quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Brasileiros preferem trabalhar com o que gostam, mesmo ganhando menos

Estar feliz com a vida profissional, amar o que faz, trabalhar no emprego dos sonhos, não são tarefas das mais fáceis. Para entender o que o brasileiro pensa sobre o emprego dos sonhos, a Catho, classificado online de empregos, realizou uma pesquisa que mostra as características mais valorizadas na vida profissional. Para 43,4% dos respondentes, a qualidade de vida é o que melhor define o emprego dos sonhos. Já para 13,2% e 12,9%, horário flexível e autonomia nas decisões, respectivamente, são as principais características.
Em uma outra pergunta, os brasileiros foram colocados à prova. Perguntados se preferem ganhar bem mesmo que não façam o que realmente gostam ou trabalhar com o que realmente gostam mesmo que ganhem menos, a grande maioria (81,1%) diz preferir a segunda opção e dão mais valor a fazer o que gosta em relação ao salário.
“As pessoas estão buscando mais qualidade de vida e mais tempo com a família. Tanto homens como mulheres preferem ter um trabalho que o realize mesmo que tenha um salário menor nesse emprego. Fazer algo em que realmente consiga entregar um resultado que satisfaça a empresa e, principalmente, a si próprio e fazer a diferença, são características que acabam refletindo na realização do trabalho ou o emprego dos sonhos”, comenta Luís Testa, head de Pesquisa e Estratégia da Catho.
A pesquisa ainda permitiu que os 1.435 respondentes descrevessem qual a profissão dos seus sonhos. Ser empreendedor foi uma das respostas mais citadas. Entre as principais áreas de atuação, o ramo de alimentação, encabeçado por dono de estabelecimento e engenheiro de alimento, além de engenharia de maneira geral, foram as preferidas dos brasileiros.
Felicidade
De acordo com Cyndia Bressan, psicóloga, coach e coordenadora do MBA Gestão de Pessoas por Competências, Indicadores e Resultados do Instituto de Pós-Graduação (IPOG), trabalhar com o que gosta pode influenciar, mesmo que indiretamente, na saúde e felicidade. “À medida em que uma pessoa faz o que gosta, a tendência é que ela se estresse menos, logo, ela pode ter uma vida mais saudável. E ela vai ter um dia-a-dia mais feliz.” A psicóloga lembra ainda que há uma maior produtividade daquele que trabalha com o que gosta. “Você vai estar curtindo fazer aquilo, e não só fazendo por fazer ou porque é uma obrigação.” Bressan destaca que, mesmo que você goste do seu trabalho, pode não gostar de todas as atividades dele, mas que gostar de 70% ou 80% do total já é um ótimo índice.
Ambiente de trabalho
“Acredito que tudo é uma questão de combinação”, afirma Bressan. De acordo com a especialista, a empresa também tem a sua parte no processo, devendo criar um ambiente e cultura  de trabalho propícios para que os funcionários se sintam bem no local. “O colaborador tem que fazer o que gosta em um local que gosta.” A psicóloga define a relação entre o colaborador e a empresa como uma questão de casamento: “ele [o colaborador] tem que encontrar uma empresa com a qual comungue dos valores e do ambiente para que, além de fazer o que gosta, ele goste de estar lá e cumprir as exigências que são naturais de todos os trabalhos. Da mesma forma, a empresa precisa gostar da postura do colaborador e da maneira como ele não só atinge resultados, mas também como trabalha com exigências.”
Qualidade de vida
“A busca por qualidade de vida é do ser humano”, resume Bressan. Segundo a especialista, os profissionais estão se tornando mais críticos e mais conscientes, mas, ainda de acordo com ela, tudo depende do nível de maturidade e momento da carreira.  “Tem alguns momentos em que não dá, realmente, para ter uma vida pessoal, porque a gente está investindo sangue, suor e lágrimas na carreira, e precisa se dedicar muito, por muitas horas e com muito afinco.” A psicóloga destaca, entretanto, que a busca por melhor qualidade de vida independe de nível hierárquico, tempo de vida ou setor de mercado. Além disso, como afirma Bressan, “é um desafio não só para os brasileiros, mas para o mundo inteiro”.
Escolha profissional
“Quando a gente escolhe um curso, a gente escolhe por uma aptidão que acha que tem ou porque a gente julga que vai fazer algo que gosta. E a família tem um peso muito importante nessa escolha”, lembra Bressan. A especialista afirma também que a família ainda exerce grande influência na escolha profissional, e “às vezes até faz com que um indivíduo pense que gosta de alguma coisa que o pai ou a mãe faz e é bem sucedido e que, na verdade, ele pode não gostar da mesma forma.” Para ela, o diferencial é escolher uma profissão que, a despeito de possíveis influências, realmente goste. “Não da faculdade, necessariamente, porque pode ter disciplinas que não têm nada a ver, mas que goste do exercício daquela prática.”
Ainda de acordo com Cyndia Bressan, seria interessante realizar uma pesquisa para conhecer todas as práticas de trabalho existentes naquela profissão ou curso escolhido para que, dessa forma, seja possível escolher o que mais combina consigo, e o que se espera na vida profissional e também na pessoal. “É importante, sim, fazer o que a gente gosta, porque a gente vai ser mais feliz, vai ter mais saúde e mais qualidade de vida, mas, fazer só o que gosta é impossível. Então a gente também tem que gostar do que a gente faz”, reforça.


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