quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Hortas comunitárias, o “jogo do ganha-ganha”



Começo com três perguntas ao leitor:
1) quantos terrenos sem uso você vê quando transita pela sua cidade?;
2) você sabia que, desde a Constituição de 1946, foi normatizado o conceito de “função social da propriedade privada”?
3) você sabe quanto custa ao proprietário manter um terreno ocioso?
Agora, avancemos à questão principal, para a qual busco trazer ao debate neste texto. Em grande parte das cidades, durante seu processo de crescimento populacional, a tendência é de que os espaços mais centrais sejam mais densamente ocupados, seja por áreas residenciais ou comerciais e de serviços.
E que a própria área mais urbanizada vá se expandindo. Consequentemente, aquelas áreas anteriormente destinadas a pequenas hortas, pomares e granjas, produzindo alimentos para consumo próprio e comercialização, vão sucumbindo a esta nova ocupação de espaços. Assim, as áreas produtoras passam a estar cada vez mais distantes dos grandes centros consumidores.
Isso traz, entre outras consequências, um aumento dos custos de transporte (pela maior distância) e mesmo “quebra” de alimentos durante este mesmo transporte. Mais ainda: torna as cidades menos verdes (ou mais cinzentas?), menos permeáveis, menos saudáveis, bem como afastam as populações do convívio com a natureza. Fácil constatar esta última questão: quantas crianças jamais viram, de perto, uma vaca (“o leite vem da caixinha?”), um porco ou mesmo uma galinha? Pode ter certeza de que não são poucas!
Diante desta realidade, muitas cidades têm investido no que se convencionou chamar, modo geral, de “hortas comunitárias”. Essas consistem nada mais do que aproveitar espaços urbanos ociosos (afastados do tal “fim social”) para, através da coordenação de esforços entre o poder público e a comunidade, desenvolver em tais terrenos hortas (ou pomares, ou ainda granjas) que produzirão alimentos mais próximo aos consumidores finais.
Pra não me alongar, vou listar, de modo bruto, algumas vantagens de tais iniciativas: alimentos mais baratos e saudáveis, se aplicada a agricultura orgânica; menor perda de alimentos no transporte; promoção de atividade para pessoas da terceira idade; contato das crianças com as atividades “rurais”; possibilidade de inserção de atividades práticas nas escolas (química e biologia, por exemplo, a partir da adequação do solo, observação do plantio, etc.); recuperação do sentido de convivência entre membros de uma comunidade, através do trabalho conjunto/coordenado (convivência perdida nesta época de condomínios fechados e grades nas portas e janelas); diminuição de terrenos baldios, onde proliferam lixo e contaminação; fim de locais que servem de “esconderijo” para assaltantes à espera da próxima vítima... Enfim, é uma lista enorme de benefícios, aos quais cada leitor certamente poderá acrescentar outros.
Projetos assim não são novidade, é claro: existem, há algum tempo, em muitas grandes cidades do mundo, como Londres, Porto (Portugal), Nova York (lá já são mais de 900!)...
 Também já as temos em várias cidades do Brasil, com projetos bastante interessantes e com excelentes resultados. Mas, ainda assim, é um tema bastante atual. Basta ver que, no prêmio Jovem Cientista do CNPq deste ano, divulgado no meio do ano, o 1º colocado na categoria Ensino Superior foi para um estudante de arquitetura da Universidade Federal da Fronteira Sul (Erechim), com o trabalho “Modelo de agricultura urbana como inovação no processo de abastecimento de alimentos”.
Mas todas essas iniciativas, via de regra, carecem não apenas do comprometimento das comunidades.
Antes de tudo, há que existir a iniciativa dos órgãos públicos, com a aprovação de lei que regule a implantação e o funcionamento das hortas comunitárias, bem como promova, sustente e estimule a ideia. No caso dos terrenos privados, via de regra a estratégia é oferecer descontos ou isenções de IPTU aos proprietários que aderirem ao projeto, “emprestando” (via comodato) o espaço a ser explorado de forma comunitária.
 E aí que entra o tal jogo do “ganha-ganha”, onde o dono do terreno economiza em IPTU, nos custos da manutenção do terreno, etc. E isso tudo só depende de vontade política, através de Projeto de Lei.
Com relação à coordenação e estímulo, se a ideia for dar a devida dimensão a um projeto deste porte, é preciso designar uma estrutura (mínima que seja) totalmente focada no objetivo.
O projeto deve prever também a capacitação das pessoas que cuidarão de tais espaços (as comunidades rurais podem ser partícipes, com sua ‘expertise’), bem como convênios com outros órgãos (de quaisquer esferas) para apoio estrutural e técnico. Escolas e universidades, por óvio, também devem ser chamadas a participar. Mas, antes de tudo, é preciso reunir interessados (independente de “bandeiras”) para debater e, desta forma, agregar sugestões que contribuam para uma melhor formatação de um eventual projeto.
Enfim, o que se propõe aqui não é inventar a roda, mas sim buscar subsídios onde tais iniciativas já demonstraram todo o seu potencial, principalmente em uma época onde a alimentação saudável, a segurança alimentar e o bom convívio social são temas cada vez mais prementes em nível mundial.
E o interessante disso é que, ainda que pensando globalmente, podemos fazer nossa parte, agindo de forma local. E com ganhos para todos!

