sexta-feira, 29 de maio de 2015

Por que meu filho não gosta de ler?

Geralmente, estamos acostumados a ouvir certos pais questionando sobre as atitudes de seus filhos: “Ah, meu filho não gosta de ler, e é uma dificuldade fazê-lo estudar, não entendo o por quê!”. A resposta, muitas vezes, pode estar nas próprias atitudes dos pais quanto ao incentivo que eles dão a seus filhos, para que eles gostem de ler e, consequentemente, gostem de estudar.
Quando a criança está no processo de alfabetização, ela se encontra dependente de um adulto para que consiga dar andamento nos seus estudos, na escola, a sua “âncora” é o professor, e, em casa, os pais. Agora, se o aprendiz não recebe uma atenção necessária neste momento, provavelmente, surgirão alguns problemas.
Se no processo de alfabetização a criança ver o seu responsável, habitualmente, lendo, isso, de certa forma, mesmo que inconsciente, estará motivando e incentivando o filho para que realize tal ação. Certamente, a criança se sentirá ansiosa para conseguir fazer o mesmo, ou se ela já passou por esta fase, acompanhará seus pais na leitura, aumentando o vínculo entre pais e filhos, conforme afirma Lacerda: “os livros podem ajudar a estabelecer um diálogo entre pais e filhos”.
Cabe esclarecer que o incentivo à leitura defendido aqui tem um único objetivo: que as crianças se tornem adultos capazes de compreender diferentes tipos de situações e que tenham um senso crítico perante a sociedade. Não queremos dizer que elas devem ler somente com o intuito de estudar, pois se pensarmos dessa forma, conforme Ferrarezi: “a leitura é uma espada no peito delas e não um prazer”, ou seja, a leitura perderá o encanto para as crianças, e é justamente o que não queremos, pois, a partir daí, surgirá um propósito inverso: o desgosto pela leitura.


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Uma questão de gosto ou não...

Certa vez escrevi que o problema de quem escuta música a todo volume não é o barulho, mas o mau gosto. E como gosto é algo que nem com muito dinheiro a gente consegue mudar (ou comprar), essa é uma situação impossível de resolver. Se na sala de parto a criança que acabou de sair do útero de sua mãe para de chorar porque escuta um ritmo pra lá de duvidoso, vindo de algum celular no corredor da maternidade, é caso perdido para o resto da vida.
Recentemente um estudo feito nos Estados Unidos tentou mapear a qualidade da produção musical, embora a explicação para a pesquisa tenha sido outra, acho que para não ferir o sentimento de alguns músicos. A surpresa veio no resultado.
 As letras criadas pelos artistas corresponderam ao nível de leitura de uma criança na terceira série, o que representa os oito anos no sistema de ensino dos Estados Unidos.

Apesar de o trabalho ter sido feito na parte de cima das Américas, ele poderia ser aplicado ao Brasil. Mas por aqui talvez o resultado fosse outro, com letras associadas a crianças de cinco anos, no início do processo de alfabetização. Só assim mesmo para explicar construções estranhas como "Analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária" (grupo As Meninas, lembra?).
A pesquisa norte-americana analisou as letras de 225 canções que chegaram às paradas de sucesso no ano de 2005 e utilizou testes padrão para determinar a dificuldade de leitura. Além de o nível corresponder à terceira série, identificou-se que ele tem diminuído ao longo da década. Ou seja, tá ainda pior hoje em dia.
No nosso país, a incapacidade dos artistas atuais de produzirem algo inteligente (estou falando de gosto, gente, não esqueçam) explica porque cada vez mais eles estão recorrendo a sucessos dos anos 80 e 90 para voltarem a fazer algum sucesso. Se estão por baixo, lançam regravações de quem realmente produziu algo digno de ser ouvido. Já tem pagodeiro, funkeiro, sertanejo e grupo pop recorrendo a hinos da MPB. Chamam de releitura. E eu continuo chamando de mau gosto.
Ninguém é dono da verdade para dizer isso é bom ou ruim. No fundo, tudo se resume a gosto - e uma dose significativa de mercado, vamos combinar. Só sei que toda vez que coloco meu pen-drive no rádio do carro, com músicas de outro período, meus dois filhos pedem para aumentar o som.
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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Proteção da Cachaça e da Tequila

