O psicólogo Jonathan Haidt publicou, no ano
passado, o livro “A Geração Ansiosa: como a infância hiperconectada está
causando uma epidemia de transtornos mentais”, obra que se tornou
imediatamente um bestseller internacional. Haidt esteve no Brasil para promover
o livro, e quem tiver interesse pode encontrar na internet a entrevista que ele
concedeu ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Professor da Universidade de
Nova York, Haidt já foi apontado pelas revistas Foreign Policy e Prospect como
um dos maiores pensadores da atualidade.
Crianças e
adolescentes em perigo
Segundo
o psicólogo americano, crianças e jovens estão em perigo, tornando-se vítimas
de uma epidemia de transtornos mentais. Desde o início dos anos 2010, a
infância tradicional — marcada por brincadeiras ao ar livre e interações
presenciais — vem sendo substituída por uma infância centrada nos celulares e
nas redes sociais. Esse novo padrão de comportamento transformou-se em um
verdadeiro vício e provocou o aumento das taxas de depressão, ansiedade,
insônia e insegurança social. O uso excessivo das telas estaria afetando o
desenvolvimento do córtex pré-frontal, região responsável pelo autocontrole e
pela tomada de decisões, especialmente vulnerável durante a
adolescência.
As meninas
são mais afetadas
Jonathan
Haidt destaca que as redes sociais afetam mais as meninas, sobretudo por meio
da comparação social e do bullying digital. Estudos apontam uma relação entre o
uso intenso de mídias sociais e o aumento de casos de suicídio entre
adolescentes do sexo feminino. Já os meninos tendem a se refugiar em jogos e
mundos virtuais, o que pode gerar isolamento. O fato é que a dependência das
telas se transformou em uma espécie de “cracolândia digital”.
Planos de
ação para reduzir os malefícios do excesso digital
Haidt
defende que sejam propostos, com urgência, planos de ação envolvendo pais,
escolas, empresas de tecnologia e governos, com medidas para reduzir o tempo
dedicado aos celulares e tablets. Ele sugere a proibição do uso de celulares
nas escolas e o incentivo a interações presenciais. As escolas deveriam incluir
no currículo aulas sobre os efeitos das redes sociais. Os pais, por sua vez,
deveriam evitar que seus filhos tenham acesso às redes sociais antes dos 16
anos e estabelecer horários sem telas, como durante as refeições ou antes de
dormir. Também precisam estimular brincadeiras presenciais e atividades
físicas, especialmente aquelas que envolvam cooperação e movimento. Além disso,
é importante que reflitam sobre o próprio uso de telas e redes sociais, pois o
exemplo tem grande impacto. Os governos, por fim, deveriam formular políticas
públicas para limitar os malefícios associados à dependência das telas e das
mídias sociais.
Celulares
trocados por livros
Haidt
cita o exemplo da escola The Boy’s Latin School, no estado de
Maryland. A instituição eliminou o uso de celulares e ampliou os horários de
recreação para alunos do ensino fundamental e médio. Menos tempo de tela, mais
diversão. Como resultado, os meninos ficaram mais focados, conectados e
engajados em atividades com os colegas. Alguns chegaram a dizer que sentiram
alívio por não ter o celular no bolso.
Aumento do
interesse pelos livros
Vários relatos indicam que escolas que limitaram o
uso de celulares observaram um aumento significativo no interesse dos alunos
pelos livros — fato comprovado pelo crescimento expressivo no número de
empréstimos nas bibliotecas escolares. Adam Grant, popular escritor científico
e professor da prestigiada Wharton School da Universidade da
Pensilvânia, cita o exemplo de uma escola em que os alunos passaram a pegar 2,3
vezes mais livros emprestados. Aumentos semelhantes foram registrados em outras
instituições, segundo Grant. É impressionante o que acontece quando as
distrações do celular são eliminadas. Sem smartphones, as crianças se tornam
mais atentas — e, em muitos casos, mais inteligentes.

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