segunda-feira, 27 de julho de 2015

O poder da gratidão

Ela pode transformar todo um cenário. Ganha quem sente e quem recebe o sentimento.
Reserve no seu dia momentos para treinar ou pensar em gratidão isto sem duvida é um cuidado com a alma, mente e corpo.
Muitos sintomas que o homem vivência nos dias de hoje estão vinculados à ausência da prática de gratidão. A depressão, síndrome do pânico e baixa do sistema imunológico estão presentes pela inexistência de sintonia com o presente e o gesto de gratidão, que definitivamente nos aproxima do sentido da vida.

As pessoas que praticam gratidão desenvolvem pensamentos que dão sentido a própria existência, como uma forma sistêmica de pensar, assumindo como referência que a vida tem um movimento sincronizado e que os acontecimentos estão envolvidos por uma razão maior.

A gratidão proporciona um comportamento de humildade diante dos fatores inesperados da vida, que muitas vezes não temos explicações lineares, além disto, proporciona uma disponibilidade para vivenciar a paz e para lidar com experiências que fogem do controle.

A capacidade para compreender aumenta, quando se tem gratidão, sendo assim compreender as diferenças se torna mais fácil, o que diminui as emoções de frustração, tristeza e mágoa. Toda experiência de gratidão nos torna melhores com a nossa própria vida.

Portanto, sejamos gratos a nossa experiência de vida.

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Tecnologia, um catalisador do amor

Enquanto alguns reivindicam o uso da internet às pessoas que sobre elas têm certa autoridade, outros estão se decidindo se isso é necessário ou não e ainda outros garantem não sentir falta dela. Não é possível ter saudades do que não se conhece, assim como é inviável não se utilizar dessa tecnologia. É como se negar a usar a luz elétrica.
Na era da industrialização a mecânica inundou o mundo, e desde o seu advento a internet fez o mesmo caminho, mostrando-se como um bem universal. A invasão foi tão rápida que ainda estamos tontos, tentando colocar ordem no uso dela, uma ferramenta com um poder tal que exige estudos, ainda que sua força esteja à vista de todos.
Primeiro veio a má fama, o destaque do lado perverso do ser humano, enquanto os benefícios simultâneos não gozaram da mesma divulgação. Falo da internet pessoal e seu uso caseiro, pois a universal instalou-se sem pedir opinião. Quanto mais a tecnologia é usada, bem usada, mal usada, exageradamente utilizada (desde as conexões discadas e caras, levando os estudantes a se ligarem nela após a meia-noite, e irem à escola de manhã com proveito zero), mais o vício é ventilado, tal como os crimes pela rede.
Não é recente, mas um aspecto palpitante é a ação desta ferramenta em despertar sentimentos, os mais variados, começando pelo ciúme, desejo e concretização de infidelidade, descobertas de traições, assim como início e fim de amizade e amor. Destila-se ódio pela rede. Uns atacam, outros defendem e ainda outros se omitem.
O mundo virtual copia a face social verdadeira, espelhando a realidade. Não são mundos paralelos e sim complementares, e o que se faz num afeta diretamente o outro. Isso precisa ser lembrado por todos. O rastreamento é possível, e, caso haja pontas soltas, o bem e o mal serão encontrados. O errado nem sempre se lembra disso. Estar conectado é ter acesso a tudo de bom e ruim que a sociedade produziu e produzirá. Cada um pode se utilizar dos caminhos possíveis, exatamente como na vida. As escolhas dependem da índole de cada um.
Reparo a força positiva das ferramentas Facebook e WhatsApp. A visibilidade, a aproximação e afastamento de pessoas queridas, a geração de novos afetos, a intensificação de sentimentos adormecidos mostra facetas daquilo que supúnhamos, sem saber o tamanho e a sua potencia. Os ódios guardados no freezer podem vir à tona com o frescor da hora do acontecimento, assim como amores e amizades adormecidos podem voltar arrebentando, forçando emoções e despertando sentimentos gostosos ou dolorosos.
Há quem seja desinibido, comunicativo e que, em qualquer situação faça a festa, se dê bem, apareça, arregimente contatos, participe de festas, fique à vontade em qualquer lugar. Outros, mais fechados, tímidos, sérios e acanhados, conseguem pela tecnologia dar seus primeiros passos, fazer amigos, encontrar amores, reaproximar-se de colegas e parentes. Pessoas conhecidas mostram-se mais acessíveis, e as afinidades e diferenças se fazem ver e marcar.
Ainda que eu faça uso diário da internet desde a virada do século, me surpreendo positivamente em relação às oportunidades que a rede oferece, especialmente em relação à família maior, tios, primos, sobrinhos e afins. Há quase meio ano estamos em contato frequente, participando da vida uns dos outros e isso nos torna mais amigáveis, mais próximos, mais solidários e mais felizes.
Assim, só posso, estando satisfeita com os frequentes encontros familiares, propiciados em parte pela tecnologia, constatar que perde quem não a usa para se aproximar de gente, para vê-las, tocá-las, amá-las, convivendo com todas as suas características, boas e ruins, porque poucos são perfeitos. É a internet com seus prazeres e aflições, mistérios e revelações.
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Medicamento pode rejuvenescer sistema imunológico