O Brasil possui quase 2.000 produtores devidamente registrados. Estima-se que esses produtores possuam uma capacidade instalada de produção de aproximadamente 1,2 bilhão de litros anuais da bebida.
A declaração para o reconhecimento da Cachaça e da Tequila como produtos distintos do Brasil e do México foi assinada ontem pela presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto. Esse é o terceiro país a reconhecer a Cachaça como um destilado exclusivo do Brasil. O primeiro foi a Colômbia, em 2012, e o segundo foram os Estados Unidos, depois de mais de uma década de negociação dos produtores e do governo brasileiro.
As tratativas entre os dois países estavam em andamento há alguns anos, mas foi a partir de junho de 2014, com a renovação de um convênio firmado entre o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) e o Conselho Regulador de Tequila (CRT), que a movimentação em torno do processo de reconhecimento recíproco recebeu maior atenção do governo. O resultado final deste esforço conjunto entre as entidades representativas da Cachaça e da Tequila acontece agora.
A ida de representantes do Ibrac ao México no ano passado integrou as ações do Projeto Setorial de Promoção às Exportações de Cachaça firmado entre a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a entidade. A visita teve como objetivo a realização de ações de benchmarking com a Tequila com o intuito de melhorar o trabalho de promoção e defesa da Cachaça em mercados internacionais.
O convênio com a Apex-Brasil foi renovado em dezembro de 2014 e terá duração de dois anos.
O novo convênio prevê investimentos de R$ 1,3 milhão e conta hoje com a participação de 38 empresas, entre micro, pequenas, médias e grandes.
Ao longo dos dois anos, esse recurso será utilizado em ações de promoção da Cachaça no mercado internacional, especialmente em países prioritários do projeto: Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido.
Segundo Cristiano Lamêgo, presidente do Conselho Deliberativo do Ibrac, entidade representativa do setor produtivo da Cachaça, “a assinatura da declaração de reconhecimento é um momento histórico para a Cachaça e é o resultado dos esforços conjuntos entre o governo brasileiro e o setor privado”.
As exportações de Cachaça atualmente estão aquém do potencial de mercado e estima-se que apenas 1% do volume produzido é exportado. Apesar de ainda serem modestas, nos últimos 5 anos as exportações de Cachaça para o mercado mexicano cresceram mais de 611% (em valor) e 800% (em volume).
Com quase 500 anos de história, a Cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, tendo como matéria-prima exclusiva o mosto fermentado do caldo da cana-de-açúcar, com teor alcoólico de 38% a 48%. Atualmente é o 3º destilado mais consumido no mundo, sendo produzido em várias destilarias espalhadas pelo Brasil.
Com o reconhecimento da Cachaça, Lamêgo  acredita que as empresas aumentarão seus investimentos no mercado mexicano e isso poderá representar um bom aumento nas exportações.
O sucesso da Tequila no mercado internacional é um exemplo para a Cachaça. Enquanto em 2014 as exportações de Tequila representaram uma receita de mais de U$ 1 bi para o México, o Brasil exportou pouco mais de US$ 14 milhões do destilado exclusivamente brasileiro.
Outro ponto de destaque está relacionado à proteção internacional. Enquanto a Tequila é protegida em mais de 46 países, incluindo a União Europeia, a Cachaça está protegida em apenas dois (Estados Unidos e Colômbia). O México é a partir de agora o terceiro país a reconhecer o destilado brasileiro. Segundo o presidente do Ibrac, o reconhecimento da Cachaça pelo México tem um valor imensurável e impedirá o uso da denominação Cachaça por produtores de outros países. Cristiano também destaca a necessidade de assinatura de outros acordos para promoção, valorização e proteção da Cachaça, como destilado genuíno e exclusivo do Brasil, a exemplo do que tem feito o México com a Tequila e o Reino Unido com o Scotch Whisky.
Os números da Cachaça
·   O Brasil possui quase 2.000 produtores devidamente registrados, com 4.000 marcas.
·   Estima-se que esses produtores possuam uma capacidade instalada de produção de aproximadamente 1,2 bilhão de litros anuais da bebida, porém, anualmente são produzidos aproximadamente 800 milhões de litros.
·   Exportações: Em 2014 a Cachaça foi exportada para 66 países. Atualmente são mais de 60 empresas exportadoras (40 dessas apoiadas pela Apex-Brasil), gerando uma receita de US$ 18,33 milhões (10,18 milhões de litros). Comparando-se os números, em 2014, houve um aumento de mais de 10% em relação à 2013. Também houve um aumento de mais de 10% no volume, sendo exportado um total de 10,18 milhões de litros em 2014.
·   Principais Regiões Produtoras: São Paulo, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Paraíba.
·   Principais Regiões Consumidoras: São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Bahia e Minas Gerais.