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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Americana que pesava 18 kg mostra recuperação pós-anorexia bancada com doações online



Rachel conta que vários hospitais não a aceitaram por considerarem seu caso arriscado demais
A americana Rachel Farrokh, de 37 anos, causou comoção na internet em abril passado ao publicar um vídeo em que pedia ajuda para não morrer.
"Sofro de uma anorexia grave há mais de dez anos e, com meu peso atual, a maioria dos hospitais não me aceita", contava ela, com voz embargada, no apelo. "Mas há um (hospital) na outra costa do país que me aceitou".
Quando gravou o depoimento, em sua casa em San Clemente, no Estado da Califórnia, Rachel estava com apenas 18 quilos. O vídeo já foi assistido mais de 4,3 milhões de vezes.
"Nunca fui uma pessoa de pedir ajuda, mas preciso da sua, senão não terei uma chance. Estou pronta para melhorar."
A reação do público superou as expectativas. A meta era arrecadar US$ 100 mil (R$ 370 mil) para seu tratamento. Até hoje, as doações já somam mais de US$ 200 mil.
Com o dinheiro, ela conseguiu ser admitida primeiro em um hospital em San Diego, no mesmo Estado em que vive, e depois transferida para uma clínica em Portugal. Antes, havia sido rejeitada por diversos hospitais que consideravam seu caso "arriscado" demais.
Os tratamentos parecem ter funcionado. No fim do mês passado, Rachel participou de um evento em Washington D.C. para conscientizar sobre a gravidade dos distúrbios alimentares e apareceu em público com um aspecto bem mais saudável do que no vídeo que a tornou famosa.

"Eu tenho uma família enorme agora, e ela é o mundo inteiro", disse Rachel à emissora NBC4 sobre o apoio que recebeu nos últimos seis meses.
Em outubro, Rachel apareceu bem mais saudável em evento em Washington D.C.

Recuperação

Rachel vem compartilhando sua experiência e as etapas de seu tratamento por meio da página "Rachel's Road to Recovery" (A Estrada de Rachel rumo à Recuperação, em inglês) no Facebook. Ela contou como a vontade de perder peso foi se tornando uma obsessão e como isso resultou na anorexia.
Na década em que conviveu com o distúrbio, passou por diversas clínicas, sem sucesso. "Eles estavam muito preocupados com meu corpo, e meu corpo não estava reagindo, porque eles (os médicos) não entendiam que meu cérebro precisava ser tratado também", afirmou ela à NBC4.
Ela resolveu pedir ajuda, porque seu marido, Rod Edmondson, havia abandonado seu emprego para cuidar dela 24 horas por dia.
Em sua página no Facebook, seu marido explica que um dos desafios era voltar a alimentá-la com regularidade, já que dar muitas calorias de uma só vez poderia acelerar demais seu metabolismo, o que levaria a uma perda de peso ainda mais intensa.
Segundo o médico de Rachel, ela está melhor, mas ainda tem 'longo caminho a percorrer'