Novos estudos comprovam eficácia de rapamicina para melhorar defesas do organismo dos idosos. Ratos, cachorros e humanos começaram a realizar testes.
A chegada de novas décadas de idade costuma marcar drasticamente a vida do ser humano. E uma das vítimas é o sistema imunológico dos idosos. Ele acaba debilitado e segue para um declínio drástico. Inúmeras mortes são causadas pelo enfraquecimento das defesas do organismo, que perdem seu poder frente aos invasores.
Uma rápida visita aos Cais de todo país e mesmo hospitais de urgência é suficiente para encontrar batalhões de idosos cuja principal motivação por estarem ali é exatamente a debilidade do sistema imunológico.
Como as crianças, os idosos são mais vitimados por infecções. Há tempos pesquisadores buscam o elixir da juventude. Sem encontrá-lo, optaram por reduzir as expectativas e investigar questões mais pontuais – como o sistema imunológico. E a mais recente descoberta diz respeito a um estudo que foi divulgado na revista Science Translational Medicine.
Os pesquisadores descobriram efeitos paralelos da rapamicina, usada para evitar rejeição depois de transplantes de órgãos.
O medicamento aumentou as defesas do organismo de idosos. A hipótese central é de que a substância retarde o envelhecimento fisiológico do sistema imunológico.

AUTOFAGIA
Segundo o artigo, uma dose de rapamicina teria o poder de anular o mTor (proteína relacionada a síntese proteica muscular, desejada, por exemplo, por fisiculturistas). Por sua vez, a impedindo de agir, ocorre o rejuvenescimento do sistema imune. A mTor é a simplificação de mammalian target of rapamycin. Ela está ligada ao crescimento celular, mobilidade, autofagia e outros mecanismos.
Para jovens, ativar a mTor significa ter um corpo forte e sarado. Mas com o avançar da idade, ela teria efeito negativo sobre a saúde. Daí a tentativa de ‘desligá-la’.
A pesquisa já chegou nas grandes empresas, caso da Novartis de Siena (Itália) e Boston (EUA). Elapatrocina a pesquisa junto com a Universidade Standford, na Califórnia (EUA).
Os autores Joan Mannick, Giuseppe Del Giudice e Maria Lattanzi acreditam que a rapamicina poderá ser usada para retardar o envelhecimento.
Eles já revelaram sua eficácia para alongar a duração da vida de ratos. Agora, o mesmo procedimento tem sido aplicado em cães e as respostas devem ser divulgadas em 2016.
O artigo da Science Translational Medicine, todavia, traz os experimentos com idosos: eles tomaram a dose de rapamicina e apresentaram 20% a mais de anticorpos contra a gripe. Foram pesquisados 200 idosos acima de 65 anos. O grupo que tomou placebo (remédio sem eficácia) ficaram mais suscetíveis às doenças.
Outra constatação é que células (glóbulos brancos degenerativos) que prejudicam o sistema imunológico foram reduzidas.