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Cego mesmo é quem só confia no que vê

É um absurdo existirem pessoas que negam o invisível só porque seus olhos não enxergam.
A própria configuração de expansão que o universo assumiu apresenta vestígios da intervenção gravitacional da matéria escura.
É possível acreditar na existência de coisas invisíveis? Certamente, como é o fato astronômico da matéria escura. Essa substância estranha, que permeia 95% do universo é constituída de partículas nunca detectadas em laboratório, com massa superior à de átomos do universo observável.
O universo se resume ao que podemos ver? Definitivamente não. Canais de frequência ultravioleta, infravermelho, ondas de rádio, raios X radiação cósmica de fundo, magnetismo e diversas outras configurações energéticas já provam conclusivamente que o que os olhos podem ver não representa nem 0,0000001% do que existe e os melhores equipamentos e técnicas de captação de vibrações energéticas em frequências não visíveis aos olhos humanos estão ampliando nossa visão de uma realidade que os olhos humanos não podem ver, mas que é real e é incontestável: não pode ser negada nem discutida.
Desde os anos 30, o astrônomo suíço, Fritz Zwicky (1898-1974), provou que o universo não se resume ao que vemos, comparando as velocidades observadas de galáxias individuais do aglomerado de Coma com as velocidades calculadas a partir da massa total do aglomerado. Esses dados foram conseguidos pela relação entre massa e luminosidade, comparando os resultados obtidos com outros resultados de outras populações estelares já documentadas na época.
O resultado foi contundente: para explicar as velocidades significativas das galáxias do aglomerado essa estrutura deveria ser muito massiva, maior que sugeria sua luminosidade. Uma parte do aglomerado não brilhava mais e, portanto, segundo Zwicky, deveria ser formada por “Dunkel Materie” (matéria sombria).
Essa “matéria sombria” era composta de que? Inicialmente duas hipóteses permearam o ambiente científico dos anos 30: trata-se de uma nova forma de matéria, que nomeamos “matéria escura”, pela sua óbvia invisibilidade, ou matéria convencional emitindo luz muito fraca. De fato existe muita matéria no espaço que simplesmente não faz parte de uma estrela e por isso não brilha, é o caso da poeira estelar, não visível por não brilhar, mas detectável pelos efeitos gravitacionais que produz nos corpos celestes ao seu redor.
Mas essa matéria convencional, como o gás ionizado e a poeira cósmica, por exemplo, sem luz própria sempre é atingida por fótons das estrelas ao seu redor, absorvendo e refletindo o eletromagnetismo que recebem e assim podem ser captadas pelos aparelhos de leitura de frequência de onda de raios-x ou infravermelho.
As estrelas e a matéria detectável pelos instrumentos conhecidos são apenas uma pequena parte de toda a matéria contida no universo.
A física nuclear nos fornece mecanismos para que possamos pesar o universo.
A nucleossíntese primordial iniciada no primeiro segundo depois do Big Bang, gerou tanto calor que os prótons e nêutrons recém-formados não conseguiam se combinar para formar núcleos atômicos. Esse processo só começou no fim desse primeiro segundo, quando a temperatura caiu a menos de 1 bilhão de graus.
Nessa época o universo já era extremamente rarefeito: a densidade média da matéria não chegava a alguns gramas por metro cúbico, ou seja muito menos denso do que o ar atmosférico. O período em que o Universo não era nem muito quente, nem muito frio para permitir que prótons e nêutrons se combinassem formando hélio foi relativamente curto (alguns minutos apenas). Além disso, para a combinação ocorrer, é preciso que prótons e nêutrons se encontrem, o que é muito mais provável quando o número de partículas por unidade de volume é mais elevado. Portanto, se conhecermos observacionalmente a quantidade de hélio produzida durante o Big Bang é possível inferir a densidade de matéria à época. E a partir daí deduzir informações sobre a densidade atual, desde que o fator de rarefação devido à expansão cósmica seja conhecido.
Observações de galáxias distantes, como estrelas que mal tiveram tempo de produzir grandes quantidades de hélio, indicam que aproximadamente 24% da matéria convencional é formada por hélio, o que indica, segundo as leis da física nuclear, que a densidade média da matéria atualmente é de aproximadamente 0,2 prótons /m³. Isso representa mais do que podemos obter por observação direta ,mas está longe do suficiente para explicar as velocidades das estrelas em galáxias, e de galáxias em aglomerados galáticos.
Podemos determinar a composição do universo em termos de matéria convencional de forma talvez ainda mais indireta, estudando a primeira luz emitida – a radiação cósmica de fundo. Essa radiação foi emitida quando o universo tinha cerca de 370 mil anos e representa praticamente uma fotografia dos confins do cosmos observável àquela época.
Como a gravidade é uma força que atrai para regiões densas, a matéria começou a se distribuir de forma cada vez mais irregular no universo. Por isso, o universo jovem era muito homogêneo, o que se traduz na radiação cósmica de fundo por uma grande uniformidade de temperatura na direção de observação.
Podemos então determinar facilmente qual seria o grau de heterogeneidade do universo para que ele fosse composto unicamente de matéria convencional e, em seguida, comparar esse resultado com o mapa da radiação cósmica de fundo.
A diferença aparece no tamanho e é nítida. Se o universo jovem fosse formado apenas por matéria convencional, deveria ser 100 vezes mais heterogêneo que o observado e assim seria impossível ter acomodado a matéria escura.
As leis da gravitação são universais, o que significa que a matéria convencional e a matéria escura sofrem os mesmos efeitos do campo gravitacional. Mas elas não se distribuem da mesma maneira no universo, pois a matéria convencional interage com a luz: um átomo que absorve um fóton emite um elétron; um íon que captura um elétron emite um ou vários fótons. Esses processos fazem a matéria convencional perder energia por radiação. Já com a matéria escura ocorre exatamente o contrário. Como ela não reage com outras partículas conhecidas, não emite quantidades significativas de luz. Como consequência, a matéria convencional capturada no interior de uma concentração de matéria escura dirige-se para o centro dessa formação, dissipando energia como um satélite que perde velocidade devido ao atrito com as camadas mais altas da atmosfera.
O telescópio do projeto SDSS (o mais ambicioso levantamento astronômico da história, que pretende mapear 25% do universo observável), situado no Apache Point Observatory, no Novo México, Estados Unidos, com uma poderosíssima lente de 2,5 metros de diâmetro, determinou a posição e distância de quase 1 milhão de galáxias. Sua distribuição espacial mostra a mesma alternância característica de filamentos e regiões vazias, explicadas com a suposição da presença da matéria escura com abundância igual à que deduzimos mediante a leitura dos dados obtidos pela sonda Planck.
Todas as evidências apontam para uma matéria que interage com o campo gravitacional, pode se aglomerar e interferir na expansão das galáxias e aglomerados, mas não interage diretamente com as partículas conhecidas pela física nuclear, dando respaldo ao que os cientistas físicos da mecânica quântica chamam de anti-matéria.
Definitivamente quem crê só no que vê precisa aprender muito sobre a realidade.

