domingo, 16 de agosto de 2009

Você lembra da última carta que escreveu?

Modernidade X nostalgia :

Situação normal dos dias atuais: A pessoa acorda, antes mesmo de levantar da cama, estica o braço e aperta um botão - que não é do despertador - esfrega os olhos e, ainda com uma visão embaçada, percebe no monitor do seu computador, que nove colegas, um cliente e meia dúzia de desconhecidos enviaram mensagens eletrônicas (e-mail). A rotina de muitas pessoas é essa atualmente. O uso do computador é automático, quase uma necessidade vital. Antes mesmo de acordar já queremos estar conectados ao mundo.
Me recordo com alegria da última carta que recebi, eu tinha uns 14 anos. A carta foi postada no interior do Rio Grande do Sul, escrita com uma letra linda e bem contornada, alguns desenhos românticos pelo lado de fora do envelope e logo ao lado o nome da pessoa que me escreveu. Não importa quantas cartas eu já havia recebido, sempre percorria com os olhos atentos, procurando pelo nome do destinatário e se lá encontrasse o meu nome, a explosão de adrenalina era imediata.
Com o envelope nas mãos comecei o ritual, uma cerimônia cheia de cuidados para abrir aquele envelope simples, frágil e desconhecido que guardava algo de grande preciosidade, os pensamentos sinceros de uma pessoinha muito especial.
O conteúdo podia não ser dos mais nobres e nem mesmo a gramática perfeita, mas lia a carta atentamente e ao término relia, para ver se não tinha deixado passar desapercebido uma vírgula sequer.
Mas não são das minhas cartas que quero falar, pois delas tenho apenas boas lembranças. Cito a carta como exemplo para que vejamos a falta de romantismo que a tecnologia nos "impôs" com o surgimento de alguns "facilitadores". Exemplo disto o e-mail, programas de mensagens instantâneas e celulares com mensagens de texto.
Como posso me recordar tão bem de uma carta que recebi há 5 anos e não me recordo do primeiro e-mail que recebi hoje pela manhã?
Agora já não importa mais qual foi meu primeiro e-mail do dia. O que desejo aqui enfatizar é que às vezes a tecnologia e a modernidade só vem atrapalhar e esconder o lado romântico que cada homem possui dentro de si. Pergunto:
- Quantos e-mails você manda por semana ou até mesmo por dia para sua esposa, namorada ou paquera? Será que ela lembra do que estava escrito nos três últimos ou, será que ela lembra o que dizia a ultima mensagem. Ah!!!, não era mensagem importante, nem mesmo palavras de carinho, mas sim uma piada que recebeu de um amigo e encaminhou para ela? Não tem problema, você não é o único a fazer isso.
Agora, experimente fazer um teste. Inicie pegando uma folha de papel, de preferência reciclável, uma caneta e escreva algumas palavras para a pessoa que você gosta. Utilize sua imaginação, criatividade e liberdade para mostrar o que sente por ela. Quando terminar de escrever, procure uma agência dos Correios e poste a correspondência. Não importa quão longe ou perto esteja o destinatário. O que está em jogo é dar o prazer de deixar a pessoa abrir a carta, analisar a ortografia, acreditar nas palavras e sentir a presença do tão esquecido romantismo.
Se você for sincero e a destinatária, ou destinatário, tiver "sangue nas veias", não haverá erros de gramática, falhas de concordância, palavras chulas, nem mesmo "letra feia" que farão seus pensamentos ali escritos serem esquecidos por bons e longos anos.
Não sou contra a tecnologia, muito pelo contrário, o que estou ressaltando é que existem momentos em que devemos lembrar e utilizar as boas coisas de um passado nada distante, neste caso, os três Cs - Carta, Correio e Carteiro!

Resolvi escrever sobre isso, por que esta semana escrevi uma carta a próprio punho e gostei tanto, me senti tão bem fazendo isso, daí comecei a pensar...


Se você lembra da última carta, comente quanto tempo já faz.

9 comentários:

  1. Excelente seu texto amigo...
    Hoje com certeza a modernidade afeta nosso lado romântico.
    Nossa, me lembro como se fosse hoje, a felicidade que senti quando recebi minha primeira carta, e o entusiasmo que senti em respondê-la.
    Que pena que esse tempo passou!
    Abraços e parabéns pelo post.

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  2. Muito bom o texto. O modernismo as vezes atrapalha, e perdemos o teor das coisas simples. Não me lembro da última carta que escrevi, mas me lembro quando minha mãe mandava escrever para minha Vó (Já havia até decorado o início batido) e a expectativa quando recebia a resposta.

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  3. Parabéns pela mensagem, com certeza a "emoção" de receber uma carta é mais forte.

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  4. engraçado, mas, nunca deixei de escrever de próprio punho...gosto de "escrever a mão"...a última carta foi um belo cartão, que mais parecia carta...

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  5. Nem do último e-mail eu lembro! huahuahuhauhauhau

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  6. Grande William, sou ainda do tempo das cartas, aquelas escritas a mão, eu não, mas, meu pai e mãe ainda tinham esta forma de comunicação. Mas, na boa, não tenho nenhum tipo de saudade não.

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  7. Há uns bons anos que não escrevo "à mão". Sejam cartas ou pensamentos ou histórias. Com lápis e papel apenas faço anotações, e, curiosamente, mantenho a minha agenda em papel, porque uma digital não me satisfaz.

    Mas na realidade tem outro sabor receber, ou escrever uma carta escrita pelo próprio punho.
    Parabéns pelo texto.

    Abraços
    Luísa

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  8. Lembro perfeitamente bem. Faz duas semanas escrevi uma carta manuscrita, é bom dizer, coisa que, hoje em dia, ninguém faz mais.
    Abraço

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  9. Ahhh outro dia eu tive o batimento cardíaco parado por segundos... recebi uma encomenda via correio! Surpresa! Um presente do meu amado! Era simples, mas era tudo de bom que recebi nos ultimos anos. O bilhete era pequeno, mas valorizei demais. Achei tudo maravilhoso. Agora estou aqui pensando como retribuir... será tambem assim: a moda antiga!

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