'Respeito'

Em um texto publicado em agosto em sua página, ela conta que o tratamento que recebeu foi baseado em "amor e apoio para fazer o paciente se sentir seguro". "Fui finalmente tratada com respeito", conta ela.
Em um dos posts mais recentes, o médico responsável por seu caso, identificado apenas como Dr. Duarte, diz que Rachel vem conseguindo caminhar sozinha por 15 minutos por dia para desenvolver sua musculatura das pernas e equilíbrio.
"Rachel está melhor, mas ela ainda tem um longo caminho a percorrer", explicou o médico.
A BBC Brasil entrou em contato com Rachel, mas sua assessoria informou que ela não poderia conceder entrevistas porque ainda está fragilizada demais.
Enquanto se recupera, Rachel está decidida a se dedicar a campanhas sobre distúrbios alimentares e a conseguir a apoio para pessoas que estão passando pela mesma situação que ela.
"Estou animada com a vida, porque o fio de esperança que tinha se transformou em uma certeza de que vou sobreviver", escreveu ela no Facebook. "Meu objetivo nesta recuperação é conscientizar e educar para ajudar outros que estão lutando contra esta doença."
BBC Brasil.
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Etnocentrismo e ambiguidades


Há, em todos os grupos sociais, inegavelmente, uma tendência ao etnocentrismo.
Somos levados a fazer julgamentos sobre os "outros" a partir de nossos valores e de nossos modelos. Temos dificuldade de pensar a "diferença" como um dado histórico-cultural. Tememos aquilo que não nos é comum e familiar. Podemos ser levados, inclusive, à hostilidade ao "estranho", quando supomos que ele esteja a competir com os "nossos".
No geral, vemos o mundo de um ângulo de visão que parte do grupo a que pertencemos. A dificuldade de captarmos o "significado" de elementos componentes de outras pautas culturais, leva-nos à surpresa ante o inusitado que nelas se contém.
Até aí, porém, se nossa atitude viesse a se restringir ao apontamento do que nos é surpreendente, estaríamos, simplesmente, no terreno da mera e cordial curiosidade acerca dos diversos modos a partir dos quais foram construídas as sociedades humanas.
Entretanto, quando falamos da visão de mundo que parte de um grupo que haja exercido, ao longo da história, um ativo papel colonialista, então o etnocentrismo nele instalado tende a traduzir-se em sentimento de superioridade, capaz de gerar, no "outro", ressentimentos difíceis de sufocar para sempre.
Vale lembrar que o sentimento de superioridade, alimentado seguidamente por desígnios de cunho religioso, marcou as relações da chamada civilização ocidental tanto com sociedades tribais como também com sociedades culturalmente exóticas, sancionando, inclusive, verdadeiras ações de extermínio.
De outra parte, como decorrência do desenvolvimento inerente a seu próprio modelo civilizatório, os valores humanos ocidentais, que haviam sido secularmente construídos pelo ideário político e filosófico europeu, acabaram por desbordar do homem-típico a que se referiam (branco, cristão), para se tornarem, mais e mais, universais e sem fronteiras.
Aí, quem sabe, tenha-se uma explicação possível para a ambiguidade de sentimentos com que se depara a Europa, neste início de milênio: a necessidade da aceitação do "outro" como um "igual", ao lado dos compreensíveis temores (já não só temores...) relativamente à explosão de ressentimentos que não mais podem ser contidos.
Difícil escolher o caminho, sem o risco de negar uma longa trajetória humanista.