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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Entre caixas de leite e melancias quadradas...

Outro dia, participei de uma atividade que me fez refletir sobre nossa atual maneira de pensar e considerar as coisas. O tema a ser discutido era sobre descobertas, invenções e inovações do homem. A primeira pergunta foi: “Quais foram as principais descobertas ou invenções do Homem?”, a maioria das respostas foi relacionada a “internet”, “computador”, “eletricidade”. É claro que o desenvolvimento tecnológico, a internet e os computadores, foram e são importantes. Mas e se não tivéssemos o fogo, a roda, a matemática, a linguagem ou o papel, essas outras invenções existiriam?
Outra pergunta foi: “O que vocês acham mais inovador, uma melancia quadrada ou esta caixa de leite achocolatado com baixo teor de gordura?”. Percebi que fazia muito sentido as pessoas responderem sobre a melancia, considerando que vivemos em uma sociedade baseada na imagem. Super valorizamos como as coisas se parecem, o que tem por trás disso, ou o processo que levou ela a se parecer com o que ela é, é bem menos interessante. Além do mais, os produtos inovadores, diferentes, são completamente mais atraentes do que aqueles já ultrapassados e incansavelmente vistos, como uma banal caixa de leite. 
Precisei explicar minha opinião, já que fui a única a responder que era o leite.
Defendi que o processo realizado para que a melancia ficasse quadrada, era simplesmente colocá-la em uma caixa durante o seu crescimento. Contudo, para que o leite ficasse como consumimos hoje, precisou passar por um processo muito mais apurado. Desde sua coleta até o tratamento recebido em uma fábrica, para mudar a sua estrutura, como o colesterol. Além do mais, o achocolatado é adicionado, e também vem dentro de uma caixa (ambos invenções do homem). Ou seja, numa simples caixa de leite achocolatado de baixa gordura, temos uma infinidade de processos e invenções do homem, enquanto que, no caso da melancia quadrada, a grande revolução é a caixa que a melancia é posta, o resto segue como o processo normal de crescimento da fruta.
A questão principal que tento trazer aqui, nada tem a ver com melancias ou caixas de leite, mas com a forma como as coisas são pensadas e vistas. O quanto ainda somos, mesmo tão modernos, limitados em nossos pensamentos. Deixamos de lado a história das coisas, esquecemos todo o processo de evolução da qual passamos para ser o que somos hoje, para ter o que temos hoje. E, me permitindo ampliar o assunto, muitas vezes utilizamos dessa “linha de pensamento”, com as outras pessoas e com as outras áreas da nossa vida. Acredito que essa seja a parte mais preocupante. Portanto, me parece sempre válido reavaliar.
 Às vezes pensamos coisas do tipo: “Se eu sair de casa sem o celular vai ser um problema!”, mas não percebemos que um sorriso, ou um “boa tarde” para as pessoas do trabalho serão mais significativos do que estar com o celular; que aquele amigo ou colega com a qual se está discutindo, ou a família, que muitas vezes é rejeitada, mesmo cheia de defeitos, também farão muito mais falta do que um celular.
Refiro-me aqui, sobre uma visão social, vivida em diferentes intensidades, mas que é encontrada, cedo ou tarde, no discurso de qualquer pessoa. Evidentemente, focamos mais, em nosso cotidiano, no que nos é novidade. Hoje as pessoas passam mais tempo nas redes sociais, do que nas rodas de chimarrão, por exemplo. Ou seja, não foram os meus colegas que me surpreenderam, pois eles são apenas a parcela de uma totalidade. Com certeza, essa visão está em todos nós, por estarmos em uma sociedade capitalista, expressa e individualista.
Sugiro a nossa reflexão e que possamos diariamente nos perguntar: Hoje estou optando por melancias quadradas ou por caixas de leite achocolatado de baixa gordura?