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domingo, 26 de julho de 2015

Vivem para as metas, mas se esquecem de metas para viver

Estamos vivendo cada vez mais de maneira corrida, em que as cobranças no mercado de trabalho estão sendo cada vez mais postas na vitrine. Pensando bem, qual seria a consequência disso? Funcionários adoecidos versus sobrecarregados. Ou então enlouquecidos com suas metas, as quais devem atingir. Fico me questionando, e quando não atingem, como se sentem? Como se comportam? Afinal, como reagem? Ah, isso não podemos esquecer, muitos acabam que não ficam, se vão. E isso tudo, não por espontânea vontade, mas por exaustão.
Sim, a mente sofre e os resultados no trabalho, também. Apesar de tudo, tentaremos solucionar.
Veja bem, como podemos perceber, os trabalhadores mal conseguem curtir seus intervalos, pois mal tomam seus cafés e comem suas bolachas e já devem, rapidamente, retornar para os seus expedientes para então fechar suas metas. Ou seja, vivem da tal das metas. Ou melhor, vivem para as metas, mas esquecem-se de metas para viver. Sabe-se que estas acabam causando desgaste nos funcionários, o chamado esgotamento, e o que fazer nestes casos dos quais se chega ao limite?
 Pode-se negociar com o chefe, respirar fundo e tentar refletir sobre uma melhor forma de lidar com tudo isso, sem prejudicar o local de trabalho e sua oportunidade no emprego. Sempre é importante, nessas horas, pegar um ar fresco e seguir adiante.
É aconselhável que os trabalhadores se deem um tempo livre não somente para o trabalho prosperar, mas para também cuidarem de sua saúde, pois no final das contas, é o lazer que faz o sucesso. Pois funcionário sem um lazer em dia é funcionário entristecido por não ter aproveitado seus dias livres. Por isso, aproveite para obter sucesso ao retornar para o trabalho.
É importante ressaltar, que caso não tenham atingido determinada meta, o essencial é não se culpar. Até porque, chega um momento em que se torna mais difícil o alcance de determinada meta, principalmente naqueles casos em que ela se torna muito alta. Então o fundamental é o funcionário não se cobrar tanto, afinal, se ele adoecer psicologicamente, o seu chefe e o seu trabalho continuam, mas ele não.
O que recomendo aos trabalhadores é: Cuidem-se! Exijam-se menos e trabalhem mais, saibam lidar com a pressão, pois, uma hora, ela sempre passa e, muitas vezes, é necessária para seus próprios crescimentos como profissionais. Se os funcionários tomarem as rédeas do cuidado, além do chefe agradecer, suas vidas agradecem em dobro. Diga sim à saúde, a sociedade precisa de trabalhadores, mas principalmente, sãos.
Por fim, vá à luta! Mas continue amando o que faz ou procure amar. Este é o seu trabalho amanhã, talvez, mas, no fundo, é a sua vida. E, no fim das contas, é ela quem está em jogo.
 