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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Você não sente a dor do outro

Talvez até imagine, comova-se, solidarize-se. Mas certas experiências são individuais e somente quem as tem consegue compreendê-las totalmente.


Certo dia, estava indo à rodoviária pegar um ônibus de Jerusalém a Tel Aviv. Era cedo pela manhã e, para quem não conhece, há um mercado público bem agradável não muito longe. Eu passei pelo mercado e, olhando aquelas gostosuras, fiquei tentado a parar. Olhei o horário dos ônibus e resolvi que se pegasse um lanche rápido na rodoviária mesmo conseguiria entrar no próximo. Então desisti do mercado, apertei o passo e segui em frente.
No caminho, ouço um barulho alto, parecia uma batida, mas não soube identificar muito bem. Chegando à rodoviária, ouço no rádio que um carro bomba tinha acabado de explodir – exatamente no local onde momentos antes eu estava parado, pensando se ficaria ali para comer.
O sentimento é desconcertante. Na hora, fui até o telefone público e liguei para os meus pais no Brasil para dizer que está tudo bem. Só com eles na linha sem entender muito o que eu estava dizendo me dei conta de que eles não sabiam onde eu estava e ainda não tinha dado tempo para a notícia chegar aos jornais internacionais, se é que chegaria.
Mais tarde, vendo as notícias na TV, fiquei sabendo que o terrorista se explodiu sozinho e não levou mais ninguém. Menos mal. Confesso que, por alguns dias, aquilo mexeu comigo, a imagem na TV de um carro explodindo, no exato lugar em que eu tinha parado alguns minutos antes.
Anos mais tarde, vi na TV que uma pizzaria que eu frequentava também explodiu. Um dos atendentes morreu, e fiquei pensando depois se eu o tinha conhecido.
Quando vemos uma notícia sobre algo que mal conhecemos, é extremamente difícil, senão impossível entender exatamente o que aquilo significa. Eu saí ileso, não tive um arranhão, mas o objetivo do “terror” é exatamente esse, e posso dizer que me lembro do sentimento de aterrorizado após o fato.
Seja na Internet, em livros, palestras ou o que quer que seja, costumamos ver palavras como superação e resiliência jogadas de um lado ao outro, geralmente bem fora de seu contexto. Tudo pode ser explicado, tudo pode ser relativizado. Alguém sempre vai dizer que tem alguém pior que você em algum lugar do mundo. Que tudo pode ser superado de acordo com a sua mentalidade.
Eu sempre tive um problema com isso. A verdade é que nossa experiência na terra sempre vai ser limitada. Você pode saber o que é ter uma bicicleta roubada, eu posso saber o que é levar um susto desses, alguém pode saber o que é ter uma doença grave. Por mais que se possam fazer relatos, a experiência subjetiva é de cada um.
 Quem sou eu para dizer que alguém que chora por que teve uma bicicleta roubada é menos digno do que alguém que lida com outro problema? Ninguém tem o monopólio sobre a condição humana. Provavelmente, eu nunca vou saber o que é ser um refugiado de guerra, nem nunca vou saber o que é perder tudo que tenho por uma queda de barragem.
E é por isso que fico horrorizado quando vejo julgamentos e justificativas, tanto na mídia quanto nos famosos “textões" de Facebook. Quando alguém minimiza um problema como é “apenas uma demissão”, “apenas um problema qualquer”, ou quando dão opinião realizando um julgamento sobre o que mal entendem, e talvez nunca vão entender.
Sim, sou a favor de colocar as coisas em perspectiva. Mas há tempo para tudo. É preciso, de vez em quando, se dar uma folga e dizer: sou só humano. É preciso, também, dar uma folga a todos os outros. Somos todos humanos, falhos e cada um com seus problemas.
Se não podemos entender a diversidade das experiências humanas, talvez o melhor seja apenas aprender a respeitar, dar o tempo de cada um, e estender uma mão no momento de se levantar.
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E as vítimas da violência aqui!!!