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Como evitar a traição financeira entre casais

Uma pesquisa feita pelo SPC Brasil mostra que 23% dos casais endividados brigam por causa de dinheiro. Outra parte do estudo indica que quase 35% das pessoas não informam para o companheiro todos os gastos pessoais.
A transparência é procedimento fundamental para manter o orçamento familiar equilibrado. Porém, esse assunto ainda parece um tabu presente em muitos casamentos, inclusive aqueles de décadas, e deve ser derrubado.
O casal precisa conversar para definir como administrar as contas, ao colocar na ponta do lápis ou em uma planilha as despesas comuns, como gastos certos de todo mês, prestações do cartão de crédito, possibilidades para poupar e preços dos itens menos essenciais na rotina.
Depois, é preciso levar em conta os salários para definir qual a contribuição que cada um terá para as contas, seja em valores brutos ou em percentual. No caso de profissionais liberais, isso pode variar a cada mês, porém o planejamento com o outro e o diálogo também podem evitar brigas.
Uma conta e cartão de crédito conjuntos também são opções para os casais. Neste caso, a sugestão é semelhante: muita conversa para definir se a melhor alternativa é uma conta para os dois, uma para cada ou contas individuais e outra para o casal. Não há uma regra, mas é preciso identificar se há um desconforto em compartilhar as informações de todos seus gastos.
Dispensar as despesas que não são necessárias, contar com a ajuda do parceiro, confiar no outro, dividir as contas de forma justa e, acima de tudo, o diálogo constante são fatores que garantem um orçamento planejado e uma vida financeira saudável ao casal.
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terça-feira, 26 de maio de 2015

Palhaços num país surreal

Definitivamente, o Brasil é uma nação surrealista. Uma peça de ficção, tamanhos são os absurdos que ocorrem neste país rico para poucos, miserável para muitos, pobre para a maioria. Exemplos? Alguns. Presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pretende criar projeto criminalizando o uso de arma branca, "inspirado" pelos assaltos e assassinatos por faca na capital fluminense. O nobre parlamentar, como é hábito dos políticos - quer atacar as consequências e jamais as causas da violência - as facas são culpadas, nunca os criminosos e o contexto que os levam à criminalidade.
Outra da Câmara: a reforma política tramita há décadas na casa, sem solução. Cunha comprou a briga e, garante, vai bancar as mudanças. Mas, se aprovadas, a tendência é valer apenas a partir de 2022, com eleições unificadas (vereador, prefeito, deputados, governadores, presidente). Em 2016, talvez somente o voto distrital para vereador. Talvez. Os partidos de oposição, liderados pelo PSDB, entram com ação criminal contra a presidente Dilma Rousseff.
Não acham "prudente" pedir o impeachment, por conta da falta de provas concretas. Está claro, não estão interessados na saída da presidente e sim em fritá-la em fogo brando e lento, até 2018, mesmo que surjam elementos suficientes para incriminá-la. Os casos kafkianos abundam diariamente, tornando-se banais e torrando a paciência nossa de cada dia. Quer ver: às vezes a oposição vira situação e vice-versa. Partidos aliados - e com cargos - votam a favor de projetos de interesse do governo e depois - nos programas gratuitos de TV - se dizem opositores e malham medidas que eles próprios ajudaram a aprovar para ferrar a sociedade. Encerrando: a Caixa Federal restringiu o financiamento da casa própria, aumentou juros e outras maldades, certo? Em contrapartida, patrocina boa parte dos grandes clubes brasileiros com o dinheiro do povo.
Falta dinheiro à área social, sobra grana pra sustentar pernas de pau a peso de ouro, cobrir o rombo e não raro a corrupção galopante em diversas agremiações. E os Correios? Patrocinam até circo - e nos fazem de palhaços.
Ação criminal
Partidos de oposição protocolam hoje na Procuradoria-Geral da República ação por crime comum contra a presidente Dilma Rousseff. A representação está fundamentada em documentos que comprovam ilegalidades nas "pedaladas fiscais" de 2013 e 2015. O governo utilizou recursos da Caixa, do BNDES e do Banco do Brasil, artifício vedado pela lei. Dilma também será acusada de falsidade ideológica. O assunto é altamente explosivo.