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Uma mulher chamada Hipácia

Em História Eclesiástica, escrita no século 5, época em que a cidade de Atenas vive o seu momento de esplendor cultural, o historiador Sócrates, o Escolástico, escreve: "Havia em Alexandria uma mulher chamada Hipácia, filha do filósofo Théon - matemático, astrônomo e diretor do Museu de Alexandria -, que fez tantas realizações em literatura e ciência que ultrapassou todos os filósofos da época. Havendo progredido na escola de Platão e Plotino, ela explicava os princípios da filosofia a quem a ouvisse. E muitos vinham de longe para ouvi-la".
Inteligente, bela e erudita, Hipácia adotou o ascetismo como padrão de vida. Vestia-se com sobriedade, usando com rara elegância o manto dos filósofos: uma espécie de túnica branca despida de ornamentos. Celibatária, não acumulou riquezas materiais e sua vida foi pautada pela rigidez moral.
 Principal representante do neoplatonismo do seu tempo, dedicou-se a pensar o mundo das ideias em analogia ao mundo físico, a investigar se a alma era una ou dividida, a partir de questões metafísicas provocadas por Plotino. As teses estudadas e debatidas com alunos eram reservadas, mas Hipácia também realizava conferências abertas que atraíam homens poderosos, entre eles, Orestes, prefeito da cidade.
Nascida em uma cidade na qual diferentes religiões conviviam, Hipácia era pagã. Raramente frequentava o templo. Muitos de seus alunos eram cristãos, entre eles, Sinésio de Cirene, futuro bispo de Ptolemaida. A religião jamais foi um impedimento na sua relação com eles.
Todavia, mudanças político-religiosas geram em Alexandria uma sociedade em permanente tensão. A tolerância religiosa, antes vivenciada, apresenta-se estremecida pelo radicalismo. Seitas são expulsas da cidade e, cada vez mais, a população é insuflada contra pessoas de destaque que poderiam ser consideradas uma ameaça à expansão do cristianismo. E é justo nesse contexto social que Cirilo, bispo de Alexandria, resolve investir contra Hipácia e seu confidente, Orestes.
 Monges atiçados por Cirilo atacam Orestes. Há entre o prefeito e o bispo da cidade uma violenta disputa política por poder e influência nos destinos de Alexandria. Crente de que a filósofa representa a grande força que ampara o prefeito, o bispo instiga seus prosélitos a espalharem na cidade o boato de que Hipácia é uma feiticeira, que se vale de magia negra para controlar Orestes. A mentira prospera. A boataria avança entre as camadas mais simples da população urbana. Liderada por Pedro, o Leitor, uma turba decide pelo linchamento da filósofa.
Numa tarde ensolarada de março de 415, durante a Quaresma, Hipácia, então com quase 60 anos de idade, é retirada com violência de sua carruagem por uma multidão enfurecida e arrastada até a igreja de Cesarion, antigo templo de culto a Júlio César. Ali, desnuda, tem sua pele e sua carne arrancadas por afiados cacos de ostras. Acusada de feitiçaria, é destroçada viva pela turba ensandecida. Morta, amputam-lhe os membros inferiores e superiores. O que resta do cadáver é queimado em uma pira nos arredores de Alexandria. A morte da última grande filósofa da antiguidade clássica deixa toda uma tradição lógica na penumbra durante séculos. Somente será redescoberta pelo Renascimento.
Nada se sabe de Orestes, depois da morte de sua mestre. Cirilo, pleno de poder, manda fechar os templos e proíbe a prática de qualquer religião ou seita fora do cristianismo. Canonizado, é hoje conhecido como São Cirilo de Alexandria.
O filme Ágora, de Alejandro Amenábor, lançado no último Festival de Cannes, resgata a saga de Hipácia. Contudo, a maior parte do seu trabalho intelectual jaz perdido. Sabe-se, porém, que ela escrevera comentários sobre duas importantes obras gregas: a Aritmética, de Diofanto, e as Seções Cônicas, de Apolônio. Da obra filosófica, nada restou escrito por Hipácia. Muito do que discutia com os alunos era, por princípio, mantido em segredo. O pouco que se conhece vem das cartas de Sinésio de Cirene, ele próprio bispo cristão, mas capaz de se referir a uma pagã como "minha mãe, minha irmã e benfeitora minha".
Filha de Théon, Hipácia superou seu pai e mestre na ciência dos números e ainda tornou-se uma expoente do pensamento filosófico neoplatônico.
 É considerada a última intelectual de relevância de Alexandria, centro da cultura grega no mundo helenístico. A figura de mulher-filósofa - única mulher a dirigir o Museu de Alexandria -, merece ser lembrada não para falar de uma regra de liberdade feminina na sociedade alexandrina antes do período bizantino, mas sim para fazer com que se possa refletir como houve um crescimento considerável do campo de atuação do feminino nesse mundo pagão alexandrino, que encontra seu ocaso simbólico no assassinato de Hipácia, sophia da ágora de Alexandria.

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sábado, 25 de julho de 2015

Será que o brasileiro é mesmo cordial e pacífico?