O terrorismo que vitimou dezenas na França chocou o mundo. Mas há, em andamento, outras cruéis realidades que passam despercebidas. No Brasil, em 2014, 58 mil pessoas morreram em função da violência. Isso equivale a um óbito a cada nove minutos, em média, no País. Diante de números tão dramáticos, os agentes do Estado Islâmico viram aprendizes na perniciosa escola da morte.  
O descaso brasileiro forja marginais diariamente.
 De nada adiantam políticas de inclusão, programas afirmativos, sem projetos duradouros. Como corrigir os problemas? Educação.
Há indivíduos que nascem em ambientes completamente desvirtuados, sem nenhuma referência moral. O desfecho é sempre o mesmo. Como a cabeça da Hidra, corta-se a cabeça do crime. No lugar, crescem duas. A ação das polícias tenta corrigir uma mazela que já criou raízes. Não se trata da ferramenta ideal de reparação social.  
Os dados de mortalidade constam do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O estudo revelou também um crescimento de quase 5% no número de mortes em relação a 2013 (55.878). O número, antes de 27,8 mortes a cada 100 mil habitantes, agora está em 28,9. No total, 58.559 pessoas morreram vítimas de homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e ações policiais em 2014.  
Se a frieza da matemática pudesse substituir a emoção de uma família que perde um ente querido, a dor seria amenizada. Somos, diariamente, punidos pelos erros dos outros. Um governo que não age, pais displicentes, escolas que não funcionam etc.
Sobreviver nessa selva de diferentes, na qual os valores cultuados são absolutamente opostos, é o desafio da sociedade pós-moderna. Especialmente a brasileira.
Não existe, na vida, anomalia maior que uma morte prematura. Ainda mais quando forçada por agentes alheios.
 A violência não se justifica em um País que, dizem as propagandas eleitorais, está fundando os pilares de um futuro brilhante e acolhedor.
Mais injustificável ainda é a impunidade. Os franceses sentiram o pavor do terrorismo somente neste ano.
O brasileiro está vacinado. A autoproteção faz parte de sua agenda.
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Novas regras para autoteste de HIV


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou mais uma arma no combate ao HIV. É o que possibilita a RDC da Anvisa, aprovada na última sexta-feira, que permite o registro no Brasil de autotestes para a triagem do vírus HIV e que poderão ser utilizados por usuários leigos.
O país passa a ser um dos poucos do mundo a adotar esta estratégia, buscando ampliar o acesso ao diagnóstico. A Agência atendeu ao Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, que solicitou o apoio para regulamentar a comercialização de autotestes de HIV em farmácias, drogarias, postos de medicamentos, serviços de saúde e programas de saúde pública.
O novo regulamento técnico tem como um de seus objetivos o impacto na redução da transmissão do vírus e na queda do surgimento de novos casos.
A RDC estabelece que os produtos deverão conter informações claras que indiquem seu uso seguro e eficaz, incluindo ilustrações como fotografias, desenhos ou diagramas sobre a obtenção da amostra, a execução do teste e a leitura do resultado.
A norma também responsabiliza os produtores no esclarecimento quanto à janela imunológica humana, que é o intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e a produção de anticorpos no sangue, bem como orientações de conduta do indivíduo após a realização do teste. Ao aprovar este regulamento, a Anvisa considerou também a agilidade da resposta ao indivíduo e a relação risco-benefício da testagem.
Vale ressaltar que se trata de um método para triagem: o resultado obtido no teste, seja positivo ou negativo, deverá ser confirmado por um serviço de saúde especializado em testes laboratoriais.
Outro ponto importante a se destacar é que o autoteste não poderá ser utilizado, de forma alguma, na seleção de doadores em serviços de coleta de sangue.
Para consolidar a RDC, a Anvisa estabeleceu para os produtores algumas prioridades, como a disponibilização de um canal de comunicação telefônico de suporte ao usuário 24 horas, durante os sete dias da semana, e uma embalagem contendo indicação do serviço Disque Saúde do Ministério da Saúde (136).
Estimativas do Ministério da Saúde apontam que cerca de 143 mil brasileiros desconhecem ser portadores do HIV.
Por conta disso, o governo brasileiro tem desenvolvido diversas estratégias para controlar a transmissão do vírus, estabelecendo políticas públicas que reforçam a ampliação do conhecimento das pessoas quanto à infecção pelo HIV e estimulando o acesso ao diagnóstico.

