilhosas de alegria, de conversas amenas que eleva o ser e que entra a noite adentro e a alegria permaneça cada vez mais prazerosa.
Sentido da vida, a socialização nunca pode deixar de existir, por isso moramos aglomerados nos centros urbanos, mas a maioria vive isolada em sua solidão, tem apenas um computador para interagir, um telefone que manda mensagens, mas não tem os olhos de alguém que lhe sorria, que dialoga sobre tudo e todos. Os desejos nascem fluem e vão embora simplesmente por perceberem que o momento é apenas de amizade, de carinho etroca de afagos de amizades que nascem tornando a vida mais sublime e verdadeira.
Razão da existência humana, as descobertas, que sabemos que existem, que a vida fez que o comportamento mudasse, tornando escravos dos meios de comunicações com novelas nefastas que desensinam com lavagem cerebral, cabeças menos informadas, padrões de comportamento e biótipo que nunca deveria existir; transformando vidas que poderia ser mais social em isolamentos frios e tênue com sofrimento d’alma, vidas improdutivas que não vislumbram; que não conseguem mais ver a grandeza real da existência humana.
Desde a antiguidade, dos primórdios da existência humana, grupos se formaram para garantia da sobrevivência, manutenção da espécie, com o privilegio de ter desenvolvido o pensamento, de ter um cérebro que dá ao humano o poder de discernir e saber fazer escolhas do bem maior, que é viver ativamente em sociedade ou grupos que nos primórdios era para sobrevivência pela fragilidade do ser humano diante dos outros animais que os cercavam e hoje estes grupos deveria continuar existir para desvincular e sobreviver de outro tipo de massacre, que mesmo estando em uma cidade com muitos habitantes são seres que vivem em solidão, mesmo cercados de muita gente vive isolado. Motivo disto tudo é a tecnologia que ajuda a sobreviver, mas torna os humanos dependentes destas parafernálias de comunicação que tornou os seres humanos em vitimas destes artefatos que veio para ajudar, não para isolar o homem, pois este ser necessita de grupos de amizades, de compreensão, do calor humano, libertando assim das regras impostas pela tecnologia e a mídia sem escrúpulos.
Liberdade esta dentro do ser humano, muitos acham que os pássaros são livres, na realidade são, mas eles nãofazem escolhas, eles têm instintos que levam a sobreviver, sempre seguindo o mesmo caminho, sempre fazendo o que os seus ancestrais sempre fizeram por instinto, mas os humanos não são assim, a liberdade é para descobrir novos rumos que leva a maior felicidade possível, é para conhecer melhor a vida humana e assim poder viver melhor, mudando de atitudes, mudando o pensamento para poder viver em sociedade, mas nos dias de hoje estão desaprendo de viver socialmente, não cumprimenta as pessoas nas ruas, cabeças baixas no caminhar, pensamentos e olhos voltados para seus iphones, esquecem-se do primordial, a comunicação com os olhos nos olhos, com a palavra amiga de alguém que lhe de conforto ou mesmo curtir momentos que dê alegria, mas desde que seja em grupos de amizades.
Para se libertar das turbulências da vida, dos isolamentos que a televisão impõe; expulsar a solidão que nos ronda, faça grupos de amizade, encontre sempre, faça reuniões nas casas, nos bares, vá ao cinema juntos, participe da vida um do outro, seja leal nas amizades, nunca queira ser superior a ninguém, fortaleça os vínculos para ter uma vida de plena felicidade e alegria, mas nunca imponha nada a ninguém e sejam sempre leais as amizades formadas sem interesses.
Ser feliz é ter grupos de amizade, é dar ao outro o que você precisa, assim nesta mutua experiência, a vida vai florir nestes momentos de alegria fraterna, não deixe que nada destrua o grupo, esta pequena sociedade que só da alegria, tem que continuar, dela pode fazer parte namorados, casados e solteiros – Viva e deixa que o grupo determine os caminhos.
O homem é um ser social, a sociedade é uma conquista e os grupos sociais que vivem na sociedade é a essência da vida em sua plenitude de amor fraterno.

