quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Como identificar e neutralizar manipuladores


Aprenda a interatuar com gente falsa e dissimulada sem perder a razão e a postura respeitosa.


A amizade é o sentimento mais belo que existe, pois através dela é possível escrever histórias que ficarão marcadas para o resto de nossas vidas. Não duvide: nada é mais gratificante e motivador do que ter uma pessoa em que podemos confiar para dividir as nossas decepções, contar os nossos segredos, e manifestar os nossos íntimos desejos. Com o passar do tempo, essa criatura acaba se tornando mais do que uma irmã para nós, visto que geramos um grau de afinidade tão grande que passamos a morar dentro dessa alma, fazendo com que tenhamos um inigualável tesouro que o dinheiro nunca pôde e nunca poderá comprar.
Evidentemente, somos seres absolutamente dependentes dos nossos semelhantes: precisamos compartilhar coisas, praticar a generosidade e a abnegação, sermos auxiliados em momentos obscuros, dar e receber carinho, confrontar ideias para recebermos críticas e elogios, ensinar e receber de volta conhecimento, enfim necessitamos de interação. 
Em razão dessa óbvia e estarrecedora conclusão, o brilhante escritor Vinicius de Moraes acertadamente disse: “Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos.”
O estupendo pensador nos dá uma base sólida para interpretarmos o tamanho e a representatividade de um amigo na vida de um reles ser humano. Note como as pessoas solitárias são infelizes, melancólicas, vazias e sem esperança, porquanto vivem cercadas de si mesmas e não se abrem para o mundo. 
São entidades apáticas, orgulhosas, vaidosas, apatetadas e vastamente alienadas, dado que fogem das conexões sociais por medo de mostrarem suas verdadeiras faces e imperfeições. Em outras palavras, esses indivíduos vivem se escondendo por não acreditarem nas próprias ideias e por serem tímidos e demasiadamente inseguros, nadando em um oceano completamente desabitado e sofrendo por surfarem em um mar onde só existem miragens e ilusões.
Estamos sob a lei da justiça universal e colhemos exatamente aquilo que plantamos, de sorte que quanto mais bondade praticarmos mais felizes e completos seremos. Você desconfia dessa inquestionável reflexão? Então faça uma análise em sua cidade e repare o comportamento das pessoas mais bem sucedidas: note calmamente e você perceberá que elas possuem uma característica em comum, a saber: a socialização. 
E não poderia ser diferente porque quanto mais amamos os nossos semelhantes, mais inteligente nos tornamos, pois passamos a vencer os nossos egos inflados e as nossas naturezas autossabotadoras.
Um homem só passa a ser sábio e poderoso a partir do momento em que decide viver para os outros e não para si mesmo. Servindo o próximo, encontramos as sagradas respostas da vida, gerando um mapa transcendental que nos entrega o caminho da paz, da certeza e da felicidade. 
Não duvides, aquele que aceitou ser lapidado pela sua comunidade herdou instintivamente as chaves do paraíso e tem força e autonomia para concretizar qualquer desejo, mesmo os mais utópicos e impensáveis do planeta.
Pense comigo: quem é vencedor senão aquele que passeia pelas florestas da empatia, invadindo o coração dos outros com o intuito de cicatriza-lo e regenerá-lo. Ora, essa foi a qualidade mais elevada de Jesus Cristo - o maior de todos -, porque ele acreditava que a honra máxima estava em satisfazer as necessidades alheias, procurando dar as pessoas apoio, conforto, segurança e amor.
Entenda a mente de um falsário e suas perniciosas e endiabradas intenções
Uma pessoa manipuladora age pelos seus interesses, nunca pelos seus ideais. Isso acontece porque ela não existe para praticar a verdade, a justiça e a honra, mas sim para herdar prosperidade (bens materiais), vantagem (atalhos ilegais e antiéticos) e privilégio (mordaças e blindagens ilícitas). 
Em outros termos, ela quer passar na frente dos outros a todo custo e usa as outras pessoas para concretizar esse objetivo, de sorte que não possui nenhum amigo, mas tão somente criaturas nas quais ela usa para crescer e se desenvolver.