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Pagamos o pato e roemos o osso


A carga tributária excessiva, como ocorre no Brasil, encarece muito os produtos, retira rentabilidade das cadeias produtivas e reduz o poder de compra dos salários. Quando isso acontece no âmbito do ensino, é mais grave ainda, pois a escolaridade de excelência e a possibilidade de formarmos novas gerações com maior capacitação técnica e acadêmica são essenciais para vencermos a barreira do subdesenvolvimento.
A carga tributária brasileira vem crescendo paulatinamente, alcançando hoje 36% do PIB. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), nossa população trabalhará 151 dias em 2015 somente para pagar tributos federais, estaduais e municipais. Isso significa dizer que todos os valores recebidos pelos contribuintes até 31 de maio foram destinados a impostos, taxas e contribuições. Há 20 anos, esse número correspondia a 106 dias. Nos Estados Unidos, o contribuinte trabalha 88 dias para pagar impostos.
Insaciável em seu apetite arrecadador, sempre voraz ante a necessidade de reparar os danos da própria irresponsabilidade fiscal, o governo quer mais. Agora, ameaça a sociedade com a recriação da CPMF, o imposto do cheque, e com a retenção de recursos do Sistema S, um dos mais bem-sucedidos modelos mundiais de educação, ensino profissionalizante, assistência à saúde e qualidade de vida do trabalhador.
O governo pródigo, como ressalta com lucidez a campanha da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), quer que todos nós paguemos o pato, como, aliás, já temos feito, sem contrapartidas. Afinal, somos obrigados a roer o osso de péssimos serviços de educação, saúde, moradia, segurança, infraestrutrura e previdência, e ainda sofremos as consequências da grave crise econômica. Pagamos muito e recebemos quase nada. Os brasileiros não suportam mais impostos!

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segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Deus, O pobre coitado


Longe de mim ter pena de quem tudo pode. Mas, dentro da minha pequena mente humana, quando vejo as barbaridades que são cometidas no seu nome, somente consigo ter pena Dele. Acredito que Ele nos criou para que dentro da sua criação fôssemos seus colaboradores e ajudantes para levar adiante seu projeto divino.
Ver a matança que aconteceu em Paris em nome de um dos nomes que tem Deus entre os humanos, dá arrepios. Vergonha se sente quando vemos o mar de lama, que parece ser muito menor do que poder vir por ai, caso quebrem as outras barragens, e ouvimos as explicações dos gestores e daqueles que deveriam ter fiscalizado.
Tomar conhecimento do que acontece na Igreja Católica, por denuncia do próprio Papa, e que manifesta que não pode sozinho parar com a corrupção dentro dela. Ver como outras denominações “servidoras de Deus” exploram os humildes da terra, aqueles que deveriam proteger.
Abrir o jornal (O Globo 18/11/2015-Página 8) e ver a fotografia do Presidente do Senado, da Câmara de Deputados e o Vice-Presidente da República numa reunião do partido que os acolhe. Lembro que se dizia na Roma Antiga: “A mulher de César além de ser honesta deve também aparentar sê-lo”. Ao bom entendedor poucas palavras.
Quando leio as notícias e vejo que elas refletem somente um lado da moeda, não apresentando ao leitor o outro lado das mesmas, entendo o porquê não se ensina mais o estudo crítico.
Sei que Ele tem planos para nós que estão além de nossa compreensão, e que situações como as descritas dão justificativas aos que duvidam da sua existência. Nós, seres humanos, matamos sem motivo ou com justificativas injustificáveis, exploramos ao próximo em lugar de ajuda-lo, desperdiçamos e destruímos a natureza, que nos foi dada de presente pelo Criador.
 No entanto, apesar de tudo isto, de tempo em tempo Deus nos mostra por frestas muito pequenas um pouco de seu esplendor e poder. Envia pessoas humildes, fracas com nenhum dos atributos que os seres humanos acostumam a reverenciar, e através deles vemos todo seu poder.
 Pensem somente em: Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Betinho e tantos outros na história da humanidade. Queridos leitores pensem que além destas pessoas abençoadas há muito outros anjos que trabalham em silêncio ajudando e contribuindo sem aparecer, sem pedir dinheiro, que nunca irão ser reconhecidas pela mídia, mas que trabalham sob o olhar atento de Deus, seja qual seja o nome que Lhe seja dado.
As cruzadas foram feitas em nome de Deus, a Inquisição também, assim como a destruição das Torres Gêmeas e todos os atentados até o último em Paris.