Advogado cita Sérgio Buarque de Holanda para fazer a ressalva: ” O fato de o brasileiro ser cordial, ou emocional, revela tão somente aquilo que já sabíamos: somos (na média) um povo ignorante, tosco, primitivo”
Premissas hipotéticas: quanto mais primitivo o povo, mais violento e menos cordial e pacífico ele é; quanto mais imperialista ou colonialista é o país, mais violento e menos cordial e pacífico ele é; quanto mais fundamentalista (extremista, fascista, dogmatista, nacionalista, nazista, discriminador, intolerante) é o país ou determinado agrupamento humano, mais violento e menos cordial e pacífico ele é.
O Brasil não é um país colonialista ou imperialista (ao contrário, até hoje continua com muitos traços de um país colonizado). O que, então, explicaria a violência epidêmica no nosso território (recorde-se: o Brasil é o 12º país mais violento do planeta, com 29 assassinatos para cada 100 mil pessoas)? Resposta: o primitivismo e seu filhote que é o ignorantismo (3/4 da população são analfabetos funcionais), assim como alguns rebentos fundamentalistas.
Quanto mais indicadores estatísticos aparecem, mais as premissas hipotéticas vão se confirmando. Relatório divulgado pela ONG Visions of humanity, em 2015, que elabora o Índice Global da Paz, aponta o Brasil na 103º posição, dentre 162 países.O Brasil, para além de ser um dos países menos pacíficos do mundo, é um dos que mais gastam com o item segurança. Bilhões são gastos (mais de 60 por ano), sem nenhuma melhora na diminuição da violência (em termos nacionais).
Sérgio Buarque de Holanda (autor do clássico Raízes do Brasil, 1936) jamais quis dizer que o povo brasileiro é cordial, pacífico, apaziguador ou da paz[1]. O povo que extermina mais de 57 mil pessoas por ano intencionalmente (29 para cada 100 mil pessoas), que massacra suas mulheres e crianças (milhares de crianças lesadas e 15 homicídios de mulheres por dia), que mata 43 mil por ano no trânsito, que conta com 19 das 50 cidades mais violentas do mundo, que é campeão no item violência contra professor e que é o 12º mais violento do planeta, não pode mesmo ser tido como cordial ou pacífico (muito menos, seguro). Somos um povo carnavalesco, mas isso não significa cordialidade (porque até mesmo durante as festas muitas pessoas são assassinadas).
Sérgio Buarque de Holanda, portanto, quis dizer outra coisa: cordial (derivado de cor) relaciona-se com o coração. Ele pretendeu afirmar que o brasileiro é movido pelos impulsos do coração, pela emoção, pelos afetos. É uma criatura em geral bastante primitiva e, assim, muito mais emocional que racional. É mais leal aos laços familiares e às amizades do que qualquer outro tipo de associação (sociedade mercantil, clube, vida coletiva ou comunitária). Os políticos, muitas vezes, revelam mais preocupação com o acomodamento da família e das amizades (sobretudo partidárias) do que com a comunidade.
As classes dominantes rapidamente assumiram a cordialidade (a pacificidade) como característica do povo brasileiro porque isso é muito conveniente para quem vive da ideologia da desigualdade extrema, da exploração e da opressão.
A “cordialidade” referida por Sérgio Buarque não é uma peculiaridade genuinamente brasileira. “Com um pouco de observação, notamos que ela é comum a todos os países ou grupamentos humanos pouco desenvolvidos, aqueles mais próximos ao estágio de organização social em torno de clãs familiares. Quanto mais ignorância [quanto mais “bom selvagem”, de que falava Rousseau), menos discernimento, mais impulsividade, mais barulho, mais efusão, mais contam os laços sanguíneos e menos contam os laços não-sanguíneos”. Em suma, quanto mais educação, menos emoção é exibida, e o fato de o brasileiro ser cordial, ou emocional, revela tão somente aquilo que já sabíamos: somos (na média) um povo ignorante, tosco, primitivo.

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Ministério vai usar drones na fiscalização de trabalho escravo

A equipe de auditores-fiscais da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE-RJ) vai utilizar um novo equipamento para a fiscalização no estado: a partir do início de agosto, eles usarão cinco aparelhos voadores não tripulados, os drones, para usar nas operações.

O chefe de planejamento da seção de segurança e saúde no trabalho da superintendência regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro, o auditor-fiscal do trabalho Raul Vital Brasil, disse que outro drone será doado à Polícia Rodoviária Federal: “A Polícia Rodoviária Federal é a nossa principal parceira nas operações de combate ao trabalho análogo a escravo. Como recebemos seis e eles são parceiros nossos achamos viável dar um para a Polícia Rodoviária Federal”.

Os seis drones foram comprados com parte dos R$ 3 milhões pagos pela financeira Losango, integrante do grupo financeiro HSBC, num processo por dano moral coletivo devido à terceirização irregular de empregados. A decisão de repassar uma parcela dos recursos é do Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ), após a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

O uso de valores de multas foi possível depois da decisão da Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público do Trabalho (MPT) de janeiro de 2009 destinando os recursos a órgãos e entidades públicas ou privadas que prestam atendimento social ou assistencial. Outra parte da indenização será revertida ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Vital Brasil destacou quatro casos de ações em que o equipamento vai permitir a ampliação das fiscalizações. Um deles será em embarcações de pesca, nas quais são registradas ocorrências de trabalho análogo a escravo. “Nas próximas operações de pesca, já pretendemos usar os drones”, disse ele.