Essa entidade se especializou na arte da encenação e se comporta de maneira estratégica e planejada. Em razão dessa apurada e hiper-teatralizada técnica, poucas pessoas percebem suas verdadeiras intenções. De uma forma mais transparente, essas criaturas possuem uma imagem exterior extremamente bem trabalhada, de forma que transmitem uma marca tremendamente assertiva, positiva e agradável aos olhos dos outros (esse é o grande diferencial que as permite ludibriar com total maestria e coordenação).
Normalmente, esses atores da escuridão seduzem as suas vítimas estudando seus pontos fracos, isto é, após descobrirem o que satisfaz a outra parte, eles investem pesado nessa vertente até ganharem a confiança dos referidos alvos. Quanto a isso, não se engane: elas se dedicam durante dias, meses e até anos na busca dessas informações para montarem suas operações táticas com o intuito de ceifar essas ingênuas e lerdaças vítimas.
Após conquistarem integralmente a credibilidade de suas presas, elas passam a pôr em prática os seus maquiados intentos: pode ser um cargo em uma grande empresa, uma posição maior em um grupo comunitário, o uso de um objeto valioso (como um carro, um iate, um apartamento, etc...), a vingança por algo que ocorreu no passado, a busca de um relacionamento amoroso, a participação em um clube restrito (privado), o desejo de roubar dados e informações, a ideia fétida de sugar os pontos fortes do amigo e absorvê-los, em síntese, muitas são as vontades desses seres de alma envenenada, que existem para a maldade e para as pífias embromações do engano.
 Usando letras heterogêneas para explicar a mesma coisa, esses lendários hereges do Sheol não se aproximam de ninguém por gostar, apreciar, admirar e estimar, muito pelo contrário, eles não ostentam esse tipo de sentimento, porquanto amam COISAS e não PESSOAS.
Em linhas gerais, esses ventríloquos envolvem suas marionetes em um círculo de pequenas e imperceptíveis armadilhas, fazendo as mesmas realizarem aquilo que eles mais querem sem se darem conta do ocorrido. Fatalmente, esses bonequinhos descerebrados são tomados por uma cegueira mórbida onde não podem enxergar as coisas como elas realmente são. 
Curiosamente, esses indivíduos atacados possuem um padrão singular: geralmente são seres carentes, covardes, tímidos, caridosos, servidores, com baixa estima e pouca capacidade intelectual, porquanto esse perverso caçador só pode dar o seu bote se a sua presa deixar (ele não é autossuficiente), ou seja, o que alimenta as manobras dessa raposa é o poder que ela recebe de suas inseguras e néscias vítimas.
E as coisas pioram ainda mais quando esses indivíduos usam outras pessoas (parceiros) para fortalecerem suas forças, conspirando em grupo para materializarem seus objetivos com mais rapidez e agilidade. Receba o insight dos deuses: o seu ninho social está cheio dessas pessoas, o que faz com que a sua rede de contatos seja um tanto quanto perigosa e confrontadora. 
Desgraçadamente, esses sujeitos não têm caráter: são mentirosos, cascateiros, bravateiros, demagógicos, ladrões, cínicos, debochados, injustos, marqueteiros, ardilosos, soberbos, perversos, masoquistas, traidores, estupradores intelectuais, maquiavélicos sociais, demônios espirituais e sanguessugas morais. Eles não valem absolutamente nada: vivem tão somente para destruir vidas e satisfazerem seus sonhos tipicamente egoístas, torpes e mesquinhos.
Por isso, o convívio social é tão difícil: porque estamos rodeados de mentes poluídas. Por consequência, é fundamental trabalharmos a nossa capacidade de ler os outros, de forma a interpretarmos e reconhecermos esses bandidos sociais. Com um pouco de treinamento e uma postura atenta é possível perceber algumas atitudes típicas (e tendenciosas) dessas malignas criaturas.
O importante é não cair no sono profundo da morte: moldando escudos para absorver essas flechadas e rapidamente expirá-las.
Como destronar esses tiranos da maquinação
Como conseguimos ver ao longo de tantas linhas, o manipulador só herda seu trono se a outra parte permitir. O problema é que muita gente abastece esse castelo de horrores, construindo pilares e montanhas que no futuro ironicamente as enterrarão.
Uma outra característica que notamos ainda, foi a mudança de personalidade desse sujeito: que troca de personagem de acordo com a peça em que irá atuar. Isso é interessante porque nos mostra que essa criatura possui muitas máscaras e não detém uma conduta coerente e coesa (ela é ambígua por excelência e incógnita por natureza).