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terça-feira, 14 de abril de 2015

Mistérios do Poder

Batista Custódio faz análise sóbria sobre o panorama moral da política e sugere "medicação" para cura da doença da atualidade.

OS sofrimentos melhoram os bons nos moços e pioram os maus nos velhos. As emoções alteram os sentimentos nos parâmetros da sensibilidade e desordenam o senso da razão nas reações humanas. Quantas coisas tive vontade de falar e me calei por ponderação, ou senti necessidade de fazer e não realizei por prudência, dentre tantas proferidas por dedução ou praticadas por persuasão e me arrependi. A vida escolarizou-me com os erros no aprendizado dos acertos. A experiência no conhecimento ensinou-me a não incorrer na leviandade das deduções precipitadas ao nominar culpados entre os responsáveis por episódios de repercussão histórica tão desmoralizante. Como o retinir atual dos escândalos que desacreditaram os poderes.

Então resguardo-me de opinar no claustro da meditação. Esmiúço as evidências encapadas nos indícios. Desnudo as aparências abrigantes das conveniências. Conjecturo e reavalio o contraditório das versões. E atenho-me no aguardo da eclosão nas desavenças entre os cúmplices, para chegar a uma conclusão a respeito do extenso da corrupção que, a ser calculada pelas fortunas de políticos pobres antes, roubou-se uns cinquenta países no Brasil. Portanto, e por enquanto, o que penso do que olho nos acusados e do que ouço nos acusadores é que eu não gostaria de ser nenhum deles.
OS líderes que se aproveitam das manifestações populares espontâneas contra os desmandos nos Três Poderes do Brasil, e intermeiam no idealismo delas as infiltrações do oportunismo useiro na corrupção fatiada pelas facções partidárias, estão tecendo as cordas de seus enforcamentos políticos nas próximas eleições. A repetência das acusações recíprocas entre si viciou o povo ao denuncismo. Os senhores homens públicos faliram a Nação e endividaram a população no custo de vida. As classes sociais estão surdas às críticas e querem ouvir autocríticas. Os políticos enganam-se com as próprias tapeações. Parem de mentir. Recorram-se ao socorro de Deus no oratório da consciência e reconstruam-se moralmente.

A inteligência excedente na carência de conhecimento fermenta a irracionalidade nos líderes escaladores do retrocesso aos costumes repugnantes. O único jeito de não se estacionarem na estagnação no torpe é tornarem-se dependentes da leitura nos livros dos sábios. Nas páginas estão sinalizadas as encruzilhadas que confundem e os atalhos que desviam os incultos da rota que leva à consagração os condutores de povo. E, sobretudo, desvenda-se o mistério em que se arruínam para a História os líderes cultores da traição e da ingratidão. A pessoa traz em si o que faz aos outros.

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Busca por crédito em bancos é maior entre moradores da periferia

A maior parte dos consumidores que buscou crédito em bancos, entre 6 de janeiro e 6 de fevereiro deste ano, foi de adultos da periferia, com idade até 35 anos. Esse grupo responde por 17,6% do total das consultas de crédito.
Os chamados adultos urbanos estabelecidos aparecem em segundo lugar na lista, com 17% do total das consultas. Esse perfil tem entre 30 e 60 anos, boa escolaridade e padrão de vida relativamente confortável. É o que revela estudo da empresa de consultoria Serasa Experian, divulgado dia 10/04 em São Paulo.

Em terceiro lugar, fica o grupo massa trabalhadora urbana, responsável por 14,6% das consultas feitas. Esse segmento tem jovens adultos de até 35 anos, solteiros, moradores de grandes áreas urbanas e iniciando a carreira profissional. Os donos de negócios, grupo composto predominantemente por homens, na faixa de entre 25 e 55 anos e com negócio próprio, representam 10,2% das buscas por crédito.

A pesquisa analisou também o percentual de indivíduos que tiveram o nome consultado pelos bancos. O grupo chamado de elites brasileiras, que engloba os adultos acima de 30 anos, com alta escolaridade, bem empregados ou donos do próprio negócio, desfrutando de alto padrão de vida, foi o mais procurado, com 7%.
A lista segue com os donos de negócio (6,2%) em segundo lugar, adultos urbanos estabelecidos (5,9%) em terceiro, juventude trabalhadora urbana (5,3%) em quarto e jovens adultos da periferia (4,4%) na quinta colocação do ranking.
Agência Brasil.