Outra situação é em pedreiras, onde os trabalhadores ficam concentrados em alguns locais e quando veem as equipes de fiscalização fogem. O uso do equipamento, neste caso, vai ajudar a localizar os trabalhadores e verificar as condições de trabalho deles.

As operações na área rural também usarão os aparelhos. “Muitas vezes quando a fiscalização chega na fazenda, ela é muito grande e está com a porteira fechada. Com o drone, vai ser fácil localizar onde os trabalhadores estão para podermos chegar até eles”, revelou.

O auditor-fiscal disse ainda que a utilização do equipamento vai favorecer também as fiscalizações em grandes obras, como as que estão sendo feitas para os Jogos Olímpicos de 2016. “Com o drone vamos conseguir sobrevoar as grandes obras, ver o estágio em que estão e saber o melhor momento de agir”, explicou.

Para a utilização dos equipamentos, sete auditores-fiscais do trabalho fizeram durante dois dias um curso de capacitação que terminou na quarta (22). Agentes da Polícia Rodoviária Federal também participaram do treinamento. Em cada drone do modelo Inspire1, haverá uma câmera que poderá fazer fotos e gravar vídeos com resolução de até 4K, considerada Ultra HD. Os voos têm duração aproximada de 20 minutos, com alcance de aproximadamente dois quilômetros e a cerca de 70 metros de altura.

A utilização dos drones ainda não foi regulada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por isso, nas operações da SRTE-RJ, inicialmente, os aparelhos serão utilizados em fase de testes. De acordo com a ANAC, somente em dois casos é permitido o uso dos equipamentos, em aeromodelismo ou em operações experimentais, mas, mesmo assim, é preciso ter o Certificado de Autorização de Vôo Experimental (Cave), emitido pela Anac e pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Vital Brasil informou que o ministério está encaminhando o pedido de autorização à Anac.

Por Ag. Brasil.


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sexta-feira, 24 de julho de 2015

Nosso planeta está morrendo e com ele todos que vivem no seu ecossistema

Pouquíssimos estão preocupados com quem nos dá tudo e, por nossa causa, está morrendo. Vocês pararam para pensar no que está acontecendo? O planeta está cozinhando!
E quem está sendo cozido junto com ele somos nós, seres vivos, e todo o ecossistema. A maneira como está acontecendo o aquecimento da Terra em escala exponencial é algo inaceitável.
As pessoas falam sobre o tema, fazem reuniões, tomam algumas providências para tentar melhorar a situação, mas continuam contribuindo e ajudando para o aquecimento.
A natureza nos dá tudo para vivermos com saúde plena, para não machucá-la. Como nunca nos sentimos satisfeitos com o que temos, extraímos da terra seus recursos, o que para nós é beleza, para ela, é vida.
Precisamos de energia para nossa sobrevivência. O recurso eólico e o recurso solar nos são dados pela natureza gratuitamente e 100% limpos e sem muito impacto ambiental. O recurso hídrico é um grande gerador de energia, tem um grande potencial energético, mas, para sua utilização, temos que fazer intervenções humanas na natureza como barragens para aumentar a força da água, desviar o curso dos rios, assim matando a fauna e a flora, o que pode, ao longo dos tempos, causar impactos e consequências irreversíveis.
Utilize de forma consciente tudo que a natureza nos dá de presente, não tente extrair dela o que não nos pertence, pois ela é viva e ela está tentando se defender de nossas ações inconsequentes. Mude sua maneira de agir e pensar em relação ao nosso planeta, pois já está ficando cada vez mais tarde para tentarmos recuperá-la e, assim, garantirmos nossa sobrevivência.

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O poder corrompe?