Em nome de quem, estão morrendo civis inocentes em Síria, Palestina, Israel, África, Ucrânia? Em nome de quem, estão sendo perseguidas as minorias da terra? Com certeza alguns dirão que a culpa é de Deus que permite que isso aconteça.
Pobre coitado de Deus!!!!

Boa reflexão!

Ricardo Irigoyen


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O silêncio dos bons cidadãos


Temos que reagir, honestos cidadãos, pois não podemos abrir mão dos nossos sonhos de liberdade, justiça, equidade e honestidade.

“O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética… O que me preocupa é o silêncio dos bons.” 

A frase cunhada pelo ativista político norte-americano, Martin Luther King Jr. (1929 – 1968), que lutou em defesa dos direitos sociais para os negros e mulheres, combatendo o preconceito e o racismo, cai como uma luva para ilustrar o comportamento passivo dos empresários, políticos, professores, estudantes, enfim, dos cidadãos brasileiros honestos, diante do caos econômico, político e social que se instalou no Brasil.

Vivemos, atualmente, o pior ambiente econômico dos últimos 25 anos, de acordo com o estudo “Indicador de Clima Econômico”, da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A falta de confiança na política econômica do governo, o déficit público ascendente, a inflação beirando a dois dígitos, o baixo nível de competitividade internacional e a escalada do desemprego são alguns fatores indicados pela FGV que estão limitando o nosso crescimento econômico. 

Sem contar ainda com a escassez de investimentos em infraestrutura e ausência de um plano estratégico a médio e longo prazos. Cremos que, em termos econômicos, o país está tecnicamente estagnado. Este aperto na economia do país não pode ser mais encarado como um pressuposto e, acreditar que a alta dos preços não seja estrutural, mas, sim, conjuntural, é negar nossa real situação.

Este cenário está afetando diretamente o bem-estar dos cidadãos brasileiros, agravado pela corrupção habitual, espalhada por diversos órgãos dos governos federal, estaduais e municipais. Não é de agora que a corrupção é praticada no país, mas ela começou a tomar contornos dramáticos com a investigação em um posto de gasolina em Curitiba usado pelo doleiro Alberto Yousseff para lavagem de dinheiro em 2014. Mais tarde, isso revelou-se um vasto esquema de cobrança de “propinas” na Petrobras – conhecida pelo metafórico epíteto “Operação Lava-Jato” –, com a conivência de diversos políticos dos mais variados partidos e envolvimento das maiores empreiteiras do país. Vindo de todos os setores e regiões do país, as denúncias de corrupção assustam. A Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), em estudo recente, calcula que a prática da corrupção causa prejuízos socioeconômicos na ordem de R$ 69 bilhões por ano, maior que o déficit público para 2016, estimado pelo governo em R$ 51,8 bilhões. Por outro lado, a queda do rendimento médio dos trabalhadores, o desemprego e os altos juros, agravam a situação do setor produtivo, que vivencia a sua maior crise.