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segunda-feira, 13 de abril de 2015

A origem

Começa a ficar clara a resposta a uma dúvida crucial do escândalo histórico da Petrobras: o ovo ou a galinha? Um cartel de empreiteiras aliciou políticos, ou partidos do governo manipularam um cartel de empreiteiras? A Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça Federal começam a desvendar o mistério com o nome nada sutil da nova fase da Operação Lava Jato: A Origem.
O início de tudo isso não foi um cartel de empresas desses que existe desde sempre, nem foi uma corrupção, digamos, trivial. A verdadeira origem da sangria da Petrobras foi um esquema armado por partidos e políticos no poder a partir de 2003.
Primeiro, a Lava Jato prendeu doleiros, ex-diretores da Petrobras e grandes executivos de empreiteiras, deixando de lado os parlamentares, que têm o foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal. Comeu pelas bordas, até chegar no ponto central, ou na "origem": os políticos.
Sem poderes para botar a mão em senadores, deputados e governadores, a Justiça Federal do Paraná chegou ao chamado "cerne da questão" por vias indiretas: prendendo na sexta-feira três ex-deputados, ou seja, três políticos sem mandato e sem foro privilegiado: André Vargas, ex-petista, Luiz Argôlo, do Solidariedade, e Pedro Corrêa, o reincidente do PP, já preso pelo mensalão.
Essas prisões vão definindo os sujeitos e compondo a narrativa com calma e clareza, com princípio, meio, fim. Também ampliam o raio de ação, que deixa de ser unicamente a Petrobras e suas contratadas, chega à Caixa Econômica Federal e atinge a própria administração direta, com o Ministério da Saúde no foco.
Como sempre, as quantias são de tirar o fôlego: R$ 40 milhões para cá, R$ 80 milhões para lá... De uma coisa não se pode acusar os bandidos de colarinho branco no Brasil: não são nada modestos. Tudo é na casa de milhões, senão bilhões.
Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff investe na sua "agenda positiva" e é capaz de tirar fotos fazendo coraçãozinho com as duas mãos e até de dizer que a Petrobras está uma beleza. Agora, além de entrega de casas populares, ela ganhou de presente do Facebook o "Banda Larga para todos", muito importante, aliás.
Bem, Dilma tem mesmo de correr atrás do prejuízo, dando uma entrevista atrás da outra para a mídia estrangeira e encontrando-se com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Panamá, para marcar a viagem a Washington ainda neste semestre, tentar recuperar a confiança, atrair investimentos e reabrir vias comerciais da maior potência e do maior mercado do planeta. Não era sem tempo. E como o Brasil anda precisando!
Isso remete a um regime parlamentarista. Dilma como chefe de Estado, ou "chanceler", enquanto o vice Michel Temer e o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como chefes de governo, dividem os dissabores da crise econômica e política e disputam as glórias de primeiros-ministros.
Para Fernando Henrique Cardoso, a liderança de Dilma "está abalada". Para Aécio Neves, a entrega da política para Temer foi "renúncia branca". Mas não custa lembrar que o PSDB surgiu em 1988 com a bandeira do parlamentarismo e, nesse regime, quem cai não é o presidente, não é Dilma.
Se o ajuste fiscal e a economia derem com os burros n'água, Levy cai. Se a política explodir, Temer explode junto. Mas a presidente - ou "rainha da Inglaterra", como definem os mais ácidos - só renuncia se quiser ou se sofrer um impeachment à moda presidencialista, o que parece muito improvável.
Dilma está jogando nacos de poder às feras, mas não é dessas de renunciar. E, como admitem gregos e troianos, oposicionistas e governistas, o impeachment não depende só de Lula, PT, PMDB e muito menos só de PSDB, DEM e PPS. Depende das ruas.
As manifestações de rua são atos que dão luzes, ou rumos, ao governo, aos políticos e aos analistas. Cabe observar. E aprender.


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