A corrupção é um mal internacional que ataca praticamente todos os governos, em maior ou menor grau. Como disse um jurista, é um “vício resultante da relação patrimonialista entre Estado e sociedade”. A ONG Transparência Internacional realiza, a cada ano, o Índice de Percepção da Corrupção, abrangente estudo sobre a corrupção no mundo.
 A partir da opinião de diversos especialistas no tema, são conferidas aos países notas que variam de 0 a 100. Quanto mais próxima de zero for a pontuação, mais corrupto é o setor público daquele lugar. É muito raro um país alcançar o grau máximo. No último relatório (2014), a Dinamarca, país de elevada honestidade, obteve 92 pontos.
O Brasil está na outra ponta e os brasileiros bem sabem disso. Quem tiver paciência e pesquisar terá dificuldade para encontrar um governo que não tenha sido envolvido em escândalos e corrupção. Será que não há solução para esse problema? Não haverá meio eficaz de combate?
O que se pode afirmar é que um dos fatores é a falta de partidos com coerência, seriedade e responsabilidade pelos governos que elegem, nos três níveis: federal, estadual e municipal. O PMDB, que nasceu como MDB, iniciou sua história partidária conquistando a opinião pública tanto pela aguerrida oposição ao governo militar quanto pela pregação e prática de princípios éticos.
Cresceu, tornou-se o maior partido nacional e chegou ao governo; aí perdeu os princípios, envolveu-se em corrupção e adotou a prática do fisiologismo. O poder contaminou o partido e manchou seu passado.
O PSDB surgiu de dissidência que não concordava com a postura e os deslizes do PMDB. As lideranças criaram, então, o novo partido que se apresentava como a “banda sadia”. Hoje, diversas administrações tucanas estão envolvidas em práticas de corrupção.
Por fim, o PT. Enquanto apenas oposição era a sigla politicamente mais pura, com robusta defesa da moralidade na administração pública. Conquistado o poder, esqueceu o ideário e o discurso. A marca mais forte dessa degeneração é o vergonhoso escândalo do mensalão e mais recentemente o que envolve a Petrobras; porém, não são os únicos, pois em governos estaduais e municipais igualmente ocorrem casos de corrupção.
Na administração federal, há um agravante que gera clima favorável. Trocam-se os ministros, mas o segundo e o terceiro escalões continuam gravitando no sistema, são esses que conhecem os caminhos e exercem influência – para o bem ou para o mal.
 Um ministro ou político novo, que chega à “corte”, se surpreende com o número desses que giram em torno do poder para “vender” experiências e revelar o caminho das pedras. Depois deles, os lobistas de variadas bitolas.
 Todos têm seus “métodos” de convencimento e persuasão para qualquer tipo de negócio. Tudo isso promove giros de milhões e bilhões, basta atentar para o fato de o Distrito Federal ter o 7º maior PIB entre as unidades da federação, sem indústrias que gerem emprego, renda, produção e tributos. Tudo vive em função do governo e sua estrutura de pessoal, negócios e contratos.
A corrupção afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos ao diminuir os investimentos públicos na saúde, na educação, em infraestrutura, segurança, habitação, entre outros direitos essenciais à vida, e fere criminalmente a Constituição quando amplia a exclusão social e a desigualdade econômica.

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Como o autismo ajudou Messi a se tornar o melhor do mundo