Politicamente, o país também vai mal. Um Congresso desgovernado – de um lado, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sendo investigado por lavagem de dinheiro e corrupção, e do outro, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, citado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no escândalo da Operação Lava-Jato – deixa o país em clima de mal estar, insegurança, medo e perplexidade, agravados agora pelos pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A política de coalizão praticada nos últimos anos está mais para “toma lá, dá cá” do que união de esforços para o bem-estar do brasileiro, o que também contribui para esta conturbada situação que estamos vivenciando. 

Entendemos, portanto, que não podemos mais ficar em silêncio. Devemos reagir diante de tanta corrupção e desmando, da hipocrisia e falta de ética dos políticos. Vamos ocupar ruas, avenidas e praças para protestar e exigir mudanças, como em 1968 – em plena ditadura militar – na passeata dos 100 mil; como em 1984, pela volta das eleições diretas, com mais de um milhão de pessoas protestando na Candelária (RJ) e outras tantas na Praça da Sé (SP); como em 1992, quando o povo insatisfeito tomou as ruas das principais capitais pedindo o impeachment do presidente Fernando Collor; e, mais recentemente, em 2013 quando milhões de brasileiros protestaram pela redução das tarifas de transportes coletivos, violência policial, gastos públicos e má qualidade dos serviços públicos.

Temos que reagir, honestos cidadãos, pois não podemos abrir mão dos nossos sonhos de liberdade, justiça, equidade e honestidade. 
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A era pós-antibiótico


Em um cenário de crescimento da resistência microbiana aos antibióticos existentes no mercado, a busca por novos medicamentos tornou-se um desafio da saúde pública.
 Devido à emergência deste tema, a Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou, em maio de 2014, o primeiro relatório global sobre o assunto. No estudo, a análise de dados oriundos de 114 países apontou a relação existente entre as mutações sofridas pelas bactérias e o uso abusivo de antibióticos.
De acordo com o documento, a resistência a antibióticos está colocando pacientes em risco tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, à medida que bactérias responsáveis por diversas infecções perigosas desenvolvem resistência às substâncias que costumavam combatê-las. As informações são da Fiocruz.
Para chamar a importância para este assunto, a OMS celebra em novembro a Semana Mundial de Conscientização da Resistência Microbiana, com a meta de incentivar melhores práticas entre o público em geral, profissionais de saúde e agentes políticos.
Neste ano foi também aprovado um plano de ação global para mitigar o problema, incluindo os eixos de comunicação, educação e formação continuada. O tema da Campanha da OMS, “antibióticos: manuseie com cuidado”, deixa claro que os medicamentos são recursos preciosos, devendo ser utilizados nas situações corretas, para tratar infecções, apenas sendo prescritos por profissionais de saúde certificados.
Um dado relevante fornecido por um estudo da revista científica The Lancet é que entre os anos de 2000 e 2010 o consumo de antibióticos aumentou em 76% em países dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em paralelo, a indicação destas substâncias sem prescrição médica também cresceu de forma acentuada.
Se os atuais medicamentos existentes no mercado não são mais capazes de conter o avanço de infecções, alerta a OMS, o mundo caminha para a era pós-antibiótico, na qual será necessário desenvolver novas opções de tratamento.
A questão torna-se ainda mais delicada quando as infecções causadas por superbactérias, associadas a doenças como tuberculose, matam mais de 8,2 milhões de pessoas.
De acordo com projeções do Instituto de pesquisas Rand Europe e da empresa de consultoria KPMG, as mortes anuais relacionadas a casos de doenças provocadas por bactérias resistentes a antibióticos poderão chegar em 2050 a 4,7 milhões na Ásia, 4,1 milhões na África e 392 mil na América Latina.

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