Impeachment
Pedido de impeachment do governador Beto Richa (PSDB-PR) foi entregue ontem à Assembleia Legislativa. O documento contém 6 mil assinaturas e foi protocolado por juristas e professores universitários. Richa é acusado de crime de responsabilidade, por conta das agressões de policiais contra manifestantes durante protesto de professores.

Blefe
Governo aumentou alíquota de contribuição dos bancos de 15% para 20%. Muito bem. Hurras. Aplausos. E vaias! Isso porque os bancos vão transferir a conta para os clientes. Mais uma vez quem pagará o pato é o povo. Balela. Cortina de fumaça. Objetivo: passar a ideia de que o "ajuste fiscal" não recairá apenas sobre os ombros da população.

Maldade
As sessões de hoje e amanhã no Senado serão decisivas para a avaliação do "pacote de maldades" do governo Dilma Rousseff, malandramente denominado de "ajuste fiscal". As medidas provisórias 664 e 665 restringem direitos trabalhistas e previdenciários. As MPs encontram resistência entre os senadores, inclusive petistas, como é o caso de Paulo Paim (RS) e Lindbergh Farias (RJ). Eles irão manter posição?

Agora vai?
Reforma política monopoliza a atenção da Câmara dos Deputados. Ontem reunião de líderes definiu a forma de votação da matéria. Hoje se iniciam as análises das diversas questões, começando pelo "distritão". O modelo acaba com o atual para eleger deputados e vereadores e determina a eleição dos mais votados.

Trabalho
Em estudo no governo federal plano para reduzir a jornada de trabalho e de salário em alguns setores da indústria, sobretudo automobilística. Os percentuais ainda não estão definidos. Especula-se, serão 30% no horário de trabalho e 15% nos salários. O projeto conta com apoio de centrais sindicais. O desemprego ronda os lares brasileiros.


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Dentro de cada indivíduo, suas famílias

Cada pessoa é uma história, ou melhor, carrega em si muitas histórias. Misturam-se e juntam-se não só os genes de gerações passadas, mas também as experiências vividas, sofridas, choradas e felizes das muitas pessoas das diversas famílias anteriores. Ao longo dos anos que antecederam a vinda de alguém, as mudanças que pouco a pouco alternaram não apenas a forma, mas o jeito de ser para tudo aparecer como aparece um dia. E cada indivíduo se organiza de maneira distinta e diferente, se reinventa em cada momento e em cada movimento.
Nas famílias existem linguagens peculiares, únicas, eficientes, as quais mantêm os laços sólidos nos processos da comunicação ou mesmo deixam que tudo caminhe por si só, distanciando cada um do núcleo familiar.
Existem muitas composições familiares e hoje todas são visíveis e mais transparentes. Se tornaram assim pela própria necessidade de aceitação pelos outros e pela sociedade. Somos seres que necessitamos do olhar do outro, da aprovação dos outros para que haja um espaço amplo e aberto para um bom e saudável desenvolvimento.
Esta pluralidade muitas vezes provoca inquietações em outros núcleos mais conservadores, pois frente aos desiguais e diferentes há uma desacomodação, um caminho desconhecido que desestabiliza o que parece que está andando certo. Então acontecem as discussões intermináveis do que é certo e do que e errado, atrapalhando consideravelmente o desenvolvimento das relações mais adequadas entre as pessoas. Discussões permeadas por preconceitos, por princípios religiosos rígidos e não por princípios sociais que visem ao ser humano.
Desta forma, com os preconceitos ativados, acontecem as violências, pois não há aceitação das diferenças e se luta insanamente por modelos únicos, desconsiderando que as pessoas são sempre seres que se formam de múltiplas maneiras e não existe uma forma universal de ser ou constituir família.
Assim, quando no espaço familiar deveria existir afeto, apoio e segurança, vemos incessantemente as agressões e violências contra seus próprios membros acontecerem diariamente e constantemente. O lugar do afeto se torna o lugar da destruição. Crianças se acanham e tentam se esconder com medo; mulheres se submetem aos maus-tratos, perdendo a dignidade e os homens se tornam os demônios aterrorizadores, mas também são uns trapos humanos, envolvidos com drogas e álcool. Isso tudo na grande maioria dos casos.
Incansavelmente precisamos estar atentos às famílias, lutar para que nesse espaço cresçam crianças mais saudáveis; que as mulheres sejam mais respeitadas e elas próprias se tratem com carinho; que os homens não temam tanto o que não podem controlar e que as relações entre todos seja um caminho para o bom desenvolvimento das diferentes pessoas que compartilham alguns pontos comuns em suas histórias e formam uma família. Que nessa construção das novas famílias seja sempre aproveitado o bom que se herdou e se possa modificar o que precisa ser melhor. Tudo se reinventa, desde que deixemos fluir nossa capacidade para nos vincular.