Messi é autista. Ele foi diagnosticado aos 8 anos de idade, ainda na Argentina, com a Síndrome de Asperger, conhecida como uma forma branda de autismo. Ainda que o diagnóstico do atleta tenha sido pouco divulgado e questionado, como uma maneira de protegê-lo, o fato é que seu comportamento dentro e fora de campo são reveladores.
Ter síndrome de Asperger não é nenhum demérito. São pessoas, em geral do sexo masculino, que apresentam dificuldades de socialização, atos motores repetitivos e interesses muito estranhos. Popularmente, a síndrome é conhecida como uma fábrica de gênios. É o caso de Messi.
É possível identificar, pela experiência, como o autismo revela-se no seu comportamento em campo — nas jogadas, nos dribles, na movimentação, no chute. “Autistas estão sempre procurando adotar um padrão e repeti-lo exaustivamente”, diz Nilton Vitulli, pai de um portador da síndrome de Asperger e membro atuante da ong Autismo e Realidade e da rede social Cidadão Saúde, que reúne pais e familiares de “aspergianos”.
“O Messi sempre faz os mesmos movimentos: quase sempre cai pela direita, dribla da mesma forma e frequentemente faz aquele gol de cavadinha, típico dele”, diz Vitulli, que jogou futebol e quase se profissionalizou. E explica que, graças à memória descomunal que os autistas têm, Messi provavelmente deve conhecer todos os movimentos que podem ocorrer, por exemplo, na hora de finalizar em gol. “É como se ele previsse os movimentos do goleiro. Ele apenas repete um padrão conhecido. Quando ele entra na área, já sabe que vai fazer o gol. E comemora, com aquela sorriso típico de autista, de quem cumpriu sua missão e está  aliviado”.
A qualidade do chute, extraordinária em Messi, e a habilidade de manter a bola grudada no pé, mesmo em alta velocidade, são provavelmente, segundo Vitulli, também padrões de repetição, aliados, claro, à grande habilidade do jogador. Ele compara o comportamento de Messi a um célebre surfista havaiano, Clay Marzo, também diagnosticado com a síndrome de Asperger. “É um surfista extraordinário. E é possível perceber características de autista quando ele está numa onda. Assim, como o Messi, ele é perfeito, como se ele soubesse exatamente o comportamento da onda e apenas repetisse um padrão”. Mas autistas, segundo Vitulli, não são criativos, apenas repetem o que sabem fazer. “Cristiano Ronaldo e Neymar criam muito mais. Mas também erram mais”, diz ele.
Autistas podem ser capazes de feitos impressionantes — e o filme Rain Man, feito em 1988, ilustra isso. Hoje já se sabe, por exemplo, que os físicos Newton e Einstein tinham alguma forma de autismo, assim como Bill Gates.
Também fora de campo, seu comportamento é revelador. Quem já não reparou nas dificuldades de comunicação do jogador, denunciadas em entrevistas coletivas e até em comerciais protagonizados por ele? Ou no seu comportamento arredio em relação a eventos sociais? Para Giselle Zambiazzi, presidente da AMA Brusque, (Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas de Brusque e Região, em Santa Catarina), e mãe de um menino de 10 anos diagnosticado com síndrome de Asperger, foi uma revelação observar certas atitudes de Messi.
“A começar pelas entrevistas: é  visível o quanto aquele ambiente o incomoda. Aquele ar “perdido”, louco pra fugir dali. A coçadinha na cabeça, as mãos, o olhar que nunca olha de fato. Um autista tem dificuldade em lidar com esse bombardeio de informações do mundo externo”, diz Giselle. Segundo ela, é possível perceber o alto grau de concentração de Messi: “ele sabe exatamente o que quer e tem a mesma objetividade que vejo em meu filho”.
Giselle observou algumas jogadas do argentino e também não teve dúvidas:  “o olhar que ‘não olha’ é o mesmo que vejo em todos. Em uma jogada, ele foi levando a bola até estar frente a frente com um adversário. Era o momento de encará-lo. Ele levantou a cabeça, mas, o olhar desviou. Ou seja, não houve comunicação. Ele simplesmente se manteve no seu traçado, no seu objetivo, foi lá e fez o gol. Sem mais”.
Segundo Giselle, Messi tem o reconhecido talento de transformar em algo simples o que para todos é grandioso e não vê muito sentido em fama, dinheiro, mulheres, badalação. “Simplesmente faz o que mais sabe e faz bem. O resto seria uma consequência. Outra aspecto que se assemelha muito a meu filho”.
Outra característica dos autistas, segundo ela, é ficarem extremamente frustrados quando perdem, são muito exigentes. “Tudo tem que sair exatamente como se propuseram a fazer, caso contrário, é crise na certa. E normalmente dominam um assunto específico. Ou seja, se Messi é autista e resolveu jogar futebol, a possibilidade de ser o melhor do mundo seria mesmo muito grande”, diz ela.
A ideia de uma das maiores celebridades do mundo ser um autista não surpreende, mas encanta. Messi nunca será uma celebridade convencional. Segundo Giselle, ele simplesmente será sempre um profissional que executa a sua profissão da melhor forma que consegue — mas arredio às badalações, às entrevistas e aos eventos.
  “Ele precisa e quer que sua condição seja respeitada. Nunca vai se acostumar com o assédio. Sempre terá poucos amigos. E dificilmente saberá o que fazer diante de um batalhão de fotógrafos e fãs gritando ao seu redor. De qualquer modo, certamente a sua contribuição para o mundo será inesquecível”, diz ela.

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