Vimos também que esse devorador vive para sugar a autonomia, o respeito e a dignidade humana, buscando pressionar seus alvos por meio do aumento de suas fraquezas (culpa, medo, insegurança). Em proporções maiores, eles praticamente dominam toda a consciência alheia, como se fossem donos de certas almas.
Percebemos anexadamente que esses sujeitos são tão treinados que uma pessoa comum não é capaz de detectá-los, pois eles são completamente invisíveis aos olhos banais. E como se não bastasse essa endiabrada e proeminente qualidade, eles também agem em bando de vez em quando, fortalecendo suas perniciosas ações por meio dessa macabra e persuasiva união.
Até importa que existam pessoas assim para que os indivíduos íntegros se manifestem, trazendo a luz de seus cosmos para detonar de vez essas ominosas escuridões. Em outros termos, devemos enxergar essa embromação como uma oportunidade de realizar o bem, provando que a verdade é infinitamente superior a qualquer tipo de ilusão.
Conhecendo a mente e o coração dos cavaleiros do apocalipse, decidi separar algumas atitudes que o ajudarão a se manter livre do domínio desses principados da teatralização, de sorte a quebrar essas nefastas correntes antes que elas possam perversamente abraça-lo, confira:
·         Procure se afastar e ignorar essas pessoas – indiferença plena -;
·         Aprenda a ser autêntico e a dizer NÃO sempre que seu coração mandar;
·         Nunca ceda a chantagens emocionais e corte esse fétido mal pela raiz;
·         Seja lúcido e coerente e não permita que esses forjadores da realidade (atores) destorçam os fatos e lucrem sordidamente com isso;
·         Seja firme e não deixe que sentimentos destrutivos como a culpa, o arrependimento e o pessimismo o façam barganhar suas convicções e valores;
·         Não recue, titubeie ou se fragilize quando for confrontado: olhe nos olhos do dragão e mostre que ele terá muito trabalho para incendiá-lo;
·         Inverta os papéis e ponha o caçador em evidência: puxe os holofotes e atire-os na cara dele, você verá que ele se incomoda em provar do próprio veneno e perde rapidamente sua “inabalável” autoconfiança;
·         Saiba impor limites e jamais queira abraçar todas as “causas”;
·         Aprenda a respeitar suas próprias volições e não negocie seus insights e certezas com ninguém;
·         Fortaleça seu feeling e não deixe que as variáveis externas tenham poder de oprimi-lo;
·         Aprenda a verificar esses comportamentos adulterados: seus padrões e regras. Posteriormente, aja com equilíbrio e sensatez: não aceite favores de qualquer um, mantenha sua mente focada somente em coisas positivas, seja corajoso (firme) e, principalmente, não jogue o jogo dessas raposas;
·         Seja um intenso questionador: desconfie de tudo. E mais: tenha muito cuidado com pessoas gentis e acessíveis, dado que muitas delas são fantasmas da maquinação e suas bolsas vivem recheadas de astutas artimanhas;
·         Não queira estabelecer vínculos com pessoas antidemocráticas e tipicamente tirânicas (donas da verdade);
·         Seja transparente e exija que a outra parte também seja, evitando condutas indecifráveis e pontualmente embaçadas. 

Para todos os efeitos, o mais interessante é ser seletivo, isto é, não sair fazendo amizade com qualquer um, pois os companheiros que visitam as suas moradas podem lhe causar danos irreversíveis e piamente catastróficos. Aprenda: os verdadeiros amigos devem gostar de você simplesmente pelo que você é (amor) e não por aquilo que você pode lhes oferecer (objetos). 
Em razão disso, Confúcio sabiamente disse: “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade".
Pense nisso e se cerque de gente do bem para que o seu quintal seja visitado tanto em dias ensolarados quanto em dias obscuros. Só assim, você terá a lídima certeza de que a alegria estampada nos rostos alheios será sempre sincera, pura e leal, tal qual às folhas esverdeadas que caem em seu lúdico jardim.
Pablo de Paula Bravin.
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Um comentário:

  1. Ótimo texto. Infelizmente já tive muitas desilusões com amigos e amores, então eu meio que tenho um trauma com relação à pessoas.
    rsenhando.blogspot.com.br

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