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segunda-feira, 25 de maio de 2015

A Síndrome do vencedor

Conviver com pessoas diferentes de você é uma experiência muito intensa para quem resolve não se ferir com o modo de ser dos outros. Uma das coisas que eu mais tenho visto ao meu redor são as disputas sem causa. Disputas de ego, regidas pela ausência de aprovação própria.

Hoje eu percebi que tem muita gente contaminado pela Síndrome do Vencedor. Deixe-me lhe explicar, essa síndrome provavelmente não existe, mas é o nome que eu dei para o comportamento de algumas pessoas. Tem gente que não suporta conviver com outras no ambiente profissional, e por esse motivo, torna-se uma causadora de problemas. Essas pessoas tentam de todo modo, pôr defeito nos colegas e prejudicar quem nada fez por merecer.

Essas pessoas sem dúvidas têm síndrome de vencedor. Elas precisam sentirem-se superiores aos outros e por esse motivo, se preciso, até inventam defeitos para quem os cerca. Elas miram nos outros e pensam. Esse aí quer me derrubar. Não ver o jeito dele? Ele quer ser melhor que todo mundo.

Apesar de contraditório a sídrome de vencedor, expressa claramente carência de atenção e insegurança extrema. Uma pessoa saudável, quando nota suas limitações busca melhorar, mas o portador da Síndrome do vencedor não. Ele culpa o outro por aquilo que ele não tem. Essas pessoas possuem uma grande capacidade de fingir gostar dos outros, por essa razão são perigosas para quem tem caráter.

O esperado numa empresa é que cada um desempenhe seu papel como funcionário. O papel de fiscalizar fica para o gerente ou para o encarregado. Colegas de trabalho extrapolam suas funções quando não se limitam apenas a exercer apenas a função dos cargos que ocupam. Exemplo: é função do cozinheiro cozinhar, ele não tem autorização para opinar no trabalho do administrador, pois não possui competência legal, nem profissional para isso.

Cada profissional, deve buscar manter bons relacionamentos pelo bem das empresas que os contrataram. Uma empresa onde os funcionários tem a mesma visão, tudo flui melhor e com mais leveza. Eu não aceito sugestão de alguém que não possui especialização na área que atuo, exceto se eu pedir. Por esse motivo é fundamental que cada um se atenha a fazer exatamente aquilo para o que foi contratado e não busque interferir no trabalho dos colegas.

A síndrome do vencedor tem cura e o tratamento não custa nada. Basta que cada um  de nós estejamos comprometidos com o próprio melhoramento pessoal. Se cada um olhar para si e não para o outro, nem para o trabalho do outro, os conflitos não existirão e possíveis problemas de relacionamento não existirão. Olhe-se!




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“Sociedade deformada produz maus cidadãos”

Como o faço desde 9 de fevereiro de 2011, sem falhar um só sábado. Este inicio com o meu pensamento vagueando sem destino, como se tivesse sendo uma folha seca levada pelo vento em momento de muita preocupação.
Estamos vivendo em tempo de desonestidade, que significa ser indigno, torpe, desprezível e devasso. É doloroso moralmente, diante do silêncio de “Excelências” que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito, sobre a Operação Lava Jato, ouvir de cabeça erguida e impáfia, cantando música de Roberto Carlos, Nelma Kodama, presidiária e amante, durante 9 anos, do doleiro Alberto Youssef,  que “sem corrupção o Brasil para. O Brasil parou com a Operação Lava Jato”. Pergunto aos amigos de todos os sábados. Ela falou verdade ou não?
Em outras declarações advogados e empresários presos disseram que “a propina faz parte do jogo se a ampresa quiser vencer a concorrência”.
A desonestidade é no Brasil a regra e a exceção, a honestidade. Os que tentam ser honestos são alvos de grande pressão e muitos pagam preço muito alto. Mas quero chegar no porquê de tantos homens públicos, a grande maioria, estarem envolvidos em constantes e seguidas ações desonestas, já não sentindo na face o rubor da vergonha, achando-se ainda perseguidos pela imprensa, chorosos na televisão, humildes e demonstrando inocência.
Penso até que o culpado é o povo eleitor, que elege para a administração pública, representantes que não tem outro interesse senão o de vantagem pessoal. Em campanhas fazem as melhores promessas de trabalho e o povo acredita. Não as cumprindo, são vedadeiros desonestos que vão se juntar a outros que se encontram enraizados neste campo de atuação política.
Assim, busco Dan Ariely, professor israelense de economia comportamental, que já foi tema de um artigo nosso, em frases: “Se você colocar uma pessoa claramente desonesta na sala, isso aumenta a tentação à desonestidade nas outras pessoas.” Em testes feitos, Ariely plantou junto a um grupo de pesquisados, um aluno seu, que visivelmente trapaceava. Na companhia desse, o número de trapaceiros duplicou. Ariely afirma categoricamente: “Fraudar é infeccioso.”
Em reportagem do jornalista e maçom Helmiton Prateado, intitulada “A retomada dos deveres”, aqui no Diário da Manhã, edição de 18 de maio, declarei: “Estamos vivendo um momento que o importante é ter sucesso na vida a qualquer custo, independente de causar malefícios para nossa existência, para nossas famílias e para nossa sociedade. Isto corrompe o sentido da cidadania, que é formar cidadãos corretos, honestos, que desenvolvem suas lutas e se tornam bons empresários, bons políticos, bons chefes de família.”
Práticas assim corrompem o sentido de cidadania. A origem do malefício que provoca degradação, reside em vícios morais difundidos por veículos e mídia deploráveis e programas de televisão que corroem costumes, como novelas e seriados imorais. Sociedade deformada produz maus cidadãos. Podemos ter claro que a próxima geração deverá ser pior que a atual, porque estamos formando nossos jovens assim. A fábrica em que estamos fazendo nossa mocidade é de uma cidadania de êxito, sem levar em consideração qualquer valor.
A política do Brasil na atualidade é incentivadora para o mau cidadão, para a corrupção. É preciso retomar o trabalho de construir bases para a virtude e para a cidadania com urgência, pensando nas duas gerações à frente. Recolhi algumas frases que mais ainda fortalecem minha inquietação.
“A honestidade nos negócios é coisa do passado, e os que tentam ser honestos estão condenados ao fracasso.”
“Meu trabalho é fechar contratos para minha empresa. Ofertas de suborno são comuns. A tentação de ganhar dinheiro fácil é grande.”
“Os empregados talvez achem que recorrer à desonestidade é o único modo de atingir as metas dos patrões e gerentes.”
“Nós pensávamos que tínhamos que fazer isso… De outra forma, a empresa iria a falência.”
“Colegas de trabalho e clientes às vezes sugerem ou até exigem, que você participe de esquemas desonestos.”
“Um gerente de um importante cliente disse que não faria mais negócios comigo se eu não lhe desse sua parte.”
“Em muitos países, autoridades corruptas exigem um pagamento antes de realizar suas obrigações e aceitam prontamente dinheiro em troca de tratamento especial.”
“É sempre dificil distinguir uma gorjeta  de um suborno.” “A desonestidade é considerada normal, necessária e aceitável, desde que você não seja pego.”
É incrível que as pessoas que fazem algo desonesto, como estamos assistindo pelas televisões no presente momento no Brasil, se consideram honestas, tentando transmitir que o seu comportamento foi correto e que estão sendo injustiçados. Vivemos a época de que a desonestidade só é criticada quando descoberta e as pessoas que conseguem se safar são consideradas espertas por sua “criatividade”.
Concluo com a pesquisa de Dan Ariely. “Um por cento das pessoas é sempre honesta. Um por cento, sempre desonesto. O problema é com os outros 98%.” Para onde você acha que vão os 98%?
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